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terça-feira, abril 16, 2013

Viver na rede sem se deixar enredar


A comunicação e a informação no nosso dia-a-dia são cada vez mais mediadas por tecnologias digitais. A quantidade, a intensidade e a velocidade dos dados, sinais e mensagens tornam difícil a cada um situar-se e orientar-se no caudal de estímulos e possibilidades, podendo até provocar desorientação e incomunicabilidade. Por isso há aprendizagens, umas simples e outras mais demoradas e complexas, que nos são exigidas, para habitar a nova “ecologia dos media”.
Esta perspectiva ecológica foi proposta vai para meio século, por Neil Postman, o qual, por sua vez, se inspirou em Marshall McLuhan. Para eles, cada tecnologia – digamos, a televisão, a rádio, um videojogo -  configuram  e transportam consigo uma cultura  que molda as representações e visões do mundo e influi nas atitudes e comportamentos. Não o faz de uma forma mecânica e imediatista, mas através do uso reiterado. Expressões como “um meio é uma tecnologia no seio da qual se desenvolve uma cultura” (Postman) ou, de uma forma ainda mais sintética e quase provocatória, “o meio é a mensagem” (McLuhan) dizem bastante deste modo de entendimento da relação entre os media e a sociedade.
A Internet é, neste quadro, considerada pelo senso comum, o filho mais novo dessa série impressionante de meios de informar e comunicar que a contemporaneidade tem conhecido.  Mas não apenas mais um, dado que, neste caso, como, em menor escala, já tinha acontecido com a TV e a rádio, nós encontramos um meio ambiente mais alargado, pautado por lógicas informativas e comunicacionais diversas, incorporando formas antigas, criando e combinando novas e abrindo campo a novas práticas e a novas relações. Basta considerar o que representa de ruptura, inovação e desafio a lectoescritura hipertextual e os aspetos  didáticos, culturais , éticos e políticos a ela associados.
Claro que quem não aprende a viver, a relacionar-se e a respirar saudavelmente neste novo ambiente corre riscos de exclusão. Mas também é verdade que esta ecologia, por muito central que seja, supõe abertura e conjugação com os ambientes mais amplos das relações face a face, do tempo que nos damos para estar connosco (desconectados das tecnologias), do tempo para criar e repensar projectos e compromissos.
Nas novas redes, como nas velhas, tanto nos enredamos, como buscamos novas energias e solidariedades. 
(texto publicado no diário digital Página 1, da Renascença, em 15.4.2013)

terça-feira, fevereiro 05, 2013

Internet: prevenir os riscos, mas visar mais longe

“Da mesma maneira que a leitura, a escrita e a aritmética foram cruciais para a formação de pessoas como cidadãos e profissionais, a alfabetização digital será vital no século XXI. Sem ela, as pessoas não podem participar plenamente como cidadãos, não têm acesso às mesmas oportunidades profissionais e de aprendizagem e não ajudam a criar as próximas inovações criativas e tecnológicas do mundo”.
A afirmação é de Mark Surman, diretor-executivo da Mozilla Foundation, que detém o navegador da web Firefox, e foi publicada na semana finda, no jornal brasileiro Folha de S. Paulo. Segundo ele, as novas gerações têm aprendido a consumir tecnologia e aplicações, mas não a criar conteúdos e a programar. “É como se tivéssemos ensinado toda uma geração a ler, mas não a escrever”, acrescenta o especialista.
O que diz Surman é importante, ainda que, compreensivelmente, muito centrado nas tecnologias e a literacia digital deve ser bem mais ambiciosa do que o acesso e uso proficiente das máquinas e das aplicações. Há desafios mais amplos e todos sabemos que nem tudo são rosas. Há muitas pessoas que descobrem o poder de algumas ferramentas da web e por elas se deixam seduzir, que não têm a noção de como certa informação que disponibilizam se pode virar contra elas. Há riscos para os quais é necessário estar alertado e prevenido e isso supõe sensibilidade e formação (que muitos pais e educadores não têm). Importa conhecer e divulgar os riscos a que estamos sujeitos e aprender a defender-nos. Mas isso não basta.
Aprendemos a conduzir não para conhecer os perigos da estrada, mas para levar o carro em segurança de um ponto de origem para o destino que nos convém. É preciso conhecer o carro, as regras de trânsito, as condições da estrada. Mas, antes de tudo, é preciso saber por onde e para onde queremos ir e gerir o tempo para lá chegar. Na Internet não é substancialmente diferente. E, apesar de não parecer, ninguém nasce ensinado. E a formação que se impõe deve ter tanto a vertente tecnológica, como cultural e de cidadania.
Nas vésperas de mais um Dia da Internet Segura, importa não perder de vista esta perspectiva mais vasta. E sobretudo não ficar pelas palavras. A inacção de hoje pagar-se-á caro no futuro.
[Texto publicado no jornal diário digital Página 1, em 4.1.2013]

domingo, dezembro 30, 2012

'Nativos Digitais' - questionando o conceito através de um exemplo


Até ao tempo de Galileu (em boa verdade muito para além dele), a impressão de que era a Terra que andava à volta do Sol tornou-se teoria e doutrina e foi um berbicacho convencer muita gente de que aquilo que parece, muitas vezes, não é. O mesmo com as TIC, os computadores e a web.

"Tenho lá um fedelho em casa que, com quatro anos, sabe mil vezes mais do que a avó". Ou: "Acho quase impossível o que os miúdos hoje fazem na Internet". Ou ainda: "Para fazer aquilo que faz tem de ser muito inteligente". Quantas vezes não ouvimos frases do tipo destas para dar conta da facilidade e à-vontade com que os mais pequenos lidam com as ferramentas informáticas e as TIC.
Mark Prensky deu nome à coisa e começou, há pouco mais de dez anos, a chamar a estes miúdos que nasceram com a Internet "nativos digitais" - e, àqueles que tiveram de pedalar para entrar e acompanhar a mudança neste novo universo, "imigrantes digitais" (Prensky, 2001). A partir daí, com toda a gente arrumada no seu lugar, a ideia feita fez o seu caminho e hoje tornou-se senso comum, nomeadamente entre docentes, jornalistas e políticos.
É claro que alguma coisa há de verdade numa ideia feita. É aquele q.b. que a torna não apenas credível mas também convincente e incontornável e que acaba por fazer moda. Acresce que o próprio autor da expressão ele próprio a tomou, recentemente, sobretudo como uma metáfora para chamar a atenção para um problema. Mas, de facto, no caso dos "nativos digitais", nada é mais problemático e até ardiloso, já que, nas versões mais 'fundamentalistas', os miúdos nascidos e crescidos neste novo caldo cultural não só não precisariam de ser ensinados, mas passariam, eles próprios, a ser os professores. A eles é que caberiam, por assim dizer, direitos de cidadania. Os imigrantes (digitais), esses coitados, estariam um pouco como o peixe fora da água, fora do seu ambiente natural, como que por empréstimo ou por favor, e sempre em situação de carência e de deficit.
O discurso subjacente a um recente vídeo da Microsoft Portugal para demonstrar a alegada simplicidade do Windows 8 é disso eloquente exemplo. Por alguma razão ele se tornou um fenómeno 'viral', atingindo, em menos de duas semanas, cerca de 330 mil visitas e perto de 400 mil na sua versão em inglês (confrontar com este outro vídeo com uma explicação mais convencional).
Como é lógico, ninguém presta grande atenção às demonstrações das duas crianças, porque o objectivo da mensagem é outro: se um 'puto' de nove ou dez anos faz aquilo, um crescido não será também capaz de o fazer? Mais do que isso: o documento sugere subliminarmente como que um efeito de osmose entre o universo infantil e o do novo sistema operativo (através da tactilidade dos ecrãs, por exemplo).
Se esta familiaridade, à-vontade e saber-fazer resumissem o essencial do que se pode entender por literacia informativa e digital estaria o problema resolvido. Mas, infeliz ou felizmente, assim não é. E o desafio mais importante, hoje em dia, talvez resida em tomar aquilo que é o senso comum como motivo de interrogação. Como de resto algumas investigações começam a pôr em realce (cf. The Digital Native Debate in Higher Education: A Comparative Analysis of
Recent Literature de Erika E. Smith, 2012). Aquilo que parecia uma resposta a uma nova situação, deve converter-se numa pergunta. Aquilo que parecia um ponto de chegada revela-se, afinal, um ponto de partida para um itinerário de estudo e de acção que está ainda por explorar.

Marc Prensky publicou este ano dois livros: "Brain Gain: Technology and the Quest for Digital Wisdom" (Palgrave Macmillan) e "From Digital Natives to Digital Wisdom: Hopeful Essays for 21st Century Learning" (Corwin).

quinta-feira, abril 19, 2012

Tese de doutoramento sobre Educação para os Media


“Concepções de literacia digital nas políticas públicas – estudo a partir do Plano Tecnológico da Educação” é o título da tese que Luís Miguel Pereira apresenta amanhã, dia 20, a partir das 14h30, na Universidade do Minho.
A arguência caberá aos Profs. António Dias Figueiredo, da Universidade de Coimbra, e Alfonso Gutiérrez Martin, da Universidade de Valladolid. Orientaram a investigação o autor deste post e a Prof. Sara Pereira.
Luís Pereira, que é investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da UMinho, um dos autores deste blog e que foi bolseiro de doutoramento da FCT, estudou, no seu mestrado, a relação dos adolescentes com os jogos video, investiga, nesta nova etapa, de que modo a literacia digital aparece enunciada e representada no plano tecnológico da educação implementado pelo Governo anterior. A sua tese é, por outro lado, a primeira que adopta a Educação para os Media como campo de referência e de especialidade, na Universidade do Minho.
Eis um excerto do resumo do seu trabalho:

«Com o Plano Tecnológico da Educação, aprovado em 2007, o XVII Governo pretendia, em três anos, “colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados ao nível da modernização tecnológica do ensino”. No âmbito desta política pública, surgiu o Programa e.escola ao qual se juntou, mais tarde, a Iniciativa e.escolinha, tendo sido distribuídos com estas medidas cerca de 2 milhões de computadores portáteis, muitos deles com acesso a internet de banda larga.
Esta investigação propõe-se estudar o relevo da literacia digital, e o quadro conceptual que a sustenta, em políticas de implementação da tecnologia, procurando evidenciar uma tendência para reduzir a literacia para os ambientes digitais à sua componente técnica.(...)».

Continuar a ler: AQUI.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Os professores perante os "nativos digitais"


Acaba de ser publicado o estudo Young Canadians in a Wired World – Phase III: Teachers' Perspectives, pelo Media Awareness Network, do Canadá.
O trabalho procura compreender as atitudes dos professores canadianos relativamente às tecnologias em rede na sala de aula, respondendo às perguntas: "será que promovem a aprendizagem e qual o seu impacte na relação professor-aluno?".
"Os resultados sugerem que existem desfios significativos a ultrapassar quanto à integração da tecnologia em processos significativos que enriqueçam o processo de aprendizagem", observa o documento que inclui também referência a um conjunto de 'boas práticas'.



quarta-feira, janeiro 04, 2012

U. Eco: faz falta "uma teoria da filtragem"

A revista brasileira Época acaba de publicar uma entrevista com o semiólogo e romancista italiano Umberto Eco, que tem vários motivos de interesse para o âmbito da literacia sobre os media e, em particular, sobre a Internet. Aqui fica um excerto, ainda que se recomende a leitura integral desse documento:

(...) ÉPOCA - O senhor tem sido um dos mais ferrenhos defensores do livro em papel. Sua tese é de que o livro não vai acabar. Mesmo assim, estamos assistindo à popularização dos leitores digitais e tablets. O livro em papel ainda tem sentido? PROFESSOR O pensador e romancista italiano Umberto Eco completa 80 anos nesta semana. Ele está escrevendo sua autobiografia intelectual (Foto: Eric Fougere/VIP Images/Corbis) 
Eco - 
Sou colecionador de livros. Defendi a sobrevivência do livro ao lado de Jean-Claude Carrière no volume Não contem com o fim do livro. Fizemos isso por motivos estéticos e gnoseológicos (relativo ao conhecimento). O livro ainda é o meio ideal para aprender. Não precisa de eletricidade, e você pode riscar à vontade. Achávamos impossível ler textos no monitor do computador. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Estados Unidos, precisava carregar 20 livros comigo, e meu braço não me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi útil na questão do transporte dos volumes. Comecei a ler no aparelho e não achei tão mau. Aliás, achei ótimo. E passei a ler no iPad, você acredita? Pois é. Mesmo assim, acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. São mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas páginas de um livro. Isso ainda não é possível fazer num tablet. 
ÉPOCA - Apesar dessas melhorias, o senhor ainda vê a internet como um perigo para o saber?
Eco -
 A internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um desserviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar. Vamos tomar como exemplo o ditador e líder romano Júlio César e como os historiadores antigos trataram dele. Todos dizem que foi importante porque alterou a história. Os cronistas romanos só citam sua mulher, Calpúrnia, porque esteve ao lado de César. Nada se sabe sobre a viuvez de Calpúrnia. Se costurou, dedicou-se à educação ou seja lá o que for. Hoje, na internet, Júlio César e Calpúrnia têm a mesma importância. Ora, isso não é conhecimento. 
ÉPOCA - Mas o conhecimento está se tornando cada vez mais acessível via computadores e internet. O senhor não acha que o acesso a bancos de dados de universidades e instituições confiáveis estão alterando nossa noção de cultura?
Eco -
 Sim, é verdade. Se você sabe quais os sites e bancos de dados são confiáveis, você tem acesso ao conhecimento. Mas veja bem: você e eu somos ricos de conhecimento. Podemos aproveitar melhor a internet do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente. Nesse sentido, a televisão era útil para o ignorante, porque selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes. 
ÉPOCA - Há uma solução para o problema do excesso de informação?
Eco -
 Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet. Fica aí uma sugestão para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer é filtrar. 
(...)
(Crédito da foto: Eric Fougere/VIP Images/Corbis)

ACTUALIZAÇÃO (5.1):

No Facebook, participei num pequeno debate sobre esta parte da entrevista de U. Eco. Por haver, de vários intervenientes, contributos interessantes acerca da falta que faz uma 'teoria da filtragem', deixamos aqui os pontos essenciais desse debate:


  • Manuel Pinto Habitualmente, quando se refere a filtragem, alude-se a conhecimentos, capacidades e competências para compreender, avaliar, contextualizar, rejeitar, editar e re-utilizar significativamente dados e informação. Inerente a estes processos está a capacidade de validar. Todas estas dimensões são inerentes -e, em diria, cruciais para a literacia informativa e mediática, não apenas do ponto de vista do utilizador crítico, mas também do produtor, que cada vez com mais frequência são uma e mesma pessoa.
    há 18 horas ·  ·  1
  • Manuel Pinto Será que U. Eco, com a proposta de uma 'teoria da filtragem', sugere ir mais além? Em que sentidos? Com que alcance? Apoiados em que dimensões? Alguém tem contributos a dar, neste plano? Por mim, sou levado a pensar nos estudos jornalísticos de gatekeeping, nos processos de selectividade (e de cognição social) com que valorizamos e elegemos (e inerentemente excluímos) assuntos, propostas, conteúdos e formatos. Precisamos de trabalhar estas questões...
    há 18 horas · 
  • João Simão Creio que a tónica de uma filtragem já existe de forma incipiente na pesquisa da Google. O google +1 permite dar mais importancia a certas pesquisas que a outras. Outra forma que terá de evoluir mais será baseada na capacidade de leitura semantica dos mecanismos de pesquisa que através dos nossos hábitos, visitas e temas serão capazes de ir para além de uma pesquisa dedicada apenas às palavras chave mas a todo o contexto que envolve o utilizador. O excesso de informação implica um data mining e sem dúvida que a teoria do gatekeeping pode ser extrapolada do jornalismo. E mesmo no jornalismo de secretária com fontes on-line se repararmos o gatekeeper é cada vez mais importante no jornalismo...
    há 18 horas · 
  • Rui Couceiro às vezes confiamos demasiado - contra mim falo - no gatekeeping. Penso que a maioria das pessoas confia em demasia; não valida, limita-se a aceitar acriticamente. Esse parece-me ser um problema que está a montante, embora profundamente interligado àquilo que Eco refere.
    há 18 horas · 
  • Manuel Pinto Contributos relevantes para o tema: web semântica, data mining, gatekeeping... outras achegas?
    há 18 horas ·  ·  1
  • Rui Couceiro ‎(Em termos de web semântica a Google é, de facto, perita.)
    há 17 horas · 
  • Francisco Teixeira A minha achega é que se leiam, estudam e discutam os Clássicos, os canônicos e os marcadamente qualificados do ponto de vista cultural, estético, social, filosófico, etc. Só a cultura pode filtrar. A ideia de que mecanismos formais/automáticos de filtragem de dados são relevantes para o processo selectivo da informação não é mais que recair, viciosamente, no excesso de dados/informação, já que todos os processos selectivos automáticos são, por definição, e a partir de certa altura, eles próprios excessivos, tendendo a somar mais e mais ao já existente. Aliás, temos bem que os processos automáticos de filtragem sejam, cada vez mais, eles próprios mecanismos entrópicos, a exigirem mecanismos de filtragem formal. Não me parece, assim, que quaisquer mecanismos formais de selecção da informação circulante sejam muito diferentes, na sua substância, dos mecanismos naturais de selecção (no sentido de "linguagem natural"), de que a "cultura", no sentido de erudição/instrumentação, é o único seleccionador. Daí que Eco ache que a NET é útil para o sábio. Talvez seja.
    há 15 horas · 
  • João Simão ‎@ Francisco Teixeira - Em alguns aspetos concordo com o que diz, no entanto parece-me impossível ao ser humano conseguir processar e filtrar a quantidade de informação disponível pela internet. Recordo que os inicios dos computadores remontam aos cartões microperfurados para processar os dados dos censos dos EUA, isto para referir que quando perante grandes quantidades de informação necessitamos de usar o processamento informático (informação automática). E se o sistema de filtragem for eficiente quantos mais dados inserirmos no sistema mais exactos serão os resultados. Em ultima análise estamos quase a falar de inteligência artificial como forma de selecção. Mas sem exagerar nas "futurologias" creio que a web semântica será num futuro breve uma boa forma de pesquisa, sempre é claro aliada à capacidade humana de saber pesquisar e aí dou-lhe razão quando fala em cultura, conhecimento, e capacidade intelectual para referenciar e cruzar informações para que a pesquisa seja eficaz e eficiente.
    há 15 horas · 
  • Francisco Teixeira A web semântica é/será magnífica, sem dúvida, parecendo, mas só parecendo, aproximar-se da linguagem natural, pelo menos no ambiente digital da web, e apenas "dentro"dele. Mas o problema a que me referia não é esse, nem me parece que seja esse o problema a que Eco se dirige (nem , parece-me, o Manuel Pinto, quando fala da possibilidade de uma "teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet"). O problema não é o de encontrar a informação disponível, mas de a seleccionar de entre o que está disponível, que será sempre imenso, na verdade sempre excessivo. Por isso dizia que a possibilidade de novos mecanismos formais de selecção, para as quais se criam, sucessivamente, novas instrumentações formais (motores de busca de motores de busca, por exemplo), nunca serão solução, mas "apenas" complexificação, que é aquilo que se espera que seja o resultado da cultura, incluindo da cultura tecnológica. Na verdade, concordo com a "indicação" do Manuel Pinto, a selecção pode ser aprendida através de uma "disciplina prática", i.e., do trabalho operativo/interpretativo da análise literária em geral, i.e., da cultura, i.e., do artesanato do texto original e próprio, primeiro durante um elevado e condensado período de formação e, depois, durante toda a vida. Mas estamos de acordo, João, certamente.
    há 14 horas ·  ·  1
  • Ângela F. Marques ‎"Conhecer é filtrar" - aí está uma frase a repetir sem fim.
    há 12 horas ·  ·  2
  • Manuel Pinto Vale a pena continuar nestas indagações e o quadro aqui esboçado pelas diferentes participações é já muito interessante. Sem querer acrescentar muito, gostava de dizer que temos aqui vertentes de pendor teórico-epistemológico e vertentes de pendor pedagógico.
    há 52 minutos · 
  • Manuel Pinto Por outro lado, pessoalmente sou sensível a duas dimensões: uma é de natureza 'política' e refere-se às balizas, orientações, constrangimentos, potencialidades e interesses implicados no quadro global em que se inscrevem as soluções concretas relativas ao acesso, uso e produção da informação. É uma dimensão que, por vezes, parece evaporar-se de alguns discursos técnicos ou técnológicos. A outra relaciona-se (ainda que indirectamente) com esta e refere-se aos silêncios e aos processos de silenciamento de realidades e dimensões relevantes da vida social e cultural que são como que o lado nocturno daquilo que, de forma construída, acede à visibilidade. Sem ter em conta este último aspeto, toda a seleção e filtragem se pode tornar um logro.


quinta-feira, maio 19, 2011

Iliteracia digital dos professores, diz relatório

Acaba de ser divulgado o relatóriot Horizon Report 2011, realizado pelo New Media Consortium (NMC) e pelo Consortium for School Networking (CoSN). Incide sobretudo nas tecnologias emergentes que terão impacto na educação a curto prazo, do pré-escolar ao 12º ano.
O documento identifica cinco desafios críticos para as tecnologias educativas, bem como cinco tendências emergentes"chave".
Acerca da iliteracia mediática digital dos docentes, que é o primeiro dos cinco desafios (cf lista abaixo), refere-se no relatório:
"O desafio é devido ao facto de que, apesar do amplo consenso sobre sua importância, a formação em competências de literacia e técnicas digitais é raro na formação de professores e nos programas de desenvolvimento profissionaldo das administrações escolares.
Além disso, quando os professores têm acesso a formação focada na tecnologia ela incide sobretudo no lado efémero da literacia digital - tecnologias específicas e do momento, em vez de conceitos de tecnologia".
5 Desafios Críticos
  • 1. Iliteracia digital entre os professores;
  • 2. As pressões económicas e novos modelos educacionais;
  • 3. Falta de apoio à aprendizagem personalizada;
  • 4. Resistência institucional à mudança;
  • 5. Incapacidade para conectar as aprendizagens extracurriculares dos alunos às atividades de aprendizagem em sala de aula.
5 Tendências Emergentes
  • 1. Abundância de recursos on-line;
  • 2. Descentralização das TI;
  • 3. A exclusão digital como uma função da educação, não da riqueza;
  • 4. Fácil e atempado acesso à tecnologia;
  • 5. Adesão à inovação.
Ler o relatório aqui:

domingo, maio 15, 2011

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Para pensar a web e as tecnologias digitais

No mais recente suplemento Babelia, do diário El País, Jose António Millan apresenta vários livros recentemente publicados em espanhol (ver referência abaixo) que ajudam a pensar a web e as tecnologias digitais.
Escreve, a dado passo:
Lo más interesante del libro es la dilucidación de la "alfabetización digital" a lo largo de muy distintas plataformas, aunque, como suele ocurrir, la necesidad de explicar cómo funcionan a un público que no las conoce consume parte de las energías del autor. Max Otte, alemán activo en Estados Unidos, publicó acertadamente en 2006 ¡Que viene la crisis! En El crash de la información analiza, en el sector financiero y del consumo, las maniobras para desinformar a los ciudadanos: a través del "etiquetado falso", pero sobre todo mediante la sobreabundancia informativa (como la variedad de tarifas telefónicas). ¿Será la Red un aliado de los consumidores? Parece que no: los sitios que se ofrecen para clarificar, sea inversiones en Bolsa o tarifas eléctricas, acaban siendo juguetes en manos de las compañías. Las tecnologías digitales están posibilitando el contacto directo con el cliente (sea con cajeros automáticos o webs de venta de billetes), lo que permite ahorro de personal... e indefensión del comprador ante cualquier eventualidad. Por su postura crítica y la información que maneja, este libro para lectores no especialistas es claramente recomendable.
Livros citados no artigo:
  • G. Aranzueque (coordinador) (2010) Ontologia de la Distancia. Madrid:Abada.
  • Milad Doueihi (2010) La gran conversión digital. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica
  • Max Otte (2010) El crash de la información. Barcelona: Ariel.
  • Nicholas Carr (2011) Superficiales. ¿Qué está haciendo Internet con nuestras mentes? Madrid: Taurus.

terça-feira, dezembro 07, 2010

O que mostra e esconde o PISA

"Há miúdos que lêem bem, mas que, no digital, se perdem ao terceiro clic", alertava há dias, em entrevista ao diário El País, Andreas Schleicher, responsável pelo Relatório PISA, da OCDE, hoje apresentado em Lisboa, no que a Portugal diz respeito.
Habitualmente, a cobertura mediática não vai além dos resultados que os adolescentes de 15 anos apresentam em Matemática, Ciências e Leitura, bem como da posição de cada país no contexto dos 65 países participantes. Vale, por isso a pena conhecer as reflexões do responsável por este relatório.
Referindo-se a Espanha, alude aos desafios que o sistema educativo enfrenta nestes termos:
"Principalmente, cambiar un sistema que ha estado muy centrado en la reproducción de los contenidos de unas materias para ir a otro que enseñe a los alumnos a pensar, a aplicar de forma creativa lo que saben, en el que se deje de decir a los profesores qué tienen que hacer, qué tienen que enseñar, para articular en su lugar lo que los alumnos deben ser capaces de hacer y que los docentes decidan qué y cómo enseñar para llegar a conseguirlo. Eso es muy difícil.".
O diálogo com o jornal prossegue com comentários generalizáveis também a outros contextos:
P. Pero los currículos, las escuelas, el sistema entero no está preparado para ese cambio, ni en España ni en la mayoría de países.

R. Es cierto. El sistema educativo no es capaz de ver ni oír cómo está cambiando el mundo, pero lo está haciendo y no se puede detener.

P. Los cambios vienen en gran parte de la mano de las tecnologías. Una de las novedades del último examen PISA es que se ha añadido una prueba más, de lectura digital. ¿Por qué?

R. En el pasado, si te hacían una pregunta, ibas a la enciclopedia, encontrabas una sola respuesta y podías creer que era verdad. Pero en el medio digital, buscas en Google y te aparecen 20.000 respuestas distintas. Tú tienes que decidir cuál es relevante, cuál apropiada, cuál verdadera. Tienes que manejar la ambigüedad, evaluar. Y eso es lo que queríamos medir, las estrategias de los chavales cuando manejan un hipertexto con varios niveles de los que solo ves una pequeña parte.

P. ¿Y lo han conseguido?

R. Absolutamente. De hecho, hemos visto que hay jóvenes que son perfectos lectores de libros, pero cuando manejan un hipertexto se pierden al tercer clic. Es imprescindible saber leer, pero eso no te garantiza saber leer en el mundo digital.

P. ¿Por qué cree que el informe PISA ha tenido tanto éxito, mucho más que otras pruebas internacionales?

R. A diferencia de otras pruebas, que son simplemente exámenes sobre los contenidos curriculares, PISA conecta lo que los alumnos saben hacer con el contexto de aprendizaje, los recursos, el contexto social y económico para entender por qué algunos países lo hacen mejor que otros.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Competição - pesquisar informação na Internet



Oeiras Internet Challenge é o nome de uma competição organizada pelas Bibliotecas Municipais de Oeiras, tendo como principais objectivos "estimular a utilização da Internet como recurso informativo, sensibilizar para o uso e aplicação eficaz das ferramentas de pesquisa e recuperação de informação, realçar a importância de adoptar uma atitude selectiva e de rigor quanto à avaliação criteriosa dos conteúdos e resultados obtidos". Por outro lado, esta actividade procura cativar os jovens a partir dos 13 anos a frequentarem as bibliotecas.

Podem participar até 98 equipas de jovens, gratuitamente, sendo proporcionado aos participantes 14 horas de desafios e acção. De acordo com o site do projecto, os participantes têm a oportunidade de testar e melhorar as suas competências de pesquisa e a correcta utilização de diversas ferramentas de busca, ao longo de cinco desafios, havendo prémios para os vencedores. Este concurso está marcado para o dia 20 de Novembro.

domingo, setembro 26, 2010

O impacto das TIC na Educação - guia publicado pela UNESCO

A UNESCO disponibilizou um trabalho sobre as transformações que as TIC têm operado na educação, mais concretamente na região da Ásia-Pacífico, que tem como título: ICT transforming education: A regional guide.

Ficam alguns excertos e um esquema como motivação para aceder a esta publicação:

«To be effective in the 21st century, citizens and workers must be able to exhibit a range of functional and critical thinking skills, such as:
- Information Literacy
- Media Literacy
- ICT (Information, Communications and Technology) Literacy

(...) Information literacy, media literacy and ICT literacy form one of the four broad sets of skills identified by P21 that students need to acquire to be effective citizens and workers in the 21st century. Since the focus of this Guide is on ICT in education, this grouping of skills is now expanded further in order to foreshadow what implications there are for teachers and teacher educators.

Digital literacy (or in the plural digital literacies), e-literacy, new literacies, screen literacy, multimedia literacy, information literacy, ICT literacies – these are all terms to describe clusters of skills that students (and their teachers) need in the digital age of the 21st century. Because of ICT, concepts of literacy have extended well beyond the traditional notions of print-based literacy.»



Fonte: ICT transforming education: A regional guide (informação recolhida a partir do Ministério da Educação)