terça-feira, agosto 16, 2011

Media Lab ganha o "World Young Reader Prize"


O projecto Media Lab, iniciativa dos diários portugueses Jornal de Notícias e Diário de Notícias, que visa envolver jovens e crianças no mundo das notícias, venceu o prémio "World Young Reader Prize 2011" na categoria "Making the News" da "World Association of Newspapers".
O prémio, dado pela Associação Internacional de Jornais, reconhece o melhor projecto ou actividade na área do desenvolvimento da leitura de jornais entre os mais jovens.
Segundo o júri, o Media Lab "é um excelente modelo a seguir por outros jornais e que desenvolve a consciência da importância das notícias. A simplicidade e a escala deste projecto para desenvolver a literacia para os média são assinaláveis e o objectivo de chegar ao número de 50 mil estudantes a participar no projecto está muito perto de ser conseguido." 
(...)
Fonte: JN. Para continuar a ler: AQUI.

terça-feira, agosto 09, 2011

Informação e comunicação - qual a mais importante?


A propósito do meu post anterior "O nome e a coisa", podemos ir um pouco mais longe na reflexão, deixando (apenas aparentemente) de lado as questões de nomenclaturas e indo mais à substância do assunto. Recorro à ajuda de um livrinho de Dominique Wolton, de 2009, intitulado « Informer n’est pas communiquer » (Paris : CNRS Éditions).
A pp. 23-24, este sociólogo francês propõe o sumário daquilo que chama uma “aparentemente modesta” teoria da comunicação que resume nas cinco etapas seguintes:
Primeiro. A comunicação é inerente á condição humana. Não há vida pessoal e colectiva sem vontade de falar, comunicar e intercambiar, tanto à escala individual como colectiva. Viver é comunicar.
Segundo. Os seres humanos desejam comunicar por três razões: partilhar, convencer e seduzir. E frequentemente pelas três razões ao mesmo tempo, mesmo que isso não seja reivindicado.
Terceiro. A comunicação leva à incomunicação. O receptor nem sempre está em sintonia ou não está de acordo.
Quarto. Abre-se uma fase de negociação em que os protagonistas, mais ou menos livre e igualitariamente, negociam para encontrar um ponto de acordo.
Quinto. O resultado, se positivo, chama-se coabitação, com as suas forças e as suas debilidades. A negociação e a coabitação constituem um procedimento para evitar a incomunicação e respectivas consequências, frequentemente belicosas".
Wolton considera que, pelo menos nos dois séculos passados, informação e comunicação eram como que sinónimo e constituíam-se como parceiras da batalha pela liberdade de expressão, da liberdade política e dos direitos humanos. A performatividade técnica permitiu a proliferação de mensagens e a sobreposição da informação à comunicação. Mais: foi fazendo caminho a ideia de que existe uma relação de continuidade entre informação e comunicação e que a informação leva (como que automaticamente) à comunicação, quando os riscos da incomunicação são, paradoxalmente, cada vez mais fortes. O que leva o nosso autor a defender a ideia de que os riscos dos mal-entendidos e dos contenciosos, tanto no plano das relações inter-individuais e grupais, como interculturais e globais fazem da aposta na comunicação como uma das questões “da paz ou da guerra”, no século XXI. O que se conseguirá pela aprendizagem dos procedimentos que podem apontar e favorecer a comunicação: negociar e coabitar, conceitos-chave da sua teoria.
Wolton explicita melhor a sua ideia neste passo:
“ Esta incomunicação estrutural necessita evidentemente da igualdade de protagonistas, sob pena de não haver negociação, o que faz da comunicação dos nossos dias uma realidade indissociável da cultura democrática e um processo bastante mais amplo do que a simples expressão. Não existe, portanto, comunicação sem um mínimo de tempo, de respeito e de confiança mútua, fazendo da tolerância uma das condições estruturais de qualquer processo de comunicação”.
Poderia parecer, deste posicionamento, que a informação seria, afinal, instrumental à comunicação. Não é por aí que vai Wolton. Ele entende que não é correcto hierarquizar mensagem e relação, informação e comunicação. Importa, isso sim, pensá-las conjuntamente e relacionalmente.  O desfio está aqui:  a vitória da informação, na modernidade, obriga-nos a repensar o estatuto da comunicação.

domingo, julho 31, 2011

"Aqui há gato!..." ou o exercício da crítica

A secção de "Cartas à Drectora", do jornal Público, traz hoje uma mensagem assinada pela leitora Lucinda Mata, de Carcavelos, que é bem ilustrativa de várias coisas que nem sempre estes contributos dos leitores possuem: clareza, argumentação, elevação, exercício da crítica esclarecida. Vale a pena, pois, deixá-la, como exemplo (não sendo relevante aqui, em primeiro lugar, a matéria que trata ou a posição da leitora sobre essa matéria):

"O senhor ministro Vítor Gaspar
tem um discurso que me agrada
particularmente. É claro, directo,
conciso e apela ao raciocínio para
conseguir a adesão, de quem o
ouve, às propostas que apresenta.
Acontece que o exercício do
raciocínio não pode limitar-se a
seguir o do senhor ministro... Pode
e deve ser aplicado a áreas para
as quais o senhor ministro o não
solicitou. Foi isso que fiz e cheguei
a uma conclusão que me parece
surpreendente.
De facto, o senhor ministro
Vítor Gaspar, na resposta a uma
interpelação que lhe foi feita na
Assembleia da República, disse
que a não aplicação do imposto
extraordinário a uma parte dos
cidadãos portugueses resultou da
sua preocupação de que uma tal
medida pudesse ser vista como
um desincentivo ao investimento,
o que prejudicaria a economia do
país. Ora, a aplicação da referida
medida ao conjunto dos cidadãos
pagantes de IRS vai conduzir a uma
diminuição do poder de compra e
diminuição do consumo, seguida
de dificuldades para as empresas
e aumento do desemprego,
lesando gravemente a economia
portuguesa. Dizem os economistas,
e eu acho que têm razão. Ou
seja, em relação a esta matéria, o
discurso do senhor ministro revela
que o imposto extraordinário
é aplicado, simultaneamente,
de modo que, por um lado, visa
proteger a economia e, por outro,
conduz ao seu afundamento.
O discurso do senhor ministro,
nesta questão, não é aceitável
por ser contraditório, e mostra
que o motivo da não aplicação
deste imposto a um determinado
subconjunto de cidadãos
portugueses não pode ser o que
explicitou. Este raciocínio permite-me
sugerir que o fundamento
para a definição do universo a que
o senhor ministro Vítor Gaspar
decidiu aplicar, ou não aplicar,
o imposto extraordinário (?) não
tem fundamento num raciocínio
lógico e resulta, provavelmente, de
uma sua posição ideológica. Isto é,
temos aqui, como diz o povo, “gato
escondido com o rabo de fora”!
E isto não fica mesmo nada
bem ao senhor ministro. Se nos
lembrarmos que se trata da mesma
pessoa que usou, como arma de
arremesso à oposição, ainda que à
falta de argumentos substanciais, a
respectiva opção ideológica, pode
mesmo tornar-se chocante. (...)".

sexta-feira, julho 29, 2011

quinta-feira, julho 28, 2011

O nome e a coisa

Já esclareci que não sou esquisito quanto ao nome que deve ser dado à coisa que designamos por Educação para os Media. Se o nome for o papel de embrulho, eu quero é saber do recheio, mesmo que nem tudo me sirva para embrulhar.
Mas desde, pelo menos, 1988, que defendo que não fará muito sentido apostar e gastar energia na Educação para os Media se esta não for colocada num registo e num horizonte de Educação para a Comunicação. (Daí o nome deste blog).
Neste âmbito, é interessante acompanhar e analisar certas evoluções. Por exemplo, a Film Education, dos anos 40, 50 e 60 do século findo, deu origem à mais abrangente Media Education. A UNESCO, desde os anos 70 e, sobretudo, 80, agarrou, debateu e apostou nesta designação, que entrou também nas iniciativas e publicações do Conselho da Europa e, de algum modo, na União Europeia, quando a União começou a virar-se para terrenos que não apenas económico-mercantis.
Mas apetece perguntar: como e porquê passou a Media Education a Media Literacy e esta a Digital Literacy, na União Europeia? Do mesmo modo, como e porquê abandonou a UNESCO a designação de Media Education e passou a propor, em seu lugar, Media and Information Literacy (MIL)?
Responder a estas perguntas exigiria - e exige - estudo e detença. E o assunto merece. No quadro desta mera nota, só chamaria a atenção para um ponto que formulo sob a forma de (outra) pergunta: porque será que, neste processo, que leva já boas décadas de trajectória, a preocupação com a comunicação parece ter ficado pelo caminho, tanto na Europa como nos Estados Unidos?
Certamente que, aqui, seria necessário esclarecer o que entendemos por comunicação. Curiosamente, ela aparece, ainda que de roupas discretas, na conhecidíssima sigla TIC que, enfatizando a Tecnologia, introduz o determinativo "da Informação e da Comunicação". Mas quando referimos a sociedade dos nossos dias, dizemos muito mais frequentemente que ela é "da Informação" do que "da Comunicação". É ou não verdade? E porque será?
Vem a talhe de foice regressar à terminologia que, mansa mas poderosamente, avança nos circuitos da UNESCO: aos media juntou-se a informação, mas não a comunicação. Porquê Literacia dos Media e da Informação e não, por exemplo, Literacia da Informação e da Comunicação?
Ó gentes que se (pre)ocupam com estas coisas: que opinam?

sábado, julho 23, 2011

Direito e dever de reagir

Respigo, do mais recente boletim informativo da ERC, a notícia de queixas de dois cidadãos, bem como a deliberação do Conselho Regulador daquela Entidade, a propósito de uma matéria que é frequentemente objecto de comentários de repúdio de muita gente:
No dia 4 de Fevereiro de 2011, os serviços da ERC receberam duas participações, subscritas por Daniel Silva e Jorge Marques, relativas aos comentários dos leitores às notícias sobre as circunstâncias da morte de Carlos Castro, nas edições electrónicas do Diário de Notícias, Jornal de Notícias, I e Público. Os participantes acusam estes periódicos de permitirem a publicação de comentários ofensivos, difamatórios e homofóbicos e solicitam a intervenção da ERC, no sentido de clarificar regras de conduta a aplicar aos comentários dos utilizadores de edições electrónicas dos meios de comunicação social.
Após analisar estas participações o Conselho Regulador deliberou considerar que as edições electrónicas dos referidos jornais publicaram comentários difamatórios, com linguagem insultuosa e ofensiva, com incitação à violência e ao ódio e à discriminação baseada na orientação sexual.
No seguimento desse entendimento, o órgão regulador deliberou condenar estes jornais por terem ultrapassado limites que devem ser respeitados pelos órgãos de comunicação social em todos os conteúdos que transmitem, sejam ou não da sua autoria imediata, limites esses previstos, nomeadamente, no artigo 3.º da Lei de Imprensa. O Conselho Regulador registou positivamente o facto de o jornal Público ter alterado, de livre iniciativa, as suas regras de publicação de comentários, optando por passar a validar todos os conteúdos gerados por utilizadores antes de os divulgar no seu sítio electrónico. O regulador deliberou ainda instar o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias, o I e o Público a, de futuro, não validarem os comentários online que tenham as características supra referidas.

Texto da deliberação da ERC sobre este caso: clicar AQUI.

quinta-feira, julho 21, 2011

A Pobreza Não é um Jogo (PING)

PING (Poverty is Not a Game) é "um jogo online produzido para as escolas secundárias, tendo como objectivo funcionar como um ponto de partida para discutir o tema da 'Pobreza' e o que significa ser pobre. PING é dirigido aos alunos do 3º ciclo do ensino básico e ensino secundário. Os alunos tornam-se os protagonistas do jogo. Podem escolher entre o Jim e a Sofia que, devido a certas circunstâncias da vida, acabaram na rua e precisam de encontrar o seu próprio caminho". (Fonte: Site do PING)

O PING foi desenvolvido com o apoio das várias instituições, entre as quais uma portuguesa. São elas a King Baudouin Foundation (Bélgica), IBBT (Bélgica), The Network of European Foundations, The Robert Bosch Stiftung (Alemanha), a Fundação Calouste Gulbenkian (Portugal/UK) e a Fondation Bernheim (Bélgica).

A Fundação Calouste Gulbenkian e a Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, do Ministério da Educação, estabeleceram um protocolo com vista à disseminação deste jogo digital nas escolas portuguesas. Já foi realizado um seminário, em Lisboa, e encontra-se disponível um manual em língua portuguesa "cuja versão impressa será distribuída por todas as Escolas e Agrupamentos de Escolas com 3º ciclo e Ensino Secundário" - pode-se ler no site da ERTE/PTE.

O jogo pode ser descarregado gratuitamente a partir deste site do jogo.