sábado, março 13, 2010

Sete anos de caminho

«Estar educado para os media é estar preparado para lidar com quantidades enormes e sempre movediças de informação.»
Francisco Múgica, Universidad Politécnica de Catalunya

Talvez uma das melhores formas de descrever a actualidade informativa é justamente recorrendo à ideia de info-obesidade. Porque mais informação não significa necessariamente melhor formação e maior conhecimento, parece-me que os propósitos de alertar para um uso crítico dos media ganham aqui novo fôlego, novo relevo, perante a montanha de formatos que todos os dias bombardeiam os nossos sentidos para nos informar. E é precisamente neste contexto que assinalamos, esta semana, as sete primaveras deste projecto.

São sete longos anos. Como diria um dos autores deste blogue, Luís Pereira, «7 anos na Internet é muito tempo». A verdade é que o blogue Educomunicação é um dos mais antigos que estão ligados ao Departamento de Ciências da Comunicação, da Universidade do Minho.

Como membro mais recente deste projecto que reúne quatro investigadores do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), fico bastante satisfeito por pertencer a uma equipa de profissionais que trabalha, desde há vários anos, as temáticas da educação para os media. Integrar este blogue abriu-me, sem dúvida, as portas para a compreensão de um mundo que, do meu ponto de vista, ainda está muito no das ideias. Não questiono a existência, validade e pertinência de projectos e demais iniciativas. No entanto, a vida empírica é pobre em iniciativas estruturantes, impulsionadoras e de sucesso, que ajudem as audiências a lidar com os media, ao ritmo de várias despreocupações políticas. Não é por acaso que o professor Manuel Pinto fala algumas vezes no termo 'batalha'.

Os meus votos finais são para aqueles que nos seguem, de forma mais ou menos regular, para que façam chegar até nós sugestões, ideias, opiniões. Que se juntem a esta 'luta'. Como diria José Afonso a este propósito, «afinal há caminho».

sexta-feira, março 12, 2010

Ideias e muitas perguntas

News Literacy, Media Literacy, Digital Literacy, Civic Literacy
Muitas perguntas que ficaram de um debate havido há dias. Mas não só perguntas - também experiências e ideias para experimentar.

Jogar na equipa dos grandes

A imagem de uma criança que está sentada junto ao campo a ver os grandes a jogarem e, de repente, a convidam para entrar no jogo é, mais ou menos, aquilo que senti quando me lançaram o desafio de pertencer à equipa que dinamiza este blogue.

Fazer parte desta equipa é, ainda, prolongar para além dos espaço físico uma relação pessoal e, diria, profissional - são meus orientadores de doutoramente o principal mentor deste projecto, Manuel Pinto, e Sara Pereira - pois é uma forma, por exemplo, de partilhar bibliografia. Nas mais de 800 entradas deste blogue, creio que é a bibliografia, precisamente, uma das mais valias deste projecto. Quem faz investigação nestas áreas encontrará por cá um espólio bibliográfico de grande relevo.

Assinalar os 7 anos do Educomunicação serve essencialmente para renovar forças, pensar em novas propostas e tentar que este blogue possa chegar a mais pessoas e que essas pessoas façam da Educação para os Media uma preocupação sua.

quinta-feira, março 11, 2010

"Nativos digitais" - uma designação apropriada?

Tom Kuntz, do New York Times, levanta dúvidas relativamente ao conceito de "nativos digitais", um conceito cunhado por Prensky, em 2001. O motivo imediato é um texto da revista The Economist (Monitor: The net generation, unplugged ), no qual surge a pergunta: "Is it really helpful to talk about a new generation of 'digital natives' who have grown up with the internet?"
O texto desta revista reporta-se, por sua vez, a um artigo publicado em 2008 pelo British Journal of Educational Technology (The ‘digital natives’ debate: A critical review of the evidence), no qual se expressa algum distanciamento relativamente ao conceito de Prensky.
Enfim, aqui ficam alguns passos de um debate em curso, que importa prosseguir.

quarta-feira, março 10, 2010

O breve traço do que fazemos

Que somos nós senão o que fazemos?
Que somos nós senão o breve traço
da vida que deixamos passo a passo
e é já sombra de sombra onde morremos?

Manuel Alegre

Recorro às palavras de Manuel Alegre para dizer do significado e do sentido deste blogue ao longo destes anos.
Educomunicação tem sido, de alguma forma, a expressão dos nossos interesses de investigação e das nossas preocupações sociais; um espaço de partilha de informação; um local de encontro com os alunos de graduação e, sobretudo, com os estudantes de pós-graduação que se interessam pelas questões da educação para os media (ou literacia para os media). Neste sentido, este blogue tem sido também uma importante ferramenta de apoio às aulas e, portanto, de apoio ao estudo e à pesquisa.
Orgulho-me deste espaço, embora a minha colaboração fique aquém do desejável. Olho-o como o breve traço do que fazemos e como o testemunho da vida que deixamos passo a passo.

segunda-feira, março 08, 2010

Definição de "transliteracia"

Defining Transliteracy | Librarian by Day: "Transliteracy is the ability to read, write and interact across a range of platforms, tools and media from signing and orality through handwriting, print, TV, radio and film, to digital social networks."

Mais AQUI.

domingo, março 07, 2010

Sete anos de serviço à Educomunicação

“Mais servira, se não fora Para tão longo amor tão curta a vida.”
Luís de Camões



Lembrei-me do soneto de Camões “Sete anos de pastor Jacó servia” a propósito do sétimo aniversário deste blogue que hoje mesmo se completa. Pode parecer algo a despropósito a lembrança, não fora, também, neste caso, a paixão com que nos dedicamos à causa da Educação para os Media e a crença de que ela representa um objectivo cultural, educativo e político pelo qual vale a pena lutar. Sete anos, outros sete e mais ainda, “se não fora / Para tão longo amor tão curta a vida.”.
Aquilo que surgiu como um humilde espaço de apoio a aulas de Educação para os Media na Universidade do Minho foi-se convertendo num projecto de equipa e está prestes a adquirir um vigor e dinâmica próprios, relançando este cibercantinho para uma nova etapa. Para tal estamos a preparar iniciativas que esperamos possam vir a envolver outros companheiros – docentes, formadores, comunicadores, animadores e outros interessados – dando existência e visibilidade a um movimento que corre, por ora, algo perdido como um fio de água entre as pedras, mas que existe e que é necessário fazer crescer.
Esperamos que valha cada vez mais a pena passar por aqui e aqui encontrar motivos de interesse e desafios para a acção.
(Gravura: Paul Klee, Southern Gardens)