quarta-feira, abril 24, 2013

Livros: elas leem mais do que eles


Sessenta e cinco por cento dos portugueses residentes no Continente com 15 ou mais anos leram pelo menos um livro nos últimos 12 meses e, em média, cada português leu entre 3 e 5 livros ao longo desse período, segundo dados relativos à 1ª vaga do estudo TGI 2013 da Marktest, acabadios de divulgar.
A classe social, o sexo e vaidade mostram-se as variáveis nas quais se registam maiores graus de diferenciação, sendo que as mulheres, as pessoas de nível socioeconómico mais elevado e os mais novos são os que mais leem.

    LERAM PELO MENOS UM LIVRO NOS ÚLTIMOS 12 MESES    
[Mais informação AQUI.]

Lançamento do livro "Cérebro e Leitura"

No próximo dia 27, sábado, pelas 15h, será lançado na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, em Braga, o livro "Cérebro e Leitura" da autoria de Teresa Silveira. Esta obra, que resulta da dissertação de mestrado desenvolvida pela autora,  permite-nos compreender os modos e os processos de leitura na era digital. Um livro bastante pertinente para o tempo atual, portanto.

segunda-feira, abril 22, 2013

Curriculo para a formação de professores
Alfabetização mediática e informacional


A UNESCO acaba de anunciar a versão em português do seu Currículo para formação de professores em alfabetização mediática e informacional.
Trata-se de um trabalho que foi debatido por inúmeros especialistas de diferents partes do mundo nos últimos cinco anos, que vai certamente inspirar novos trabalhos, sobretudo no âmbito da formação.
Ficam aqui os pontos que esse currrículo deve integrar:

"De modo geral, o Currículo de  Alfabetização Mediática e Informacional (AMI) incluído nesta publicação visa a auxiliar os professores a explorar e compreender a AMI, abordando os seguintes pontos:
  • as funções das mídias e de outros provedores de informação; como eles operam e quais são as condições ótimas necessárias para o cumprimento eficaz dessas funções; 
  • como a informação apresentada deve ser criticamente avaliada dentro do contexto específico e amplo de sua produção;
  • o conceito de independência editorial e jornalismo como uma disciplina de verificação;
  • como as mídias e outros provedores de informação poderiam contribuir racionalmente para 
  • promover as liberdades fundamentais e a aprendizagem continuada, especialmente à medida que 
  • eles relacionam como e por que os jovens acessam e usam as mídias e a informação hoje, e como eles selecionam e avaliam esses conteúdos;
  • ética nas mídias e ética na informação;
  • as capacidades, os direitos e as responsabilidades dos indivíduos em relação às mídias e à informação;
  • padrões internacionais (Declaração Universal dos Direitos Humanos), liberdade de informação, 
  • garantias constitucionais sobre liberdade de expressão, limitações necessárias para impedir a 
  • violação dos direitos do próximo (questões como linguagem hostil, difamação e privacidade);
  • o que se espera das mídias e dos outros provedores de informação (pluralismo e diversidade 
  • como normas);
  • pontes de informação e sistemas de armazenamento e organização de dados;
  • processos de acesso, busca e definição de necessidades informacionais;
  • ferramentas de localização e busca de dados;
  • como entender, organizar e avaliar informações, incluindo a confiabilidade das fontes;
  • criação e apresentação de informações em diversos formatos;
  • preservação, armazenamento, reutilização, gravação, arquivamento e apresentação de informações em formatos utilizáveis;
  • uso de informações para a resolução de problemas e para a tomada de decisões na vida pessoal, 
  • econômica, social e política. Apesar de ser extremamente importante, este item representa uma 
  • extensão da AMI que está muito além do escopo do presente currículo".
[Para as versões em francês, inglês, espanhol, e árabe, ver AQUI]

domingo, abril 21, 2013

30 anos do CLEMI, com irradiação internacional


O CLEMI - Centre de Liaison de l'Enseignement et des Moyens d'Information, de França, completa hoje o seu 30º aniversário, se tivermos por referência a data do despacho oficial da sua criação.
Este serviço do Ministério da Educação Nacional, com serviços centrais em Paris, mas presente um pouco por todo o território, nas diferentes 'academias', "tem por missão promover, nomeadamente através de acções de formação, a utilização pluralista dos meios de informação no ensino, a fim de favorecer entre os alunos uma melhor compreensão do mundo que os rodeia, desenvolvendo simultaneamente o seu sentido crítico".
O CLEMI desenvolve, por iniciativa própria ou em parceria com outras instituições, nomeadamente com os meios de comunicação social, acções que vão da formação à produção de recursos, organização de concursos (designadamente de jornais escolares), estudos e publicações. A sua irradiação internacional é igualmente de assinalar, sob a coordenação de um nome de referência em muitos países do mundo, Evelyne Bévort (que, não por acaso, é uma das conferencistas do 2º Congresso de Literacia, Media e Cidadania, que se realiza em 10 e 11 de Maio próximo, em Lisboa).
Em Setembro de 1981, o ministro da Educação Nacional da altura, tendo em conta as múltiplas experiências que um pouco por todo o lado, as escolas levavam a cabo no domínio dos media e da educação, decide encomendar um relatório sobre "a introdução dos meios informativos no ensino". Foram encarregados da tarefa, que se prolongou até Março do ano seguinte, dois especialistas, um dos quais - Jacques Gonnet, professor da Sorbonne e "assessor do director geral do Centro Nacional de Documentação Pedagógica. Gonnet viria a ser nomeado director do CLEMI, quando esta nova instituição foi criada por um despacho de 21 de Abril de 1983.

[Uma apresentação sucinta do CLEMI em português pode ser encontrada AQUI]

terça-feira, abril 16, 2013

Viver na rede sem se deixar enredar


A comunicação e a informação no nosso dia-a-dia são cada vez mais mediadas por tecnologias digitais. A quantidade, a intensidade e a velocidade dos dados, sinais e mensagens tornam difícil a cada um situar-se e orientar-se no caudal de estímulos e possibilidades, podendo até provocar desorientação e incomunicabilidade. Por isso há aprendizagens, umas simples e outras mais demoradas e complexas, que nos são exigidas, para habitar a nova “ecologia dos media”.
Esta perspectiva ecológica foi proposta vai para meio século, por Neil Postman, o qual, por sua vez, se inspirou em Marshall McLuhan. Para eles, cada tecnologia – digamos, a televisão, a rádio, um videojogo -  configuram  e transportam consigo uma cultura  que molda as representações e visões do mundo e influi nas atitudes e comportamentos. Não o faz de uma forma mecânica e imediatista, mas através do uso reiterado. Expressões como “um meio é uma tecnologia no seio da qual se desenvolve uma cultura” (Postman) ou, de uma forma ainda mais sintética e quase provocatória, “o meio é a mensagem” (McLuhan) dizem bastante deste modo de entendimento da relação entre os media e a sociedade.
A Internet é, neste quadro, considerada pelo senso comum, o filho mais novo dessa série impressionante de meios de informar e comunicar que a contemporaneidade tem conhecido.  Mas não apenas mais um, dado que, neste caso, como, em menor escala, já tinha acontecido com a TV e a rádio, nós encontramos um meio ambiente mais alargado, pautado por lógicas informativas e comunicacionais diversas, incorporando formas antigas, criando e combinando novas e abrindo campo a novas práticas e a novas relações. Basta considerar o que representa de ruptura, inovação e desafio a lectoescritura hipertextual e os aspetos  didáticos, culturais , éticos e políticos a ela associados.
Claro que quem não aprende a viver, a relacionar-se e a respirar saudavelmente neste novo ambiente corre riscos de exclusão. Mas também é verdade que esta ecologia, por muito central que seja, supõe abertura e conjugação com os ambientes mais amplos das relações face a face, do tempo que nos damos para estar connosco (desconectados das tecnologias), do tempo para criar e repensar projectos e compromissos.
Nas novas redes, como nas velhas, tanto nos enredamos, como buscamos novas energias e solidariedades. 
(texto publicado no diário digital Página 1, da Renascença, em 15.4.2013)

sexta-feira, março 29, 2013

“Um Tablet por Aluno e Mochilas mais Leves!”. O Mote da Digitalização da Escola Italiana.


A notícia:
As escolas italianas adoptarão livros digitais a partir do ano escolar 2014/2015. Trata-se de um processo gradual, por enquanto relativo ao corpo docente, mais tarde aos alunos, com adopção de tablets. Trata-se por alguns de um revolução, em termos de ensino e de investimento editorial, por outros de “só mais um passo rumo à realização dos objetivos da Agenda Digital”.

Fontes: http://www.ilsole24ore.com/art/notizie/2013-03-26/addio-libri-cartacei-anno-152222.shtml?uuid=AbPyxlhH
http://www.repubblica.it/scuola/2013/03/26/news/libri_digitali_profumo_convince_gli_editori_e_calano_i_tetti_di_spesa_risparmi_per_100_euro-55400933/

 
A favor:
“Graças a estas medidas os estudantes terão a possibilidade de utilizar também na escola, e para objetivos didácticos, instrumentos que já utilizam difusamente em casa, melhorando o nível de competências digitais da inteira população. Sem esquecer os benefícios que poderão derivar das mochilas sem o peso excessivo dos livros no formato em papel”.

Conclusão da press-release, disponível integralmente em:
http://hubmiur.pubblica.istruzione.it/web/ministero/cs260313.


As críticas:
Nos últimos dias levantou-se uma viva polémica entre a associação Italiana dos editores (Aie), primeiro interlocutor do governo nesta matéria, e o Ministro da Educação, Francesco Profumo. Os editores argumentaram contra o decreto questionando o ministro: será que as escolas, sem as dotações tecnológicas necessárias (wi-fi, computadores, banda larga, fibra..) conseguirão segurar a mudança? Porque é que o corpo docente não foi preparado para uma mudança tão radical? Quantos professores conseguem trabalhar com desenvoltura com devices tecnológicos? Os alunos poderão substituir as mochilas com os próprios iPads, iPhones e Kindles, e os que não os tiverem? Será a escola a fornecer os tablets? Com que dinheiro?

Fontes: http://www.ilgiornale.it/news/interni/editori-contro-profumo-nessun-accordo-i-libri-digitali-900489.html
http://www.flcgil.it/rassegna-stampa/nazionale/libri-digitali-aspra-polemica-editori-profumo.flc


Deixo na mesa um assunto sobre o qual refletir e conversar e convido-vos a conversar em torno da ideia que fundamenta o decreto, a ideia de que substituir as mochilas por tablets/portáteis possa "melhorar o nível de competências digitais da inteira população".




                                                                         Fonte imagem:http://thejournal.com/


 

 

segunda-feira, março 04, 2013

“Sete Dias com os Media”: desafio a todos nós

De 3 a 9 de Maio próximo, está em preparação uma iniciativa de âmbito nacional que incentiva os portugueses, de todas as idades e condições, a considerar o lugar que os meios de comunicação ocupam nas suas vidas e a tomar iniciativas sobre o assunto. Esta operação, que envolve também profissionais e instituições mediáticas, designa-se “7 Dias com os Media” e é, sobretudo, um desafio à criatividade, à iniciativa (ver mais informação AQUI).
Uma família, uma turma, um grupo informal, uma biblioteca, uma associação ou mesmo uma pessoa individualmente podem participar nesta mobilização colectiva que começou por ser apenas um dia, em 2012, e que agora se alarga a uma semana, para dar mais flexibilidade às iniciativas que cada qual entender desenvolver com total liberdade.
Que se pode fazer? Uma infinidade de coisas e mais aquelas que se inventarem. Os mais pequenos poderão expressar-se sobre os media através do desenho, da fotografia, do vídeo, da colagem, do texto. Em casa, os membros de uma família poderão repensar o modo como gerem os seus consumos de media e inovar naquilo que acharem necessário. Na escola, poder-se-á convidar jornalistas, publicitários e outros a reflectir sobre os bastidores das notícias, ou os critérios da sua selecção. As acções podem assumir a forma da crítica ou da proposta face ao que existe, mas também a interrogação daquilo que se faz com os media, o tempo que se lhes dedica, o que se ganha e o que se perde.
No fim de semana que passou, por exemplo, um conjunto de organizações dos Estados Unidos da América promoveu uma iniciativa que se intitulava “24 horas desligado” (ver aqui). Desde o nascer ao pôr do sol, os envolvidos optavam por deixar de lado o telemóvel, a Internet ou a consola de jogos para experimentar outra coisa que a rotina quotidiana ou a excessiva dependência não permitia fazer. Outros promovem o Dia sem Facebook ou sem Televisão. Tudo isto pode fazer parte dos “7 Dias com os Media”, sendo que, aqui, a ideia não é apenas “cortar com” mas também “pensar e agir com e sobre os media”.
Todos sabemos que os media – os meios digitais e os analógicos – já são quase como o ar que respiramos. Por isso mesmo, vale a pena cuidar da qualidade do ar e da saúde da respiração.