terça-feira, outubro 18, 2011
segunda-feira, outubro 17, 2011
As crianças e as notícias da crise
Sei de pessoas que já não conseguem ouvir nem ver notícias. Preferem, na televisão, os documentários que surgem no fim dos telejornais. Não aguentam a dose de más notícias, de desgraças, de problemas, de escândalos.
Felizes, porém, os que são capazes de se auto-determinar face ao mundo em que vivem, sem terem de fugir da realidade e meter a cabeça na areia.
Para o bem ou para o mal, precisamos das notícias para guiar os nossos passos e perscrutar o ambiente. Até porque cada vez mais elas mexem com as vidas e os quotidianos, com os incertos amanhãs. Em muitos casos de forma brutal, quando significam perda de emprego, abandono e exclusão, como quem é atirado para o lixo (“homens que são como lugares mal situados”, no poema de Daniel Faria).
Eu vejo a família à volta da mesa, àquela hora em que o país e o mundo desaguam na cozinha ou na sala de jantar. Em que a mãe e o pai carregam o peso de mais um dia de trabalho ou da procura dele. Em que os de emprego ou estatuto mais ou menos seguros esgrimem no ecrã as suas razões. Em que os miúdos, de olhares inquiridores, seguem os movimentos e palavras dos crescidos, pressentindo que algo de grave se passa ou se vai passar.
Neste quadro doméstico, diariamente alimentado pela mesma dose televisiva de uma cegarrega repetitiva e distante, mas cujos impactos todos mais ou menos conhecem, faz todo o sentido que nos confrontemos com algumas perguntas que adquirem hoje especial acuidade. Ensina-nos a sociologia da infância, uma novel especialidade da disciplina sociológica, que, nas crises socioeconómicas, os mais afectados são, precisamente, as crianças. Há, pois, que lhes prestar atenção.
Como será a crise vista do lado dos miúdos, mesmo quando não são directa ou imediatamente atingidos por ela? Como compreenderão eles o que se noticia, para além do imediatismo eventual daquilo que os pode afectar? Quem os escuta nas suas inquietações, perplexidades e sonhos? Quem lhes fala de modo que, ao menos, entendam um pouco o que está em jogo e os cenários que se desenham (ou da falta deles)?
Que ao menos em casa e na escola haja espaço para exprimirem perguntas e perplexidades e que haja quem as acolha e escute. Mesmo que as respostas sejam poucas.
(Texto publicado na edição de hoje do Página 1/RR)
Felizes, porém, os que são capazes de se auto-determinar face ao mundo em que vivem, sem terem de fugir da realidade e meter a cabeça na areia.
Para o bem ou para o mal, precisamos das notícias para guiar os nossos passos e perscrutar o ambiente. Até porque cada vez mais elas mexem com as vidas e os quotidianos, com os incertos amanhãs. Em muitos casos de forma brutal, quando significam perda de emprego, abandono e exclusão, como quem é atirado para o lixo (“homens que são como lugares mal situados”, no poema de Daniel Faria).
Eu vejo a família à volta da mesa, àquela hora em que o país e o mundo desaguam na cozinha ou na sala de jantar. Em que a mãe e o pai carregam o peso de mais um dia de trabalho ou da procura dele. Em que os de emprego ou estatuto mais ou menos seguros esgrimem no ecrã as suas razões. Em que os miúdos, de olhares inquiridores, seguem os movimentos e palavras dos crescidos, pressentindo que algo de grave se passa ou se vai passar.
Neste quadro doméstico, diariamente alimentado pela mesma dose televisiva de uma cegarrega repetitiva e distante, mas cujos impactos todos mais ou menos conhecem, faz todo o sentido que nos confrontemos com algumas perguntas que adquirem hoje especial acuidade. Ensina-nos a sociologia da infância, uma novel especialidade da disciplina sociológica, que, nas crises socioeconómicas, os mais afectados são, precisamente, as crianças. Há, pois, que lhes prestar atenção.
Como será a crise vista do lado dos miúdos, mesmo quando não são directa ou imediatamente atingidos por ela? Como compreenderão eles o que se noticia, para além do imediatismo eventual daquilo que os pode afectar? Quem os escuta nas suas inquietações, perplexidades e sonhos? Quem lhes fala de modo que, ao menos, entendam um pouco o que está em jogo e os cenários que se desenham (ou da falta deles)?
Que ao menos em casa e na escola haja espaço para exprimirem perguntas e perplexidades e que haja quem as acolha e escute. Mesmo que as respostas sejam poucas.
(Texto publicado na edição de hoje do Página 1/RR)
quinta-feira, outubro 13, 2011
O debate

A imagem foi retirada de um texto que não é propriamente actual. Num registo humorístico, apela provavelmente para um dos propósitos e fundamentos da literacia mediática: a participação dos cidadãos numa sociedade activa e disponível para o debate. Neste sentido, e circunscrevendo parte das reflexões aos fóruns online, o que fazemos para dizer aos outros que podem estar errados? Que papel têm os media na promoção deste debate crítico e racional de que falava Habermas?
Até que ponto a questão do autor do post, Alan Jacobs, faz sentido: «por que é que o discurso da Internet se tornou numa batalha de todos os homens contra todos os homens?»
sexta-feira, outubro 07, 2011
Nova publicação - Mapping Digital Media: The Media and Liability for Content on the Internet
A Open Society Foundations anuncia uma nova publicação dedicada à compreensão dos efeitos da tecnologia nos media e no jornalismo. Mapping Digital Media: The Media and Liability for Content on the Internet traz-nos uma série de relatórios sobre o impacto da digitalização na democracia de 60 países por todo o mundo.
Este documento pretende demonstrar a eventual fiabilidade dos conteúdos na Internet, com um foco particular sobre as iniciativas governamentais de várias nações nestes espaços online. Com efeito, já é possível verificar um número significativo de países que têm vindo a adoptar certas disposições legais para regular determinados conteúdos e práticas na rede. Tal como referem os diversos relatórios presentes em toda a obra, alguns governos já fazem da Internet o meio primordial de contacto com as suas populações.
Para Cynthia Wong e James Dempsey, organizadores deste livro, a característica mais importante da Internet no contexto comunicativo actual consiste na tentativa de superação das barreiras existentes entre os diversos povos. Com esta obra, os autores procuram chamar a atenção para os desafios complexos das diversas políticas tomadas nesta área, analisando exemplos específicos da regulação online em países de latitudes tão diversas como a Lituânia, Marrocos, México, Tailândia, Roménia, entre outros.
terça-feira, outubro 04, 2011
Encontro de Rádios e TVs Escolares na Net
Termina no próximo dia 14 o prazo para inscrever a apresentação de
projectos no I Encontro Nacional de Rádios e Televisões Escolares na
Net, que vai decorrer no dia 12 de Novembro. A iniciativa, que decorrerá entre as 09h30 e as 17h15,
em Lisboa é promovida pela Direcção-Geral de Inovação e de
Desenvolvimento Curricular (DGIDC), através da Equipa de Recursos e
Tecnologias Educativas (ERTE). Pretende-se, com esta iniciativa, "
promover a criação e dinamização de rádios e televisões escolares, com
ou sem presença na Net, bem como divulgar as experiências que têm vindo a
ser postas em prática um pouco por todo o país".
Estão previstos três formatos de apresentação:- - Apresentação de posters (em formato A3, contendo os objectivos do projecto, uma descrição do que foi realizado até agora, bem como outros pormenores que os responsáveis do projecto considerem pertinentes). Durante o Encontro, os participantes vão ter oportunidade de dialogar com os responsáveis de cada projecto.
- - Apresentação de Pecha Kucha (metodologia de apresentação de informação com um número total de 20 diapositivos, temporizados em 20 segundos cada, num total de 6 minutos e quarenta segundos). As Pecha Kucha, num total de 6, são feitas por dinamizadores de projectos e são seleccionadas pela DGIDC de entre os promotores de posters que manifestem interesse em fazer este tipo de apresentação.
- - Dinamização de oficinas: vão ser realizadas 4 oficinas simultâneas, versando temáticas relacionadas com a criação e manutenção de rádios e televisões escolares com presença na Net. Deve haver um equilíbrio entre oficinas que abordem os aspectos pedagógicos e os aspectos técnicos e práticos das rádios e televisões escolares.
segunda-feira, outubro 03, 2011
"O DN Jovem entre o Papel e a Net" - o seu a seu dono
Com data de 25 de Setembro passado foi publicada neste blog uma informação incorrecta que sugere a autoria de um trabalho que é abusiva e que induziu em erro diversos leitores.
Ele transcrevia uma mensagem da autora do trabalho publicado que nos havia sido enviado em meados de Setembro sobre o lançamento do livro "O DN Jovem entre o Papel e a Net - História e Memórias de uma Transição". Ao contrário do que o post sugere, o livro é da autoria da jornalista Helena Freitas e foi lançado no passado dia 28. Quem consultasse o endereço do Facebook que o post pubicava faclmente se daria conta da autoria, mas é verdade que o post induzia em erro.
Que se passou? Quando recebi o press release agendei-o para dia 25, para, entretanto, ser editado e publicado mais próximo do dia de lançamento. Uma vida académica superocupada na última semana fez com que não mais tivesse visitado o blog e aquilo que era um rascunho para uma notícia acabou por ser automaticamente publicado sem edição. Pelo facto quero pedir desculpas à autora do livro, à editora e aos leitores deste blog.
Aproveito a oportunidade para voltar a publicar o post, mas agora com o enquadramento necessário:
"Aos colegas com os quais me tenho cruzado no exercício do jornalismo, fica o convite para o lançamento de "O DN Jovem entre o Papel e a Net - História e Memórias de uma Transição". Arrisco apresentá-lo como uma "biografia" do suplemento juvenil do Diário de Notícias onde ensaiaram os primeiros passos tantos nomes hoje consagrados em diversas áreas: do jornalismo à literatura, do cartoon à fotografia, da pintura à banda desenhada. Sei que alguns de vós estão entre os colaboradores do DNJ, que se extinguiu em 2007, ao fim de quase 25 anos de existência. Os demais, certamente conhecem alguém que passou por aquelas páginas, pelo que conto convosco para o passa palavra. O livro tem uma recém-criada página no Facebook (http://www.facebook.com/#!/pages/O-DN-Jovem-entre-o-Papel-e-a-Net/269370796414650) (...). Partindo da transição do DN Jovem do papel para a Internet, ocorrida em 1996, este livro é a primeira “biografia” daquele que foi, seguramente, o mais memorável suplemento de colaboração juvenil na imprensa do Portugal democrático. Descrição Todas as semanas, durante mais de uma dezena de anos, jovens criadores portugueses aguardavam as terças-feiras com ansiedade, contando as horas para verificar se os trabalhos enviados para o DN Jovem haviam sido seleccionados. Mas em Maio de 1996 o suplemento juvenil migrou para a Internet – meio então inacessível à maioria dos portugueses. Levantaram-se vozes de protesto, circulou um manifesto e...Ver mais ISBN 978-989-680-034-5
Editor Esfera do Caos e Helena Freitas
Ele transcrevia uma mensagem da autora do trabalho publicado que nos havia sido enviado em meados de Setembro sobre o lançamento do livro "O DN Jovem entre o Papel e a Net - História e Memórias de uma Transição". Ao contrário do que o post sugere, o livro é da autoria da jornalista Helena Freitas e foi lançado no passado dia 28. Quem consultasse o endereço do Facebook que o post pubicava faclmente se daria conta da autoria, mas é verdade que o post induzia em erro.
Que se passou? Quando recebi o press release agendei-o para dia 25, para, entretanto, ser editado e publicado mais próximo do dia de lançamento. Uma vida académica superocupada na última semana fez com que não mais tivesse visitado o blog e aquilo que era um rascunho para uma notícia acabou por ser automaticamente publicado sem edição. Pelo facto quero pedir desculpas à autora do livro, à editora e aos leitores deste blog.
Aproveito a oportunidade para voltar a publicar o post, mas agora com o enquadramento necessário:
"Aos colegas com os quais me tenho cruzado no exercício do jornalismo, fica o convite para o lançamento de "O DN Jovem entre o Papel e a Net - História e Memórias de uma Transição". Arrisco apresentá-lo como uma "biografia" do suplemento juvenil do Diário de Notícias onde ensaiaram os primeiros passos tantos nomes hoje consagrados em diversas áreas: do jornalismo à literatura, do cartoon à fotografia, da pintura à banda desenhada. Sei que alguns de vós estão entre os colaboradores do DNJ, que se extinguiu em 2007, ao fim de quase 25 anos de existência. Os demais, certamente conhecem alguém que passou por aquelas páginas, pelo que conto convosco para o passa palavra. O livro tem uma recém-criada página no Facebook (http://www.facebook.com/#!/pages/O-DN-Jovem-entre-o-Papel-e-a-Net/269370796414650) (...). Partindo da transição do DN Jovem do papel para a Internet, ocorrida em 1996, este livro é a primeira “biografia” daquele que foi, seguramente, o mais memorável suplemento de colaboração juvenil na imprensa do Portugal democrático. Descrição Todas as semanas, durante mais de uma dezena de anos, jovens criadores portugueses aguardavam as terças-feiras com ansiedade, contando as horas para verificar se os trabalhos enviados para o DN Jovem haviam sido seleccionados. Mas em Maio de 1996 o suplemento juvenil migrou para a Internet – meio então inacessível à maioria dos portugueses. Levantaram-se vozes de protesto, circulou um manifesto e...Ver mais ISBN 978-989-680-034-5
Editor Esfera do Caos e Helena Freitas
sexta-feira, setembro 30, 2011
UMinho acolherá Observatório Nacional da Educação para os Media
O Grupo Informal de parceiros que organizou em Braga, em Março passado, o Congresso Nacional sobre Literacia, Meia e Cidadania decidiu instituir um Observatório Nacional de Educação para os Media e atribuiu ao Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho a incumbência de activar.
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Etiquetas:
CECS,
LMC,
observatório nacional educação para os media
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