sexta-feira, julho 09, 2010

Literacia digital e economia no Canadá

A Media Awareness Network (MNet), do Canadá, acaba de publicar um relatório que constitui o respectivo contributo para uma consulta pública sobre a economia digital aberta recentemente pelo Ministério da Indústria daquele país da América do Norte.
O texto tem, por isso, a limitação - e também o interesse - de estar bastante voltado para as necessidades do mercado, sem esquecer a perspectiva da cidadania.
Conceptualmente, o texto sublinha que, "tal como a alfabetização tradicional vai além da compreensão para incluir as capacidades mais complexas de composição e análise, a alfabetização digital inclui uma compreensão mais profunda e, em última análise, a capacidade de criar uma vasta gama de conteúdos com diversas ferramentas digitais".
A literacia digital baseia-se, segundo o relatório, em três princípios: "a capacidade de usar diferentes tipos de software e hardware, a capacidade de pensar criticamente e compreender o conteúdo dos media digitais, e a capacidade de criar conteúdo usando a tecnologia digital".
É interessante o anexo, bastante desenvolvido, no qual se apresentam oito benefícios da literacia digital
1. Uma população digitalmente alfabetizada é mais inovadora e criativa.
2. A literacia digital aumenta o desenvolvimento e o uso da infra-estrutura de TIC .
3. A literacia digital promove uma adopção inteligente das TIC e o aumento da produtividade.
4. Uma população digitalmente alfabetizada é importante do ponto de vista das organizações.
5. A literacia digital permite a participação do público.
6. A literacia digital promove a inclusão económica e social.
7. A literacia digital apoia e promove a capacitação e o envolvimento.
8. A literacia digital ajuda as crianças e os jovens reduzir os riscos on-line.
Para ler o documento: AQUI

quarta-feira, julho 07, 2010

Ainda o serviço público de televisão e os seus deveres

No Domingo passado, o presidente da RTP, Guilherme Costa, publicou o primeiro de dois artigos de opinião no "Público" (confesso não ter lido o segundo, publicado no dia a seguir) com o título de "RTP - Serviço Público e dinheiros públicos".

Segundo o presidente do serviço público de televisão, que escreveu principalmente sobre a questão dos cortes orçamentais, "a programação da RTP1 é claramente distinta da dos restantes canais generalistas". Como tal, "[m]uitos dos programas deste canal não se vêem nos outros canais, ou não se vêem com a mesma frequência ou nos mesmos horários".

Acrescenta Guilherme Costa que "a RTP1 não passa telenovelas no prime time e no horário de acesso", mas passa, sim, "programas como A Guerra, Conta-me como Foi, Cuidado com a Língua ou Salvador". E, além disso, "dá particular atenção e intensidade aos conteúdos informativos, aos documentários e aos grandes eventos agregadores, nacionais e regionais".

Reconhece, ainda assim, que talvez não seja "suficientemente distintiva".

O que me leva a colocar este texto aqui é, não apenas o artigo do presidente da RTP, mas também o facto particular de no sábado, ou seja, no dia anterior à publicação deste artigo de afirmação de princípios, a RTP1 ter passado, pelas 18h, entre os dois jogos do Campeonato do Mundo de futebol do dia, um filme protagonizado por Steven Seagal. Para quem não conhece tão afamado actor, costuma encabeçar filmes pouco próprios para um horário destes, para não falar da qualidade geral das obras em si. De acordo com o sítio da RTP, o filme está classificado para maiores de 12.

A questão aqui é o que é que leva um programador a fazer uma escolha destas?

Até a proposta de revisão da Lei da Televisão [PDF] mantém o que já se sabe:

"A concessionária do serviço público de televisão deve (...) apresentar uma programação que promova a formação cultural e cívica dos telespectadores, garantindo o acesso de todos à informação, à educação e ao entretenimento de qualidade."

Com avaliações anuais, como é que isto ainda acontece? Falo de um caso específico, não do panorama geral. Tendo em conta a importância da televisão na sociedade portuguesa, penso não ser demais tocar nestes pontos. Esta demissão das responsabilidades da programação é, penso eu, o sinal de um caminho mais abrangente que assola o primeiro canal.

Sublinho: entre dois jogos de futebol de alto destaque, já de si uma escolha de programação discutível para um serviço público, porquê colocar 1) um filme... 2) deste cariz?

Estão definidos os estatutos que traçam o rumo da RTP para quê?

Entrevista a Lapscott no Público


O Público desta quarta-feira dá destaque de primeira página a uma mega investigação com 11 mil jovens em vários países sobre os efeitos das tecnologias. Este estudo foi conduzido pelo conhecido Don Lapscott, autor de vários livros, por exemplo Grown Up Digital: How the Net Generation is Changing Your World. (Por mera curiosidade, este investigador canadiano é casado com uma portuguesa.)

O título de primeira página é o seguinte: «O tempo que os jovens passam na Net não é roubado aos amigos ou ao trabalho. Quem fica a perder é a TV. E isso é bom.»

Já no caderno P2, onde é publicada a matéria, o título é este: «A Internet faz bem à cabeça». Aí aparece uma imagem em destaque com uma criança a trabalhar no seu Magalhães. O próprio Lapscott deixou-se fotografar numa sala de aula com um computador Magalhães por carteira (ver imagem em baixo).

A entrevista, feita pelo jornalista João Pedro Pereira, pode ser lida aqui [vale a pena seguir e participar na discussão que está a acontecer nos comentários à entrevista].

Os jovens são mais espertos do que nunca, o QI está ao nível mais alto de sempre, há mais estudantes a licenciarem-se. (...) Mas há um problema. Um terço desta geração é espectacular. Outro terço está a safar-se bastante bem. Mas os que estão em baixo, mesmo em países como os EUA, Canadá ou Portugal, nem sequer estão a acabar o liceu. Sempre foi assim, mas não devia ser. Devíamos ter melhorias nesse último terço, mas isso não está a acontecer. Algumas pessoas culpam a Internet. Mas isso é como culpar a biblioteca pela ignorância dos alunos. (Don Lapscott, Público, 07Jul'10)

Citação do dia

A propósito da importância dos media e da necessidade de uma literacia mediática:

«Os media são indústrias muito grandes que geram lucro e emprego; fornecem-nos a maioria da nossa informação sobre o processo político; e oferecem-nos ideias, imagens e representações (ambas factuais ou ficcionais) que inevitavelmente formam a nossa visão da realidade. Os media são, sem dúvida alguma, os maiores meios contemporâneos da expressão cultural e da comunicação; para tornar-se num participante activo na vida pública é necessário o uso dos media modernos. Os media - assim é comummente defendido - tomaram agora o lugar da família, da Igreja e da escola, como a maior força de socialização da sociedade contemporânea. » (2003:5)

David Buckingham, 2003 (Media Education: Literacy, Leraning and Contemporary Culture)

Abordagem dos media no 1º ciclo

A editora Sage vai publicar em Setembro um novo livro de Cary Bazalgette, intitulado Teaching Media in Primary Schools.
A apresentação da pertinência e conteúdos deste volume refere o seguinte:
Children growing up in the 21st century need to understand the full range of media available to them, both as sources of information and entertainment, and as a means of communicating and sharing ideas. Embedded in the primary curriculum, media education enables children to become more fully literate for the digital age. Grounded in best classroom practice, this book aims to help you think about the role of media in children's lives, and to teach about media effectively in your classroom.
Three dimensions of media education for the 3-11 age range are highlighted : children's own cultural experiences, the development of critical awareness, and opportunities for creative expression. The chapters are written by literacy advisors, leading academics, teacher-trainers and classroom practitioners.

Topics covered include:
  • - understanding children's relationships with media and how to build on these constructively
  • - getting to grips with "multimodality"
  • - developing children's critical skills through watching and analysing moving image media
  • - broadening children's experiences of different kinds of media and their media literacy
  • - creative media activities that promote imaginative thinking and decision-making
  • - the importance of social networking and social media and how to use these in the classroom
In an increasingly digital world, media education is an essential part of good teaching, not just as a tool to teach the more traditional aspects of the curriculum, but in its own right as an essential part of literacy."

terça-feira, julho 06, 2010

Acaba de sair no Brasil

Mil posts

Número redondo: este blog acaba de ultrapassar os mil posts. Está ainda muito longe do desejável: incentivar uma verdadeira conversação. O número de comentários é ainda diminuto. Temos de trabalhar mais nessa direcção.