quinta-feira, setembro 09, 2010

Citação do dia

Várias vezes já discutimos aqui o papel dos mais variados conteúdos que percorrem o universo online. Encontrei há pouco um conceito que me pareceu interessante pela forma como é descrito: «usability» ou «utilidade», numa possível tradução para português. O termo poderá nem ser propriamente difícil de definir, ainda assim deixo a interpretação recolhida num texto de Renita Coleman, Paul Lieber, Andrew Mendelson e David Kurpius.

«The concepts of usability and user-centered design also stress the importance of understanding what the user brings to the site. Usability has been heavily examined for the past 30 to 40 years, mostly in the computer science area. A definition of usability is the ease with which a system can be learned and used (Mills et al., 1986).This requires understanding who the users are and what they will be doing on the site (Shank, 2002). Usability is measured by how easy a website is to learn, how quickly a user can accomplish a task, how error-proof the site is, how satisfied the user is with the experience and how often users return to the site (Gould and Lewis, 1985; Hale et al., 1995; Nelson et al., 1999).»

Serão, de facto, úteis, os sites que regularmente visitamos? Que estratégias de edição online podemos verificar tendo em vista a compreensão desses conteúdos?

quarta-feira, setembro 01, 2010

Citação do dia

"Muita da discussão em torno da entrevista de Schmidt [CEO da Google, ao Wall Street Journal] centrava-se num comentário: a sugestão de que os jovens que expõem catastroficamente as suas vidas privadas por via de sites de redes sociais podem precisar de ver permitida a mudança do seu nome e a obtenção de uma nova identidade ao chegarem a adultos. Isto, curiosamente, liga-se ao facto de a Google deixar cair as fichas da sociedade onde quer que calhem, para que sejam arrumadas por legisladores e legislação da melhor forma possível, enquanto a erecção de uma nova arquitectura mundial continua.

Se a Google estivesse preocupada o suficiente com isto talvez a companhia devesse dar às crianças 'identidades de treino' à nascença, que terminassem com a maioridade. Cada um poderia, então, escolher ligar a sua identidade adulta à da infância, ou não. Ficar sem infância, sendo obviamente suspeito num currículo, daria origem a uma indústria de criação de falsas adolescências, retro-inseridas de forma dispendiosa, a criação das quais daria emprego a muitos escritores de ficção. Haveria um lado positivo, de certa forma.

Não vejo isto como uma ideia muito realista, apesar de o pensamento de milhões de pessoas a viverem as suas vidas em programas de protecção de testemunhas individuais, prisioneiras da sua própria folia enquanto jovens, apelar às minhas glândulas Kafkaescas. Nem encontro muito conforto no pensamento de que a Google teria de ser confiada de modo a nunca ligar a idade adulta de um indivíduo à sua louca juventude, algo que o motor de busca, na posse de até aqui imaginárias ferramentas de transparência, mais tarde ou mais cedo poderia fazer e faria."

- William Gibson, "Google's Earth", The New York Times, 31 de Agosto de 2010.

Não resisti a publicar aqui este excerto do artigo de opinião do conhecido escritor, criador do conceito de "ciberespaço". Nem consigo resistir a fazer referência, apesar da distância que vai à Educação para os Media, ao tema de capa da Wired deste mês. Escrito pelo director da revista, Chris Anderson, autor do livro Free: The Future of a Radical Price, com outro redactor da publicação, o artigo The Web is Dead. Long Live the Internet é de leitura obrigatória para quem acompanha estes temas.

terça-feira, agosto 31, 2010

Entre realidade e representação

No sempre excelente blogue de filosofia do The New York Times o mais recente artigo, da autoria de Alexander Nehamas, professor da Universidade de Princeton, estabelece um paralelo entre a situação da Grécia de outros tempos e a relação da sociedade actual com os media.

Segundo Nehamas, Platão ignora na sua República nomes como o de Homero, autor da Odisseia e da Ilíada, concluindo que o filósofo "censurou" o trabalho do poeta por o considerar nocivo para a educação da sociedade. "Nós também censuramos os materiais educativos das nossas crianças de forma tão segura e com base nos mesmos fundamentos que Platão. Como ele, muitos de nós acreditamos que a emulação se torna em 'hábito e segunda natureza', que maus heróis (hoje dizemos 'modelos') produzem más pessoas", escreve Nehamas.

Tal como a poesia de Homero criava "maus" exemplos para quem a lesse, também os media hoje reproduzem imagens que podem ser encaradas como perniciosas.

Contudo, o problema aqui é outro. O problema é um de elementos do processo comunicativo. E um de abrupta divisão entre realidade e representação. "Ser realista é apresentar o mundo sem artifício ou convenção, sem mediação - a realidade pura e simples. E a cultura popular, enquanto permanecer popular, parece sempre realista: os polícias na televisão usam sempre cintos de segurança", explica o autor.

Entre a realidade e representação há uma grande diferença e saber que o que nos é transmitido é apenas representação é essencial. "Nós passamos, como Platão, da representação para a realidade? Se sim, então devemos mesmo preocupar-nos com os efeitos da televisão ou dos videojogos". Ou seja, se aceitamos as representações como realidade, então, de facto, temos um problema em mãos.

Como argumenta Nehamas, se nos apercebemos de que a reacção a representações não tem de determinar o nosso comportamento então a influência dos media será menor do que se teme. "Se o contrário for verdade, em vez de limitar o acesso ou de remodelar o conteúdo dos media, deveríamos garantir que nós, e em particular as nossas crianças, aprendem a interagir com eles de forma inteligente e consciente".

Se hoje lemos e estudamos as obras do passado grego, então o que será lido e visto da nossa era dentro de dois mil anos? E em que ficamos: realidade ou representação?

A confiança nos conteúdos online

Um estudo publicado no último volume do International Journal of Communication procurou compreender as dinâmicas que estão relacionadas com a confiança nos conteúdos acedidos através do universo online. Numa amostra de jovens adultos, que envolveu estudantes universitários, os resultados indicaram que este grupo atribui maior legitimidade aos conteúdos com maior número de visitas, em detrimento, por exemplo, da credibilidade da fonte de informação. A noção de credibilidade da informação, tarefa que pode ser inscrita no âmbito das competências da literacia mediática, dependerá exclusivamente do número de cliques e das visitas a um site? Será este o único critério para avaliar a credibilidade de um determinado texto, documento ou informação online?


O abstract (resumo) do estudo refere o seguinte:

Little of the work on online credibility assessment has considered how the information-seeking process figures into the final evaluation of content people encounter. Using unique data about how a diverse group of young adults looks for and evaluates Web content, our paper makes contributions to existing literature by highlighting factors beyond site features in how users assess credibility. We find that the process by which users arrive at a site is an important component of how they judge the final destination. In particular, search context, branding and routines, and a reliance on those in one’s networks play important roles in online information-seeking and evaluation. We also discuss that users differ considerably in their skills when it comes to judging online content credibility.

Para consultar o texto integral, aqui.

segunda-feira, agosto 30, 2010

Edupunk


quinta-feira, agosto 26, 2010

Revista científica sobre Literacia Digital

Num ano de ampla e fecunda colheita no que se refere a revistas sobre Educação para os Media e Literacia Mediática e Digital, apraz-nos registar a saída do número 1 de uma nova revista, o Nordic Journal of Digital Literacy. O foco são os media digitais (incluindo a Internet, as consolas de jogos e os computadores) e os respectivos usos. Este primeiro número especial aborda as práticas digitais das crianças, procurando - teorica e metodologicamente, valorizar as perspectivas das próprias crianças.
Títulos dos artigos deste número inaugural:
  • Understanding children’s and young adolescents’ media practices: reflections on methodology
  • From Chat in Public to Networked Publics
  • Young Boys Playing Digital Games
  • Educating the Digital Generation
  • A Critical Perspective on Online Safety Measures

CORRECÇÃO (28/8):
De facto, não se trata de uma nova revista, mas sim da disponibilização dos números de Nordic Journal of Digital Literacy até hoje publicados em formato PDF. A revista começou em 2006 e, até hoje, já foi publicada uma dúzia de números. O que se refere acimea, neste post, é o nº1 de 2010. Aqui fica a reposição das coisas no seu lugar, graças a uma informação obtida aqui. Fica também, deste modo, aberta a possibilidade de consultar os numerosos textos até hoje editados, cerca de metade dos quais em inglês.

segunda-feira, agosto 23, 2010

A lição fundamental: saber ouvir os alunos

"(...) A lição fundamental [retirada da experiência de longos anos na educação para os media]exige que nós, professores, continuamente escutemos os nossos alunos quanto ao modo como atribuem sentido ao seu mundo. Devo sempre lembrar que o modo como os alunos constroem sentido de um documento dos media não é provavelmente o mesmo significado que eu produzo. Para compreender o seu significado, eu preciso de aprender a ouvir bem, e não poderei fazer isso se estou sempre a falar com eles e a tentar inundá-los com os meus conhecimentos".
Chris Sperry (2010) "The Epistemological Equation: Integrating Media Analysis into the Core Curriculum". Journal of Media Literacy Education, vol.1 (2), p. 89