quinta-feira, junho 05, 2008

Revista




Com a finalidade de "proporcionar a todos quantos se interessam pela problemática da utilização educacional das tecnologias um espaço de debate especializado nesta temática", surge uma nova revista online, a eft, educação, formação & tecnologia, do IEP, Universidade do Minho, com direcção da prof. Maria João Gomes.

Desta primeira edição, destaco dois textos:

quarta-feira, junho 04, 2008

60% das crianças tem TV no quarto

O Público online divulga os resultados de um inquérito feito por investigadores do ISCTE sobre o uso dos media entre os 8 e os 18 anos, num trabalho de Isabel Leiria. Eis os primeiros parágrafos:

"60 por cento das crianças e jovens têm televisão no quarto
Isabel Leiria

Mais de 90 por cento das crianças e jovens têm pelo menos duas televisões em casa e seis em cada dez têm uma no quarto, tal como acontece com uma percentagem semelhante de pais. Os aparelhos estão na sala, mas também na cozinha e noutras divisões. Só que esta já não é a “lareira electrónica” à volta da qual se reúne a família.

“Há uma tendência para o uso independente dos aparelhos de televisão que se afasta do paradigma do seu uso familiar”, dizem os autores do estudo "E-Generation: Os Usos de Media pelas Crianças e Jovens em Portugal", de 2007. Os investigadores do ISCTE Rita Espanha e Tiago Lapa inquiriram uma amostra representativa de miúdos entre os 8 e os 18 anos e chegaram à conclusão que, apesar de continuar “omnipresente” (em mais de metade dos lares existem três ou mais aparelhos), a televisão perdeu o seu lugar central, com os jovens a dividirem o seu tempo e atenção com outros meios e tarefas, como o computador, o leitor de MP3 ou o telemóvel.

A televisão pode até estar sempre ligada, com 91 por cento dos inquiridos a dizer que assim é às horas das refeições. Metade admite até que o aparelho está a funcionar mesmo quando ninguém está a ver. O que acontece é que, também muitas vezes, cada elemento da família a utiliza no seu espaço, originando “novas formas de organização familiar e modos de organização geográfica das actividades familiares”.

E se a vida dos jovens se está “a deslocar do público para o privado”, por causa do “declínio da cultura de rua e do convívio familiar”, uma vez em casa é no quarto que os mais novos passam muito do seu tempo. Os autores do estudo falam mesmo na “emergência de uma cultura do ‘quarto de dormir’, onde os jovens tendem a concentrar no seu reduto mais privado os «media» que utilizam”.

“Esta forma de estar, o isolamento dos jovens no seu próprio quarto, já existia nas gerações anteriores. Mas agora os jovens têm ao seu dispor vários meios (televisão, telemóveis, internet) que lhes dão entretenimento e lhes permitem também prolongar as relações com outros jovens sem sair de casa”, comenta Rita Espanha.

Em relação ao que vêem na televisão, a TVI é o canal favorito para mais de metade (a RTP 1 tem a preferência de apenas 4,5 por cento) e gostam sobretudo de filmes. Mas são as telenovelas que mais tempo lhes roubam. Menos de metade assiste ao telejornal.

A Internet é outro dos "media" que tem ganho uma importância fundamental na vida dos jovens. Quase três em cada quatro assume-se como utilizador, com a maioria a iniciar-se aos 10,11 anos. A Web serve para enviar "mails", consultar enciclopédias e dicionários "online" ou procurar informação relacionada com os estudos. Navegar “sem objectivos concretos”, jogar ou participar em "chats", combinar saídas e contactar amigos quando se “está desanimado” são outras utilizações recorrentes.(...)

(Continuação: AQUI)

terça-feira, junho 03, 2008

Práticas e influências mediáticas

No artigo "Crianças influenciam 80% das marcas compradas pelos pais", hoje publicado pelo Diário de Notícias, com base num estudo da agência de meios Consumer Insight OMG, realizado em finais de 2007, são publicados dados relevantes sobre a realidade dos mais novos (7 - 12 anos) portugueses:
  • Quase metade (44%) dispõem de televisão no quarto, sendo que 55% afirmam gostar de ver publicidade.
  • Uma em cada cinco crianças entre os 5 anos e os 12 anos de idade tem um telemóvel, com 70% a utilizá-lo para enviar SMS várias vezes ao dia.
  • Quanto à internet, daqueles que a ela acedem, a grande maioria (73%) fá-lo a partir de casa, sendo que apenas 23% utiliza a internet na escola.
  • No acesso à internet, existe um elevado grau de autonomia, uma vez que 71% fazem consultas sozinhos, sem a companhia dos pais, o que só se verifica em 24% dos casos.
  • 56% das crianças entre os 7 e os 12 anos (escalão etário que representa 15% da população portuguesa) recebem dinheiro dos pais para gerir, a título de semanada ou mesada, rondando esse valor, em média, os 30 euros mensais, o equivalente a 360 euros anuais.
  • As crianças portuguesas entre os 7 e os 12 anos gerem cerca de 5,6 milhões de euros por ano através de mesadas ou semanadas
  • 80% das marcas adquiridas pelos pais são influenciadas pelas crianças (na compra de automóvel, por exemplo, elas chegam a ter uma influência em 67% das decisões).

(No artigo não são dadas indicações sobre dimensão da amostra, margem de erro, etc)

quinta-feira, maio 29, 2008

Desintoxicar-se dos ecrãs

É claro que o conceito de desintoxicação aplicado aos ecrãs já encerra todo um mundo de questões. Mas é assim mesmo, recorrendo a esse problemático termo que o jornal Le Monde de hoje se refere a uma iniciativa que, desde a semana passada, foi assumida pelos cerca de 250 alunos de uma escola primária dos arredores de Estrasburgo, em França. O propósito colectivo foi precisamente esse: durante dez dias, pôr de lado todo o tipo de ecrãs - de televisão, computador, consolas de jogos. A notícia não indica se também telemóvel. Mas o desafio não se ficava por aqui: era preciso aprender a ocupar o tempo de outro modo, de um modo que fosse interessante.
Muitas crianças tomaram a coisa a peito, no sentido de mostrar que eram capazes de levar a carta a Garcia. E a coisa não foi fácil para alguns. Basta dizer que pelo meio houve, por exemplo, a transmissão da final da Liga dos campeões europeus. No entanto a taxa de sucesso está a ser elevada, a ponto de os media e o próprio Governo terem começado a prestar atenção ao caso.
Inspirada numa iniciativa idêntica que já faz o seu caminho no Canadá, a experiência francesa tem objectivos muito simples: melhoria do bem-estar e do humor das crianças, mais tempo de convívio entre os membros da família, menos disputas... Já se pensa em repetir a operação.

quarta-feira, maio 28, 2008

Educar para / nas redes

Uns slides de Tíscar Lara de apoio a uma intervenção sua numa mesa-redonda sobre "Educaçao e redes sociais":

"A Criança e a Televisão"


Sónia Carrilho lança no próximo dia 3 de Junho, às 18 horas, o livro da sua autoria "A Criança e a Televisão", editado pela Bonds D | Boooks on demand - Quimera Editores. A obra, fruto de uma tese de mestrado, será apresentada pela Prof. Cristina Ponte, decorrendo o acto no salão nobre do Palácio da Independência, em Lisboa.

segunda-feira, maio 26, 2008

Alfabetização digital e inclusão social

Na revista UOC Papers - Revista de la Sociedad del Conocimiento, nº 6 (2008) da Universidade Aberta da Catalunha, vem publicado o texto La alfabetización digital como factor de inclusión social: una mirada crítica, de José Luis Travieso e Jordi Planella.
O objectivo do artigo é:
"(...) analizar las posibilidades que ofrece la alfabetización digital como instrumento de inclusión social. Se pone especial atención no tanto en la capacitación meramente tecnológica como en la oportunidad que las tecnologías de la información y de la comunicación (TIC) ofrecen para mejorar la calidad de vida de las personas,
así como para generar escenarios y sinergias que favorezcan la creación de redes sociales. Para ello se han identificado colectivos que están en situación o en riesgo de exclusión social, y se han analizado diferentes programas formativos en el uso de TIC orientados a estas personas. Los resultados de la investigación apuntan hacia una tendencia, quizá demasiado extendida, a desarrollar programas formativos meramente instrumentales, centrados más en el aprendizaje del uso de las herramientas tecnológicas que en las personas y sus necesidades, y por tanto en fomentar el uso de las TIC para el procesamiento crítico de la información y la generación de conocimiento compartido, el desarrollo de trabajo colaborativo, la resolución de problemas de la vida cotidiana, etc. No obstante, se observa una creciente conciencia, por parte de la mayoría de los agentes que imparten la formación, de la necesidad de reformular su enfoque hacia el desarrollo de valores cooperativos y colectivos, que fomente la integración de las personas como sujetos críticos y activos, y trascender el concepto de simples consumidores de tecnologías y contenidos digitales".