domingo, julho 11, 2010

Internet - o que ganhamos e o que perdemos

Nos últimos dias tem-se adensado a conversação em torno dos efeitos sociais e culturais da Internet, da sua relação com a aprendizagem e a qualidade de vida, daquilo que se está a ganhar e do que se pode estar a perder.
Sugiro a consulta destes links:

sábado, julho 10, 2010

Doutoramento na UMinho com especialidade de Educação para os Media

Abrem no próximo dia 26 as candidaturas à segunda edição do curso de doutoramento em Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, que tem como uma das suas áreas de especialidade a Educação para os Media.
A este concurso poderão  concorrer, até 7 de Setembro, todos os candidatos interessados que reúnam os requisitos constantes do Edital. No caso de as vagas não terem sido preechidas, haverá uma nova fase que irá de 27 de Setembro a 1 de Outubro.
As condições de acesso e o modo de proceder podem ser consultados AQUI.

Para mais informações: secposgrag@ics.uminho.pt/     ou tel. (+351) 253 60 46 96.

sexta-feira, julho 09, 2010

Citação do dia e como tecnologia rima com metodologia

"Por último, há a questão pendente de se a experiência de ensino e de aprendizagem nas escolas actualmente se adequa àquilo que poderia ser de esperar de uma sociedade do conhecimento. A questão não é tanto que tecnologia leva a um aumento de produtividade na educação, mas que novas metodologias, apoiadas na tecnologia, melhoram o rendimento do aluno em detrimento das tradicionais e que outros factores intervêm."

- Assessing the effects of ICT in education: Indicators, criteria and benchmarks for international comparisons - PDF, em inglês

Quando o enfoque é colocado na dita "sociedade do conhecimento" (termo que me perturba particularmente) é de salientar a distinção feita por este trabalho com os selos da Comissão Europeia e da OCDE, publicado recentemente.

E, naturalmente, virar a pergunta para o contexto interno português. Que metodologias estão a acompanhar a introdução das novas tecnologias nas salas de aula? Com que objectivos?

Literacia digital e economia no Canadá

A Media Awareness Network (MNet), do Canadá, acaba de publicar um relatório que constitui o respectivo contributo para uma consulta pública sobre a economia digital aberta recentemente pelo Ministério da Indústria daquele país da América do Norte.
O texto tem, por isso, a limitação - e também o interesse - de estar bastante voltado para as necessidades do mercado, sem esquecer a perspectiva da cidadania.
Conceptualmente, o texto sublinha que, "tal como a alfabetização tradicional vai além da compreensão para incluir as capacidades mais complexas de composição e análise, a alfabetização digital inclui uma compreensão mais profunda e, em última análise, a capacidade de criar uma vasta gama de conteúdos com diversas ferramentas digitais".
A literacia digital baseia-se, segundo o relatório, em três princípios: "a capacidade de usar diferentes tipos de software e hardware, a capacidade de pensar criticamente e compreender o conteúdo dos media digitais, e a capacidade de criar conteúdo usando a tecnologia digital".
É interessante o anexo, bastante desenvolvido, no qual se apresentam oito benefícios da literacia digital
1. Uma população digitalmente alfabetizada é mais inovadora e criativa.
2. A literacia digital aumenta o desenvolvimento e o uso da infra-estrutura de TIC .
3. A literacia digital promove uma adopção inteligente das TIC e o aumento da produtividade.
4. Uma população digitalmente alfabetizada é importante do ponto de vista das organizações.
5. A literacia digital permite a participação do público.
6. A literacia digital promove a inclusão económica e social.
7. A literacia digital apoia e promove a capacitação e o envolvimento.
8. A literacia digital ajuda as crianças e os jovens reduzir os riscos on-line.
Para ler o documento: AQUI

quarta-feira, julho 07, 2010

Ainda o serviço público de televisão e os seus deveres

No Domingo passado, o presidente da RTP, Guilherme Costa, publicou o primeiro de dois artigos de opinião no "Público" (confesso não ter lido o segundo, publicado no dia a seguir) com o título de "RTP - Serviço Público e dinheiros públicos".

Segundo o presidente do serviço público de televisão, que escreveu principalmente sobre a questão dos cortes orçamentais, "a programação da RTP1 é claramente distinta da dos restantes canais generalistas". Como tal, "[m]uitos dos programas deste canal não se vêem nos outros canais, ou não se vêem com a mesma frequência ou nos mesmos horários".

Acrescenta Guilherme Costa que "a RTP1 não passa telenovelas no prime time e no horário de acesso", mas passa, sim, "programas como A Guerra, Conta-me como Foi, Cuidado com a Língua ou Salvador". E, além disso, "dá particular atenção e intensidade aos conteúdos informativos, aos documentários e aos grandes eventos agregadores, nacionais e regionais".

Reconhece, ainda assim, que talvez não seja "suficientemente distintiva".

O que me leva a colocar este texto aqui é, não apenas o artigo do presidente da RTP, mas também o facto particular de no sábado, ou seja, no dia anterior à publicação deste artigo de afirmação de princípios, a RTP1 ter passado, pelas 18h, entre os dois jogos do Campeonato do Mundo de futebol do dia, um filme protagonizado por Steven Seagal. Para quem não conhece tão afamado actor, costuma encabeçar filmes pouco próprios para um horário destes, para não falar da qualidade geral das obras em si. De acordo com o sítio da RTP, o filme está classificado para maiores de 12.

A questão aqui é o que é que leva um programador a fazer uma escolha destas?

Até a proposta de revisão da Lei da Televisão [PDF] mantém o que já se sabe:

"A concessionária do serviço público de televisão deve (...) apresentar uma programação que promova a formação cultural e cívica dos telespectadores, garantindo o acesso de todos à informação, à educação e ao entretenimento de qualidade."

Com avaliações anuais, como é que isto ainda acontece? Falo de um caso específico, não do panorama geral. Tendo em conta a importância da televisão na sociedade portuguesa, penso não ser demais tocar nestes pontos. Esta demissão das responsabilidades da programação é, penso eu, o sinal de um caminho mais abrangente que assola o primeiro canal.

Sublinho: entre dois jogos de futebol de alto destaque, já de si uma escolha de programação discutível para um serviço público, porquê colocar 1) um filme... 2) deste cariz?

Estão definidos os estatutos que traçam o rumo da RTP para quê?

Entrevista a Lapscott no Público


O Público desta quarta-feira dá destaque de primeira página a uma mega investigação com 11 mil jovens em vários países sobre os efeitos das tecnologias. Este estudo foi conduzido pelo conhecido Don Lapscott, autor de vários livros, por exemplo Grown Up Digital: How the Net Generation is Changing Your World. (Por mera curiosidade, este investigador canadiano é casado com uma portuguesa.)

O título de primeira página é o seguinte: «O tempo que os jovens passam na Net não é roubado aos amigos ou ao trabalho. Quem fica a perder é a TV. E isso é bom.»

Já no caderno P2, onde é publicada a matéria, o título é este: «A Internet faz bem à cabeça». Aí aparece uma imagem em destaque com uma criança a trabalhar no seu Magalhães. O próprio Lapscott deixou-se fotografar numa sala de aula com um computador Magalhães por carteira (ver imagem em baixo).

A entrevista, feita pelo jornalista João Pedro Pereira, pode ser lida aqui [vale a pena seguir e participar na discussão que está a acontecer nos comentários à entrevista].

Os jovens são mais espertos do que nunca, o QI está ao nível mais alto de sempre, há mais estudantes a licenciarem-se. (...) Mas há um problema. Um terço desta geração é espectacular. Outro terço está a safar-se bastante bem. Mas os que estão em baixo, mesmo em países como os EUA, Canadá ou Portugal, nem sequer estão a acabar o liceu. Sempre foi assim, mas não devia ser. Devíamos ter melhorias nesse último terço, mas isso não está a acontecer. Algumas pessoas culpam a Internet. Mas isso é como culpar a biblioteca pela ignorância dos alunos. (Don Lapscott, Público, 07Jul'10)

Citação do dia

A propósito da importância dos media e da necessidade de uma literacia mediática:

«Os media são indústrias muito grandes que geram lucro e emprego; fornecem-nos a maioria da nossa informação sobre o processo político; e oferecem-nos ideias, imagens e representações (ambas factuais ou ficcionais) que inevitavelmente formam a nossa visão da realidade. Os media são, sem dúvida alguma, os maiores meios contemporâneos da expressão cultural e da comunicação; para tornar-se num participante activo na vida pública é necessário o uso dos media modernos. Os media - assim é comummente defendido - tomaram agora o lugar da família, da Igreja e da escola, como a maior força de socialização da sociedade contemporânea. » (2003:5)

David Buckingham, 2003 (Media Education: Literacy, Leraning and Contemporary Culture)