quarta-feira, junho 09, 2010

Nunca é demais repetir...

... algo que, ainda por cima, é lei.

"1 - A concessionária do serviço público de televisão deve (...) apresentar uma programação que promova a formação cultural e cívica dos telespectadores, garantindo o acesso de todos à informação, à educação e ao entretenimento de qualidade."

Art. 51º da Lei 27/2007, de 30 de Julho de 2007, a chamada Lei da Televisão.

terça-feira, junho 08, 2010

Segurança dos mais novos na Internet sob exame


Acaba de sair um importante relatório do Online Safety and Technical Working Group(OSTWG), uma task force constituída em 2008, no âmbito das actividades do Congresso dos Estados Unidos da América. Intitula-se Youth Safety on a Living Internet.
O documento dá conta de uma crescente re-focagem das atenções, nesta matéria, de uma perspectiva de pânico ou medo para uma perspectiva de capacitação, fazendo, ao mesmo tempo, uma vigorosa chamada de atenção das autoridades e da sociedade civil para o papel da literacia mediática e digital em todo o país.

Outras referências a este relatório:

segunda-feira, junho 07, 2010

Mestrado em Comunicação Cidadania e Educação abertura no próximo ano lectivo

O Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho vai dar início, no ano lectivo de 2010-2011, ao novo Curso de Mestrado em Comunicação, Cidadania e Educação.
Este curso tem como objectivos centrais proporcionar o estudo aprofundado dos fenómenos comunicacionais no contexto das sociedades actuais, focando em especial os cruzamentos e interacções entre os universos dos media, da comunicação, da educação e da cidadania, bem como desenvolver estratégias de promoção da educação para os media no sentido de aumentar os níveis de literacia mediática dos cidadãos portugueses, nomeadamente dos mais jovens.
Sendo a Educação/Literacia para os Media, actualmente, um domínio de investigação, de estudo e de intervenção fundamental à promoção de uma cidadania esclarecida e interveniente, pretende-se com este curso desenvolver os referenciais teóricos e metodológicos adequados ao desenvolvimento da investigação e da intervenção nesta área.
Pretende-se, deste modo, contribuir para colocar este vector das políticas públicas na agenda das preocupações políticas e da consciência colectiva, no seguimento das recomendações da União Europeia, da UNESCO e do Conselho da Europa.

Mais informação pode ser encontrada aqui.

Literacia mediática com crianças pequenas

The Media Literacy of Primary School Children:
The Media Literacy of Primary School Children

How far do Primary School children have the knowledge and skills to access media, make sense of the representations and images produced and to create their own?
By Grant Strudley (April 2008)
The University of Reading (UK)
M.A. in Teaching and Learning

Entre a juventude perdida e a polícia social

Muitas vezes ouvimos críticas - ou somos mesmo os emissores dessas críticas - contra o forte teor sexual de vídeos musicais ou de outros formatos direccionados a públicos adolescentes. Contudo, pelo menos pessoalmente, poucas vezes encontro informação sobre os elementos ideológicos que dominam essas mesmas críticas.

Exactamente por isso chamo a atenção para um trabalho recente da Universidade de Cambridge, ainda por publicar mas com resumo disponível no site da instituição, que sugere que as preocupações de vários sectores da sociedade com os produtos massificados para adolescentes podem estar assentes em motivos ligados ao estatuto social e aos comportamentos adequados em comunidade. Por outras palavras, o sociólogo Robbie Duschinsky afirma que podemos estar perante um comportamento que, ao criticar, tem como objectivo "policiar a sociedade".

O artigo, que vai ser publicado no Media International Australia, analisa dois lados da questão: um lado que alega que há uma crescente obsessão com a imagem da parte dos jovens e um outro que diz que esta preocupação não passa de um excesso de puritanismo que impede a discussão sobre temas mais sérios de abuso de crianças. Ambas, diz o autor, podem tornar-se problemáticas à luz desta perspectiva de "policiamento".

Pareceu-me particularmente interessante a afirmação de que estas críticas "escondem" um elemento de marginalização da cultura negra e da classe trabalhadora como sendo pouco aceitáveis para uma classe média dita "respeitável".

Saliento, também, a ausência de um nível de agência para os media, "meros" transmissores de imagens e concepções, quase sem vontade própria ou sem qualquer tipo de filtros. Visto o cubo por outro lado, talvez essa visão possa ser tão preocupante como a anterior.

quinta-feira, junho 03, 2010

Os media na vida das crianças: 7h e 38m por dia!

"Há cinco anos, uma das principais conclusões do segundo inquérito nacional da Kaiser Family Foundation (KFF) ao uso dos media pelos mais novos, nos Estados Unidos da América, foi a de que o tempo disponível para dedicar aos media tinha atingido um tecto, ao chegar às 6 h e 20 m por dia. Desde então, no entanto, as novas tecnologias da comunicação possibilitaram um acesso aos media 24/horas, incidindo nas vidas quotidianas de crianças e de adolescentes. O resultado é este: os mais novos dedicam hoje uma média de 7h e 38m por dia aos media de entretenimento"

[Texto da convocatória da jornada Generation M2: Media in the Lives of U.S. 8- to 18-year-olds, que se realizará no próximo dia 15, em Londres, sob a presidência de Sonia Livingstone e com a intervenção do investigador que tem dirigido os estudos da KFF).

"Cátedra" de Literacia mediática

O Gabinete de Comunicação e Educação da Universidade Autónoma de Barcelona e a Universidade do Cairo, no Egipto acolherão ao primeiro ano da Cátedra UNESCO UNITWIN AoC de "Literacia mediática e diálogo intercultural", segundo informa o site da primeira daquelas instituições universitárias.

Esta Cátedra resulta de um protocolo de cooperação instituído entre a UNESCO e a Alliance of Civilizations (AoC), fixado no programa de acção para 2009-2011 da AoC, e ganhou forma no decurso do III Forum que se realizou no Rio de Janeiro, em 28 e 29 de Maio último. A Cátedra é assumida por uma rede de universidades que desenvolverão iniciativas, investigação e recursos que incorporam a formação para a literacia mediática no quadro do diálogo intercultural.

A AoC é uma instituição lançada por iniciativa dos governos da Espanha e da Turquia em 2005, no seguimento dos acontecimentos relacionados com o 11 de Setembro, e que tem o ex-presidente da República Portuguesa Dr Jorge Sampaio como Alto Representante do secretário-geral da ONU. Com uma centena de estados aderentes e várias outras organizações de âmbito internacional, propõe-se promover o diálogo e a cooperação entre diferentes comunidades, culturas e civilizações, em ordem à prevenção dos conflitos e à construção da paz. Questões como a diversidade cultural, os direitos humanos, a literacia mediática human rights, media e a formação acerca das religiões estão no centro das actividades e programas da Aliança. De resto, a organização possui um site interessante especificamente dedicado à Educação para os media.