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quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Cinema nas escolas só em 2013-2014

A notícia vem hoje no jornal digital Página 1:


terça-feira, janeiro 15, 2013

Decodificar as notícias sobre a guerra no Mali

Libération, 14 January 2013 – Presseurop
De repente montou-se uma guerra no Norte do Mali. Contra o terrorismo e pela democracia, notam os  dirigentes franceses e repetem as diplomacias ocidentais. E se esta guerra fosse também - alguns dirão: sobretudo - um biombo para acautelar os interesses do Ocidente em urânio, produto em que o pobre Mali é rico?
Ao ler notícias que nem sempre os grandes media publicam e, menos ainda, aprofundam, sobre o eclodir deste conflito na África do Norte, damo-nos conta de que o caso é bem mais complexo do que o pintam e que vale a pena acompanhar com atenção este dossiê.
Uma das teorias que os manuais de estudos jornalísticos nos apresentam e que nos podem ajudar a ler criticamente as notícias, nomeadamente as das guerras, é a teoria do enquadramento ('framing' em inglês, um conceito sugerido por Todd Gitlin). Propõe que inerente à representação e apresentação da realidade social operada pelos media está un enfoque, uma perspectiva que concentra as atenções em determinados tópicos ou ângulos, de fácil adesão, deixando na sombra outros que seriam igualmente (ou talvez mais) relevantes.
Esta teoria é, de certo modo, envolve uma forma de seleção e de silenciamento, mas é mais do que isso. É um enviesamento na produção discursiva (fabricado, neste caso, pelas fontes - Estados, organizações internacionais, etc) e - numa etapa fundamental para a eficácia e efetividade desse enfoque - tematizado, desenvolvido e amplificado pelos grandes media.
O terrorismo, pela sua própria natureza, possui uma enorme força mediática. Mas desde os ataques às torres gémeas e ao Pentágono, em 2001, adquiriu um 'valor-notícia' ainda maior. Neste contexto, enquadrar os motivos dos bombardeamentos das forças francesas no Mali no combate ao terrorismo e, mais especificamente, à Al-Qaeda é motivo mais do que suficiente para que as opiniões públicas pelo menos não reajam negativamente.
Não deixa de ser sintomático que, num momento em que a França atravessa dificuldades e em que vários países ocidentais, a começar pelos Estados Unidos, estejam a abandonar o Afeganistão, os mesmos países se disponham a lançar uma intervenção em larga escala na África ocidental, e com o aviso de que vai se uma operação demorada. Que sentido de solidariedade ou de espírito democrático é que desencadearia uma ação deste tipo?
Há certamente laços históricos que ligam a França ao Mali e outros países da região. Há certamente organizações terroristas e fundamentalistas que há mais de um ano progridem na zona e que transpuseram recentemente o rio Níger, a caminho de Bamako. Mas alguma força ou interesse poderoso levaria os militares para um palco daqueles, para além do terrorismo.
Se se tiver em conta que os países do Sael são grandes produtores de ouro, urânio, cobre, fosfato e ferro, além de petróleo e gás natural; se se disser que o vizinho Níger, sendo o terceiro maior produtor de petróleo, fornece 3% do urânio para as centrais nucleares francesas e que conta abrir em 2015 uma nova mina a céu aberto, explorada por franceses, o quadro complexifica-se bastante. "Certos observadores - escreve hoje o jornal católico La Vie - sublinham o interesse que poderiam ter estes Estados [como a França e a China, nomeadamente] em exagerar a ameaça terrorista para justificar uma presença militar, como aconteceu com o Iraque com a invenção das armas de destruição maciça, por parte da administração Bush".
É claro que o controlo do urânio por organizações terroristas representa uma pesada ameaça para as nações, mas é necessário que o jornalismo nos forneça os vários aspectos do caso, e não alinhem de modo mais ou menos seguidista no 'framing' que os Estados pretendem ver adotado e amplificado.

Para ler e aprofundar o assunto:
Complemento em 25.1.2013:

Sob o título: "Guerre d'infos  

Le difficile travail des journalistes au Mali"

o jornal Le Monde  pergunta hoje:
"Comment parler de la guerre au Mali quand la moindre (et rare) information est invérifiable ? Que montrer d'un conflit où photographes et équipes de télévision n'ont pas accès au front et où les seules images disponibles sont occasionnellement délivrées par l'armée ? "
(...)
"Dans un article publié le 24 janvier, Télérama tente d'apporter plusieurs réponses aux questions que pose la couverture médiatique de la guerre au Mali.
Pourquoi n'y a-t-il pas d'images ? Tous les médias l'ont constaté depuis le début de l'intervention, le 10 janvier : la "Grande Muette" qu'est l'armée française porte toujours aussi bien son nom en période de conflit. Les informations sont distillées au compte-gouttes. "L’armée française a dépêché des officiers de presse sur place, mais ils sont injoignables, peste Sylvain Lequesne, grand reporter à France 3, interrogé par Télérama. Ils nous disent que ne pas communiquer c’est déjà communiquer !" "Les autorités françaises ont peur que nos informations servent à l'ennemi, explique Pierre Grange, grand reporter sur TF1. On nous refile donc très peu de tuyaux."

quarta-feira, novembro 14, 2012

Os protagonistas da informação, segundo os media


Vejamos com atenção os dados da figura seguinte, que consta da mais recente newsletter da Marktest e relativa aos "Protagonistas da informação na Tv em Outubro" último:





































Como analisar esta informação? Com que critérios? Pela diversidade político-social dos protagonistas? Pelo equilíbrio entre Governo e Oposição? Pelos motivos que levaram estas personalidades a serem objeto de notícia? Pelas singularidades de alguns casos no ranking?
Aparentemente está tudo dentro de uma certa lógica: o Primeiro Ministro em primeiro e o líder da Oposição em segundo; o ministro das Finanças logo em terceiro; equilíbrio entre protagonistas da área do Governo e da Oposição, com cinco para cada lado. Ao mesmo tempo, pode ser uma surpresa (apenas relativa) o destaque do coordenador do Bloco de Esquerda; o principal partido da oposição com apenas o seu secretário-geral no ranking dos dez (versus a área comunista com três e o CDS com dois); o aparente apagamento do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, além de líder dos centristas, etc. Tudo isto pode ser objeto de reflexão. Mas talvez se possa ir mais longe.
Numa análise mais aprofundada, não será de questionar, por exemplo, aspetos como estes:
  • Que critérios editoriais, ideológicos, políticos ou mercantis levam as TVs a dar destaque a estas figuras e não a outras?
  • Qual o protagonismo das mulheres na nossa sociedade? Porque será que nem uma aperece neste ranking?
  • Como explicar o eclipse do Presidente da República?
  • Por que razão há apenas uma individualidade que representa organizações não partidárias / governamentais?
  • Que instituições / pessoas poderiam e eventualmente deveriam figurar neste tipo de rankings, supondo que têm algum valor?
  • Que valores ou critérios estão implícitos em rankings que contabilizam apenas o tempo e número de notícias e não os conteúdos e os motivos/contextos das notícias em que essas figuras intervieram?
  • Que vantagens e riscos encerra o olhar contido neste tipo de rankings?
  • Que outros critérios poderiam ser utilizados para analisar as coberturas noticiosas das televisões e dos media?
Os media constroem a realidade, a sua realidade. Cabe-nos a nós um papel de atenção crítica e vigilante para não ficarmos condicionados pelo mundo retratado por eles. Para isso só detetando as suas apostas, as suas lógicas e preocupações, os seus enviesamentos.

quinta-feira, outubro 04, 2012

"Setúbal na Rede" promove prática do jornalismo em escolas

"A formação de alunos e professores para promover a prática do jornalismo em vários estabelecimentos de ensino básico e secundário do distrito vai ser missão do “Setúbal na Rede” que, através de palestras e workshops de jornalismo nas escolas, quer implementar uma melhor educação para os media e, no âmbito da responsabilidade social, fomentar a cidadania ativa. Rui Lourenço, responsável pela Direção de Serviços de Apoio Pedagógico e Organização Escolar (DSAPOE) na Direção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRELVT), entende que hoje em dia “é necessário construir um homem novo que se habilite para o mundo novo que está a surgir” e adianta que “cada vez mais é importante a educação dos alunos e professores para atividades extra curriculares práticas”.

“Tudo o que diga respeito a melhores práticas de cidadania nos estabelecimentos de ensino deve ser incentivado”, prossegue Rui Lourenço que, por outro lado, verifica que o jornalismo sai beneficiado com a iniciativa. Este ponto é salientado por Pedro Brinca, diretor do “Setúbal na Rede”, que contempla“uma crise de valores instalada que deve ser invertida através da formação adequada para uma melhor visão sobre o jornalismo”.

“Hoje em dia, as pessoas não confiam no jornalismo”, assume Pedro Brinca, acrescentando ser este o pilar da democracia. A promoção de palestras e workshops vai permitir aos alunos perceberem os vários géneros jornalísticos com que são confrontados através da pluralidade de fontes que lhes são fornecidas. “A ideia não passa por formar jornalistas profissionais mas melhores consumidores de notícias”, prossegue o diretor do “Setúbal na Rede”.

Continuar a ler: AQUI

terça-feira, fevereiro 21, 2012

O que fazer com os media (nota a propósito da jornada de 3 de Maio)


Está neste momento a ser lançada no país uma operação que constitui um desafio à nossa inércia e à nossa consciência: dedicar um dia – 3 de Maio próximo – a refletir sobre o lugar e o sentido que teem os meios de comunicação, novos e tradicionais, na nossa vida. Em torno do mote “Um dia com os media”, cada qual, individualmente ou em grupo, em família, no seu trabalho ou no seu lazer, tomará as iniciativas que entender mais adequadas.
Muitas vezes expressamos a preocupação sobre o que os media fazem às pessoas, mas menos vezes nos preocupamos com o que as pessoas fazem com os media – quanto tempo lhes dedicam, que procuram e que fazem com o que encontram ou lhes é ‘oferecido’, que contributo dão para a sua melhoria. Dados recentes indicam que o tempo médio gasto pelos portugueses com os media (sobretudo a Internet, televisão e jogos vídeo) continua a crescer (a população idosa queima, por dia, só com a TV, mais de cinco horas). Que significa isto? Que se passa com a leitura? Como estamos a aprender a tirar partido dos recursos e oportunidades que a Internet abre para alargar os  horizontes, para comunicar com os que estão distantes, para resolver necessidades do quotidiano?
Uma atenção muito particular deve ser prestada às novas condições de socialização e formação das crianças e adolescentes, que nascem e crescem no ambiente digital. Mas, cada vez mais, todos nós, mais novos e mais velhos, precisamos de aprender a manejar de forma eficiente as novas ferramentas que a revolução tecnológica e digital coloca ao nosso alcance.
Se todos gostaríamos de viver num local agradável, arejado e tranquilo, com boas vistas, bem servido de acessos e de serviços, porque haveríamos de ser menos exigentes quando se trata dos media, da informação, das artes e da criação? Pensar o que temos, o que nos inquieta, o que desejaríamos ter, o que nos merece críticas e nos suscita aplauso na ecologia comunicacional e mediática é uma preocupação central da jornada do 3 de Maio. Mais do que pensar, é preciso também agir – partilhar as preocupações com outros, comunicá-las a quem de direito, incluindo aos próprios media, que são certamente um parceiro decisivo das mudanças que há que operar. 
(Texto publicado no jornal digital Página 1, de 20.2.2012, sob o título "Um dia com os media")

segunda-feira, dezembro 19, 2011

No Museu Soares dos Reis
Uma viagem pelo cinema de animação português

Quer conhecer as técnicas de animação do cinema?
E alinharia aprender a desenvolver você mesmo/a técnicas de animação?
Gostaria de tomar contacto com filmes de animação portugueses antigos?

Então leia esta notícia divulgada pela agência Lusa:

“Território Animação - Aprende como se faz Cinema de Animação” é uma exposição interactiva sobre animação, com atelier, que vai ser inaugurada na amanhã no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, onde ficará até 15 de Abril.

“Esta exposição é especial, porque ensina as técnicas do cinema de animação através do espólio da Casa da Animação e dos filmes de animação que se fizerem em Portugal”, explicou à Lusa Miguel Ribeiro, director da Casa da Animação, entidade responsável pela organização do evento.

Animação de volumes, animação de areia, animação com recortes e pintura animada são algumas das técnicas do cinema de animação que vão ser ensinadas na exposição interactiva. Haverá também uma mostra de filmes de animação antigos portugueses.

“É uma viagem histórica e técnica pelo cinema de animação em Portugal” destinada a pessoas de todas as idades que o queiram conhecer, conclui Miguel Ribeiro.

A apresentação dos materiais de produção de filmes de animação portugueses vai ser organizada segundo uma lógica pedagógica e na sala de trabalho vão estar instalados equipamentos e postos de trabalho que vão permitir aos visitantes experimentar a produção dos seus próprios exercícios de animação.

Na sala do workshop pode observar-se também a exposição “Anatomia de um Filme”, que revela o processo de produção do último filme de Pedro Serrazina, “Os Olhos do Farol”.

“Território Animação - Aprende como se faz Cinema de Animação” ocupa duas salas de exposição temporária do Soares dos Reis, localizado no Palácio dos Carrancas, na Rua de D. Manuel II.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

segunda-feira, novembro 21, 2011

Novo livro - Media Education goes to School


Media Education goes to School (Minding the Media: Critical Issues for Learning and Teaching) é um livro da autoria de Allison Butler que procura resumir a luta que envolve a integração da literacia mediática no currículo educativo das escolas rurais e suburbanas norte-americanas. Baseada numa investigação etnográfica, envolvendo grupos focais de 21 participantes, ao longo de um processo de observação-participante, a obra resume as percepções dos estudantes sobre a literacia mediática nas suas escolas, além de perceber que tipo de conhecimentos partilham acerca das reformas escolares. Um dos pontos mais importantes do livros acaba por ser a constatação de que a literacia dos media não é [ainda] uma prioridade nas políticas educativas, além de prever que só na presença de profundas reformas estruturais no sector da educação se pode esperar a integração plena de uma disciplina que ajude os alunos a lidar com os media.

terça-feira, setembro 20, 2011

Serviço público de TV: os anéis e os dedos


 Faz falta um serviço público de televisão, mesmo, e talvez sobretudo, em tempos de crise. Não necessariamente nos moldes em que existe – entendo que, sobre isso, há opções a tomar. Quando o dinheiro é escasso, costuma dizer-se: que vão os anéis, mas fiquem os dedos. Mas, neste caso, o que são os anéis e o que são os dedos? Se “nem só de pão vive o Homem” (Mt 4,4), pode-se morrer também da falta daquilo que está para além do pão: temos uma necessidade vital de cultura, de criatividade, de pensamento crítico, de alargamento de horizontes, de espiritualidade. Sem isso não se vive e a sociedade definha.
Considero inconsistente a ideia de que os canais privados, podem perfeitamente fazer – e de forma mais barata – aquilo que um operador público faz. A prática, aqui como lá fora, mostra que não é assim e não são casos isolados ou pontuais – de um documentário, de um filme, de uma reportagem – que justificam o argumento.
Sou dos que acham que a informação deve ter um lugar proeminente em qualquer projecto de serviço público, proporcionando visibilidade às diversidades geográfica e temática nacionais e globais, incluindo dos grupos e minorias, e contribuindo, através das notícias e do debate, para uma compreensão crítica do mundo e uma clarificação do lugar e papel e de cada um nele. Mas não sigo, de todo, os que desqualificam culturalmente o papel do entretenimento e do espectáculo, que, além de intrínseco ao meio televisivo, tem um lugar incontornável na sociedade e na cultura. O problema não é se sim ou não, mas o modo como se faz. E aí é exigível que o serviço público seja inovador, experimental e criativo. Seja, em suma, diferente.
Há dois grupos que merecem cuidado especial, num projecto televisivo de serviço público: os mais pequenos e os mais velhos. Dos canais privados podemos esperar séries cheias de aventura e de suspense para as crianças e programas que entretenham e confortem os seniores. Mas não lhes será exigível que assumam um carácter formativo e que ampliem horizontes culturais, cívicos e políticos.
Aquilo que, finalmente, distingue um serviço público de TV é a capacidade de ajudar a ler criticamente os próprios media, através de conteúdos orientados para a literacia mediática e informativa e dos programas dos provedores.  Isso é exigido hoje no plano europeu, mas carece ainda de muito maior investimento.

(Texto publicado na edição de 19.9.2011 do diário digital Página 1)

domingo, agosto 21, 2011

A UNESCO e a literacia da informação e dos media


Sheila Webber,animadora do Information Literacy Weblog, fez, nos últimos dias, um apanhado dos debates que, por iniciativa da UNESCO ou em torno dos documentos desta organização, têm tido lugar nos últimos meses, no sentido de se conseguir um conjunto de indicadores sobre MIL - Media em Information Literacy.
Os três posts dedicados ao assunto têm o interesse não apenas de sumariar algumas das questões sensíveis dos debates em curso, como também indicar alguns dos documentos que têm servido para apoiar esses mesmos debates.
São estes os posts de Sheila Webber, uma especialista de Literacia Informativa, mas com uma perspectiva aberta e ecuménica, com quem temos certamente muito a aprender:
Complementarmente, sugiro igualmente a leitura destes posts recentes:

domingo, maio 01, 2011

A literacia mediática e as notícias: um vídeo e um projecto

Há iniciativas e projectos no âmbito da literacia dos media cuja razão de ser é o jornalismo e as notícias de actualidade. É o caso de "The news literacy project". Eis o seu último vídeo, que dá conta do impacto deste projecto em escolas de cidades como New York City, Chicago e Bethesda:

segunda-feira, abril 25, 2011

TV perde centralidade entre os jovens


A OFCOM, entidade britânica de regulação dos media, publicou há dias o relatório de uma pesquisa relativa a 2010 intitulada UK Adult's Media Literacy, contendo um panorama dos hábitos e opiniões acerca dos media não apenas de adultos mas também de crianças e adolescenes.  Visto que este tipo de estudo tem vindo a ser feito regularmente, este relatório inlcui, em alguns pontos, uma perspectiva evoltiva, interessante para aferir tendências.
Do relatório da pesquisa destacam-se alguns pontos:
  • - metade dos pais dizem saber menos sobre a Internet do que os seus filhos; essa proporção sobe significativamente à medida que sobe a idade dos filhos;
  • - a televisão perde a sua centralidade entre os jovens, em favor da internet e do telemóvel; seria mais difícil ficar privado destes dois últimos meios do que do pequeno ecrã;
  • - mais de metade das crianças com idade entre os 8 e os 15 anos que usam a internet em casa têm perfil nas redes sociais;
  • - os adultos revelam hoje menos preocupações com a televisão e a internet do que há meia dúzia de anos, ainda que a internet suplante a TV;
  • - de um modo geral, os adultos revelam estar a tirar cada vez mais partido das vantagens da internet, fazendo através dela um leque crescente de actividades - culturais, de lazer, económicas, etc.
[Recorde-se que a OFCOM publicou, já este mês, um relatório análogo, centrado sobre as crianças: UK Children's Media Literacy]

quarta-feira, março 30, 2011

"Educar para os ecrãs"

Com o título Educar para os ecrãs, a jornalista Andreia Lobo publicou no site Educare um desenvolvido trabalho sobre o Congresso Nacional "Literacia, Media e Cidadania", que decorreu no final da última semana na Universidade do Minho. Abre deste modo:
"A educação para os media serve para melhorar a nossa condição de cidadãos." A ideia é tão consensual entre especialistas e investigadores que merece as aspas. Como se fosse uma citação coletiva. Foi repetida vezes sem conta durante o primeiro congresso nacional de "Literacia, Media e Cidadania", que decorreu em Braga.
Se há em Portugal educação para entender a televisão, a publicidade, a rádio, a imprensa, os filmes, os videojogos, a Internet, as redes sociais, ou seja, a medioesfera, "resulta do empenho pessoal, da crença de que é importante", diz Sara Pereira, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), da Universidade do Minho. O que significa que "quando os dinamizadores das experiências deixam de existir, elas terminam". E, na "ausência de uma política pública" verifica-se que "no plano nacional não há uma prática continuada de educação para os media", conclui. (...)"
Continuar a ler: Aqui

sábado, março 26, 2011

O congresso Literacia, Media e Cidadania ainda em movimento

Literacia, Media e Cidadania em prática
Foto de Joana Rodrigues

Prestes a terminar o Congresso Nacional Literacia, Media e Cidadania, deixamos aqui um breve resumo do mesmo, pelas mãos da Raquel Ribeiro, dedicada voluntária do grupo de Comunicação do evento. Pode ver, ouvir e ler como se passaram os dois dias do congresso no Storify, Twitter, YouTube, Flickr e AudioBoo.

Segue em baixo o texto da Raquel:

Os dias 25 e 26 de Março de 2011 vão ficar registados na agenda da Universidade do Minho. O primeiro Congresso Nacional Literacia, Media e Cidadania foi o mote para a recepção em Braga de um conjunto de profissionais, docentes, especialistas e investigadores das áreas da comunicação e da educação que durante dois dias debateram as questões suscitadas pela necessidade da educação mediática junto dos cidadãos portugueses e, em especial, junto dos mais jovens.

Numa iniciativa conjunta do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), da Comissão Nacional da UNESCO, Conselho Nacional de Educação, Entidade Reguladora para a Comunicação Social, Gabinete para os Meios de Comunicação Social, o Ministério da Educação e a UMIC, o Congresso Nacional Literacia, Media e Cidadania configurou um espaço de participação e debate no âmbito da necessidade de intervir, formar, investigar e definir políticas de incentivo à literacia mediática.

Durante dois dias e no decorrer de inúmeras sessões foram vários os temas debatidos, tendo confluído todos os debates para a necessidade urgente de apostar em políticas de educação para os media com o objectivo de formar cidadãos mais esclarecidos e capazes de interpretar criticamente a informação que recebem.

Num caminho de Educação para os Media que quase todos concordam ainda é preciso trilhar, conferencistas e participantes afirmaram a necessidade de diagnosticar o estado da literacia mediática na sociedade portuguesa com o objectivo de levar a cabo políticas que possam favorecer uma cidadania mais plena.

Assim, e no âmbito da premência em colocar em prática políticas de Educação para os Media foi ainda destacada a necessidade em formar civicamente os estudantes, permitindo que os mesmos sejam capazes de desenvolver as suas competências críticas não só em relação às mensagens mediáticas que consomem diariamente mas também em todos os domínios do social em que se encontram envolvidos.

Numa das conferências mais concorridas do dia 25, o professor José Ignacio Aguaded Gomez referiu a necessidade de debater os media num momento em que os mesmos são omnipresentes na sociedade actual estando essa situação intrinsecamente relacionada com as evoluções tecnológicas. Segundo o mesmo, essa mesma evolução é a força motriz de um mundo actual marcadamente fragmentado e composto por uma sucessão de mosaicos, configurados em forma de links.

Ressalvada foi a possibilidade de na sociedade actual encontrar pontos de convergência entre as escolas do século XIX, os professores do século XX e os alunos do século XXI. As potencialidades dos media, ao nível da criação de uma sociedade mais igualitária e justa, forma também alvo de reflexão, referindo-se a profissão dos educomunicadores como fundamental na criação de pontes entre comunicação e educação, ambas faces da mesma moeda.

O congresso ficou ainda marcado pela apresentação do estudo “Educação para os Media, em Portugal: experiências, actores e contextos”, resultado de uma investigação realizada pelo CECS para a ERC. Este estudo visou conhecer melhor a realidade dos actores e das experiências dos agentes permitindo observar por princípio três caminhos dominantes na relação entre os media e os cidadãos: o proteccionismo, o modernizador/tecnológico e o capacitador.

Este estudo permitiu, entre outras coisas, perceber que o panorama geral da Educação para os Media é fragmentário e difícil de perceber atendendo àquilo que são os seus constantes avanços e recuos. Ao mesmo tempo, ficou evidente que a maioria das experiências existentes dirigem-se a crianças vista como alunos e não como crianças-cidadãos. De notar, igualmente, foi a inexistência actual de um plano organizado de acção para a educação mediática em Portugal, ou mesmo de uma qualquer plataforma que permita mediar o ainda escasso trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nesta área. A este propósito o professor Manuel Pinto, um dos co-autores do estudo, mencionou a importância de criar um Observatório sobre Educação para os Media, que colmate estas lacunas observadas.

Apontada como condição essencial para o exercício de uma cidadania plena e activa a educação para os media foi apresentada pelos participantes no congresso como fundamental na redução da info-exclusão. Para que esse fim seja possível é, todavia, fundamental formar. Responder às questões de como, quem, e porquê formar é lutar contra o analfabetismo mediático que parece ainda dominar na sociedade actual.

segunda-feira, março 21, 2011

Literacia sobre os media

Plátano, Outra Presença, Legenda, Escrita Irrequieta, Encontro, Barquinho de Papel, Etc são títulos de jornal que provavelmente não dirão muito à maioria dos leitores. Mas são a expressão de um trabalho notável desenvolvido em escolas de todos os níveis de ensino não-superior, que foram premiadas no Concurso Nacional de Jornais Escolares, promovido pelo projecto “Público na Escola” em 2010.
Neles se procura colocar os alunos e as instituições educativas a pensar e a pôr em prática a comunicação – através do texto, da imagem, do multimédia (já que se contempla também jornais escolares online); a dar a palavra aos alunos e professores; a aprender a expressar-se e desejavelmente a escrever melhor; a seleccionar e organizar a informação. Neste exercício, realizado frequentemente, contra uma cultura do “não te rales”, descobrem-se talentos, forja-se a cidadania, promove-se a pesquisa e o trabalho de projecto, aprende-se a ler mais criticamente o papel dos próprios meios de comunicação social.
Quando muitos alunos e professores das dezenas de escolas premiadas se encontrarem nesta quarta-feira, no Salão Medieval da Universidade do Minho, para a cerimónia da entrega dos prémios, não é apenas o prémio que está em causa, mas o reconhecimento de um trabalho continuado, frequentemente sem grandes apoios, e uma aposta no valor educativo e cultural destes processos.
Dois dias depois, a mesma cidade de Braga acolhe o Congresso Nacional sobre “Literacia, Media e Cidadania”, promovido por meia dúzia de instituições públicas, numa parceria que traduz a preocupação de colocar a literacia para os media no centro das agendas públicas. Será a oportunidade para investigadores, formadores, investigadores, decisores políticos porem em comum o que se tem andado a fazer entre nós para “alfabetizar” os novos e menos novos no uso crítico e esclarecido dos media. Como é que a escola lida hoje com a experiência mediática dos seus alunos? Que impacto têm os media no âmbito da saúde? Como aprender a distinguir a informação válida do lixo, na Internet? Que pode fazer cada agente social nesta matéria?
É a qualidade do ambiente mediático e, certamente, a qualidade de vida, tout court, que estará sob o foco da atenção (mediática?), esta semana, em Braga.

Publicado na edição de 21.03 do diário digital Página 1

domingo, fevereiro 27, 2011

Leituras

domingo, setembro 26, 2010

O impacto das TIC na Educação - guia publicado pela UNESCO

A UNESCO disponibilizou um trabalho sobre as transformações que as TIC têm operado na educação, mais concretamente na região da Ásia-Pacífico, que tem como título: ICT transforming education: A regional guide.

Ficam alguns excertos e um esquema como motivação para aceder a esta publicação:

«To be effective in the 21st century, citizens and workers must be able to exhibit a range of functional and critical thinking skills, such as:
- Information Literacy
- Media Literacy
- ICT (Information, Communications and Technology) Literacy

(...) Information literacy, media literacy and ICT literacy form one of the four broad sets of skills identified by P21 that students need to acquire to be effective citizens and workers in the 21st century. Since the focus of this Guide is on ICT in education, this grouping of skills is now expanded further in order to foreshadow what implications there are for teachers and teacher educators.

Digital literacy (or in the plural digital literacies), e-literacy, new literacies, screen literacy, multimedia literacy, information literacy, ICT literacies – these are all terms to describe clusters of skills that students (and their teachers) need in the digital age of the 21st century. Because of ICT, concepts of literacy have extended well beyond the traditional notions of print-based literacy.»



Fonte: ICT transforming education: A regional guide (informação recolhida a partir do Ministério da Educação)

terça-feira, setembro 21, 2010

Congresso sobre competências digitais e de literacia dos media







Media &  Learning 2010 é um congresso que terá lugar em Bruxelas, nos dias 25 e 26 de Novembro. Destina-se, segundo o própio site, a todos aqueles que estão interessados nos últimos desenvolvimentos, serviços e usos dos media na educação e na formação.

Visando tanto os decisores políticos como os profissionais, o objetivo deste evento é "identificar as políticas e iniciativas que promovem as competências  digitais e mediáticas em todos os níveis de educação e formação". Por isso, os temas em discussão serão:

• a urgência de desenvolver as competências digitais e de literacia dos media nos trabalhadores europeus;

• qual a melhor forma de convencer todas partes envolvidas sobre a importância da incorporação das competências digitais e mediáticas entre profissionais e alunos em todos em todo níveis de educação e formação.

Mais informações, nomedamente sobre o programa, podem ser consultadas no website.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Citação do dia

Sobre a importância da literacia mediática (mais um argumento):

«Media literacy, in short, is about more than the analysis of messages, it is about an awareness of why those messages are there. It is not enough know that they are produced, or even how, in a technical sense, they are produced. To appreciate the significance of contemporary media, we need to know why they are produced, under what constraints and conditions, and by whom»

Lewis, J. & Jhally, S. (1998) The Struggle Over Media Literacy in Journal of Communication, volume 48, pp. 109-120.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Parabéns ao Reconquista!

Com as devidas desculpas ao Fábio por lhe estar sempre a empurrar os posts para baixo, acho que se impõe dar os parabéns ao jornal Reconquista por ter recebido uma menção especial nos prémios deste ano de "Jovens Leitores" da Associação Mundial de Jornais e de Editores de Notícias, na secção "Jornais na Educação". A par do Reconquista também o australiano The Age recebeu uma menção nesta secção.

O trabalho de Educação para os Media no distrito de Castelo Branco desenvolvido no campo dos jornais escolares tem sido um caso de destaque em Portugal, sendo possivelmente o mais ambicioso do país dentro deste tema.

"Isto é o começo de uma abordagem excelente e multifacetada com o potencial para ajudar cidadãos do século XXI a desenvolverem capacidades críticas de literacia ao analisarem mensagens mediáticas e ao serem capazes de produzir as suas próprias mensagens. Apesar de os resultados terem sido modestos inicialmente, esperamos grandes coisas desta equipa", refere o júri do concurso.

Citada pela Lusa, a professora do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) e investigadora responsável da iniciativa Helena Menezes afirmou que "este prémio é importante para o país, mas também para a região, e mostra que é possível desenvolver bons projectos fora dos grandes centros".

O papel do Reconquista na região tem sido muito visível desde a década de 1970 quando começaram a imprimir na gráfica do semanário jornais escolares. Desde então que o jornal tem desenvolvido esforços nesta área, sendo uma das pedras fundamentais das actividades de Educação para os Media no distrito. Mais do que publicar jornais escolares, já lançaram suplementos com textos escritos pelos alunos das escolas abrangidas e deram visibilidade a esta actividade.

Foi feita formação de professores e houve uma enorme aposta e incentivo da produção de jornais escolares por alunos de escolas de 2º e 3º ciclo, bem como de secundárias.

Para além de investigadores quer do IPCB quer das universidades Clássica e Nova de Lisboa e do Instituto Piaget, o projecto tem à cabeça um jornalista do periódico albicastrense, Vítor Tomé, que tem dinamizado de forma estonteante este trabalho, financiado desde 2007 pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O prémio será entregue em Novembro numa cerimónia em São Francisco, nos EUA.

Edit para acrescentar as declarações de Vítor Tomé, citado pelo Reconquista, e para corrigir as instituições associadas. “Este prémio tem de ser partilhado com os professores e os alunos das 24 escolas que estão a trabalhar com a equipa de investigação desde 2008. Tem de ser partilhado com a equipa do Reconquista e com muitos colaboradores, desde a empresa Netsigma a alguns docentes da Escola Superior de Artes Aplicadas e a várias outras pessoas que nos incentivaram a apoiaram desde a primeira hora”, afirmou o jornalista e investigador.

Aproveito também para destacar que os resultados do projecto vão ser apresentados em Castelo Branco, no dia 6 de Novembro, com a presença dos avaliadores externos (Pier Cesare Rivoltella da Universidade Católica de Milão e Evelyne Bevort do Ministério francês da Educação) e de todos os membros da equipa.

O evento também vai receber vários nomes da Educação para os Media nacional e internacional, em particular o fundador deste blogue e professor da Universidade do Minho Manuel Pinto, mas também
Aguaded-Gomez (Universidade de Huelva), Vitor Reia-Baptista (Universidade do Algarve) e António Fidalgo (Universidade da Beira Interior), como refere o texto do jornal albicastrense.