segunda-feira, maio 21, 2012

UMinho 2012-2013: mestrado e doutoramento em Educação para os Media


Abre hoje a primeira fase das inscrições para o 2º Curso de Mestrado em Comunicação, Cidadania e Educação (Literacia para os Media) na Universidade do Minho um processo que culminará no arranque do ano lectivo de 2012-2013, no final de Setembro próximo. Podem candidatar-se licenciados em comunicação, em educação e noutras áreas afins das ciências sociais e humanas, interessados na capacitação para a animação de projectos focados nos media enquanto tema de estudo, recurso pedagógico e campo de intervenção e expressão.
O Edital do concurso pode ser consultado aqui e outras informações: aqui
No quadro seguinte pode ver-se o plano de estudos:


Também hoje abrem as inscrições para mais uma edição do curso de doutoramento em Ciências da Comunicação, que tem na Educação para os Media uma das áreas de especialidade. Os interessados neste campo de investigação poderão contar, além do programa normal de formação, com um seminário permanente de Educação para os Media, de periodicidade mensal e com vários projectos de investigação em curso, de âmbito nacional e internacional, inseridos no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade.
Mais informações: aqui.

quinta-feira, maio 10, 2012

Morreu o pedagogo e comunicólogo Pierre Babin

Chega-nos a notícia da morte de Pierre Babin, ontem ocorida, em Lyon, França. O nome não dirá provavelmente muito a muitos leitores, a não ser a quem se interessou por um livro seu, não há muitos anos editado em Portugal - "Linguagem e Cultura dos Media" - que hoje se encontra esgotado e apenas disponível em algumas bibliotecas. No entanto, Babin é um nome de referência internacional, no cruzamento da comunicação com a educação.
Influenciado por autores aparentemente tão diferentes como C.G. Jung (psicanálise e cultura, antropologia do simbólico) ou por Marshal McLuhan, com quem trabalhou e publicou, Pierre Babin nasceu em França, em 1925, filho de comerciantes, numa família muito religiosa. Dessa fase guardou um "fascínio pelo sagrado", mas igualmente "o sentimento da opressão de uma moral que não se discute". Fez-se padre nos Oblatas, mas sempre com grandes inquietações e, em alguns momentos, bastantes dúvidas. Acabaria a trabalhar num colégio, na formação de adolescentes, em cujo meio foi amadurecendo a ideia de que era necessário educar de outro modo, tirando partido da energia, da sensibilidade e das potencialidades desta fase da vida. Sobretudo, vai-se tornando nítido, para ele, que, na educação em geral e na educação religiosa em particular, importa não partir da teologia ou do dogma, mas da vida dos educandos. A partir de finais dos anos 50, vai dar aulas e estudar para o Canadá e visita os Estados Unidos. Abre-se a uma perspetiva universalista que vai crescer à medida que as suas obras (inicialmente centradas na educação religiosa dos adolescentes) vão sendo conhecidas e traduzidas. Viaja por um grade número de países, entre os quais Portugal.
No seguimento da interpelação de um pastor suiço, que o alertou para o facto de, naqueles anos 60, as pessoas "falarem audiovisual", começa a desenvolver propostas nesse terreno. Propõe o método de animação de grupos que designou por "fotolinguagem", no âmbito do qual cada grupo recebe vinte fotos e é convidado, através do diálogo, a identificar um valor associado a cada uma delas.
A verdadeira "revolução coperniciana", no entanto, vai ser, para ele, o encontro com as ideias de propostas de McLuhan, que lhe dá a noção de que o audiovisual não é apenas uma outra linguagem, mas um outro modo de ser e de comunicar, uma nova cultura, no qual, a par da razão, se resgata a emoção, a afetividade, a subjetividade. Estas novas perspetivas desenvolvem-se a partir de um centro de formação internacional que criou em Lyon, o CREC-AVECX. O seu laboratório vai progressivamente apostar na noção de "group media" (em contraposição a mass media), ferramentas simples, facilmente acessíveis,construídas e multiplicadas (montagens, recortes, sons, diapositivos, pequenos filmes...), resultado de percursos pedagógicos que partem das experiências das pessoas, traduzidas/ilustradas em imagens e em sons, através da (e tendo como resultado) a palavra). Os seus livros, propondo ideias novas salientam-se sempre por serem fruto de experiências. Por alguma razão boa parte deles, a partir dos anos 70, são coletivos. Para ele é preciso sentir, para compreender. O sentido advém da sensação e da emoção, em situação de imersão. "A compreensão é fruto da distância que se estabelece depois da imersão", sublinha ele no livro "Novos modos de compreender", que assina com a psicóloga Marie-France Kouloumdjian.
Uma nota: a influência de Babin em Portugal poderia ser objeto de uma pesquisa. Bastará dizer que é desta escola que 'nascem' profissionais como o Cónego António Rego, o docente de cinema da UCatólica Carlos Capucho ou o jornalista da TSF Manuel Vilas Boas, que, após a sua estadia no CREC, em Lyon, ousaram lançar, em 1979, no serviço público o programa televisivo 70x7.

quarta-feira, maio 02, 2012

Literacia mediática: exercício

Analisa atentamente este cartoon.


Possíveis vias para a análise:
- Autor: quem é, que faz, onde publica
- Contexto: país, situação presente
- Estilo gráfico
- Protagonistas: idades, relação entre eles
- Elementos simbólicos
- Conceitos e mensagem(s).

(Via: Luís António Santos)


segunda-feira, abril 23, 2012

quinta-feira, abril 19, 2012

Tese de doutoramento sobre Educação para os Media


“Concepções de literacia digital nas políticas públicas – estudo a partir do Plano Tecnológico da Educação” é o título da tese que Luís Miguel Pereira apresenta amanhã, dia 20, a partir das 14h30, na Universidade do Minho.
A arguência caberá aos Profs. António Dias Figueiredo, da Universidade de Coimbra, e Alfonso Gutiérrez Martin, da Universidade de Valladolid. Orientaram a investigação o autor deste post e a Prof. Sara Pereira.
Luís Pereira, que é investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da UMinho, um dos autores deste blog e que foi bolseiro de doutoramento da FCT, estudou, no seu mestrado, a relação dos adolescentes com os jogos video, investiga, nesta nova etapa, de que modo a literacia digital aparece enunciada e representada no plano tecnológico da educação implementado pelo Governo anterior. A sua tese é, por outro lado, a primeira que adopta a Educação para os Media como campo de referência e de especialidade, na Universidade do Minho.
Eis um excerto do resumo do seu trabalho:

«Com o Plano Tecnológico da Educação, aprovado em 2007, o XVII Governo pretendia, em três anos, “colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados ao nível da modernização tecnológica do ensino”. No âmbito desta política pública, surgiu o Programa e.escola ao qual se juntou, mais tarde, a Iniciativa e.escolinha, tendo sido distribuídos com estas medidas cerca de 2 milhões de computadores portáteis, muitos deles com acesso a internet de banda larga.
Esta investigação propõe-se estudar o relevo da literacia digital, e o quadro conceptual que a sustenta, em políticas de implementação da tecnologia, procurando evidenciar uma tendência para reduzir a literacia para os ambientes digitais à sua componente técnica.(...)».

Continuar a ler: AQUI.

terça-feira, abril 17, 2012

Educação para os Media contra a "institucionalização da ignorância", defende Pacheco Pereira



O historiador José Pacheco Pereira defendeu ontem, em Coimbra, que a escola não deve apenas ensinar as crianças a ler, escrever e contar, mas também educá-las para os media, desde a pré-primária. Ao participar hoje, na Universidade de Coimbra, num seminário de doutoramento com a comunicação “Educação para os Media”, o orador realçou que, quando as crianças ingressam no ensino pré-primário, “já têm milhares de horas de televisão”, e que é preciso dar atenção a este fenómeno ainda relativamente recente. “A socialização das crianças é hoje feita muito fora da escola e fora da família”, frisou Pacheco Pereira, acrescentando que a televisão e os jogos de vídeo vêm assumindo muito dessa importante função. No entendimento de Pacheco Pereira, “a sua [das crianças] percepção do tempo e do espaço é moldada pelos media modernos”. Salientou que, na escola, também a criança “é cada vez mais atirada para a internet”, para recolher informação, sem ser ensinada sobre a forma como o deve fazer. Na perspectiva do orador, deve ser ensinado às crianças o modo de ver televisão, alertando que esta não é a realidade, mas “uma construção narrativa”, e de que, na internet, “há lixo e não lixo”, e que é preciso saber navegar com proveito. A não ser assim, cria-se “uma camada de gente analfabeta dos media, mesmo quando os utiliza extensivamente”, acentuou Pacheco Pereira.

O orador acrescentou que, sem essa educação para os media, haverá “uma maior institucionalização da ignorância, uma enorme dificuldade entre o saber e o palpite, uma perda muito significativa do papel da individualidade e da privacidade”. Haverá também – prosseguiu – “uma tendência para um relativismo cultural, em que tudo é igual, tem o mesmo valor”, seja uma canção da moda ou uma música clássica, um vídeo no “youtube” ou um filme de referência. “Tudo isto é o resultado de uma crise das mediações, que é um dos aspectos mais perniciosos do mundo contemporâneo. Ela manifesta-se com a crise da família, enquanto entidade mediadora da transmissão de conhecimentos e de socialização, da crise da escola, na crise das actividades profissionais que também deveriam ter esse papel de mediação, como o próprio jornalismo”, acentuou. Na sua comunicação, Pacheco Pereira expressou também uma visão crítica sobre os media, que diz serem, para “as grandes massas, mais factor de controlo e empobrecimento do que enriquecimento”, e de não se assumirem como inclusivos, mas “perpetuarem factores de exclusão previamente existentes”. (Lusa)

segunda-feira, abril 16, 2012

Usar latas para descobrir a fotografia

Latas transformadas em máquinas fotográficas pinhole
Foi lançada em Lisboa a campanha "Latas na cidade", que tem por objetivo "divulgar a fotografia pinhole, um método muito diferente de fazer fotografias e aguçar a curiosidade das pessoas". A ideia foi desenvolvida por Magda Fernandes e José Domingos, responsáveis pelo ateliê Imagerie - Casa de Imagens, envolvendo a distribuição de 18 latas gigantes pela cidade, com um autocolante onde se pode ler: "Eu não sou uma lata, sou uma câmara fotográfica! Usa-me!"
"Queremos fazer com que as pessoas percebam que a fotografia pode ser uma coisa mais simples e ao mesmo tempo mais mágica, porque não é tecnológica. Uma câmara fotográfica pode ser uma coisa tão básica como uma lata e tem um tempo próprio, porque não tiramos uma fotografia e ela fica logo disponível, é preciso pensar mais e demorar mais tempo a fazer a fotografia e nós queríamos partilhar isso com as pessoas", referiu Magda em declarações à Lusa.
Segundo Magda Fernandes "as pessoas podem pegar na lata, levá-la com elas e fotografar onde quiserem. Depois de tirar a fotografia, podem deixá-la no mesmo sítio", uma vez que os responsáveis pelo projeto vão buscá-la.
O objetivo é terminar o projeto a 29 de abril, Dia Mundial da Fotografia Pinhole e se correr como esperado, com "quantidade e qualidade de fotografias suficiente", pode resultar numa exposição.
Na página do Facebook do projeto e na página da Internet do atelier, é possível ter acesso a um mapa de localização das latas, que vai sendo atualizado por Magda e José Domingos.
As máquinas fotográficas não querem que os autores das fotografias fiquem na incógnita e contêm autocolantes nos quais pode ficar registado o nome do "fotógrafo", contacto e título da peça.