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segunda-feira, fevereiro 04, 2013

O perigo do excesso de ecrãs

Por Eduardo Jorge Madureira

O que faz uma mãe quando o filho lhe apresenta, informalmente, uma espécie de testamento vital é o tema de um breve relato, que circula, em diversas línguas, através da Internet, sem atribuição de autor. A história é protagonizada por dois amigos. Um deles relata o que se tinha passado no dia anterior:
– Ontem à noite, depois do jantar, antes de sair, eu a minha mãe estávamos sentados no sofá a conversar sobre coisas da vida. Eu sei que sou um rapaz novo, mas, a propósito de uma reportagem que estávamos a ver na televisão, quis também falar sobre a morte. Então, disse à minha mãe: “Mãe, nunca me deixes viver num estado vegetativo, dependendo de máquinas, vivendo uma vida artificial. Se me vires nesse estado, e por muito que te custe, pede para desligar ou desliga tu as máquinas que me mantêm vivo”.
O outro decide interromper para fazer a pergunta óbvia:
– E a tua mãe?
A resposta não deixou de surpreender:
– Levantou-se, decidida, e foi desligar a televisão, o DVD, o computador, o cabo da Internet, o MP4 e o telefone fixo. A seguir, tirou-me e desligou o iPhone5, o tablet e a PlaySta¬tion.

É difícil não recordar esta história ao ler um título que se encontrava na primeira página do Jornal de Notícias de segunda-feira, dizendo que “17% das nossas crianças não comem nem dormem para estarem na Internet”. A notícia dava conta dos mais recentes resultados apurados pelo projecto europeu EU Kids Online, que, segundo o jornal, indicam que “o uso prolongado da Internet já se reflectiu em 45% das crianças portuguesas com um dos seguintes sintomas: não dormir, não comer, falhar nos trabalhos de casa, deixar de socializar, tentar passar menos tempo online”. Na Europa, acrescentava a informação, “só a Estónia está à frente: 49%. A existência de dois sinais – ter deixado de comer ou dormir para estar ao computador – foi apontada por 17% dos inquiridos”.

Esta notícia surge na mesma altura em que cinquenta especialistas franceses em psicologia lançaram um apelo para que se tome consciência dos riscos associados ao abuso dos ecrãs e para que se estabeleçam regras de bom uso das novas tecnologias, um código de boa conduta da vida digital. “Nós, especialistas em psicologia, em comportamentos e relações humanas, apelamos, hoje, a que cada um seja prudente e vigilante face a utilização excessiva dos ecrãs”, refere o texto, publicado no número de Fevereiro da revista Psychologies.

Os subscritores, alguns dos quais autores de livros editados em Portugal, como é o caso de, por exemplo, Christophe André (Os segredos dos psis. Carnaxide: Objectiva, 2012) ou Isabelle Filliozat (No coração das emoções das crianças. Lisboa: Pergaminho, 2001), começam por recordar o óbvio, dizendo que “os computadores, smartphones e tablets representam um formidável progresso. Facilitam o acesso ao conhecimento e multiplicam as possibilidades de trocas, interacções e cooperações”. O problema, acrescentam, é que “deixando-os invadir o nosso quotidiano, sem nos interrogarmos sobre os seus inconvenientes, sem reparar na sua utilidade real, concedemos a estas tecnologias um poder preocupante sobre as nossas vidas”. É por isso que garantem que “uma tomada de consciência é necessária”.

O apelo enumera, seguidamente, um conjunto de razões que a impõem: “É que o uso excessivo dos ecrãs induz uma hiper-solicitação permanente, fonte de stress e de cansaço. Priva-nos de tempo de repouso, de reflexão e de presença no mundo, indispensáveis ao bem-estar e ao bem-pensar. Favorece práticas patológicas e compulsivas, designadamente por parte dos jovens e das pessoas frágeis. Modifica em profundidade os processos de atenção, de memorização e de aprendizagem. Prejudica, por vezes, a qualidade das nossas relações interpessoais”.

Os signatários terminam endereçando um apelo a todos – cidadãos, políticos e fabricantes – “para o estabelecimento conjunto de regras de bom uso das novas tecnologias, um código de boa conduta da vida digital”. Como muitos outros têm vindo a dizer, “o desafio é importante: está em questão a preservação do nosso equilíbrio psíquico e da nossa humanidade face aos utensílios digitais”.

As razões do apelo para que se evite o abuso dos ecrãs são aprofundadas noutros textos que a revista Psychologies publica. No destaque concedido a esta preocupação, que merecia ser mais amplamente partilhada, não faltam os bons conselhos. Um dos que pode, desde já, ser aproveitado é o que recomenda que se prefira um encontro a um telefonema, um telefonema a um e-mail, um e-mail a uma mensagem SMS.
(Texto da coluna 'Os Dias da Semana' que o autor publicou no Diário do Minho, em 3.1.2013)

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Cinema e Escola - conferência internacional em Viana do Castelo, em 11 de Maio



Realiza-se em 11 de Maio próximo em Viana do Castelo a Conferência Internacional de Cinema de Viana, que terá a relação entre Cinema e Escola como temática central.
A iniciativa decorrerá na Escola Superior de Educação de Viana do Castelo, organizada pela Associação AO NORTE em conjunto com várias outras entidades locais e regionais, e inserida no âmbito dos XII Encontros de Viana – Cinema e Vídeo (os quais ocorrem entre 8 e 13 de maio).
Os temas sugeridos pelos organizadores são os seguintes:
  • Representações da escola no cinema
  • Práticas de cinema na escola
  • Cinema, migrações e interculturalidade
  • Cinema e novas tecnologias
Objetivos da Conferência:
  • Promover o confronto de olhares entre estudos e experiências vividas na escola pelos seus diversos atores e a representação cinematográfica da escola e dos seus atores.
  • Refletir sobre as possibilidades educativas do cinema ou da possibilidade de educar para o cinema na escola a partir da apropriação / fruição, análise e produção em contextos de formação e animação social, cultural e artística.
  • Apreender o cinema como complexo processo de mudança na linguagem, nas tecnologias, na
  • economia, nos objetos que aborda, nas histórias que conta.
  • Problematizar o tema das migrações e da interculturalidade a partir do estudo e análise das obras cinematográficas.
Apresentação de propostas de resumos de comunicações: 31 de Março
Envio do texto completo das comunicações aceites: 30 de Abril
Data limite para as inscrições: 27 de Abril
Endereço de contacto: aonorte@nortenet.pt.
Mais informações: site da Conferência.

quarta-feira, outubro 06, 2010

Professores e alunos aprovam os quadros digitais

85 por cento dos professores considera que o uso dos quadros digitais nas salas de aula aumenta a atenção, motivação e participação dos alunos, segundo um estudo elaborado pela Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) e pela empresa de tecnologia didáctica Promethean.

A investigação foi realizada no ano lectivo passado e envolveu mais de 4800 alunos e 80 professores de 22 centros educativos espanhóis e conclui que os Quadros Digitais Interactivos (QDI - tradução de Pizarras Digitales Interactivas) estão em franca expansão nas salas de aula espanholas. 90 por cento dos professores e cerca de 82 por cento dos alunos acreditam que com estas plataformas digitais aprende-se com maior facilidade. Por outro lado, a grande maioria de docentes (85%) e estudantes (91%) reconhece que a incorporação desta vertente digital nas aulas é bastante positiva.

Logo após ter dado a conhecer os resultados do estudo, o responsável pela investigação e professor da UAB, Pere Marquès, destacou que «os modelos didácticos mais utilizados estão centrados na actividade e controlo do professor. Estamos também a atingir um nível de elevada utilização dos modelos centrados na actividade e iniciativa dos estudantes.»

Fonte: Portaltic.es/gadgets

quarta-feira, novembro 26, 2008

Literacia e ecrãs

Um extenso e interessante artigo de Kevin Kelly, intitulado "Becoming Screen Literate", veio a lume no diário The New York Times da passada sexta-feira e cuja leitura integral recomendo.
Deixo um pequeno excerto:
"(...) When technology shifts, it bends the culture. Once, long ago, culture revolved around the spoken word. The oral skills of memorization, recitation and rhetoric instilled in societies a reverence for the past, the ambiguous, the ornate and the subjective. Then, about 500 years ago, orality was overthrown by technology. Gutenberg’s invention of metallic movable type elevated writing into a central position in the culture. By the means of cheap and perfect copies, text became the engine of change and the foundation of stability. From printing came journalism, science and the mathematics of libraries and law. The distribution-and-display device that we call printing instilled in society a reverence for precision (of black ink on white paper), an appreciation for linear logic (in a sentence), a passion for objectivity (of printed fact) and an allegiance to authority (via authors), whose truth was as fixed and final as a book. In the West, we became people of the book. Now invention is again overthrowing the dominant media. A new distribution-and-display technology is nudging the book aside and catapulting images, and especially moving images, to the center of the culture. We are becoming people of the screen. (...)
If text literacy meant being able to parse and manipulate texts, then the new screen fluency means being able to parse and manipulate moving images with the same ease. But so far, these “reader” tools of visuality have not made their way to the masses. (...) We are people of the screen now. Last year, digital-display manufacturers cranked out four billion new screens, and they expect to produce billions more in the coming years. That’s one new screen each year for every human on earth. With the advent of electronic ink, we will start putting watchable screens on any flat surface. The tools for screen fluency will be built directly into these ubiquitous screens.(...)".

segunda-feira, maio 05, 2008