terça-feira, fevereiro 08, 2011

10 (possíveis) estratégias para tirar partido das redes sociais

As redes sociais constituem, desde meados da primeira década de novo século, uma nova plataforma de interacção no universo online. Até aqui nada de novo, parece-me. Reconhecendo que a gestão destas ferramentas poderá ser incluída num dos pressupostos enunciados pela disciplina que nos reúne aqui - a utilização (crítica) de novos media - ultimamente têm sido diversas as instituições que lançam estudos sobre como gerir convenientemente uma rede social, entre Twitter, Facebook, Flickr, Myspace, só para enumerar alguns exemplos.

O Centro de Estudos Financeiros (CEF) espanhol não fugiu a esta tendência (assumo que, na pior das hipóteses, poderá ser uma imprecisão ou distracção da minha parte) e lançou hoje um decálogo com algumas recomendações para a comunidade em geral e, em particular, para «empresários, executivos, freenlancers e profissionais de outros sectores» tendo em vista uma gestão «frutífera e de sucesso» das diversas redes sociais. Na elaboração do documento participou o professor de networking do CEF, António Porras.

Em termos gerais, o documento apela às seguintes práticas neste contexto (via portal PuroMarketing):

«1. Definir que redes utilizar: Coexisten en la actualidad muchos tipos de redes: Las generalistas y más populares con un enfoque más social - Facebook (esta red podemos utilizarla tanto para ocio como profesional), Twitter o Tuenti (especialmente en España y entre un público joven), y las profesionales LinkedIn, Xing o Viadeo. Lo más conveniente es estar presente en varias de ellas según nuestro target y nuestra ubicación o mercado. Conectando así con nuestros clientes, con los potenciales, proveedores y colaboradores de manera segmentada.

2. Pertenecer a redes verticales: Estas redes son aquellas destinadas a temáticas concretas de nuestro sector, ubicación o interés. Por ejemplo, MySpace focalizada en la industria de la música principalmente, Livemocha sobre estudiantes de idiomas o redes exclusivas privadas como AsmallWorld, Busca la tuya o crea una propia. Existen herramientas muy potentes y a bajo coste. Una buena estrategia debe combinar ambos tipos de red: generalistas y verticales. Estas últimas son la tendencia más importante después de la explosión del networking virtual (on-line).

3. Emplear palabras clave: Conviene crear una lista de palabras clave que estén relacionadas con tu persona, tus intereses o con tu negocio. Llamadas keywords, muy descriptivas que definan perfectamente y de manera sintética tu actividad e intereses. De esta manera, cuando alguien introduzca en un buscador ese campo aparezcas bien posicionado. Te sugiero y animo a hacer una lista por escrito, esto catalizará tu negocio, objetivos o propósitos.

4. Dedicale tiempo: Generar una red de contactos valiosa significa tiempo, especialmente al inicio. Debes fijarte un método y unos tiempos determinados para gestionar tus contactos, establecer unas pautas y cumplirlas. Destinar unas horas a diario o a la semana para actualizar los contenidos y la información de tu perfil, mejorando, así, tu imagen digital. Aprovecha las herramientas ya que hoy en día en la red todo está conectado, desde redes sociales hasta páginas web o blogs, lo que permite vincular entre sí distintos perfiles y nuestra información on-line. Esto nos ayuda a optimizar nuestro tiempo de gestión.

5. Mantener vivo el contacto: Aunque parezca una obviedad, la comunicación bidireccional es muy importante. Un simple “gracias” tras la recepción de un mensaje genera simpatía y ofrece al receptor un grado de compromiso por nuestra parte. La virtualidad nos permite un seguimiento de nuestros contactos de manera fácil, a nivel local, nacional e internacional, no existen distancias. Hay que generar comunidad, fortaleciendo y potenciando las relaciones.

6. Reconectar: Piensa en antiguos contactos y reconéctalos. Amigos del colegio, universidad, compañeros de trabajo, hobbies o actividades de ocio ( gimnasio, música, ..). Te sorprenderá la cantidad de vínculos que se pueden recuperar generando sinergias y aportandonos beneficios que no imaginamos. Haz una lista y buscalos, te sorprenderás seguramente en más de una ocasión.

7. Conectar con desconocidos: Localiza a los actores activos de tu sector aunque no los conozcas. Contacta con personas que pueden ser un catalizador para tu negocio, idea o proyecto. Existen perfiles claves llamados conectores.

8. Crear tu propio grupo o página de fans: Esto te permitirá compartir, con contactos que son afines a contenidos, información de servicios o productos y promociones. Contribuye con material visual (fotografías y videos) y datos relacionados con tu actividad aumentando tu credibilidad y visibilidad. Aporta contenido actual y de calidad, con información relevante de empresa y sector.

9. Escoger buenas fotografías: Otro detalle aparentemente trivial, pero que genera confianza en el resto de usuarios es colocar una fotografía adecuada en nuestro perfil. Es aconsejable en las redes profesionales colgar una foto actual y si es posible que esté relacionada con nuestra actividad. Las redes generalistas se prestan a más informalidad, pero tenemos que ser conscientes de que siguen siendo nuestra carta de presentación.

10. Utilizar el sentido común: Tener una identidad digital puede ser un buen recurso para promocionarte en la red, pero tienes que ser listo y utilizar el sentido común. Muchas personas han perdido empleos o clientes por ciertos comentarios, detalles de carácter privado o fotografías inadecuadas. Con la privacidad debes ser cauto.»


Vários apontamentos em relação a esta questão: até que ponto as próprias empresas criadoras das redes sociais estão interessadas em promover a alfabetização - mediática, digital, por exemplo - das plataformas tecnológicas que disponibilizam? Por outra parte, que dificuldades encontram os utilizadores, que barreiras? E quem não tem qualquer perfil ou conta activada nas mais diversas redes sociais existentes, o que quererá isso significar? Que ilações poderíamos retirar?

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Educação para os media no ordenamento jurídico português

A Lei de Televisão, aprovada na Assembleia da República na última sexta-feira deverá ter procedido à transposição para a ordem interna da directiva comunitária "Serviços de Comunicação Social Audiovisual". Um dos aspectos desse documento legal é precisamente a Educação para os Media, que é a matéria tratada na al. 47º do preâmbulo e que abaixo se transcreve:


Directiva 2007/65/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 11 de Dezembro de 2007, relativa à coordenação de certas disposições legislativas, regulamentares e administrativas dos Estados-Membros relativas ao exercício de actividades de radiodifusão televisiva



O artº 33º da Directiva institui mecanismos de implementação que são taxativos, ao estabelecer que:

Até 19 de Dezembro de 2011 e, daí em diante, de três em três anos, a Comissão deve apresentar ao Parlamento Europeu, ao Conselho e ao Comité Económico e Social Europeu um relató­rio sobre a aplicação da presente directiva e, se necessário, formular propostas destinadas à sua adaptação à evolução no domínio  dos serviços de comunicação social audiovisual, em especial à luz dos progressos tecnológicos recentes, da compe­titividade do sector e dos níveis de educação para os media em todos os Estados-Membros.Esse relatório deve também avaliar a questão da publicidade televisiva que acompanhe ou esteja incluída em programas in­fantis e analisar, nomeadamente, se as regras quantitativas e qualitativas constantes da presente directiva proporcionaram o nível de protecção exigido.
Mais informação sobre a Directiva no site do Gabinete para os Meios de Comunicação Social.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Acaba de nascer: blog sobre Literacia para Mamãs

"Um mundo de dúvidas acompanha os pais desde os primeiros sinais de vida do bebé, ainda no ventre materno, até o momento em que a criança atinge a idade escolar (para alguns essas dúvidas nunca acabam!), na mesma medida em que informações sobre como se proteger e proteger o bebé surgem de todos os lados: através de familiares, amigos e, cada vez mais, dos meios de comunicação".
Foi para 'pegar nestas dúvidas e procuras que uma doutoranda em Ciências da Comunicação da Universidade do Minho decidiu gerar um blog a que batizou como "Ltiteracia para mamãs" e com este subtítulo "Sou mãe de um nativo digital!".
"A ideia de trazer para o debate alguns dos desafios impostos pela presença, cada vez maior, dos meios de comunicação na vida quotidiana e como essa ubiquidade dos media impacta no papel da mãe enquanto primeira educadora, surgiu no final do ano passado, no curso das pesquisas para a minha tese de doutoramento em Ciências da Comunicação" explica a autora, Ana Paula Margarido Azevedo.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

UE cria grupo de peritos sobre literacia
Roberto Carneiro integra comissão presidida por princesa da Holanda

Na Europa, um em cada cinco alunos de 15 anos de idade (em Portugal: um em cada seis), assim como muitos adultos, não têm conhecimentos de base em matéria de leitura e de escrita, o que lhes dificulta a procura de emprego e os põe em risco de exclusão social. Para ajudar a solucionar este problema, a Comissão Europeia criou um grupo de peritos independente, com vista a identificar formas de aumentar os níveis de literacia. O grupo de 11 membros é presidido pela Princesa Laurentien dos Países Baixos, enviada especial da literacia para o desenvolvimento (UNESCO), e dele faz parte o ex-ministro português da Educação Roberto Carneiro. Os Ministros da UE fixaram como objectivo reduzir a percentagem de alunos com dificuldades a nível da leitura, da matemática e das ciências para menos de 15% até 2020.

O Grupo de alto nível, que ontem teve a primeira reunião, tem por objectivo dar visibilidade e importância política à questão do aumento dos níveis de literacia na Europa. O grupo analisará dados científicos e avaliará quais as polícas mais adequadas. Para tal, trabalhará durante os próximos 18 meses e apresentará propostas políticas à Comissão em meados de 2012. Com base nas propostas do grupo, a Comissária Vassiliou apresentará recomendações aos ministros da educação, no Outono de 2012. Neste contexto, os Estados-Membros e a Comissão aprofundarão a questão, que se insere no seu quadro de cooperação estratégica em matéria de educação e formação («Educação e formação 2020»).
Alunos com fraco aproveitamento em leitura (2009). Fonte: OCDE, Programa de Avaliação Internacional dos Estudantes (PISA)

De acordo com o Programa de Avaliação Internacional dos Estudantes (PISA) da OCDE, que serve de referência nesta matéria, alunos com fraco aproveitamento em literacia no contexto da leitura são os alunos "capazes de completarem apenas as tarefas de leitura menos complexas, como localizar uma única informação, identificar o tema principal de um texto ou realizar uma ligação simples com conhecimentos quotidianos. Os resultados variam entre o nível 1 e o nível 5 (nível mais elevado). Os alunos com fraco aproveitamento em leitura são os que têm resultados inferiores ao nível 2.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Para pensar a web e as tecnologias digitais

No mais recente suplemento Babelia, do diário El País, Jose António Millan apresenta vários livros recentemente publicados em espanhol (ver referência abaixo) que ajudam a pensar a web e as tecnologias digitais.
Escreve, a dado passo:
Lo más interesante del libro es la dilucidación de la "alfabetización digital" a lo largo de muy distintas plataformas, aunque, como suele ocurrir, la necesidad de explicar cómo funcionan a un público que no las conoce consume parte de las energías del autor. Max Otte, alemán activo en Estados Unidos, publicó acertadamente en 2006 ¡Que viene la crisis! En El crash de la información analiza, en el sector financiero y del consumo, las maniobras para desinformar a los ciudadanos: a través del "etiquetado falso", pero sobre todo mediante la sobreabundancia informativa (como la variedad de tarifas telefónicas). ¿Será la Red un aliado de los consumidores? Parece que no: los sitios que se ofrecen para clarificar, sea inversiones en Bolsa o tarifas eléctricas, acaban siendo juguetes en manos de las compañías. Las tecnologías digitales están posibilitando el contacto directo con el cliente (sea con cajeros automáticos o webs de venta de billetes), lo que permite ahorro de personal... e indefensión del comprador ante cualquier eventualidad. Por su postura crítica y la información que maneja, este libro para lectores no especialistas es claramente recomendable.
Livros citados no artigo:
  • G. Aranzueque (coordinador) (2010) Ontologia de la Distancia. Madrid:Abada.
  • Milad Doueihi (2010) La gran conversión digital. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica
  • Max Otte (2010) El crash de la información. Barcelona: Ariel.
  • Nicholas Carr (2011) Superficiales. ¿Qué está haciendo Internet con nuestras mentes? Madrid: Taurus.

domingo, janeiro 30, 2011

Interrogando as imagens das revoltas populares no Egipto

Depois da 'revolução do jasmim', na Tunísia, seguimos entre o esperançado e o inquieto a revolta dos populares que afrontam as forças policiais no Cairo, em Alexandria, em Suez e noutras cidades do Egipto.
O governo fez o que pôde para que a informação não circulasse. Desactivou, numa primeira fase, os serviços de telecomunicações e a Internet e, como a Al Jazeera continuasse a fazer a cobertura (e eventualmente a contagiar outros países árabes), mandou também calar este canal.
Temos, assim, imagens e informações condicionadas e este é um primeiro dado que importa ter presente. Captamos versões oficiais e fragmentos de outras informações que, interligadas, nos vão dando um retrato daquilo que há quase uma semana se está a passar, mesmo ali às portas do Médio Oriente.
Uma imagem que me chamou a atenção foi esta:
Segundo esta fonte, trata-se de uma imagem captada por um anónimo.Quando a vi pela primeira vez achei-a espantosa, porque o "ENOUGH" do cartaz exibido pelo manifestante em primeiro plano não se destinava certamente nem à polícia que estava à frente dele nem às autoridades que poderiam observar a cena a distância, mas aos media ocidentais. Achei-a espantosa porque, ao contrário do que seria de esperar, o cartaz e o seu portador dirigiam-se a nós virando-nos as costas, o que, se fosse verdadeira a fotografia, não deixaria de ser original.
Afinal, tratava-se de uma montagem (ver o original abaixo). Não sabemos se em árabe, o que lá estava era o mesmo grito, era o mesmo "Basta!". Fosse ou não, o sentido da cena altera-se significativamente. Ainda que não essencialmente.

E o leitor? Que imagens chamaram a sua atenção? Que reflexões ou interrogações lhe suscitaram?

Actualização:
- Através do Tiago Dias Ferreira, da equipa deste blogue, tive conhecimento deste texto - The Story Behind Last Night's Iconic Photo From the Egyptian Protests - publicado no site da revista The Atlantic, no já 'longínquo' dia 26 de Janeiro. Pelos comentários em reddit.com, fica-se a saber que o cartaz exibido diz, textualmente, "Mubarak, vai-te embora!". Aqui fica como complemento, para compreender melhor os bastidores da badalada foto e do seu autor. E, também, para referir um ponto de vista fundamental para quem quer analisar imagens - não apenas o quadro dado a ver mas também o quadro, ou ponto de vista, as intenções, motivações, contexto de quem dá a ver. Resta saber se a alteração em computador foi feita pelo autor da foto ou por outrem (BBC ou Al Jazeera, a quem o autor cedeu cópias). Seja quem for, abriu aí uma nova vida ao documento original.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Educação para os Media: um manifesto e um livro

Acaba de ser lançado um "Manifesto da Educação para os Media" que conta com um conjunto inicial de depoimentos e que dará origem a um livro. A iniciativa provém do Centre for Excellence in Media Practice (CEMP), um centro de pesquisa e inovação  com sede na Escola de Media da Universidade de Bournemout, Reino Unido.
A iniciativa tem uma característica interessante: propõe um conjunto de reflexões iniciais (entre as quais as de David Buckingham, Cary Bazalgette, Henry Jenkins e outros, entre os quais o português Vitor Reia Baptista), mas abre-se não apenas aos comentários do que já lá está mas também a novos contributos. Todo o material será reaproveitado para a edição futura do livro que compendiará o que de mais interessante tenha sido publicado.
O projecto constitui um esforço no sentido de desenvolver uma compreensão partilhada e e a formulação de motivos comuns para a educação para os media.