segunda-feira, novembro 05, 2012

«Pedagogies of Media and Information Literacy» acaba de sair



A UNESCO, através do seu Institute for Information Technologies in Education, acaba de publicar o manual «Pedagogies of Media and Information Literacy».
Pretende ser um instrumento de apoio nas instituições de formação de formadores e de facilitação do ensino e aprendizagem da literacia informativa e mediática.
Relacionado com este assunto vale a pena consultar também
- 'Media Literacy and New Humanism';
- 'Media and Information Literacy Curriculum for Teachers' (traduzido em várias línguas).

domingo, outubro 28, 2012

quinta-feira, outubro 04, 2012

"Setúbal na Rede" promove prática do jornalismo em escolas

"A formação de alunos e professores para promover a prática do jornalismo em vários estabelecimentos de ensino básico e secundário do distrito vai ser missão do “Setúbal na Rede” que, através de palestras e workshops de jornalismo nas escolas, quer implementar uma melhor educação para os media e, no âmbito da responsabilidade social, fomentar a cidadania ativa. Rui Lourenço, responsável pela Direção de Serviços de Apoio Pedagógico e Organização Escolar (DSAPOE) na Direção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRELVT), entende que hoje em dia “é necessário construir um homem novo que se habilite para o mundo novo que está a surgir” e adianta que “cada vez mais é importante a educação dos alunos e professores para atividades extra curriculares práticas”.

“Tudo o que diga respeito a melhores práticas de cidadania nos estabelecimentos de ensino deve ser incentivado”, prossegue Rui Lourenço que, por outro lado, verifica que o jornalismo sai beneficiado com a iniciativa. Este ponto é salientado por Pedro Brinca, diretor do “Setúbal na Rede”, que contempla“uma crise de valores instalada que deve ser invertida através da formação adequada para uma melhor visão sobre o jornalismo”.

“Hoje em dia, as pessoas não confiam no jornalismo”, assume Pedro Brinca, acrescentando ser este o pilar da democracia. A promoção de palestras e workshops vai permitir aos alunos perceberem os vários géneros jornalísticos com que são confrontados através da pluralidade de fontes que lhes são fornecidas. “A ideia não passa por formar jornalistas profissionais mas melhores consumidores de notícias”, prossegue o diretor do “Setúbal na Rede”.

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domingo, setembro 23, 2012

Dia Internacional da Literacia celebrado em Lisboa


Celebrar o  Dia Internacional da Literacia, promovida anualmente pela UNESCO no dia 8 de
setembro e assinalar o encerramento da Década das Nações Unidas sobre Literacia: Educação
para Todos (2003-2012) e  consciencializar a sociedade portuguesa para a  importância  e
pluralidade da literacia são as finalidades da jornada que amanhã se realiza em Lisboa, numa iniciativa da Comissão Nacional da UNESCO, do Plano Nacional de Leitura e da Sociedade de Gepografia de Lisboa.

É o seguinte o programa:

14h30 – abertura pelo Presidente da SGL, prof. catedrático Luís Aires-Barros.
14h40  – palavras iniciais pela escritora e  prof.ª  catedrática Helena Carvalhão Buescu da
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

15h15 – colóquio “A Literacia em Portugal e no Mundo”, sob a presidência da prof.ª doutora
Maria Calado, docente, investigadora e Vice-Presidente do Centro Nacional de Cultura, com
as intervenções seguintes:

“A Literacia no Mundo: o Papel das Nações Unidas”,  mestre Mónica Ferro,  deputada,
doutoranda em Relações Internacionais  e docente do  Instituto Superior de Ciências
Sociais e Políticas.

“A Literacia em Portugal”:
(a) “O Estado da Literacia em Portugal”,  prof.  doutor António Firmino da Costa,  ViceReitor  e docente  do  ISCTE/IUL e  investigador do  seu  Centro de Investigação e
Estudos de Sociologia.
(b) “O Plano Nacional de Leitura”, prof. doutor Fernando Pinto do Amaral, poeta, docente
e Comissário do Plano Nacional de Leitura.
(c) “Literacia e Saúde”, dr. Francisco George, Diretor-Geral da Saúde.
(d) “Conhecimento Científico e Literacia”, dr.ª Rosalia Vargas, Presidente da Ciência Viva
– Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.

(e) “Os Mitos Científicos na Literacia do Oceano”, dr.ª Carla de la Cerda Gomes,
educadora marinha do OMA – Observatório do Mar dos Açores.
(f) “A  Literacia e  os  Media”,  jornalista e  prof.  catedrático Manuel Pinto,  docente  da
Universidade do Minho e investigador do seu Centro de Estudos de Comunicação e
Sociedade.

17h00 – encerramento pelo Comissário do PNL,  prof. doutor Fernando Pinto do Amaral, pelo
Presidente da CNU, emb. António de Almeida Ribeiro e pelo Presidente da SGL.

terça-feira, setembro 11, 2012

Por um Serviço Público de Média independente, avaliado e de qualidade

Eis o texto da tomada de posição do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho a propósito das medidas que o Governo pretende tomar para o Serviço Público de Televisão e Rádio e no âmbito do debate público que se tem gerado em torno desta matéria:

 "O recente debate sobre o futuro do Serviço Público de rádio e televisão, independentemente da forma como foi colocado, é urgente e indispensável. Neste contexto, o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, que há mais de uma década publica obra sobre o tema, entende apresentar este contributo que sucintamente exprime uma reflexão colectiva sobre a matéria. Historicamente, o Serviço Público de rádio e de televisão tem sido gerido pelo Estado em função de interesses políticos imediatos. Em momentos cruciais, essa gestão fez-se totalmente à margem de qualquer sentido de interesse público ou valor público. Nada indicia que, no presente, esta linha de atuação seja diferente. Esta lógica de funcionamento tornou-se particularmente evidente quando, por exemplo, se aboliu a taxa de televisão e quando se entregou a uma empresa por um valor simbólico a rede de transmissão da RTP e, em tempos mais próximos, quando se cedeu aos interesses privados no processo de implementação da TDT. Importa salientar este traço histórico porque ajuda a explicar, em larga medida, a situação atual do Serviço Público e a imagem que dele fazemos enquanto bem comum. Os intensos debates em curso na maioria das sociedades democráticas sobre os serviços públicos de média, sobretudo em tempos de acelerada mudança tecnológica, parecem centrar-se em torno de algumas questões-chave: disponibilização de conteúdos de qualidade e diversificados, tanto em termos temáticos como de género; reforço dos mecanismos de independência face aos poderes políticos e financeiros; desenvolvimento de modalidades de prestação de contas à comunidade e aumento da eficiência financeira das entidades que prestam este serviço público. Essencialmente, procura-se manter viva a consciência de que o serviço deve ser universal no acesso e que não faz sentido sem uma cultura de funcionamento que entenda as audiências como cidadãos e não como consumidores. Na esmagadora maioria dos casos, estas discussões presumem que a prestação de serviço esteja a cargo de uma entidade específica, com regras de funcionamento que a distingam dos operadores comerciais, que seja regulada pelo Estado e acompanhada pelos cidadãos. Um Serviço Público de média funciona assim como espaço agregador da sociedade, como instituição que alarga garantias cívicas de acesso, de diversidade, de pluralidade. No atual contexto de crise económica grave, o caminho para o Serviço Público de média em Portugal passa, em primeiro lugar, pela discussão sobre como melhorar e qualificar o serviço público que (não) temos. Este serviço tem um papel específico a desempenhar na superação da crise, quer no plano interno, quer junto das comunidades emigrantes e no espaço da lusofonia. Deverá ser repensado considerando propostas de desempenho diferenciador em áreas como os espaços não demagógicos de participação dos cidadãos, a educação para os media ou formação crítica dos telespectadores, a programação criteriosa para a infância e os públicos mais jovens, a cultura portuguesa e as expressões culturais do espaço lusófono, a informação e a formação para a ciência e a investigação. É precisamente agora que se abre uma clara oportunidade para enveredar por um Serviço Público de média, gerido com independência e rigor, produzindo conteúdos de excelência e disponível em acesso aberto. O caminho da redução de custos foi trilhado com sucesso nos últimos anos; importaria agora trilhar esse outro que é o do aprofundamento do valor do serviço para os cidadãos, nomeadamente trazendo à consideração a presença noutras plataformas para além do universo audiovisual tradicional e envolvendo a empresa na discussão do chamado dividendo digital. Acreditamos que, independentemente dos canais existentes ou a existir, este é também o caminho mais apropriado para Portugal – a disponibilização, tendencialmente em plataformas de sinal aberto, de um fluxo de conteúdos alargado e diversificado, produzidos por uma entidade pública, respeitando um caderno de encargos prévio e objetivos financeiros claros. Entendemos, nesta linha de salvaguarda do cumprimento efetivo desses compromissos, que devem ser instituídos processos periódicos de avaliação, quantitativa e qualitativa, da prestação das partes envolvidas, a desenvolver e publicitar pelas instituições científicas com competência para o efeito. O Serviço Público de média não pode e não deve ser dividido em parcelas, não pode e não deve ser concessionado a uma entidade privada (com interesses legítimos, mas fundamentalmente distintos dos do Estado) e não pode e não deve ser vendido à melhor oferta. O Serviço Público de média é, em simultâneo, sinal de vitalidade e garante da democracia. É parte inteira do que somos, enquanto comunidade de interesses partilhados. Vendê-lo, concessioná-lo ou retalhá-lo são opções que servem apenas interesses de gestão política do instante. Qualquer delas contribui, de forma substantiva, para um empobrecimento real do que somos e para um diminuição da confiança dos cidadãos num Estado que serve."