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terça-feira, abril 16, 2013

Viver na rede sem se deixar enredar


A comunicação e a informação no nosso dia-a-dia são cada vez mais mediadas por tecnologias digitais. A quantidade, a intensidade e a velocidade dos dados, sinais e mensagens tornam difícil a cada um situar-se e orientar-se no caudal de estímulos e possibilidades, podendo até provocar desorientação e incomunicabilidade. Por isso há aprendizagens, umas simples e outras mais demoradas e complexas, que nos são exigidas, para habitar a nova “ecologia dos media”.
Esta perspectiva ecológica foi proposta vai para meio século, por Neil Postman, o qual, por sua vez, se inspirou em Marshall McLuhan. Para eles, cada tecnologia – digamos, a televisão, a rádio, um videojogo -  configuram  e transportam consigo uma cultura  que molda as representações e visões do mundo e influi nas atitudes e comportamentos. Não o faz de uma forma mecânica e imediatista, mas através do uso reiterado. Expressões como “um meio é uma tecnologia no seio da qual se desenvolve uma cultura” (Postman) ou, de uma forma ainda mais sintética e quase provocatória, “o meio é a mensagem” (McLuhan) dizem bastante deste modo de entendimento da relação entre os media e a sociedade.
A Internet é, neste quadro, considerada pelo senso comum, o filho mais novo dessa série impressionante de meios de informar e comunicar que a contemporaneidade tem conhecido.  Mas não apenas mais um, dado que, neste caso, como, em menor escala, já tinha acontecido com a TV e a rádio, nós encontramos um meio ambiente mais alargado, pautado por lógicas informativas e comunicacionais diversas, incorporando formas antigas, criando e combinando novas e abrindo campo a novas práticas e a novas relações. Basta considerar o que representa de ruptura, inovação e desafio a lectoescritura hipertextual e os aspetos  didáticos, culturais , éticos e políticos a ela associados.
Claro que quem não aprende a viver, a relacionar-se e a respirar saudavelmente neste novo ambiente corre riscos de exclusão. Mas também é verdade que esta ecologia, por muito central que seja, supõe abertura e conjugação com os ambientes mais amplos das relações face a face, do tempo que nos damos para estar connosco (desconectados das tecnologias), do tempo para criar e repensar projectos e compromissos.
Nas novas redes, como nas velhas, tanto nos enredamos, como buscamos novas energias e solidariedades. 
(texto publicado no diário digital Página 1, da Renascença, em 15.4.2013)

terça-feira, fevereiro 05, 2013

Internet: prevenir os riscos, mas visar mais longe

“Da mesma maneira que a leitura, a escrita e a aritmética foram cruciais para a formação de pessoas como cidadãos e profissionais, a alfabetização digital será vital no século XXI. Sem ela, as pessoas não podem participar plenamente como cidadãos, não têm acesso às mesmas oportunidades profissionais e de aprendizagem e não ajudam a criar as próximas inovações criativas e tecnológicas do mundo”.
A afirmação é de Mark Surman, diretor-executivo da Mozilla Foundation, que detém o navegador da web Firefox, e foi publicada na semana finda, no jornal brasileiro Folha de S. Paulo. Segundo ele, as novas gerações têm aprendido a consumir tecnologia e aplicações, mas não a criar conteúdos e a programar. “É como se tivéssemos ensinado toda uma geração a ler, mas não a escrever”, acrescenta o especialista.
O que diz Surman é importante, ainda que, compreensivelmente, muito centrado nas tecnologias e a literacia digital deve ser bem mais ambiciosa do que o acesso e uso proficiente das máquinas e das aplicações. Há desafios mais amplos e todos sabemos que nem tudo são rosas. Há muitas pessoas que descobrem o poder de algumas ferramentas da web e por elas se deixam seduzir, que não têm a noção de como certa informação que disponibilizam se pode virar contra elas. Há riscos para os quais é necessário estar alertado e prevenido e isso supõe sensibilidade e formação (que muitos pais e educadores não têm). Importa conhecer e divulgar os riscos a que estamos sujeitos e aprender a defender-nos. Mas isso não basta.
Aprendemos a conduzir não para conhecer os perigos da estrada, mas para levar o carro em segurança de um ponto de origem para o destino que nos convém. É preciso conhecer o carro, as regras de trânsito, as condições da estrada. Mas, antes de tudo, é preciso saber por onde e para onde queremos ir e gerir o tempo para lá chegar. Na Internet não é substancialmente diferente. E, apesar de não parecer, ninguém nasce ensinado. E a formação que se impõe deve ter tanto a vertente tecnológica, como cultural e de cidadania.
Nas vésperas de mais um Dia da Internet Segura, importa não perder de vista esta perspectiva mais vasta. E sobretudo não ficar pelas palavras. A inacção de hoje pagar-se-á caro no futuro.
[Texto publicado no jornal diário digital Página 1, em 4.1.2013]

quarta-feira, janeiro 04, 2012

U. Eco: faz falta "uma teoria da filtragem"

A revista brasileira Época acaba de publicar uma entrevista com o semiólogo e romancista italiano Umberto Eco, que tem vários motivos de interesse para o âmbito da literacia sobre os media e, em particular, sobre a Internet. Aqui fica um excerto, ainda que se recomende a leitura integral desse documento:

(...) ÉPOCA - O senhor tem sido um dos mais ferrenhos defensores do livro em papel. Sua tese é de que o livro não vai acabar. Mesmo assim, estamos assistindo à popularização dos leitores digitais e tablets. O livro em papel ainda tem sentido? PROFESSOR O pensador e romancista italiano Umberto Eco completa 80 anos nesta semana. Ele está escrevendo sua autobiografia intelectual (Foto: Eric Fougere/VIP Images/Corbis) 
Eco - 
Sou colecionador de livros. Defendi a sobrevivência do livro ao lado de Jean-Claude Carrière no volume Não contem com o fim do livro. Fizemos isso por motivos estéticos e gnoseológicos (relativo ao conhecimento). O livro ainda é o meio ideal para aprender. Não precisa de eletricidade, e você pode riscar à vontade. Achávamos impossível ler textos no monitor do computador. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Estados Unidos, precisava carregar 20 livros comigo, e meu braço não me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi útil na questão do transporte dos volumes. Comecei a ler no aparelho e não achei tão mau. Aliás, achei ótimo. E passei a ler no iPad, você acredita? Pois é. Mesmo assim, acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. São mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas páginas de um livro. Isso ainda não é possível fazer num tablet. 
ÉPOCA - Apesar dessas melhorias, o senhor ainda vê a internet como um perigo para o saber?
Eco -
 A internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um desserviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar. Vamos tomar como exemplo o ditador e líder romano Júlio César e como os historiadores antigos trataram dele. Todos dizem que foi importante porque alterou a história. Os cronistas romanos só citam sua mulher, Calpúrnia, porque esteve ao lado de César. Nada se sabe sobre a viuvez de Calpúrnia. Se costurou, dedicou-se à educação ou seja lá o que for. Hoje, na internet, Júlio César e Calpúrnia têm a mesma importância. Ora, isso não é conhecimento. 
ÉPOCA - Mas o conhecimento está se tornando cada vez mais acessível via computadores e internet. O senhor não acha que o acesso a bancos de dados de universidades e instituições confiáveis estão alterando nossa noção de cultura?
Eco -
 Sim, é verdade. Se você sabe quais os sites e bancos de dados são confiáveis, você tem acesso ao conhecimento. Mas veja bem: você e eu somos ricos de conhecimento. Podemos aproveitar melhor a internet do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente. Nesse sentido, a televisão era útil para o ignorante, porque selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes. 
ÉPOCA - Há uma solução para o problema do excesso de informação?
Eco -
 Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet. Fica aí uma sugestão para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer é filtrar. 
(...)
(Crédito da foto: Eric Fougere/VIP Images/Corbis)

ACTUALIZAÇÃO (5.1):

No Facebook, participei num pequeno debate sobre esta parte da entrevista de U. Eco. Por haver, de vários intervenientes, contributos interessantes acerca da falta que faz uma 'teoria da filtragem', deixamos aqui os pontos essenciais desse debate:


  • Manuel Pinto Habitualmente, quando se refere a filtragem, alude-se a conhecimentos, capacidades e competências para compreender, avaliar, contextualizar, rejeitar, editar e re-utilizar significativamente dados e informação. Inerente a estes processos está a capacidade de validar. Todas estas dimensões são inerentes -e, em diria, cruciais para a literacia informativa e mediática, não apenas do ponto de vista do utilizador crítico, mas também do produtor, que cada vez com mais frequência são uma e mesma pessoa.
    há 18 horas ·  ·  1
  • Manuel Pinto Será que U. Eco, com a proposta de uma 'teoria da filtragem', sugere ir mais além? Em que sentidos? Com que alcance? Apoiados em que dimensões? Alguém tem contributos a dar, neste plano? Por mim, sou levado a pensar nos estudos jornalísticos de gatekeeping, nos processos de selectividade (e de cognição social) com que valorizamos e elegemos (e inerentemente excluímos) assuntos, propostas, conteúdos e formatos. Precisamos de trabalhar estas questões...
    há 18 horas · 
  • João Simão Creio que a tónica de uma filtragem já existe de forma incipiente na pesquisa da Google. O google +1 permite dar mais importancia a certas pesquisas que a outras. Outra forma que terá de evoluir mais será baseada na capacidade de leitura semantica dos mecanismos de pesquisa que através dos nossos hábitos, visitas e temas serão capazes de ir para além de uma pesquisa dedicada apenas às palavras chave mas a todo o contexto que envolve o utilizador. O excesso de informação implica um data mining e sem dúvida que a teoria do gatekeeping pode ser extrapolada do jornalismo. E mesmo no jornalismo de secretária com fontes on-line se repararmos o gatekeeper é cada vez mais importante no jornalismo...
    há 18 horas · 
  • Rui Couceiro às vezes confiamos demasiado - contra mim falo - no gatekeeping. Penso que a maioria das pessoas confia em demasia; não valida, limita-se a aceitar acriticamente. Esse parece-me ser um problema que está a montante, embora profundamente interligado àquilo que Eco refere.
    há 18 horas · 
  • Manuel Pinto Contributos relevantes para o tema: web semântica, data mining, gatekeeping... outras achegas?
    há 18 horas ·  ·  1
  • Rui Couceiro ‎(Em termos de web semântica a Google é, de facto, perita.)
    há 17 horas · 
  • Francisco Teixeira A minha achega é que se leiam, estudam e discutam os Clássicos, os canônicos e os marcadamente qualificados do ponto de vista cultural, estético, social, filosófico, etc. Só a cultura pode filtrar. A ideia de que mecanismos formais/automáticos de filtragem de dados são relevantes para o processo selectivo da informação não é mais que recair, viciosamente, no excesso de dados/informação, já que todos os processos selectivos automáticos são, por definição, e a partir de certa altura, eles próprios excessivos, tendendo a somar mais e mais ao já existente. Aliás, temos bem que os processos automáticos de filtragem sejam, cada vez mais, eles próprios mecanismos entrópicos, a exigirem mecanismos de filtragem formal. Não me parece, assim, que quaisquer mecanismos formais de selecção da informação circulante sejam muito diferentes, na sua substância, dos mecanismos naturais de selecção (no sentido de "linguagem natural"), de que a "cultura", no sentido de erudição/instrumentação, é o único seleccionador. Daí que Eco ache que a NET é útil para o sábio. Talvez seja.
    há 15 horas · 
  • João Simão ‎@ Francisco Teixeira - Em alguns aspetos concordo com o que diz, no entanto parece-me impossível ao ser humano conseguir processar e filtrar a quantidade de informação disponível pela internet. Recordo que os inicios dos computadores remontam aos cartões microperfurados para processar os dados dos censos dos EUA, isto para referir que quando perante grandes quantidades de informação necessitamos de usar o processamento informático (informação automática). E se o sistema de filtragem for eficiente quantos mais dados inserirmos no sistema mais exactos serão os resultados. Em ultima análise estamos quase a falar de inteligência artificial como forma de selecção. Mas sem exagerar nas "futurologias" creio que a web semântica será num futuro breve uma boa forma de pesquisa, sempre é claro aliada à capacidade humana de saber pesquisar e aí dou-lhe razão quando fala em cultura, conhecimento, e capacidade intelectual para referenciar e cruzar informações para que a pesquisa seja eficaz e eficiente.
    há 15 horas · 
  • Francisco Teixeira A web semântica é/será magnífica, sem dúvida, parecendo, mas só parecendo, aproximar-se da linguagem natural, pelo menos no ambiente digital da web, e apenas "dentro"dele. Mas o problema a que me referia não é esse, nem me parece que seja esse o problema a que Eco se dirige (nem , parece-me, o Manuel Pinto, quando fala da possibilidade de uma "teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet"). O problema não é o de encontrar a informação disponível, mas de a seleccionar de entre o que está disponível, que será sempre imenso, na verdade sempre excessivo. Por isso dizia que a possibilidade de novos mecanismos formais de selecção, para as quais se criam, sucessivamente, novas instrumentações formais (motores de busca de motores de busca, por exemplo), nunca serão solução, mas "apenas" complexificação, que é aquilo que se espera que seja o resultado da cultura, incluindo da cultura tecnológica. Na verdade, concordo com a "indicação" do Manuel Pinto, a selecção pode ser aprendida através de uma "disciplina prática", i.e., do trabalho operativo/interpretativo da análise literária em geral, i.e., da cultura, i.e., do artesanato do texto original e próprio, primeiro durante um elevado e condensado período de formação e, depois, durante toda a vida. Mas estamos de acordo, João, certamente.
    há 14 horas ·  ·  1
  • Ângela F. Marques ‎"Conhecer é filtrar" - aí está uma frase a repetir sem fim.
    há 12 horas ·  ·  2
  • Manuel Pinto Vale a pena continuar nestas indagações e o quadro aqui esboçado pelas diferentes participações é já muito interessante. Sem querer acrescentar muito, gostava de dizer que temos aqui vertentes de pendor teórico-epistemológico e vertentes de pendor pedagógico.
    há 52 minutos · 
  • Manuel Pinto Por outro lado, pessoalmente sou sensível a duas dimensões: uma é de natureza 'política' e refere-se às balizas, orientações, constrangimentos, potencialidades e interesses implicados no quadro global em que se inscrevem as soluções concretas relativas ao acesso, uso e produção da informação. É uma dimensão que, por vezes, parece evaporar-se de alguns discursos técnicos ou técnológicos. A outra relaciona-se (ainda que indirectamente) com esta e refere-se aos silêncios e aos processos de silenciamento de realidades e dimensões relevantes da vida social e cultural que são como que o lado nocturno daquilo que, de forma construída, acede à visibilidade. Sem ter em conta este último aspeto, toda a seleção e filtragem se pode tornar um logro.


quarta-feira, julho 06, 2011

"Internet e redes sociais: novos meios de informação?"

"Internet e redes sociais: novos meios de informação?" Uma hora de entrevista com o especialista francês Francis Balle, no Canal Académie:


Link directo para ficheiro sonoro (MP3): http://www.canalacademie.com/emissions/ecl704.mp3

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Para pensar a web e as tecnologias digitais

No mais recente suplemento Babelia, do diário El País, Jose António Millan apresenta vários livros recentemente publicados em espanhol (ver referência abaixo) que ajudam a pensar a web e as tecnologias digitais.
Escreve, a dado passo:
Lo más interesante del libro es la dilucidación de la "alfabetización digital" a lo largo de muy distintas plataformas, aunque, como suele ocurrir, la necesidad de explicar cómo funcionan a un público que no las conoce consume parte de las energías del autor. Max Otte, alemán activo en Estados Unidos, publicó acertadamente en 2006 ¡Que viene la crisis! En El crash de la información analiza, en el sector financiero y del consumo, las maniobras para desinformar a los ciudadanos: a través del "etiquetado falso", pero sobre todo mediante la sobreabundancia informativa (como la variedad de tarifas telefónicas). ¿Será la Red un aliado de los consumidores? Parece que no: los sitios que se ofrecen para clarificar, sea inversiones en Bolsa o tarifas eléctricas, acaban siendo juguetes en manos de las compañías. Las tecnologías digitales están posibilitando el contacto directo con el cliente (sea con cajeros automáticos o webs de venta de billetes), lo que permite ahorro de personal... e indefensión del comprador ante cualquier eventualidad. Por su postura crítica y la información que maneja, este libro para lectores no especialistas es claramente recomendable.
Livros citados no artigo:
  • G. Aranzueque (coordinador) (2010) Ontologia de la Distancia. Madrid:Abada.
  • Milad Doueihi (2010) La gran conversión digital. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica
  • Max Otte (2010) El crash de la información. Barcelona: Ariel.
  • Nicholas Carr (2011) Superficiales. ¿Qué está haciendo Internet con nuestras mentes? Madrid: Taurus.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Desconstruir a "neutralidade da internet"

A "neutralidade da internet" é um assunto há anos na ordem do dia, especialmente em países, como os Estados Unidos da América, que mais poder de iniciativa possuem no terreno da definição e controlo da infraestrutura. Há quem a explique de uma forma talvez simplista, mas certamente elucidativa: oposição a uma internet para ricos e outra para pobres.
O Media Literacy Project

decidiu fazer desta questão (politica e economicamente) sensível objecto de análise, partindo da desconstrução de um anúncio publicado em jornais dos EUA sobre o asunto. Vale a pena consultar aqui: Deconstruct this!

sexta-feira, outubro 01, 2010

Competição - pesquisar informação na Internet



Oeiras Internet Challenge é o nome de uma competição organizada pelas Bibliotecas Municipais de Oeiras, tendo como principais objectivos "estimular a utilização da Internet como recurso informativo, sensibilizar para o uso e aplicação eficaz das ferramentas de pesquisa e recuperação de informação, realçar a importância de adoptar uma atitude selectiva e de rigor quanto à avaliação criteriosa dos conteúdos e resultados obtidos". Por outro lado, esta actividade procura cativar os jovens a partir dos 13 anos a frequentarem as bibliotecas.

Podem participar até 98 equipas de jovens, gratuitamente, sendo proporcionado aos participantes 14 horas de desafios e acção. De acordo com o site do projecto, os participantes têm a oportunidade de testar e melhorar as suas competências de pesquisa e a correcta utilização de diversas ferramentas de busca, ao longo de cinco desafios, havendo prémios para os vencedores. Este concurso está marcado para o dia 20 de Novembro.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Citação do dia

"Muita da discussão em torno da entrevista de Schmidt [CEO da Google, ao Wall Street Journal] centrava-se num comentário: a sugestão de que os jovens que expõem catastroficamente as suas vidas privadas por via de sites de redes sociais podem precisar de ver permitida a mudança do seu nome e a obtenção de uma nova identidade ao chegarem a adultos. Isto, curiosamente, liga-se ao facto de a Google deixar cair as fichas da sociedade onde quer que calhem, para que sejam arrumadas por legisladores e legislação da melhor forma possível, enquanto a erecção de uma nova arquitectura mundial continua.

Se a Google estivesse preocupada o suficiente com isto talvez a companhia devesse dar às crianças 'identidades de treino' à nascença, que terminassem com a maioridade. Cada um poderia, então, escolher ligar a sua identidade adulta à da infância, ou não. Ficar sem infância, sendo obviamente suspeito num currículo, daria origem a uma indústria de criação de falsas adolescências, retro-inseridas de forma dispendiosa, a criação das quais daria emprego a muitos escritores de ficção. Haveria um lado positivo, de certa forma.

Não vejo isto como uma ideia muito realista, apesar de o pensamento de milhões de pessoas a viverem as suas vidas em programas de protecção de testemunhas individuais, prisioneiras da sua própria folia enquanto jovens, apelar às minhas glândulas Kafkaescas. Nem encontro muito conforto no pensamento de que a Google teria de ser confiada de modo a nunca ligar a idade adulta de um indivíduo à sua louca juventude, algo que o motor de busca, na posse de até aqui imaginárias ferramentas de transparência, mais tarde ou mais cedo poderia fazer e faria."

- William Gibson, "Google's Earth", The New York Times, 31 de Agosto de 2010.

Não resisti a publicar aqui este excerto do artigo de opinião do conhecido escritor, criador do conceito de "ciberespaço". Nem consigo resistir a fazer referência, apesar da distância que vai à Educação para os Media, ao tema de capa da Wired deste mês. Escrito pelo director da revista, Chris Anderson, autor do livro Free: The Future of a Radical Price, com outro redactor da publicação, o artigo The Web is Dead. Long Live the Internet é de leitura obrigatória para quem acompanha estes temas.

domingo, agosto 15, 2010

Está a Internet a mudar a forma como pensamos?

É um debate que já circula há muito, mas aproveito a publicação de um bom artigo no The Observer de hoje para colocar aqui no blogue algo sobre isso. Em 2008, Nicholas Carr publicou um texto na The Atlantic que, desde então, tem gerado uma fértil controvérsia. Is Google Making Us Stupid?, entretanto desenvolvido para um livro de título The Shallows: How the Internet is Changing the Way We Think, Read and Remember, segue a tese de que a Internet (e não só o Google) está a modificar as componentes neurológicas dos nossos cérebros.

Escrevia Carr em 2008: "ao longo dos anos tenho vindo a ter uma sensação desconfortável de que alguém, ou algo, está a mexer com o meu cérebro, reestruturando os circuitos neurais, reprogramando a memória. A minha mente não se está a ir, mas está a mudar. Não penso como dantes. Noto-o em particular quando estou a ler. Ficar imerso num livro ou num longo artigo costumava ser fácil. A minha mente era agarrada pela narrativa ou pelos argumentos e eu passava horas a virar páginas com largos pedaços de prosa. Isso raramente acontece hoje. A minha concentração começa a divagar depois de duas ou três páginas".

O artigo do The Observer faz uma recolha variada dos argumentos a favor e contra esta ideia. Pelo que me é dado a perceber, a maioria dos cientistas são contra a existência de tal manipulação. Num artigo de opinião recente no Los Angeles Times, dois professores de psicologia mostravam-se veementemente contra esta sugestão. Contudo, deixavam um alerta pendente. "O Google não nos está a tornar estúpidos, o PowerPoint não está a destruir a literatura e a Internet não está a mudar os nossos cérebros. Mas podem bem estar a fazer-nos pensar que somos mais inteligentes do que realmente somos e isso é perigoso".

Outro professor de psicologia, desta vez no New York Times, seguia a mesma ideia. "Os críticos dos novos media usam, por vezes, ciência para apoiar os seus argumentos, mostrando como 'a experiência pode mudar os cérebros'. Mas os neurocientistas cognitivos reviram os olhos perante tais conversas. (...) A experiência não altera as capacidades básicas de processamento de informação do cérebro."

Um outro interessante artigo do The Guardian também retratava o debate actual sobre estes temas, ao falar da emergência do slow reading, na sequência dos movimentos de slow food.

Sendo época de férias, porém, aproveite-se para pôr à prova estas ideias ao ler um livro na praia ou no jardim e depois ver se se chega a alguma conclusão.

sexta-feira, julho 30, 2010

Avaliação do conteúdo da web pelos mais novos

Vem no International Journal of Communication 4 (2010), 468–494:
Trust Online: Young Adults’ Evaluation of Web Content
ESZTER HARGITTAI, LINDSAY FULLERTON, ERICKA MENCHEN-TREVINO, KRISTIN YATES THOMAS
Northwestern University


Abstract:
Little of the work on online credibility assessment has considered how the informationseeking process figures into the final evaluation of content people encounter. Using unique data about how a diverse group of young adults looks for and evaluates Web content, our paper makes contributions to existing literature by highlighting factors beyond site features in how users assess credibility. We find that the process by which users arrive at a site is an important component of how they judge the final destination. In particular, search context, branding and routines, and a reliance on those in one’s networks play important roles in online information-seeking and evaluation. We also discuss that users differ considerably in their skills when it comes to judging online content credibility.

Via: Net Gen Skeptic

quinta-feira, julho 29, 2010

Uma corrida frenética até à totalidade do digital

Através do boletim de literacia dos media do Ofcom fico a conhecer a iniciativa Race Online 2012, lançada este mês no Reino Unido. Apresenta-se como um "manifesto para uma nação em rede" e tem como objectivo a inclusão online dos dez milhões de pessoas no país que nunca acederam à Internet.

Até ao fim desta legislatura (a decorrer até 2015) o propósito é passar a cobrir esse quinto da população que ainda está fora do digital. Segundo o site do projecto há três motivos fundamentais para uma pessoa não estar online: falta de motivação, falta de acesso e falta de capacidades. "Então precisamos de trabalhar em conjunto para inspirar mais pessoas a experimentarem a Internet; encorajar e recompensar o uso online e ajudar aqueles que precisam".

O derradeiro objectivo é que toda a população em idade activa esteja online e que ninguém se reforme sem as capacidades adequadas para aceder à Internet.

Vejamos, agora, como começa o texto do prefácio: "Os dez milhões de pessoas no Reino Unido que nunca estiveram online já estão a perder grandes poupanças em termos de consumo, acesso a informação e a educação". Esperemos que isto não seja uma ordem de prioridades, porque está construído como um anúncio publicitário a um produto aleatório.

Mais à frente encontramos isto: "Há um argumento social e moral a ser feito para nos assegurarmos que mais gente está online, mas um claro argumento económico também". A introdução do conceito de moral nesta dinâmica é, a meu ver, preocupante e repete-se ao longo dos textos. Dá-se numa mescla com o fundamental do económico e o relevo que a "literacia digital" tem enquanto "poderosa arma no combate à pobreza". Ou seja, é dado a parecer que esta iniciativa é a que vai erradicar os males socioeconómicos do país, com uma forte componente moral no desenvolvimento da mesma.

De que forma é que é imoral não ter Internet? Poder-se-á conceber que há uma escolha consciente de não a utilizar ou o futuro passa por uma obrigatoriedade nesse sentido? Caminhamos para o estabelecimento do acesso à Internet como um direito humano (lembremos que esta semana a ONU declarou, de forma não-vinculativa, o acesso a água potável um direito humano)?

domingo, julho 11, 2010

Internet - o que ganhamos e o que perdemos

Nos últimos dias tem-se adensado a conversação em torno dos efeitos sociais e culturais da Internet, da sua relação com a aprendizagem e a qualidade de vida, daquilo que se está a ganhar e do que se pode estar a perder.
Sugiro a consulta destes links:

quarta-feira, julho 07, 2010

Entrevista a Lapscott no Público


O Público desta quarta-feira dá destaque de primeira página a uma mega investigação com 11 mil jovens em vários países sobre os efeitos das tecnologias. Este estudo foi conduzido pelo conhecido Don Lapscott, autor de vários livros, por exemplo Grown Up Digital: How the Net Generation is Changing Your World. (Por mera curiosidade, este investigador canadiano é casado com uma portuguesa.)

O título de primeira página é o seguinte: «O tempo que os jovens passam na Net não é roubado aos amigos ou ao trabalho. Quem fica a perder é a TV. E isso é bom.»

Já no caderno P2, onde é publicada a matéria, o título é este: «A Internet faz bem à cabeça». Aí aparece uma imagem em destaque com uma criança a trabalhar no seu Magalhães. O próprio Lapscott deixou-se fotografar numa sala de aula com um computador Magalhães por carteira (ver imagem em baixo).

A entrevista, feita pelo jornalista João Pedro Pereira, pode ser lida aqui [vale a pena seguir e participar na discussão que está a acontecer nos comentários à entrevista].

Os jovens são mais espertos do que nunca, o QI está ao nível mais alto de sempre, há mais estudantes a licenciarem-se. (...) Mas há um problema. Um terço desta geração é espectacular. Outro terço está a safar-se bastante bem. Mas os que estão em baixo, mesmo em países como os EUA, Canadá ou Portugal, nem sequer estão a acabar o liceu. Sempre foi assim, mas não devia ser. Devíamos ter melhorias nesse último terço, mas isso não está a acontecer. Algumas pessoas culpam a Internet. Mas isso é como culpar a biblioteca pela ignorância dos alunos. (Don Lapscott, Público, 07Jul'10)

quinta-feira, julho 01, 2010

Magalhães: "um pau de dois bicos"

Magalhães: "um pau de dois bicos" é o título de um trabalho de Sara R. Oliveira que acaba de ser publicado no site Educare.
Sobre a utilidade e a utilização do Magalhães, "as opiniões divergem. Os computadores portáteis entregues ao 1.º ciclo são olhados de várias formas: como eficazes ferramentas pedagógicas, como uma perda de tempo. As experiências falam por si".
Continuar a ler: AQUI.