domingo, setembro 23, 2012

Dia Internacional da Literacia celebrado em Lisboa


Celebrar o  Dia Internacional da Literacia, promovida anualmente pela UNESCO no dia 8 de
setembro e assinalar o encerramento da Década das Nações Unidas sobre Literacia: Educação
para Todos (2003-2012) e  consciencializar a sociedade portuguesa para a  importância  e
pluralidade da literacia são as finalidades da jornada que amanhã se realiza em Lisboa, numa iniciativa da Comissão Nacional da UNESCO, do Plano Nacional de Leitura e da Sociedade de Gepografia de Lisboa.

É o seguinte o programa:

14h30 – abertura pelo Presidente da SGL, prof. catedrático Luís Aires-Barros.
14h40  – palavras iniciais pela escritora e  prof.ª  catedrática Helena Carvalhão Buescu da
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

15h15 – colóquio “A Literacia em Portugal e no Mundo”, sob a presidência da prof.ª doutora
Maria Calado, docente, investigadora e Vice-Presidente do Centro Nacional de Cultura, com
as intervenções seguintes:

“A Literacia no Mundo: o Papel das Nações Unidas”,  mestre Mónica Ferro,  deputada,
doutoranda em Relações Internacionais  e docente do  Instituto Superior de Ciências
Sociais e Políticas.

“A Literacia em Portugal”:
(a) “O Estado da Literacia em Portugal”,  prof.  doutor António Firmino da Costa,  ViceReitor  e docente  do  ISCTE/IUL e  investigador do  seu  Centro de Investigação e
Estudos de Sociologia.
(b) “O Plano Nacional de Leitura”, prof. doutor Fernando Pinto do Amaral, poeta, docente
e Comissário do Plano Nacional de Leitura.
(c) “Literacia e Saúde”, dr. Francisco George, Diretor-Geral da Saúde.
(d) “Conhecimento Científico e Literacia”, dr.ª Rosalia Vargas, Presidente da Ciência Viva
– Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.

(e) “Os Mitos Científicos na Literacia do Oceano”, dr.ª Carla de la Cerda Gomes,
educadora marinha do OMA – Observatório do Mar dos Açores.
(f) “A  Literacia e  os  Media”,  jornalista e  prof.  catedrático Manuel Pinto,  docente  da
Universidade do Minho e investigador do seu Centro de Estudos de Comunicação e
Sociedade.

17h00 – encerramento pelo Comissário do PNL,  prof. doutor Fernando Pinto do Amaral, pelo
Presidente da CNU, emb. António de Almeida Ribeiro e pelo Presidente da SGL.

terça-feira, setembro 11, 2012

Por um Serviço Público de Média independente, avaliado e de qualidade

Eis o texto da tomada de posição do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho a propósito das medidas que o Governo pretende tomar para o Serviço Público de Televisão e Rádio e no âmbito do debate público que se tem gerado em torno desta matéria:

 "O recente debate sobre o futuro do Serviço Público de rádio e televisão, independentemente da forma como foi colocado, é urgente e indispensável. Neste contexto, o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, que há mais de uma década publica obra sobre o tema, entende apresentar este contributo que sucintamente exprime uma reflexão colectiva sobre a matéria. Historicamente, o Serviço Público de rádio e de televisão tem sido gerido pelo Estado em função de interesses políticos imediatos. Em momentos cruciais, essa gestão fez-se totalmente à margem de qualquer sentido de interesse público ou valor público. Nada indicia que, no presente, esta linha de atuação seja diferente. Esta lógica de funcionamento tornou-se particularmente evidente quando, por exemplo, se aboliu a taxa de televisão e quando se entregou a uma empresa por um valor simbólico a rede de transmissão da RTP e, em tempos mais próximos, quando se cedeu aos interesses privados no processo de implementação da TDT. Importa salientar este traço histórico porque ajuda a explicar, em larga medida, a situação atual do Serviço Público e a imagem que dele fazemos enquanto bem comum. Os intensos debates em curso na maioria das sociedades democráticas sobre os serviços públicos de média, sobretudo em tempos de acelerada mudança tecnológica, parecem centrar-se em torno de algumas questões-chave: disponibilização de conteúdos de qualidade e diversificados, tanto em termos temáticos como de género; reforço dos mecanismos de independência face aos poderes políticos e financeiros; desenvolvimento de modalidades de prestação de contas à comunidade e aumento da eficiência financeira das entidades que prestam este serviço público. Essencialmente, procura-se manter viva a consciência de que o serviço deve ser universal no acesso e que não faz sentido sem uma cultura de funcionamento que entenda as audiências como cidadãos e não como consumidores. Na esmagadora maioria dos casos, estas discussões presumem que a prestação de serviço esteja a cargo de uma entidade específica, com regras de funcionamento que a distingam dos operadores comerciais, que seja regulada pelo Estado e acompanhada pelos cidadãos. Um Serviço Público de média funciona assim como espaço agregador da sociedade, como instituição que alarga garantias cívicas de acesso, de diversidade, de pluralidade. No atual contexto de crise económica grave, o caminho para o Serviço Público de média em Portugal passa, em primeiro lugar, pela discussão sobre como melhorar e qualificar o serviço público que (não) temos. Este serviço tem um papel específico a desempenhar na superação da crise, quer no plano interno, quer junto das comunidades emigrantes e no espaço da lusofonia. Deverá ser repensado considerando propostas de desempenho diferenciador em áreas como os espaços não demagógicos de participação dos cidadãos, a educação para os media ou formação crítica dos telespectadores, a programação criteriosa para a infância e os públicos mais jovens, a cultura portuguesa e as expressões culturais do espaço lusófono, a informação e a formação para a ciência e a investigação. É precisamente agora que se abre uma clara oportunidade para enveredar por um Serviço Público de média, gerido com independência e rigor, produzindo conteúdos de excelência e disponível em acesso aberto. O caminho da redução de custos foi trilhado com sucesso nos últimos anos; importaria agora trilhar esse outro que é o do aprofundamento do valor do serviço para os cidadãos, nomeadamente trazendo à consideração a presença noutras plataformas para além do universo audiovisual tradicional e envolvendo a empresa na discussão do chamado dividendo digital. Acreditamos que, independentemente dos canais existentes ou a existir, este é também o caminho mais apropriado para Portugal – a disponibilização, tendencialmente em plataformas de sinal aberto, de um fluxo de conteúdos alargado e diversificado, produzidos por uma entidade pública, respeitando um caderno de encargos prévio e objetivos financeiros claros. Entendemos, nesta linha de salvaguarda do cumprimento efetivo desses compromissos, que devem ser instituídos processos periódicos de avaliação, quantitativa e qualitativa, da prestação das partes envolvidas, a desenvolver e publicitar pelas instituições científicas com competência para o efeito. O Serviço Público de média não pode e não deve ser dividido em parcelas, não pode e não deve ser concessionado a uma entidade privada (com interesses legítimos, mas fundamentalmente distintos dos do Estado) e não pode e não deve ser vendido à melhor oferta. O Serviço Público de média é, em simultâneo, sinal de vitalidade e garante da democracia. É parte inteira do que somos, enquanto comunidade de interesses partilhados. Vendê-lo, concessioná-lo ou retalhá-lo são opções que servem apenas interesses de gestão política do instante. Qualquer delas contribui, de forma substantiva, para um empobrecimento real do que somos e para um diminuição da confiança dos cidadãos num Estado que serve."

domingo, setembro 09, 2012

Nova Lei do Cinema inclui programa de formação de públicos nas escolas

Foi publicada nesta quinta-feira, dia 6, a nova Lei do Cinema, aprovada em 25 de Julho pela Assembleia da República. O diploma contém matéria que se refere ao compromisso do Estado em desenvolver um programa de literacia para o cinema, voltado para a formação de públicos nas escolas. Ficam aqui registados os artigos com relevância para esta matéria:
Artigo 3.º
Princípios e objetivos da ação do Estado 
1. Princípios
d) Promoção da interação com os agentes dos setores cinematográfico e audiovisual, da comunicação social, da educação e das telecomunicações;
2. Objetivos
k) Contribuição para a formação de públicos, nomeadamente através do apoio a festivais de cinema, cineclubes, circuitos de exibição em salas municipais e associações culturais de promoção da atividade cinematográfica e, em particular, através da promoção da literacia do público escolar para o cinema;
3. Incumbências do Estado
d) Promover e contribuir para a fruição pelo público das obras apoiadas pelo Estado. 
Artigo 4º
Conservação e acesso 
2 — O Estado promove o acesso público às obras que integram o património cinematográfico e audiovisual nacional para fins de investigação artística, histórica, científica e educativa, com respeito pelas regras de conservação patrimonial, salvaguardando os legítimos interesses dos titulares de direitos de autor e dos direitos conexos, bem como dos detentores de direitos patrimoniais ou comerciais. 
Artigo 6º
Programas de apoio 
6 — Com o objetivo de promover a literacia do público escolar para o cinema, o Estado desenvolve um programa de formação de públicos nas escolas. 
Artigo 23.º
Formação de público escolar 
O Estado promove um programa de literacia para o cinema junto do público escolar para a divulgação de obras cinematográficas de importância histórica e, em particular, das longas -metragens, curtas -metragens, documentários e filmes de animação de produção nacional.

domingo, setembro 02, 2012

A abstinência mediática. Exercício reflexivo de Educação para os Media

Viva uma semana sem fazer uso do telemóvel.  Cada dia deverá escrever o que isto envolveu: pensamentos, reflexões, sensações…em suma, tudo o que a abstinência do uso do telemóvel produziu:

- em si;
- na sua vida de todos os dias (como ocupou aquele tempo, com que substituiu o telemóvel, as reações dos outros à sua volta);
- na sua rede social.

Deverá preencher um relatório com base nos três pontos chave:

1. Como reagiu?
2. Como reagiram os outros?
3.  Qual o género de rede de informação/comunicação que se estabeleceu (se se estabeleceu) no período de abstinência.
4. Quanto dinheiro poupou/gastou?
5. Quão necessário é o telemóvel e porquê?

Os participantes (no caso de ser realizado numa turma) deverão juntar as suas experiências e fazer uma relação única que resuma e reflita os trabalhos de cada um.

(Por Letizia Caronia)

quarta-feira, julho 04, 2012

Crianças criam uma estação de rádio

Este episódio da série que passa em Portugal com o nome "Carteiro Paulo" centra-se na criação de uma estação de rádio por um grupo de crianças. 

Creio que é um excelente recurso não só para mostrar como funciona este meio de comunciação, como também para inspirar os mais pequenos a tentarem experiências semelhantes.

O episódio termina com a seguinte frase: "Para a rádio funcionar, primeiro temos de trabalhar em equipa". 


Mais informações sobre esta série iniciada em 1981, cujo nome original é Postman Pat, no site oficial do Postman Pat e na wikipedia.

quinta-feira, junho 21, 2012

Aceita-se comentários e análises

A imagem admite muitos sentidos: diversos ângulos de abordagem; diferentes análises quanto à forma e ao conteúdo, várias mensagens veiculadas... Quem quer avançar com os seus comentários?


segunda-feira, junho 11, 2012

Apontamentos sobre a Educação para os Media na Europa

No contexto de um curso de formação intitulado 'Media Education Lab', financiado pelo programa Youth in Action da Comissão Europeia, 26 jovens europeus apresentaram algumas das linhas por onde se 'cosem' as teorias e práticas da Educação para os Media nos seus países. Os participantes discutiram de que forma cada país define este conceito, ao mesmo tempo que sublinharam as melhores práticas e apontaram as limitações que se confrontam na promoção de políticas que ajudem a sociedade a compreender o papel dos media. A iniciativa decorreu no mês de Maio, na Letónia, e contou com a organização da associação local Room of Fulfilled Dreams, que procura ajudar pessoas com acessos limitados a oportunidade de educação, procura de emprego, formação em novas tecnologias de comunicação, entre outras actividades.

Algumas das apresentações, em espécie de relatório resumo da Educação para os Media nos países dos participantes, encontram-se disponíveis em baixo:

Eslovénia - Simona Simmy & Tim Kolar-Erat;
Eslováquia - Phristina Bol;
Roménia - Madalina Cotiu;
República Checa - Linda Matejovska;
Itália - Gabriele Chiappone;
Espanha - Oliver Domínguez;
Bulgária - Ivan Zhikov;
Portugal - Fábio Ribeiro;

As referidas apresentações foram realizadas por profissionais ligados à área da comunicação, desde a fotografia, ao design, jornalismo, publicidade, etc., e reflectem as opiniões e conhecimento dos autores sobre a temática. Apontam quase todas no mesmo sentido, isto é, no parco aprofundamento das questões sobre literacia mediática nos diversos países. Apesar de poucas estratégias terem eco no tecido escolar, por exemplo, existem iniciativas francamente interessantes, desde o festival de cinema da Roménia, ao caso bem sucedido da Eslovénia.

Durante o curso, os participantes tiveram igualmente acesso a sessões sobre 'Media e Cultura', 'Produção dos Media', 'Linguagem dos Media', 'Audiências' e 'Estratégias pedagógicas e de acção de Educação para os Media'. Um resumo do curso, em texto, imagens, vídeos, aqui.

sexta-feira, junho 08, 2012

Educação para a imagem pelo cinema

Nma das últimas edições do programa Fora d'Horas, da SIC Notícias, a jornalista Claralta qualidade.a de Sousa conversa com o cineasta Lauro António. Em torno do cinema é um programa de educação para os media, verdadeiro serviço público de alta qualidade. Aqui:














https://www.facebook.com/photo.php?v=401946316522563
(Via: Isa Catarina Mateus-Cineclube de Faro)

terça-feira, junho 05, 2012

Crianças e media na sociedade digital

Carmen Marta Lazo e José Gabelas orientam no próximo dia 13, na Sala de Atos do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho um seminário sobre “Relaciones y mediaciones de los niños y jóvenes con los medios en la Sociedad Digital”.
A sessão realiza-se no âmbito do Seminário Permanente em Educação para os Media (CECS) e do Mestrado em Comunicação, Cidadania e Educação e é aberto ao público em geral.
Carmen Marta Lazo e José Antonio Gabelas Barroso são ambos Professores de Comunicação Audiovisual e Publicidade da Universidade de Zaragoza, Espanha, e membros do Grupo de Investigação em Educomunicação e estarão na Universidade do Minho no âmbito do Programa de Mobilidade Docente Erasmus.

segunda-feira, maio 21, 2012

UMinho 2012-2013: mestrado e doutoramento em Educação para os Media


Abre hoje a primeira fase das inscrições para o 2º Curso de Mestrado em Comunicação, Cidadania e Educação (Literacia para os Media) na Universidade do Minho um processo que culminará no arranque do ano lectivo de 2012-2013, no final de Setembro próximo. Podem candidatar-se licenciados em comunicação, em educação e noutras áreas afins das ciências sociais e humanas, interessados na capacitação para a animação de projectos focados nos media enquanto tema de estudo, recurso pedagógico e campo de intervenção e expressão.
O Edital do concurso pode ser consultado aqui e outras informações: aqui
No quadro seguinte pode ver-se o plano de estudos:


Também hoje abrem as inscrições para mais uma edição do curso de doutoramento em Ciências da Comunicação, que tem na Educação para os Media uma das áreas de especialidade. Os interessados neste campo de investigação poderão contar, além do programa normal de formação, com um seminário permanente de Educação para os Media, de periodicidade mensal e com vários projectos de investigação em curso, de âmbito nacional e internacional, inseridos no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade.
Mais informações: aqui.

quinta-feira, maio 10, 2012

Morreu o pedagogo e comunicólogo Pierre Babin

Chega-nos a notícia da morte de Pierre Babin, ontem ocorida, em Lyon, França. O nome não dirá provavelmente muito a muitos leitores, a não ser a quem se interessou por um livro seu, não há muitos anos editado em Portugal - "Linguagem e Cultura dos Media" - que hoje se encontra esgotado e apenas disponível em algumas bibliotecas. No entanto, Babin é um nome de referência internacional, no cruzamento da comunicação com a educação.
Influenciado por autores aparentemente tão diferentes como C.G. Jung (psicanálise e cultura, antropologia do simbólico) ou por Marshal McLuhan, com quem trabalhou e publicou, Pierre Babin nasceu em França, em 1925, filho de comerciantes, numa família muito religiosa. Dessa fase guardou um "fascínio pelo sagrado", mas igualmente "o sentimento da opressão de uma moral que não se discute". Fez-se padre nos Oblatas, mas sempre com grandes inquietações e, em alguns momentos, bastantes dúvidas. Acabaria a trabalhar num colégio, na formação de adolescentes, em cujo meio foi amadurecendo a ideia de que era necessário educar de outro modo, tirando partido da energia, da sensibilidade e das potencialidades desta fase da vida. Sobretudo, vai-se tornando nítido, para ele, que, na educação em geral e na educação religiosa em particular, importa não partir da teologia ou do dogma, mas da vida dos educandos. A partir de finais dos anos 50, vai dar aulas e estudar para o Canadá e visita os Estados Unidos. Abre-se a uma perspetiva universalista que vai crescer à medida que as suas obras (inicialmente centradas na educação religiosa dos adolescentes) vão sendo conhecidas e traduzidas. Viaja por um grade número de países, entre os quais Portugal.
No seguimento da interpelação de um pastor suiço, que o alertou para o facto de, naqueles anos 60, as pessoas "falarem audiovisual", começa a desenvolver propostas nesse terreno. Propõe o método de animação de grupos que designou por "fotolinguagem", no âmbito do qual cada grupo recebe vinte fotos e é convidado, através do diálogo, a identificar um valor associado a cada uma delas.
A verdadeira "revolução coperniciana", no entanto, vai ser, para ele, o encontro com as ideias de propostas de McLuhan, que lhe dá a noção de que o audiovisual não é apenas uma outra linguagem, mas um outro modo de ser e de comunicar, uma nova cultura, no qual, a par da razão, se resgata a emoção, a afetividade, a subjetividade. Estas novas perspetivas desenvolvem-se a partir de um centro de formação internacional que criou em Lyon, o CREC-AVECX. O seu laboratório vai progressivamente apostar na noção de "group media" (em contraposição a mass media), ferramentas simples, facilmente acessíveis,construídas e multiplicadas (montagens, recortes, sons, diapositivos, pequenos filmes...), resultado de percursos pedagógicos que partem das experiências das pessoas, traduzidas/ilustradas em imagens e em sons, através da (e tendo como resultado) a palavra). Os seus livros, propondo ideias novas salientam-se sempre por serem fruto de experiências. Por alguma razão boa parte deles, a partir dos anos 70, são coletivos. Para ele é preciso sentir, para compreender. O sentido advém da sensação e da emoção, em situação de imersão. "A compreensão é fruto da distância que se estabelece depois da imersão", sublinha ele no livro "Novos modos de compreender", que assina com a psicóloga Marie-France Kouloumdjian.
Uma nota: a influência de Babin em Portugal poderia ser objeto de uma pesquisa. Bastará dizer que é desta escola que 'nascem' profissionais como o Cónego António Rego, o docente de cinema da UCatólica Carlos Capucho ou o jornalista da TSF Manuel Vilas Boas, que, após a sua estadia no CREC, em Lyon, ousaram lançar, em 1979, no serviço público o programa televisivo 70x7.

quarta-feira, maio 02, 2012

Literacia mediática: exercício

Analisa atentamente este cartoon.


Possíveis vias para a análise:
- Autor: quem é, que faz, onde publica
- Contexto: país, situação presente
- Estilo gráfico
- Protagonistas: idades, relação entre eles
- Elementos simbólicos
- Conceitos e mensagem(s).

(Via: Luís António Santos)


segunda-feira, abril 23, 2012

quinta-feira, abril 19, 2012

Tese de doutoramento sobre Educação para os Media


“Concepções de literacia digital nas políticas públicas – estudo a partir do Plano Tecnológico da Educação” é o título da tese que Luís Miguel Pereira apresenta amanhã, dia 20, a partir das 14h30, na Universidade do Minho.
A arguência caberá aos Profs. António Dias Figueiredo, da Universidade de Coimbra, e Alfonso Gutiérrez Martin, da Universidade de Valladolid. Orientaram a investigação o autor deste post e a Prof. Sara Pereira.
Luís Pereira, que é investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da UMinho, um dos autores deste blog e que foi bolseiro de doutoramento da FCT, estudou, no seu mestrado, a relação dos adolescentes com os jogos video, investiga, nesta nova etapa, de que modo a literacia digital aparece enunciada e representada no plano tecnológico da educação implementado pelo Governo anterior. A sua tese é, por outro lado, a primeira que adopta a Educação para os Media como campo de referência e de especialidade, na Universidade do Minho.
Eis um excerto do resumo do seu trabalho:

«Com o Plano Tecnológico da Educação, aprovado em 2007, o XVII Governo pretendia, em três anos, “colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados ao nível da modernização tecnológica do ensino”. No âmbito desta política pública, surgiu o Programa e.escola ao qual se juntou, mais tarde, a Iniciativa e.escolinha, tendo sido distribuídos com estas medidas cerca de 2 milhões de computadores portáteis, muitos deles com acesso a internet de banda larga.
Esta investigação propõe-se estudar o relevo da literacia digital, e o quadro conceptual que a sustenta, em políticas de implementação da tecnologia, procurando evidenciar uma tendência para reduzir a literacia para os ambientes digitais à sua componente técnica.(...)».

Continuar a ler: AQUI.

terça-feira, abril 17, 2012

Educação para os Media contra a "institucionalização da ignorância", defende Pacheco Pereira



O historiador José Pacheco Pereira defendeu ontem, em Coimbra, que a escola não deve apenas ensinar as crianças a ler, escrever e contar, mas também educá-las para os media, desde a pré-primária. Ao participar hoje, na Universidade de Coimbra, num seminário de doutoramento com a comunicação “Educação para os Media”, o orador realçou que, quando as crianças ingressam no ensino pré-primário, “já têm milhares de horas de televisão”, e que é preciso dar atenção a este fenómeno ainda relativamente recente. “A socialização das crianças é hoje feita muito fora da escola e fora da família”, frisou Pacheco Pereira, acrescentando que a televisão e os jogos de vídeo vêm assumindo muito dessa importante função. No entendimento de Pacheco Pereira, “a sua [das crianças] percepção do tempo e do espaço é moldada pelos media modernos”. Salientou que, na escola, também a criança “é cada vez mais atirada para a internet”, para recolher informação, sem ser ensinada sobre a forma como o deve fazer. Na perspectiva do orador, deve ser ensinado às crianças o modo de ver televisão, alertando que esta não é a realidade, mas “uma construção narrativa”, e de que, na internet, “há lixo e não lixo”, e que é preciso saber navegar com proveito. A não ser assim, cria-se “uma camada de gente analfabeta dos media, mesmo quando os utiliza extensivamente”, acentuou Pacheco Pereira.

O orador acrescentou que, sem essa educação para os media, haverá “uma maior institucionalização da ignorância, uma enorme dificuldade entre o saber e o palpite, uma perda muito significativa do papel da individualidade e da privacidade”. Haverá também – prosseguiu – “uma tendência para um relativismo cultural, em que tudo é igual, tem o mesmo valor”, seja uma canção da moda ou uma música clássica, um vídeo no “youtube” ou um filme de referência. “Tudo isto é o resultado de uma crise das mediações, que é um dos aspectos mais perniciosos do mundo contemporâneo. Ela manifesta-se com a crise da família, enquanto entidade mediadora da transmissão de conhecimentos e de socialização, da crise da escola, na crise das actividades profissionais que também deveriam ter esse papel de mediação, como o próprio jornalismo”, acentuou. Na sua comunicação, Pacheco Pereira expressou também uma visão crítica sobre os media, que diz serem, para “as grandes massas, mais factor de controlo e empobrecimento do que enriquecimento”, e de não se assumirem como inclusivos, mas “perpetuarem factores de exclusão previamente existentes”. (Lusa)

segunda-feira, abril 16, 2012

Usar latas para descobrir a fotografia

Latas transformadas em máquinas fotográficas pinhole
Foi lançada em Lisboa a campanha "Latas na cidade", que tem por objetivo "divulgar a fotografia pinhole, um método muito diferente de fazer fotografias e aguçar a curiosidade das pessoas". A ideia foi desenvolvida por Magda Fernandes e José Domingos, responsáveis pelo ateliê Imagerie - Casa de Imagens, envolvendo a distribuição de 18 latas gigantes pela cidade, com um autocolante onde se pode ler: "Eu não sou uma lata, sou uma câmara fotográfica! Usa-me!"
"Queremos fazer com que as pessoas percebam que a fotografia pode ser uma coisa mais simples e ao mesmo tempo mais mágica, porque não é tecnológica. Uma câmara fotográfica pode ser uma coisa tão básica como uma lata e tem um tempo próprio, porque não tiramos uma fotografia e ela fica logo disponível, é preciso pensar mais e demorar mais tempo a fazer a fotografia e nós queríamos partilhar isso com as pessoas", referiu Magda em declarações à Lusa.
Segundo Magda Fernandes "as pessoas podem pegar na lata, levá-la com elas e fotografar onde quiserem. Depois de tirar a fotografia, podem deixá-la no mesmo sítio", uma vez que os responsáveis pelo projeto vão buscá-la.
O objetivo é terminar o projeto a 29 de abril, Dia Mundial da Fotografia Pinhole e se correr como esperado, com "quantidade e qualidade de fotografias suficiente", pode resultar numa exposição.
Na página do Facebook do projeto e na página da Internet do atelier, é possível ter acesso a um mapa de localização das latas, que vai sendo atualizado por Magda e José Domingos.
As máquinas fotográficas não querem que os autores das fotografias fiquem na incógnita e contêm autocolantes nos quais pode ficar registado o nome do "fotógrafo", contacto e título da peça.

Seminário sobre Alfabetização Mediática


alfAlfonso Gutiérrez Martín vai orientar um seminário sobre “Alfabetización Mediática. Educar en la Sociedad de la Información”, no quadro do Seminário Permanente de Educação para os Media do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho (UM) e do Mestrado em Comunicação, Cidadania e Educação (Departamento de Ciências da Comunicação).

Gutiérrez Martín é Professor de "Nuevas Tecnologías aplicadas a la Educación" no Departamento de Pedagogía, E.U. Magisterio de Segovia, Universidad de Valladolid, Espanha. Os seus trabalhos centram-se sobretudo nas relações entre novas tecnologias e educação, nomeadamente, televisão educativa, educação para os media, os novos recursos didáticos, educação multimédia, e implicações educativas das redes de comunicação.
Mais informação: aqui.

domingo, abril 08, 2012

Trabalhos de casa

O jornal Público de hoje traz um inquérito sobre a questão dos trabalhos que os alunos são convidados a realizar em casa, vulgo TPC. Sobre a matéria, como titula o diário, as opiniões dividem-se. Há quem se manifeste a favor dos TPC, mas sugerindo ser-se criativo na sua forma. Uma caixa inserida na peça jornalista coloca a questão: "Ver o telejornal pode ser um TPC?"

sábado, abril 07, 2012

Jornal na educação, no Brasil: "muito bacana"

Esta é uma entrevista com Cristiane Parente, Coordenadora Executiva do Programa Jornal e Educação da Associação Nacional de Jornais, do Brasil, dada ao jornal Folha da Região, de Araçatuba/SP, e transmitido pela Rádio Cultura FM 95,5 e pela TV local - Canal 21 NET. Uma oportnidade de reflectir sobre o lugar e o sentido do jornal na educação e para fazer uma ideia, ainda que sumária, da dimensão de projectos desta natureza no Brasil.

quarta-feira, abril 04, 2012

Proibir publicidade para crianças?

A luta que a Associação Portuguesa de Direito do Consumo (APDC) e, particularmente, o Dr. Paulo Morais vêm travando, nos últimos tempos, fazendo lobby para que seja proibida a publicidade dirigida a crianças até 12 anos dá ênfase a uma matéria importante. Mas é, no meu modo de ver, bem o exemplo de como, no nosso país frequentemente se tenta resolver os problemas, transpondo-os para o terreno das leis e do Direito.
Devo dizer que tenho a maior consideração por Paulo Morais e que esta nota crítica nada mais pretende senão contribuir para um debate que julgo necessário, mas que está a ser mal conduzido e é mesmo susceptível de reforçar a situação em que nos encontramos, em vez de contribuir para a sua melhoria.
Em primeiro lugar, nós já temos um código da publicidade com matérias que vão de encontro a preocupações da APDC. Por exemplo, quando proíbe publicidade que:
"(...) encoraje comportamentos prejudiciais à saúde e segurança do consumidor, nomeadamente por deficiente informação acerca da perigosidade do produto ou da especial susceptibilidade da verificação de acidentes em resultado da utilização que lhe é própria". Preconiza, por outro lado que "a publicidade não deve comportar qualquer apresentação visual ou descrição de situações onde a segurança não seja respeitada, salvo justificação de ordem pedagógica". E explicita que o disposto nestes pontos deve ser particularmente acautelado no caso da publicidade especialmente dirigida a crianças (...)".
O mesmo Código cria uma barreira a anúncios que incitem "directamente os menores, explorando a sua inexperiência ou credulidade, a adquirir um determinado bem ou serviço" ou "a persuadirem os seus pais ou terceiros a comprarem
os produtos ou serviços em questão". Não podem, por outro lado "conter elementos susceptíveis de fazerem perigar a sua integridade física ou moral, designadamente pelo incitamento à violência" nem "explorar a confiança especial que os menores depositam nos seus pais, tutores ou professores".
No plano das leis, teríamos logo aqui todo um programa de acção que poderia levar a APDC a pressionar os anunciantes, as agências, os media e o regulador da comunicação social a serem estritos no cumprimento da lei. E já não faltaria que fazer.
Ao optar por uma medida radical - acabar pura e simplesmente com a publicidade para crianças a APDC define, a meu ver, um alvo errado. Desde logo, porque, num tempo de crise, de que os media se ressentem fortemente, é pouco provável que alguém com peso decisório (Governo, partidos...) assuma e 'compre' uma guerra com os media e com os grandes grupos que são os maiores anunciantes. Depois, porque este combate por uma causa inquestionavelmente generosa, parece esquecer que o panorama mediático se alterou radicalmente na última década e que a publicidade conhece hoje modalidades e segue caminhos que tornam utópico proibi-la a quem quer que seja ou proibi-la até uma certa idade deixando-a existir para idades subsequentes.
Se não fosse mais, eu tenderia a lamentar que, com base em preocupações que eu pessoalmente partilho, as energias que têm sido canalizadas para uma luta condenada ao insucesso, não sejam dirigidas para a reivindicação da formação de todas as crianças para atitudes e práticas críticas face à publicidade e face aos media através dos quais aquela circula.
Acabar com a publicidade na lei pode tranquilizar os pais e os educadores, mas não os responsabiliza naquilo que é fundamental: o seu papel e o seu dever de acompanhar, estar presentes, ajudar a ler o mundo, enfrentar as lógicas consumistas, resistir às estratégias do marketing, tirando até partido do engenho e da arte de que os publicitários inquestionavelmente dão mostras.
Exigir o escrupuloso cumprimento daquilo que a lei já preconiza relativamente à publicidade e investir seriamente numa literacia mediática e digital que não se reduza ao uso de tecnologias mas que seja uma educação para a compreensão do mundo, para a cidadania activa e crítica - eis o que é necessário e urgente. Mas também devo dizer que não me parece que seja nesse sentido que sopram hoje os ventos, entre nós. Por maioria de razão fazem falta, por isso, movimentos cívicos de alerta e de lobby. Desejavelmente com o contributo de instituições como a Associação Portuguesa de Direito do Consumo,cuja acção é sem dúvida fundamenta.