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domingo, dezembro 30, 2012

'Nativos Digitais' - questionando o conceito através de um exemplo


Até ao tempo de Galileu (em boa verdade muito para além dele), a impressão de que era a Terra que andava à volta do Sol tornou-se teoria e doutrina e foi um berbicacho convencer muita gente de que aquilo que parece, muitas vezes, não é. O mesmo com as TIC, os computadores e a web.

"Tenho lá um fedelho em casa que, com quatro anos, sabe mil vezes mais do que a avó". Ou: "Acho quase impossível o que os miúdos hoje fazem na Internet". Ou ainda: "Para fazer aquilo que faz tem de ser muito inteligente". Quantas vezes não ouvimos frases do tipo destas para dar conta da facilidade e à-vontade com que os mais pequenos lidam com as ferramentas informáticas e as TIC.
Mark Prensky deu nome à coisa e começou, há pouco mais de dez anos, a chamar a estes miúdos que nasceram com a Internet "nativos digitais" - e, àqueles que tiveram de pedalar para entrar e acompanhar a mudança neste novo universo, "imigrantes digitais" (Prensky, 2001). A partir daí, com toda a gente arrumada no seu lugar, a ideia feita fez o seu caminho e hoje tornou-se senso comum, nomeadamente entre docentes, jornalistas e políticos.
É claro que alguma coisa há de verdade numa ideia feita. É aquele q.b. que a torna não apenas credível mas também convincente e incontornável e que acaba por fazer moda. Acresce que o próprio autor da expressão ele próprio a tomou, recentemente, sobretudo como uma metáfora para chamar a atenção para um problema. Mas, de facto, no caso dos "nativos digitais", nada é mais problemático e até ardiloso, já que, nas versões mais 'fundamentalistas', os miúdos nascidos e crescidos neste novo caldo cultural não só não precisariam de ser ensinados, mas passariam, eles próprios, a ser os professores. A eles é que caberiam, por assim dizer, direitos de cidadania. Os imigrantes (digitais), esses coitados, estariam um pouco como o peixe fora da água, fora do seu ambiente natural, como que por empréstimo ou por favor, e sempre em situação de carência e de deficit.
O discurso subjacente a um recente vídeo da Microsoft Portugal para demonstrar a alegada simplicidade do Windows 8 é disso eloquente exemplo. Por alguma razão ele se tornou um fenómeno 'viral', atingindo, em menos de duas semanas, cerca de 330 mil visitas e perto de 400 mil na sua versão em inglês (confrontar com este outro vídeo com uma explicação mais convencional).
Como é lógico, ninguém presta grande atenção às demonstrações das duas crianças, porque o objectivo da mensagem é outro: se um 'puto' de nove ou dez anos faz aquilo, um crescido não será também capaz de o fazer? Mais do que isso: o documento sugere subliminarmente como que um efeito de osmose entre o universo infantil e o do novo sistema operativo (através da tactilidade dos ecrãs, por exemplo).
Se esta familiaridade, à-vontade e saber-fazer resumissem o essencial do que se pode entender por literacia informativa e digital estaria o problema resolvido. Mas, infeliz ou felizmente, assim não é. E o desafio mais importante, hoje em dia, talvez resida em tomar aquilo que é o senso comum como motivo de interrogação. Como de resto algumas investigações começam a pôr em realce (cf. The Digital Native Debate in Higher Education: A Comparative Analysis of
Recent Literature de Erika E. Smith, 2012). Aquilo que parecia uma resposta a uma nova situação, deve converter-se numa pergunta. Aquilo que parecia um ponto de chegada revela-se, afinal, um ponto de partida para um itinerário de estudo e de acção que está ainda por explorar.

Marc Prensky publicou este ano dois livros: "Brain Gain: Technology and the Quest for Digital Wisdom" (Palgrave Macmillan) e "From Digital Natives to Digital Wisdom: Hopeful Essays for 21st Century Learning" (Corwin).

segunda-feira, abril 16, 2012

Usar latas para descobrir a fotografia

Latas transformadas em máquinas fotográficas pinhole
Foi lançada em Lisboa a campanha "Latas na cidade", que tem por objetivo "divulgar a fotografia pinhole, um método muito diferente de fazer fotografias e aguçar a curiosidade das pessoas". A ideia foi desenvolvida por Magda Fernandes e José Domingos, responsáveis pelo ateliê Imagerie - Casa de Imagens, envolvendo a distribuição de 18 latas gigantes pela cidade, com um autocolante onde se pode ler: "Eu não sou uma lata, sou uma câmara fotográfica! Usa-me!"
"Queremos fazer com que as pessoas percebam que a fotografia pode ser uma coisa mais simples e ao mesmo tempo mais mágica, porque não é tecnológica. Uma câmara fotográfica pode ser uma coisa tão básica como uma lata e tem um tempo próprio, porque não tiramos uma fotografia e ela fica logo disponível, é preciso pensar mais e demorar mais tempo a fazer a fotografia e nós queríamos partilhar isso com as pessoas", referiu Magda em declarações à Lusa.
Segundo Magda Fernandes "as pessoas podem pegar na lata, levá-la com elas e fotografar onde quiserem. Depois de tirar a fotografia, podem deixá-la no mesmo sítio", uma vez que os responsáveis pelo projeto vão buscá-la.
O objetivo é terminar o projeto a 29 de abril, Dia Mundial da Fotografia Pinhole e se correr como esperado, com "quantidade e qualidade de fotografias suficiente", pode resultar numa exposição.
Na página do Facebook do projeto e na página da Internet do atelier, é possível ter acesso a um mapa de localização das latas, que vai sendo atualizado por Magda e José Domingos.
As máquinas fotográficas não querem que os autores das fotografias fiquem na incógnita e contêm autocolantes nos quais pode ficar registado o nome do "fotógrafo", contacto e título da peça.

terça-feira, janeiro 31, 2012

Dossiê sobre educação para a cultura informacional


O INA - Institut National de l'Audiovisuel acaba de publicar mais uma edição dos "e-dossiers de l'audiovisuel" dedicado à "educação para as culturas da informação". A edição foi coordenada por Divina Frau-Meigs (Sorbonne Nouvelle), Éric Bruillard (ENS Cachan) et Éric Delamotte (Université de Rouen), juntando 12 contributos que, de algum modo, prolongam um outro dossiê dedicado à educação para os media, publicado há um ano.

Apresentando esta nova publicação, os coordenadores sublinham a importância da temática deste modo:
"(...)La prise en compte de la culture de l’information, conçue comme un enjeu culturel, démocratique et économique majeur de l’ère numérique, revêt des sens très différents selon les disciplines mises en dialogue ici, l’informatique, la documentation, l’information-communication, avec l’appui des sciences de l’éducation. Le besoin de clarification épistémologique se fait sentir d’autant plus que les pratiques des jeunes sur les réseaux créent des confusions problématiques (liberté d’expression, propriété intellectuelle, vie privée). D’où la confrontation des définitions développées par les chercheurs des disciplines impliquées pour clarifier le périmètre du terme « information », repérer les notions-frontières et les concepts-relais, et pour établir des passerelles permettant de négocier les complémentarités entre les divers champs. À travers les nouvelles configurations des compétences et des pratiques et leurs retombées pour l’éducation, se dessine aussi une « translittératie » partagée, entre les pratiques empiriques anglophones et les recherches transdisciplinaires et didactiques qui font l’originalité de l’approche française. Alors que des approches segmentées sur l'information président à l'organisation de la recherche, ce dossier plaide pour une approche intégrée des cultures de l'information".
São os seguintes os textos que compõem este e-dossiê:

LA RADICALITÉ DE LA CULTURE DE L’INFORMATION À L’ÈRE CYBÉRISTE

domingo, novembro 06, 2011

Dez paradoxos da tecnologia

As reflexões sobre a tecnologia são tão escassas e tão superficiais que todas as achegas são bem-vindas. Aqui encontramos uma conferência de Andrew Feenberg, especialista e investigador canadiano de Filosofia da Tecnologia na Escola de Comunicação da Simon Fraser University.
Neste vídeo defende que, ainda que possamos ser exímios a usar numerosas tecnologias, grande parte daquilo que sabemos sobre tecnologia é em geral falso.

Ten Paradoxes of Technology from The IRMACS Centre on Vimeo.

segunda-feira, junho 27, 2011

Michel Serres e a revolução tecnológica

"Les nouvelles technologies: révolution culturelle et cognitive" é o tema de uma conferência proferida pelo filósofo francês Michel Serres, agora recordado/disponibilizado no site EducaVox. A reflexão do autor estende-se por meia dúzia de vídeos autónomos, disponíveis no YouTube:

quinta-feira, maio 19, 2011

Iliteracia digital dos professores, diz relatório

Acaba de ser divulgado o relatóriot Horizon Report 2011, realizado pelo New Media Consortium (NMC) e pelo Consortium for School Networking (CoSN). Incide sobretudo nas tecnologias emergentes que terão impacto na educação a curto prazo, do pré-escolar ao 12º ano.
O documento identifica cinco desafios críticos para as tecnologias educativas, bem como cinco tendências emergentes"chave".
Acerca da iliteracia mediática digital dos docentes, que é o primeiro dos cinco desafios (cf lista abaixo), refere-se no relatório:
"O desafio é devido ao facto de que, apesar do amplo consenso sobre sua importância, a formação em competências de literacia e técnicas digitais é raro na formação de professores e nos programas de desenvolvimento profissionaldo das administrações escolares.
Além disso, quando os professores têm acesso a formação focada na tecnologia ela incide sobretudo no lado efémero da literacia digital - tecnologias específicas e do momento, em vez de conceitos de tecnologia".
5 Desafios Críticos
  • 1. Iliteracia digital entre os professores;
  • 2. As pressões económicas e novos modelos educacionais;
  • 3. Falta de apoio à aprendizagem personalizada;
  • 4. Resistência institucional à mudança;
  • 5. Incapacidade para conectar as aprendizagens extracurriculares dos alunos às atividades de aprendizagem em sala de aula.
5 Tendências Emergentes
  • 1. Abundância de recursos on-line;
  • 2. Descentralização das TI;
  • 3. A exclusão digital como uma função da educação, não da riqueza;
  • 4. Fácil e atempado acesso à tecnologia;
  • 5. Adesão à inovação.
Ler o relatório aqui:

domingo, maio 16, 2010

Obama e a tecnologia ao serviço da cidadania

Ainda sem entrar nos detalhes do congresso de Sevilha, deixo aqui outra leitura de final de fim-de-semana, já a entrar na semana que agora começa. No dia 9 de Maio o presidente dos EUA, Barack Obama, discursou na Universidade de Hampton, focando-se na questão da educação. Lá pelo meio do discurso encontra-se isto:

"Vocês estão a amadurecer num ambiente mediático de 24 horas por dia, sete dias por semana, que nos bombardeia com todos os tipos de conteúdos e que nos expõe a todos os tipos de discussões, algumas das quais que nem sempre se posicionam muito alto na escala da verdade. E, com iPods e iPads; e Xboxes e Playstations - com as quais eu não sei trabalhar - a informação torna-se numa distracção, numa diversão, numa forma de entretenimento, em vez de ser uma ferramenta de capacitação, em vez de ser o meio da emancipação. Isto não está apenas a colocar pressão sobre vocês; está a colocar pressão sobre o nosso país e sobre a nossa democracia."

O comentário causou polémica, em particular sendo Obama o presidente que foi eleito com a ajuda da onda do Youtube e das redes sociais. Parece-me adequado acrescentar outro parágrafo do discurso:

"[O que os fundadores dos EUA] reconheceram foi que, no longo prazo, a sua improvável experiência - chamada América - não funcionaria se os seus cidadãos não estivessem informados, se os seus cidadãos estivessem apáticos, se os seus cidadãos deixassem de se importar e abandonassem a democracia nas mãos dos que não tinham os melhores interesses de todo o povo no coração. Só poderia funcionar se cada um de nós se mantivesse informado e comprometido; se chamássemos o nosso governo à responsabilidade; se cumpríssemos as obrigações da cidadania".

Educação para a Microsoft?

Regressados do congresso Euro-Iberoamericano "Alfabetización mediática y culturas digitales", que decorreu em Sevilha nos passados dias 13 e 14 de Maio e ao qual a Universidade do Minho levou um grupo, tenho a certeza que virão a caminho vários posts sobre o mesmo.

Eu próprio escreverei umas coisas acerca do que por lá foi discutido. Contudo, antes de o fazer, aproveito a deixa de Alfonso Gutiérrez Martin, professor na Universidade de Valladolid, que durante um dos painéis alertou para o risco de o tipo de Educação para os Media que se está a fazer actualmente poder ser, na realidade, apenas Educação com os Media e não para. E lançou a questão: "Quantos de nós neste congresso usam Powerpoint?"

Educação para os Media que rapidamente se torna em Educação para a Microsoft, como o mesmo disse.

Neste sentido, deixo aqui a ligação para um artigo recente do New York Times sobre o impacto do Powerpoint nas campanhas militares dos EUA: "We Have Met the Enemy and He Is PowerPoint". Alguns excertos particularmente interessantes:

"O Powerpoint faz-nos estúpidos", disse este mês numa conferência militar na Carolina do Norte o General James N. Mattis dos Fuzileiros (Falou sem Powerpoint). O Brigadeiro-General H. R. McMaster, que baniu as apresentações de Powerpoint quando comandou os esforços bem sucedidos para controlar a cidade iraquiana da Tal Afar em 2005, foi o seguinte na mesma conferência, comparando o Powerpoint a uma ameaça interna.

(...)

"É perigoso porque pode criar a ilusão da compreensão e do controlo", afirmou o General McMaster numa entrevista por telefone mais tarde. "Alguns dos problemas do mundo não são do tamanho de bullets."

(...)

No ano passado quando um site militar, Company Command, perguntou ao líder de um pelotão do Exército no Iraque, Tenente Sam Nuxoll, como é que passava a maior parte do tempo, ele respondeu: "A fazer slides de Powerpoint". Quando o entrevistador insistiu, ele afirmou que estava a falar a sério."

sexta-feira, abril 23, 2010

Uma apresentação e várias incertezas sobre o papel do computador na sala de aula

Surgiu neste blogue, há alguns dias, um pequeno cartaz (que deve estar aqui à direita) a dar a conhecer um estudo que se encontra a decorrer na Universidade do Minho sobre a Educação para os Media em Portugal. Nele, é pedido a quem tenha ligações (ou conheça quem tenha) a projectos nesse campo para contactar Tiago Ferreira, pessoa responsável pela recolha de tais dados.

Assim sendo, eu, Tiago Ferreira, dou-me finalmente a conhecer ao público deste blogue, já com alguns dias de atraso. Espero poder contar com o máximo de colaborações possíveis aí desse lado, para que possamos ter um trabalho final o mais completo possível.

Apresentações feitas, passemos à minha primeira entrada propriamente dita.

Por entre o frenesim das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) brotam pelo meio universitário nos EUA vários casos de professores contra o uso de computadores nas aulas. Este artigo (The Blackboard Versus the Keyboard) da revista Slate dá vários exemplos de professores universitários que decidiram proibir a utilização de portáteis nas salas de aula.

Mais. Uma professora da Universidade do Colorado-Boulder chegou a levar a cabo um estudo não-científico com os seus próprios alunos e notou que os que usavam os portáteis durante as aulas tinham notas, em média, 11% mais baixas do que os restantes. Os hábitos mudaram rapidamente naquela turma.

Por entre justificações em princípio legítimas, como o uso do computador para tirar notas mais rapidamente ou para aceder à Internet de modo a verificar uma ou outra informação, o problema é que o mais habitual é que o portátil seja usado para distrair e não como ferramenta de aprendizagem, como descobriu uma professora da Universidade Winona State no Minnesota. Ao mesmo tempo, um estudo na Roménia mostrou que crianças de famílias de baixos níveis de rendimentos que receberam apoio do governo para comprar computadores melhoraram as suas capacidades técnicas, mas as notas na escola mantiveram-se baixas. O uso dado aos computadores focava-se nos jogos de vídeo e não nos trabalhos de casa.

A questão aqui situa-se nos efeitos das tecnologias sobre os processos de educação e é aplicável a programas de distribuição de computadores em geral. Como escreve um doutorando de Economia da Universidade de Oxford no seu blogue sobre ajuda ao desenvolvimento:

"Quando consideramos a introdução de tais tecnologias nas salas de aula, especialmente em países em vias de desenvolvimento, precisamos de compreender que os efeitos sobre a aprendizagem básica podem ser negativos".

segunda-feira, abril 12, 2010

Primeiros Encontros

Organizada pelo Centro de Competência da Universidade do Minho, terá lugar no dia 14 de Maio de 2010, no auditório do Centro Multimédia Universidade do Minho (Braga), a 1.ª Jornada de Conteúdos Digitais para a Educação, que tem como objectivo partilhar experiências, projectos e descobertas bem como debater as temáticas inerentes ao estado actual e às perspectivas futuras sobre a problemática dos conteúdos digitais.

Sítio da 1.ª Jornada de Conteúdos Digitais para a Educação


Entre os dias 19 e 20 de Novembro 2010 decorrerá no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, nas instalações da ex-Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, o I Encontro Internacional TIC e Educação. O encontro tem como principal finalidade proporcionar um espaço de reflexão sobre práticas de integração e inovação curricular nas escolas portuguesas e em outros contextos de formação e aprendizagem.

Sítio do ticEDUCA2010

quarta-feira, novembro 11, 2009

Desafios da geração do telemóvel

O número da revista Telos correspondente aos 25 anos de vida desta publicação científica, há dias apresentado, inclui um curto texto do sociólogo catalão Manuel Castells, intitulado "La apropiación de las tecnologías. La cultura juvenil en la era digital". Nele aborda o problema do fosso geracional, mas também o do gap educacional.

Dois ou três fragmentos:
"La condición de ‘nativos digitales' de los jóvenes de hoy les confiere una posición dominante frente a sus mayores. Su uso cotidiano de de los medios digitales de información y comunicación les ha permitido desarrollar nuevas formas de relación y construir sus propios espacios de autonomía colectiva. Las instituciones educativas deben afrontar ya el reto de adecuarse a la realidad de sus públicos para frenar ese desfase cultural-tecnológico que ya es un hecho."

"Observamos hasta qué punto la posesión de un móvil conectado es el bien más preciado, porque esa autonomía comunicativa les permite construir su propio mundo. De la misma forma, los espacios y redes sociales en Internet, ya sean MySpace, Facebook, YouTube, Flickr o Twitter, fueron originalmente desarrollados sobre la base del entusiasmo de los jóvenes por dichas formas de encuentro virtual y de expresión instantánea, sin mediación organizativa o institucional. Así ha surgido el universo de lo que hoy se denomina confusamente como social media, el objeto de deseo de una industria de los medios de comunicación a la deriva porque no sabe cómo situarse en el océano de la autocomunicación de masas".

"Las consecuencias sobre el aprendizaje y la innovación son aún inciertas. Pero lo que sí sabemos es que el actual sistema educativo, empezando por la Universidad, está en desfase cultural-tecnológico total con sus actuales usuarios. De ahí la necesidad de adecuar instituciones y normas a la cultura y tecnología de nuestro tiempo, so pena de aceptar un peligroso cisma entre nuestro mundo y el mundo de nuestros hijos. Un mundo que será el suyo dentro de algunos años".

quarta-feira, outubro 21, 2009

Nos bastidores do Telejornal

O mais antigo programa da televisão pública portuguesa completou 50 anos neste domingo, dia 18. A Universidade do Minho e a RTP associaram-se numa conferência evocativa da data. Entretanto, aproveitando um Telejornal especial comemorativo, o jornalista Vasco Trigo filmou, com um telemóvel, os bastidores desse programa. É a sugestão de ver o resultado, que aqui deixo.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Projecto Jovens Repórteres para o Ambiente - inscrições até 15 de Outubro



O Programa Jovens Repórteres para o Ambiente, destinado a estudantes do ensino secundário, pretende desenvolver várias competências nos jovens, relacionadas com o ambiente, mas também com a comunicação, investigação, jornalismo, línguas e tecnologias.

Para mais informações consultar a sintese do Projecto, no site da ABAE.

quarta-feira, maio 27, 2009

"A internet, em si, não é boa nem má..."

É já lugar comum dizer-se que "A internet, em si, não é boa nem má. Depende do uso que dela fazemos". Quem diz a Internet, diz os outros media (se considerarmos que a internet é 'apenas' um novo meio, o que não é líquido que seja).
Mas o senso comum campeia também nos estudos académicos, não sendo invulgar encontrá-lo plasmado em artigos científicos. Ouvi há dias um catedrático de sociologia voltar a repetir a frase numa sessão pública e, neste caso, custou-me ouvir. Porque é precisamente do olhar sociológico que vem, a meu ver, o principal questionamento da asserção da neutralidade dos suportes, ambientes ou veículos.
Só para tomar o caso da Internet, não é verdade que a configuração que ela tem hoje (e que é permanentemente mutante) é bastante diferente dos primeiros anos? As mudanças não residem apenas nos usos, mas, digamos, assim, na natureza do meio. E esta pode não ser "boa nem má", mas não é certamente neutra, já que se constitui como matriz de determinado tipo de usos e de relações com as ferramentas.
O significado da internet e dos outros media não depende apenas do uso que dela fazemos. Depende também da configuração que esses suportes e ambientes adquirem num determinado tempo e num determinado espaço.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Tecnologia e pensamento crítico

"Is technology producing a decline in critical thinking and analysis?", pergunta-se num artigo da Universidade da Califórnia. A resposta é dada pela Prof. Patricia M. Greenfield.

terça-feira, julho 29, 2008

Espantoso ou assustador?



Agradeço ao Nelson Zagalo a sugestão do vídeo.

quinta-feira, abril 17, 2008

Mundo digital e os mais novos: dois estudos

Acaba de ser publicado no Reino Unido um extenso estudo encomendado pelo primeiro-ministro, cujo título é Safer Children in a Digital World - The Report of the Byron Review. Compõe-se de quatro capítulos, a saber:
1: Setting the Scene
2: What Children Bring to New Technology
3: The Internet: Towards a Strategy for Keeping Children Safe
4: The Internet: Specific Areas for Better Regulation
5: The Internet: Better Information and Education
6: Video Games: The Evidence
7: Video Games: Managing Access Offline
8: Online Gaming
9: Conclusion

"The Impact of the Media on Children and Young People with a particular focus on computer games and the internet" é o título do estudo de David Buckingham et al., do Institute of Education, University of London, apresentado em Dezembro último e disponibilizado na Internet. Encomendado pelo Department for Children, Schools and Families ao
Centre for the Study of Children, Youth and Media, que o Prof. Buchkingham dirige, este trabalho tem o seguinte índice:
1. Media Effects: The Social and Historical Context
2. Mapping Media Effects
3. Research Traditions and Debates
4. Computer Games
5. The Internet
6. New and Emerging Media
7. The Role of Media Literacy

domingo, março 30, 2008

O telemóvel e o caso da Escola Carolina Michaëlis

O Jornal de Notícias toma hoje uma iniciativa que merece aplauso, a propósito do acto de indisciplina na Escola Secundária Carolina Michaëlis, do Porto, protagonizado por uma aluna e pela professora e filmado e disponibilizado no YouTube por um colega da turma.
O JN juntou na sua Redacção alunos e professores para debater o caso. O resultado é a peça "Episódio foi infeliz mas é a excepção", assinada pela jornalista Helena Teixeira da Silva. Destacamos as partes relativas à relação dos alunos com esse gadget que, como está visto, se tornou em muito mais do que um objecto técnico:

"Chocou-me a impassividade da turma, a falta de solidariedade e de valores daqueles que serão os cidadãos de amanhã", confessa Manuel da Costa, professor de Educação Visual e Tecnológica na Escola Sá de Miranda, no Porto, acrescentando que, surante muito tempo, questionou-se se "o uso do telemóvel seria um desafio à autoridade até perceber que os alunos o vêem como uma espécie de prolongamento da sua individualidade". De qualquer forma, admite que, com a mediatização do caso, o sentimento foi o de ver "a classe vilipendiada".
É na extensão da "humilhação" que Sandra Bugalho, professora de Ciências há sete anos, coloca também a ênfase. "Há um aluno que teve a frieza de filmar uma situação com a qual deveria ter sido solidário, e publicá-la. O problema novo é estender a humilhação a que sujeitaram a docente a toda a comunidade".

Manuela Matos Monteiro tem reservas em relação à consciência das implicações na divulgação do vídeo: "A relação que os alunos fazem entre público e privado é completamente diferente da nossa. Para eles, tudo é passível de ser colocado no Youtube".

Aliás, para esta professora, as novas tecnologias servem para explicar algumas das mutações sociais mais importantes das últimas décadas, nomeadamente na relação professor-aluno. "Somos a geração de adultos - pais, professores, educadores - que, pela primeira vez, na história da humanidade, temos alunos e filhos que dominam uma área com uma competência que nós jamais teremos. Eles aprenderam sozinhos, e com prazer, a socializar num novo mundo no qual nós tentamos entrar, mas com esforço". Isso fragiliza o papel do professor? "Obviamente", responde.

Manuel da Costa concorda, mas ressalva que "a tecnologia dá informação, mas não dá conhecimento". E Teresa Pinto de Almeida vai ainda mais longe: "Não fornece os princípios e valores cívicos que é suposto um aluno ter".

Com alguma relutância em focalizarem o discurso no episódio concreto, é Manuela Matos Monteiro quem, como a própria disse, acaba por aceitar "comprometer-se", ajuizando, sem querer ajuízar, o comportamento da professora da Carolina Michaelis, uma vez que o da aluna - é consensual - não levanta qualquer dúvida.

"Não se chega àquela situação sem que haja uma história por trás. A colega deveria ter chamado um funcionário e participar a situação. A aproximação corpo-a-acorpo é perigosíssima. Não pode nunca chegar-se aí". Nem aí, nem ao ponto de um professor achar que "é tão bom que pode ser amigo do aluno". Não pode, reforçam todos.

"O professor - e isto é inegociável - é sempre o comandante do barco", atesta Manuel da Costa, confessando que, "durante muito tempo tentou perceber se o uso do telemóvel era um desafio à autoridade, até perceber que o aparelho é uma espécie de prolongamento da individualidade de cada um". Algo que tenta respeitar com "bom senso", mas sem deixar de apontar - nesta como na globalidade das questões- o dedo à ausência dos pais. "Demitiram-se da função".

(...)

Não esquecendo o objecto que deu origem ao conflito, o telemóvel é, ou não, afinal, imprescindível numa sala de aula? Ninguém o defende incondicionalmente, a não ser, talvez, João Reis."Todos os alunos que conheço têm telemóvel - tem mesmo que ser", vinca a importância do aparelho.

"Ninguém o usa para humilhar os professores, nem o deposita em cima da secretária. Mas está no bolso, sempre pronto a ser usado". Pronto-pronto, como numa emergência? "Sim". E o que é uma emergência? "Pode ser só uma pessoa de família, grávida, prestes a dar-nos um sobrinho", sorri. E a boa-nova não pode esperar até ao fim da aula? Resposta definitiva: "Não. Hoje, cada minuto é para ser vivido aqui e agora".

No mesmo jornal, ler, igualmente sobre este assunto, da autoria de Alice Vieira,A geração do ecrã.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

As novas tecnologias estão a mudar a geografia da brincadeira...




"As novas tecnologias estão a mudar a geografia da brincadeira e do brincar das crianças e, com ela, a sua imaginação e a criatividade que lhe subjaz. Não creio que as crianças de hoje sejam, por isso, mais inventivas e imaginativas que as de ontem. (...) Serão, talvez, mais expeditas a lidar com o mundo maravilhoso das novas tecnologias, cada vez mais surpreendentemente renovadas e com incontáveis potencialidades lúdicas, também". Alberto Nídio [sociólogo e mestre em Sociologia da Infância, com o tema de doutoramento "Trajectos Intergeracionais do Jogo, do Brinquedo e da Brincadeira"] considera importante reanalisar o papel do brinquedo e da brincadeira neste século. O docente mune-se das ideias de Gilles Brougère para recordar que, "hoje, a criança tem à mão tudo quanto é candidato a brinquedo, que pode comprar ao dobrar de qualquer esquina, quantas vezes para guardar num canto da casa, raramente ou nunca chegando a cumprir a sua função socializadora". »» Educare