No 9.º ano “a maioria dos jovens já domina os computadores perfeitamente", refere o ministro Nuno Crato (em entrevista ao Público). A presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, Maria José Viseu, ao JN, disse que "os jovens nessa idade já dominam claramente as novas tecnologias (...), os jovens sabem manusear perfeitamente um computador".
Esta convergência de opiniões é interessante, até no uso do mesmo advérbio, "perfeitamente". Assim sendo, para quê ensinar uma coisa que afinal os jovens aprendem por si?
Proponho o seguinte exercício: se tivéssemos de completar com a expressão entre parênteses, veja-se que frases interessantes obteríamos.
Aos 15 anos, a maioria dos jovens já domina o/a _______________ (português, matemática, inglês, geografia, história, artes, educação física) perfeitamente!
É sabido que muitos jovens já dominam desportos nessa idade, então de nada serve a disciplina de educação física. Aos 15 anos, os jovens também já sabem falar e escrever (espera-se)... E têm umas noções de geografia (bom, os concorrentes da Casa dos Segredos nem por isso).
Questiono-me como admitimos que neste aspecto das tecnologias - independentemente de se concordar ou não com a disciplina de TIC no 9º ano - haja um discurso desta natureza, de um reconhecimento da auto-aprendizagem, como se comprova pela anuência da responsável de uma organização que representa os pais. Que explicações?
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segunda-feira, outubro 31, 2011
domingo, setembro 26, 2010
O impacto das TIC na Educação - guia publicado pela UNESCO
A UNESCO disponibilizou um trabalho sobre as transformações que as TIC têm operado na educação, mais concretamente na região da Ásia-Pacífico, que tem como título: ICT transforming education: A regional guide.
Ficam alguns excertos e um esquema como motivação para aceder a esta publicação:
«To be effective in the 21st century, citizens and workers must be able to exhibit a range of functional and critical thinking skills, such as:
- Information Literacy- Media Literacy
- ICT (Information, Communications and Technology) Literacy
(...) Information literacy, media literacy and ICT literacy form one of the four broad sets of skills identified by P21 that students need to acquire to be effective citizens and workers in the 21st century. Since the focus of this Guide is on ICT in education, this grouping of skills is now expanded further in order to foreshadow what implications there are for teachers and teacher educators.
Digital literacy (or in the plural digital literacies), e-literacy, new literacies, screen literacy, multimedia literacy, information literacy, ICT literacies – these are all terms to describe clusters of skills that students (and their teachers) need in the digital age of the 21st century. Because of ICT, concepts of literacy have extended well beyond the traditional notions of print-based literacy.»
Fonte: ICT transforming education: A regional guide (informação recolhida a partir do Ministério da Educação)
sexta-feira, abril 23, 2010
Uma apresentação e várias incertezas sobre o papel do computador na sala de aula
Surgiu neste blogue, há alguns dias, um pequeno cartaz (que deve estar aqui à direita) a dar a conhecer um estudo que se encontra a decorrer na Universidade do Minho sobre a Educação para os Media em Portugal. Nele, é pedido a quem tenha ligações (ou conheça quem tenha) a projectos nesse campo para contactar Tiago Ferreira, pessoa responsável pela recolha de tais dados.
Assim sendo, eu, Tiago Ferreira, dou-me finalmente a conhecer ao público deste blogue, já com alguns dias de atraso. Espero poder contar com o máximo de colaborações possíveis aí desse lado, para que possamos ter um trabalho final o mais completo possível.
Apresentações feitas, passemos à minha primeira entrada propriamente dita.
Por entre o frenesim das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) brotam pelo meio universitário nos EUA vários casos de professores contra o uso de computadores nas aulas. Este artigo (The Blackboard Versus the Keyboard) da revista Slate dá vários exemplos de professores universitários que decidiram proibir a utilização de portáteis nas salas de aula.
Mais. Uma professora da Universidade do Colorado-Boulder chegou a levar a cabo um estudo não-científico com os seus próprios alunos e notou que os que usavam os portáteis durante as aulas tinham notas, em média, 11% mais baixas do que os restantes. Os hábitos mudaram rapidamente naquela turma.
Por entre justificações em princípio legítimas, como o uso do computador para tirar notas mais rapidamente ou para aceder à Internet de modo a verificar uma ou outra informação, o problema é que o mais habitual é que o portátil seja usado para distrair e não como ferramenta de aprendizagem, como descobriu uma professora da Universidade Winona State no Minnesota. Ao mesmo tempo, um estudo na Roménia mostrou que crianças de famílias de baixos níveis de rendimentos que receberam apoio do governo para comprar computadores melhoraram as suas capacidades técnicas, mas as notas na escola mantiveram-se baixas. O uso dado aos computadores focava-se nos jogos de vídeo e não nos trabalhos de casa.
A questão aqui situa-se nos efeitos das tecnologias sobre os processos de educação e é aplicável a programas de distribuição de computadores em geral. Como escreve um doutorando de Economia da Universidade de Oxford no seu blogue sobre ajuda ao desenvolvimento:
"Quando consideramos a introdução de tais tecnologias nas salas de aula, especialmente em países em vias de desenvolvimento, precisamos de compreender que os efeitos sobre a aprendizagem básica podem ser negativos".
Etiquetas:
Media na Educação,
Papel educativo dos media,
Tecnologias,
TIC na aula
segunda-feira, abril 12, 2010
Primeiros Encontros
Organizada pelo Centro de Competência da Universidade do Minho, terá lugar no dia 14 de Maio de 2010, no auditório do Centro Multimédia Universidade do Minho (Braga), a 1.ª Jornada de Conteúdos Digitais para a Educação, que tem como objectivo partilhar experiências, projectos e descobertas bem como debater as temáticas inerentes ao estado actual e às perspectivas futuras sobre a problemática dos conteúdos digitais.
Sítio da 1.ª Jornada de Conteúdos Digitais para a Educação
Entre os dias 19 e 20 de Novembro 2010 decorrerá no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, nas instalações da ex-Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, o I Encontro Internacional TIC e Educação. O encontro tem como principal finalidade proporcionar um espaço de reflexão sobre práticas de integração e inovação curricular nas escolas portuguesas e em outros contextos de formação e aprendizagem.
Sítio do ticEDUCA2010
Sítio da 1.ª Jornada de Conteúdos Digitais para a Educação
Entre os dias 19 e 20 de Novembro 2010 decorrerá no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, nas instalações da ex-Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, o I Encontro Internacional TIC e Educação. O encontro tem como principal finalidade proporcionar um espaço de reflexão sobre práticas de integração e inovação curricular nas escolas portuguesas e em outros contextos de formação e aprendizagem.
Sítio do ticEDUCA2010
domingo, janeiro 13, 2008
"Equipamentos tecnológicos" na sala de aula - um desafio
A propósito da notícia relativa à utilização de tecnologias móveis da professora Adelina Moura, de que se deu conta aqui, detectei algumas reacções interessantes. Uma delas aparece aí na forma de comentário, mostrando alguns receios.
Por outro lado, uma colega professora lembrou-me que no novo estatuto do aluno não superior existe uma indicação que se pode interpretar como impeditiva de que os alunos se façam acompanhar de aparelhos como os utilizados por Adelina Moura nas suas aulas.
O artigo é o 15, referente aos deveres do aluno, na alínea q.
Antes - Estatuto do Aluno do Ensino não Superior - Lei n.º 30/2002, de 20 de Dezembro
A questão da utilização dos dispositivos tecnológicos é mais complexa do que possa parecer. Aliás, há já empresas que proibem que os seus colaboradores utilizem o telemóvel durante a actividade laboral, pois verificaram uma perda de produtividade devido ao envio de mensagens.
Da parte dos pais, as medidas tomadas pelos professores nem sempre são fáceis de entender, como comprova um recado que circula pelos e-mails e que se encontra em baixo.

Para além de um ruído efectivo (como o que sinto agora, ao ouvir a ventoinha do meu computador), a presença dos equipamentos tecnológicos pode introduzir outros ruídos em contexto de sala de aula, nada fáceis de resolver. Mais um desafio para a escola e professores...
A propósito da notícia relativa à utilização de tecnologias móveis da professora Adelina Moura, de que se deu conta aqui, detectei algumas reacções interessantes. Uma delas aparece aí na forma de comentário, mostrando alguns receios.
Por outro lado, uma colega professora lembrou-me que no novo estatuto do aluno não superior existe uma indicação que se pode interpretar como impeditiva de que os alunos se façam acompanhar de aparelhos como os utilizados por Adelina Moura nas suas aulas.
O artigo é o 15, referente aos deveres do aluno, na alínea q.
Antes - Estatuto do Aluno do Ensino não Superior - Lei n.º 30/2002, de 20 de Dezembro
q) Não transportar quaisquer materiais, instrumentos ou engenhos passíveis de, objectivamente, causarem danos físicos ao aluno ou a terceiros;Agora - Proposta de Lei do Estatuto do Aluno do Ensino não Superior
q) Não transportar quaisquer materiais, equipamentos tecnológicos, instrumentos ou engenhos, passíveis de, objectivamente, perturbarem o normal funcionamento das actividades lectivas, ou poderem causar danos físicos ou morais aos alunos ou a terceiros;Esta alínea poderá lançar alguma confusão. Os docentes podem apoiar-se nela para impedir que os alunos se façam acompanhar, por exemplo, de telemóvel, ipod, consolas portáteis, computador portátil na sala de aula. Mas, então, não faria muito sentido a distribuição facilitada a computadores portáteis e quadro interactivos por parte do ME, que - julgo - pretende que sejam utilizados como ferramenta de aprendizagem.
A questão da utilização dos dispositivos tecnológicos é mais complexa do que possa parecer. Aliás, há já empresas que proibem que os seus colaboradores utilizem o telemóvel durante a actividade laboral, pois verificaram uma perda de produtividade devido ao envio de mensagens.
Da parte dos pais, as medidas tomadas pelos professores nem sempre são fáceis de entender, como comprova um recado que circula pelos e-mails e que se encontra em baixo.

Para além de um ruído efectivo (como o que sinto agora, ao ouvir a ventoinha do meu computador), a presença dos equipamentos tecnológicos pode introduzir outros ruídos em contexto de sala de aula, nada fáceis de resolver. Mais um desafio para a escola e professores...
segunda-feira, janeiro 07, 2008
Telemóveis, MP3 e MP4 na sala de aula? Sim!
É o título de um trabalho publicado pelo JN, da autoria de Fernando Basto e Pedro Correia. Apenas o início:
'Ontem à noite, fartei-me de ouvir a 'setôra'. Era eu a lavar a loiça e a 'setôra' a ler o Sermão do Padre António Vieira!'. O comentário é citado por Adelina Moura, professora de Português/Francês da 'Secundária' Carlos Amarante, em Braga, como prova dos bons resultados que está a obter com a utilização das tecnologias móveis no ensino" (...)
A peça do jornal é complementada por outra, intitulada:
Sermão do Padre António Vieirajá não é "pregado aos peixinhos"
É o título de um trabalho publicado pelo JN, da autoria de Fernando Basto e Pedro Correia. Apenas o início:
'Ontem à noite, fartei-me de ouvir a 'setôra'. Era eu a lavar a loiça e a 'setôra' a ler o Sermão do Padre António Vieira!'. O comentário é citado por Adelina Moura, professora de Português/Francês da 'Secundária' Carlos Amarante, em Braga, como prova dos bons resultados que está a obter com a utilização das tecnologias móveis no ensino" (...)
A peça do jornal é complementada por outra, intitulada:
Sermão do Padre António Vieirajá não é "pregado aos peixinhos"
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