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terça-feira, abril 17, 2012

Educação para os Media contra a "institucionalização da ignorância", defende Pacheco Pereira



O historiador José Pacheco Pereira defendeu ontem, em Coimbra, que a escola não deve apenas ensinar as crianças a ler, escrever e contar, mas também educá-las para os media, desde a pré-primária. Ao participar hoje, na Universidade de Coimbra, num seminário de doutoramento com a comunicação “Educação para os Media”, o orador realçou que, quando as crianças ingressam no ensino pré-primário, “já têm milhares de horas de televisão”, e que é preciso dar atenção a este fenómeno ainda relativamente recente. “A socialização das crianças é hoje feita muito fora da escola e fora da família”, frisou Pacheco Pereira, acrescentando que a televisão e os jogos de vídeo vêm assumindo muito dessa importante função. No entendimento de Pacheco Pereira, “a sua [das crianças] percepção do tempo e do espaço é moldada pelos media modernos”. Salientou que, na escola, também a criança “é cada vez mais atirada para a internet”, para recolher informação, sem ser ensinada sobre a forma como o deve fazer. Na perspectiva do orador, deve ser ensinado às crianças o modo de ver televisão, alertando que esta não é a realidade, mas “uma construção narrativa”, e de que, na internet, “há lixo e não lixo”, e que é preciso saber navegar com proveito. A não ser assim, cria-se “uma camada de gente analfabeta dos media, mesmo quando os utiliza extensivamente”, acentuou Pacheco Pereira.

O orador acrescentou que, sem essa educação para os media, haverá “uma maior institucionalização da ignorância, uma enorme dificuldade entre o saber e o palpite, uma perda muito significativa do papel da individualidade e da privacidade”. Haverá também – prosseguiu – “uma tendência para um relativismo cultural, em que tudo é igual, tem o mesmo valor”, seja uma canção da moda ou uma música clássica, um vídeo no “youtube” ou um filme de referência. “Tudo isto é o resultado de uma crise das mediações, que é um dos aspectos mais perniciosos do mundo contemporâneo. Ela manifesta-se com a crise da família, enquanto entidade mediadora da transmissão de conhecimentos e de socialização, da crise da escola, na crise das actividades profissionais que também deveriam ter esse papel de mediação, como o próprio jornalismo”, acentuou. Na sua comunicação, Pacheco Pereira expressou também uma visão crítica sobre os media, que diz serem, para “as grandes massas, mais factor de controlo e empobrecimento do que enriquecimento”, e de não se assumirem como inclusivos, mas “perpetuarem factores de exclusão previamente existentes”. (Lusa)

sábado, setembro 17, 2011

Morangos sem açúcar



A propósito da nona temporada do programa televisivo ‘Morangos com Açúcar’, o crítico televisivo Nuno Azinheira defendia, há dias, uma posição que suscita perplexidade. No seu modo de ver, atiram completamente fora do alvo aqueles que criticam o programa por ser “um mau exemplo para a juventude”; por colocar “os nossos jovens” perante “tudo o que de mau a sociedade tem” e lhes franquear o “caminho da droga, do sexo fácil e da banalização do amor”; por os tornar “mais violentos na escola, enfim, um sem-número de pecados”, como ele escreve. Morangos com Açúcar, em vez de “um vício”, seria, para Azinheira, “uma oportunidade” para os pais explicarem aos jovens “o que é isso de crescer, de os preparar para as inquietudes e angústias que o seu desenvolvimento corporal e psicológico sempre desperta, e de os mentalizar para os perigos da vida fora do casulo dos primeiros anos de existência”. “Porque, entendamo-nos, não é a escola, muito menos a televisão, que tem de dar educação às nossas crianças”, esclarece ainda o jornalista. Para além do bom senso, é hoje farta a investigação a frisar esta ideia: tão ou mais importante do que aquilo que a TV faz aos mais novos e à sociedade é o que os mais novos e a sociedade fazem com a TV. Aparentemente haveria, assim, uma sintonia com Nuno Azinheira. E no entanto o desacordo não sendo total, é, eu diria, profundo. Certamente que a responsabilidade e papel dos pais é crucial. Dificilmente se pode negar isso e nunca se enfatizará suficientemente tal contributo decisivo. Mas remeter apenas para essa sede a tarefa educativa é escamotear completamente as condições reais em que ocorre, hoje, o quotidiano e a socialização das jovens gerações. Deixo de lado, por extravagante, a ideia de que à escola não cabe educar. No que respeita à televisão (e à Internet, aos videojogos…), se ela propõe situações, relações, experiências, valores e visões do mundo envolventes, isso não será relevante? Não a tornará um factor interveniente, com o seu grau de especificidade, no processo formativo? Dizer que tudo está do lado dos pais é irresponsabilizar a televisão e canonizar implicitamente tudo o que ela possa fazer. Será esse o papel de um crítico de televisão?

domingo, julho 10, 2011

Não é preciso a TV ligada todo o dia!


O autor - Enrique Martínez-Salanova Sánchez, um perito e militante da Educomunicação, a partir do grupo Comunicar - comenta o seu próprio trabalho nestes termos:
"Cuando nací no teníamos televisión, con suerte radio, que oíamos a través de los patios interiores y por la calles. Estoy convencido de que se puede sobrevivir sin tener encendida la tele todo el día".

segunda-feira, novembro 29, 2010

Crianças, televisão e telejornais

Os acontecimentos da última semana, em favelas do Rio de Janeiro, que culminaram ontem com o 'assalto' policial no Complexo do Alemão suscitam muitas reflexões, em particular sobre o papel dos media. Duas em especial gostaria aqui de salientar: o papel que teve, no dia de ontem, a cobertura feita a partir de dentro da favela cercada e espiolhada pelos agentes de segurança por parte de um grupo de adolescentes, ligados ao jornal "Voz da comunidade" e o impacte das notícias nos serviços noticiosos da televisão.
No primeiro caso, vale a pena rever a conta do Twitter www.twitter.com/#vozdacomunidade e rever os vídeos que, a partir de telemóveis foram feitos e emitidos via site Justin.tv. O que foi a experiência de miúdos a fazerem e a terem a consciência de fazer aquilo que os grandes e poderosos meios de comunicação não eram capazes de fazer e serem seguidos em diversas partes do mundo (a conta do Twitter passou, num instante, para mais de 20 mil seguidores). Quem acompanhou os acontecimentos pelo Twitter, pôde verificar a repercussão desta iniciativa.
Quanto ao impacto das notícias e imagens destes acontecimentos nos telejornais, refiro apenas o oportuno sinal dado pelo site revistapontocom, aqui. Ele remete-nos para o texto de uma equipa de investigadores, também do Rio de Janeiro - "Crianças, televisão e telejornais", que estudaram esta matéria, olhando-a do lado das crianças. Vale a pena dar uma olhada.

Complemento: Cf, no JN de hoje: "Adolescentes do Complexo do Alemão vencem batalha das notícias no Twitter"

quarta-feira, setembro 29, 2010

TV: mais reconhecimento que conhecimento

(...) a comunicação se tornou para nós
questão de mediações mais do que de
meios, questão de cultura e, portanto,
não só de conhecimentos mas de re-conhecimento.
Um reconhecimento que
foi, de início, operação de deslocamento
metodológico para re-ver o processo
inteiro da comunicação, a partir de seu
outro lado, o da recepção, o das resistências
que aí têm seu lugar, o da apropriação
a partir de seus usos.

Martín-Barbero, Jesús (2001). Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ
Via: A TV pelo Olhar de Quem Vê

segunda-feira, junho 07, 2010

Entre a juventude perdida e a polícia social

Muitas vezes ouvimos críticas - ou somos mesmo os emissores dessas críticas - contra o forte teor sexual de vídeos musicais ou de outros formatos direccionados a públicos adolescentes. Contudo, pelo menos pessoalmente, poucas vezes encontro informação sobre os elementos ideológicos que dominam essas mesmas críticas.

Exactamente por isso chamo a atenção para um trabalho recente da Universidade de Cambridge, ainda por publicar mas com resumo disponível no site da instituição, que sugere que as preocupações de vários sectores da sociedade com os produtos massificados para adolescentes podem estar assentes em motivos ligados ao estatuto social e aos comportamentos adequados em comunidade. Por outras palavras, o sociólogo Robbie Duschinsky afirma que podemos estar perante um comportamento que, ao criticar, tem como objectivo "policiar a sociedade".

O artigo, que vai ser publicado no Media International Australia, analisa dois lados da questão: um lado que alega que há uma crescente obsessão com a imagem da parte dos jovens e um outro que diz que esta preocupação não passa de um excesso de puritanismo que impede a discussão sobre temas mais sérios de abuso de crianças. Ambas, diz o autor, podem tornar-se problemáticas à luz desta perspectiva de "policiamento".

Pareceu-me particularmente interessante a afirmação de que estas críticas "escondem" um elemento de marginalização da cultura negra e da classe trabalhadora como sendo pouco aceitáveis para uma classe média dita "respeitável".

Saliento, também, a ausência de um nível de agência para os media, "meros" transmissores de imagens e concepções, quase sem vontade própria ou sem qualquer tipo de filtros. Visto o cubo por outro lado, talvez essa visão possa ser tão preocupante como a anterior.

sexta-feira, maio 28, 2010

Entrevista com Sara Pereira

O jornal online Educare publica na sua última edição uma entrevista com Sara Pereira, investigadora do centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho e membro da equipa deste blog. O assunto é a sempre actual questão da relação das crianças com a TV. O título é:"A criança não procura na televisão uma repetição da escola".

domingo, novembro 22, 2009

Tese sobre publicidade televisiva a brinquedos

Realiza-se amanhã, segunda-feira, a prova de doutoramento em Ciências da Comunicação de Luísa Magalhães, cuja dissertação se intitula "A construção textual da proposta de jogo no spot publicitário televisivo de brinquedos para crianças".
Este evento científico terá lugar no salão de actos da actual Escola de Enfermagem da Universidade do Minho, na Avenida Central, nº 100 (ao lado da Igreja dos Congregados), no centro da cidade de Braga, a partir das 15 horas.
A Mestre Luísa Magalhães é actualmente docente do Curso de Ciências da Comunicação do Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa e investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da UM. A dissertação contou com a orientação científica da Doutora Antía López, Professora Titular da Universidade de Santiago de Compostela, e do Doutor Aníbal Alves, Professor Catedrático Aposentado da Universidade do Minho.

sexta-feira, novembro 20, 2009

ERC aprova criação de dois canais infantis

O Conselho Regulador da ERC aprovou a criação de dois canais direccionados para os públicos infantis. A notícia vem no DN:
"Biggs será o novo canal infantil e prevê uma programação dedicada a crianças entre os oito e os 14 anos de idade. Este canal pretende ainda 'cobrir uma necessidade actual do mercado, dado que o canal Disney é mais vocacionado para o público feminino e os restantes canais infantis para estas idades possuem uma programação pouco diversificada'.
Este canal é detido pela DREAMIA - Serviços de Televisão, S.A., empresa que nasce de uma joint-venture entre a ZON e a Iberian Program Services. O canal será exibido na ZON TV Cabo.
O segundo canal dirigido ao público infantil cuja actividade foi aprovada pela ERC dá pelo nome de SIC K. Este será lançado pelo grupo Impresa e emitido pela operadora para a televisão da Portugal Telecom, o Meo, que terá o exclusivo durante os primeiros seis meses. O canal deverá começar a ser exibido em Dezembro e terá ainda uma componente dedicada aos adolescentes".
Ainda de acordo com a mesma notícia, a ERC aprovou também o canal Panda (e outros dois), os quais, "apesar de disponíveis em Portugal, estavam sob jurisdição de outro estado da União Europeia".

terça-feira, novembro 17, 2009

Apresentação "Como TVer": 20Nov | 6ª 21h30 | Fnac Braga


(clicar na imagem para aumentar)

O lançamento deste booklet será na Fnac de Braga já esta sexta-feria, dia 20, às 21:30h, e conta com a presença de Teresa Paixão, responsável pela programação para a infância da RTP.

Os seguidores deste blogue estão, desde já, convidados.

domingo, novembro 15, 2009

"TV com medida certa não faz mal a ninguém"

A citação é de Teresa Paixão, responsável pela programação para a infância da RTP, numa entrevista ao Jornal do Notícias do passado dia 15.

Teresa Paixão fala das apostas da RTP ao nível da TV para as crianças, refere alguns critérios presentes na escolha dos programas, mostra que a TV usada com 'peso e medida' pode ser positiva para as crianças e reconhece que é saudável que elas tenham outras actividades para fazer. Julgo que esta ideia ganha uma outra importância quando é proferida por quem é responsável, na TV pública, por programar para os mais novos. Mostra como a TV é encarada na vida das crianças, sendo certo que esta perspectiva influencia também a forma de pensar e fazer TV para a geração mais nova.

A entrevista pode ser lida em: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Media/Interior.aspx?content_id=1414596

Teresa Paixão estará em Braga na próxima sexta-feira, dia 20, para o lançamento do booklet 'Como TVer' no Fórum-FNAC (BragaParque), pelas 21.30h.

quinta-feira, novembro 12, 2009

A TV faz mal aos miúdos? BBC responde

A TV faz mal aos miúdos? A pergunta é velha, quase tão velha como a própria televisão. Tem sentido continuar a fazê-la? Sim, enquanto a TV tiver a centralidade que continua a ter no dia-a-dia dos mais pequenos (e dos mais graúdos também). Sim, faz sentido, na medida em que ajudar a reflectir sobre hábitos e rotinas, sobre os pontos de vista das crianças e dos pais, sobre os estilos de vida que construímos e nos constroem. Sim, quando é também a própria televisão a fazê-lo, como aconteceu recentemente com a BBC, através do seu velhinho programa semanal Panorama. E ao fazê-lo e ao partilhar o programa, leva-nos, a nós próprios, a poder reflectir também. Até para colocar a pergunta: como se pode viver sem televisão nem outros ecrãs? Aqui:



(Fonte e enquadramento: AQUI)

segunda-feira, novembro 09, 2009

"Rua Sésamo" faz 40 anos nos EUA e 20 em Portugal


Faz amanhã 40 anos que foi emitido o primeiro episódio daquele que viria a tornar-se num dos mais famosos programas para a infância do mundo - o Sesame Street. Eleva-se a 125 o número de países que adquiriram à Children's Television Workshop os direitos para produzir ou co-produzir séries inspiradas na versão norte-amerciana. E é assim que o programa se diz, conforme as latitutes do mundo, de modos diversos, tais como: Sesame Tree, Jalan Sesama, Vila Sésamo, Galli Galli Sim Sim, Plaza Sésamo, Ulitsa Sezam,Sesamstraat,Hikayat Simsim, 5 Rue Sesame, Sesamstrasse,Rechov Sumsum, Shara’a Simsim, Barrio Sesamo, Alam Simsim.
Curiosamente, acaba também de se completar vinte anos sobre o início da versão portuguesa, co-produzida pela RTP, sob a orientação pedagógica de Maria Emília Brederode Santos. Uma geração de portugueses hoje com cerca de 30 anos fez a sua descoberta do mundo muito apoiada e inspirada por Rua Sésamo. E muitos hoje lamentam que o programa tenha deixado a programação, por razões que podem ser relevantes, mas que não deixam de ser discutíveis, num serviço público, mesmo tendo em conta o esforço feito pela RTP em torno da produção de algo que se lhe aparenta nos objectivos, o Jardim da Celeste.
A ideia de Rua Sésamo foi a de procurar oferecer a crianças em idade pré-escolar um currículo orientado para a aprendizagem lúdica de aspectos relacionados com a literacia básica, o bem estar, o apoio emocional, a exploração do mundo envolvente. Foi, de certo modo, a aposta possível numa vertente da televisão que não estivesse amarrada à mera lógica mercantil e consumista.
Um programa destes mereceria que os media virassem, por um momento, as suas atenções não apenas para aquilo que foi e o impacto que teve entre nós o programa Rua Sésamo, mas para a oferta televisiva que hoje existe para os mais pequenos, em especial os da faixa dos 2-3 aos 5-6 anos. Fora a RTP2, o panorama não parece ser brilhante.

quarta-feira, setembro 16, 2009

RTP2 programa informação para os mais novos

Volta ao Mundo em 5′ é o título de programa de informação dirigido aos mais novos, que a nova grelha da RTP2 incluirá nestes próximos meses. A notícia foi dada ontem pelos responsáveis do canal e constitui resposta a uma das críticas que foi recentemente feita ao canal, num estudo sobre a programação para os mais pequenos feito pela Universidade do Minho.
"Sob o lema Usar bem a Língua Portuguesa a estação - refere o site Meios & Publicidade - organizou toda a programação infantil para o último trimestre deste ano, com aposta na produção nacional. O concurso Fala-Escreve-Acerta-Ganha, 40 novos episódios da série Ilha das Cores, Volta ao Mundo em 5′ (programa de notícias), Vamos Ouvir (13 contos originais narrados por actores), as séries de animação Ema e Gui e a Gombby são alguns dos programas".

quarta-feira, maio 20, 2009

Crianças e TV: oferta e procura em 2008

Alguns dados sobre a oferta de programação para os públicos mais jovens e a audiência de TV entre estes mesmos públicos acabam de ser divulgados no Anuário de Media e Publicidade publicado pela Marktest. Os três quadros seguintes traçam um panorama de algumas das tendências mais significativas:





Fonte: Newsletter da Marktest

terça-feira, abril 07, 2009

Lá em casa: uma “escola paralela”

Se as crianças portuguesas de idades compreendidas entre os 4 e os 14 anos passam, em média, quase três horas diárias a ver televisão, não deverá isso ser motivo de desassossego? Que vêem elas? Que tipos de programas preferem? Que oferta encontram nas grelhas dos diferentes canais? Com que critérios se escolhe essa programação? De onde vêm os programas? Que histórias contam? Que personagens, situações e valores enfatizam?
Bem vistas as coisas, é todo um currículo alternativo à família e à escola que aqui está em causa. E aparentemente, são poucos os sinais de preocupação e de exigência relativamente a esta matéria.
Parte destas interrogações encontra resposta num estudo que um grupo de investigadores da Universidade do Minho acaba de realizar para a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), sob coordenação da Prof. Sara Pereira e no qual tive o gosto de participar também.
Alguns resultados apurados, a partir da análise de mais de três mil programas emitidos entre Outubro de 2007 e Setembro de 2008: no seu conjunto, a RTP, SIC e TVI emitem programas para a infância sobretudo de manhã, quando a maioria das crianças está a essa hora na escola. A RTP2 é o canal que mais diversifica, em termos de temas e de manchas horárias. Mas tem uma programação muito orientada para a idade pré-escolar (o que, sendo em si mesmo positivo, deixa outros grupos etários a descoberto). A SIC e, sobretudo, a TVI inovaram, nos últimos anos, com a introdução de novelas juvenis. Mas, sobretudo este último canal, com Morangos com Açúcar, acaba por oferecer um “prato” quase único (e problemático do ponto de vista do conteúdo – ainda que este aspecto não tenha sido estudado aqui).
Há esforços muito positivos, como “A Ilha das Cores”, na RTP2, a par de medidas execráveis, como é o facto de a TVI meter um programa de wrestling no meio de desenhos animados, ao sábado de manhã. Finalmente, em quase um terço dos programas surgem conteúdos educativos tematizados de forma interessante, o que deveria merecer outra atenção e apoio da parte dos pais e educadores.
Quem se ocupa desta “escola paralela” domiciliária, à qual as crianças dedicam tanto ou mais tempo do que à escola formal?

[Publicado no diário Página 1 / RR, em 6 de Abril de 2009]

quarta-feira, dezembro 24, 2008

SIC desafia escolas a produzir reportagens

Ora aqui está uma iniciativa a que vale a pena estar atento. O JN de hoje traz a notícia:

“Portugal visto por nós” é o novo projecto educativo da SIC dirigido aos alunos do 3.º ciclo e do secundário, desafiando-os a produzir, num minuto e meio, histórias sobre a sua terra, família, escola ou país, em formato vídeo.

Os critérios de selecção dos trabalhos passam pela “criatividade” e “reflexão que possam provocar” sendo os melhores premiados com a transmissão numa das plataformas da SIC e equipamentos de vídeo. Os grupos devem ser compostos por três a seis elementos e fazer-se acompanhar por um professor.

Através do seu site, a estação de Carnaxide esclarece dúvidas do ponto de vista técnico, relacionadas com a construção jornalística das imagens e fornece toda a informação para os alunos se candidatarem.

As inscrições estão abertas até ao dia nove de Janeiro e a entrega dos trabalhos deverá ser feita até 15 de Abril.

domingo, dezembro 21, 2008

"Daily Motion" cria canal de vídeo para crianças


O site de partilha de vídeos Daily Motion acaba de criar o canal DM Kids, uma WebTV dirigida às crianças. Compreende séries de desenhos animados, vídeos sobre os animais e informação. Em francês.
Benoît Rapahel, do blogue "Demain Tous Journalistes?", pergunta: "Será o princípio do fim da televisão?".
Talvez não seja caso para tal. Pelo menos por agora.

terça-feira, novembro 11, 2008

Rua Sésamo: algo mais que nostalgia

"[...] eis que a Rua Sésamo chega a Portugal. Não sei quais foram as razões que levaram ao seu desaparecimento da grelha de programação da televisão pública, mas o que é certo é que, nos relatórios periódicos de estudos prospectivos para a educação, que editam diversas universidades americanas, os monstrinhos coloridos mantêm-se na frente da corrida para que foram magistralmente criados: promover a literacia das crianças entre os três e os seis anos, sobretudo daquelas que não podem frequentar os Jardins-de-Infância e que, por isso mesmo, têm quase sempre um acesso insuficiente à cultura escolar.
Pessoalmente posso testemunhar como os meus filhos, apesar de integrados no ensino pré-escolar, puderam beneficiar da excelente versão portuguesa e de como, na sequência dos programas, não só nos tornámos íntimos do Gualter e da Emilinha, como sentimos a necessidade de ir lendo e comentando as colecções de livros, entretanto publicadas por esta “etiqueta”, primeiros os fáceis, depois os difíceis, os livros de actividades…, um sem fim de experiências emocionais cálidas e de descobertas amorosas e fascinantes.
Assim, cada um de nós teve a oportunidade de encontrar o seu personagem favorito, mas claro, o Poupas e o Óscar Embirrante ocupando um lugar especial na nossa casa.
Entretanto, a Internet e a Amazon permitem-nos saber que o Katrina destruiu o ninho do Poupas e o Mostro das Bolachas agora ensina as crianças a comer brócolos.
Em Portugal, muitos meninos chegam aos dez anos sem saber juntar as letras ou fazer uma conta de somar. Essa triste e revoltante realidade deveria inquietar-nos e forçar-nos a agir com responsabilidade e urgente eficácia. Não significa, de todo, que se corra a comprar quadros electrónicos ou outros gadgets, mediáticos, modernos mas não provados. Nesse sentido, oxalá a visita fugaz da trupe da Rua Sésamo despertasse algo mais do que nostalgia. Oxalá nos devolvesse o melhor serviço público que jamais uma televisão portuguesa ofereceu às nossas crianças".

Cristina Sá Carvalho, O Gualter e a Emilinha, Página 1/RR, 11 de Novembro de 2008

quinta-feira, maio 29, 2008

Desintoxicar-se dos ecrãs

É claro que o conceito de desintoxicação aplicado aos ecrãs já encerra todo um mundo de questões. Mas é assim mesmo, recorrendo a esse problemático termo que o jornal Le Monde de hoje se refere a uma iniciativa que, desde a semana passada, foi assumida pelos cerca de 250 alunos de uma escola primária dos arredores de Estrasburgo, em França. O propósito colectivo foi precisamente esse: durante dez dias, pôr de lado todo o tipo de ecrãs - de televisão, computador, consolas de jogos. A notícia não indica se também telemóvel. Mas o desafio não se ficava por aqui: era preciso aprender a ocupar o tempo de outro modo, de um modo que fosse interessante.
Muitas crianças tomaram a coisa a peito, no sentido de mostrar que eram capazes de levar a carta a Garcia. E a coisa não foi fácil para alguns. Basta dizer que pelo meio houve, por exemplo, a transmissão da final da Liga dos campeões europeus. No entanto a taxa de sucesso está a ser elevada, a ponto de os media e o próprio Governo terem começado a prestar atenção ao caso.
Inspirada numa iniciativa idêntica que já faz o seu caminho no Canadá, a experiência francesa tem objectivos muito simples: melhoria do bem-estar e do humor das crianças, mais tempo de convívio entre os membros da família, menos disputas... Já se pensa em repetir a operação.