terça-feira, maio 18, 2010

Livro sobre a TV educativa e cultural nos países ibero-mericanos




















Sob a coordenação dos catedráticos da Universidad Autónoma de Barcelona Lorenzo Vilches e José Manuel Pérez Tornero, foi apresentado em Sevilha, no passado dia 13 deste mês de Maio, o "Libro blanco sobre la Televisión Educativa y Cultural".

«Es la primera publicación de conjunto sobre este tipo de televisiones que operan en Iberoamérica. Este libro es un balance provisional y parcial del camino recorrido en las últimas décadas por las televisiones de Argentina, Brasil, Chile, Colombia, México, España, Perú, Portugal, Uruguay, Venezuela. Describe el origen, contexto y estado actual de las Televisiones educativas y culturales – TEC – en 10 países Iberoamericanos. (...) El estudio correspondiente a cada país presenta inicialmente una descripción del sistema general audiovisual dando cuenta de su organización, principales actores e impacto en públicos y audiencias, así como una visión general de las tendencias de programación y producción.»

O capítulo sobre Portugal foi elaborado por dois membros da equipa deste blogue, Sara Pereira e Luís Pereira. A realização deste Relatório sobre a realidade portuguesa baseou-se em diferentes fontes de informação:
  • dados audimétricos disponíveis no “Anuário de Media e Publicidade’ de 2008, do grupo Marktest;
  • dados estatísticos de organismos públicos como o Instituto Nacional de Estatística (INE) e a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM);
  • diplomas legais que regulamentam o audiovisual no país;
  • dados fornecidos pelas estações televisivas RTP1, RTP2, SIC e TVI;
  • entrevistas realizadas ao Director de Programas da RTP1, Dr. José Manuel Fragoso; ao Director de Programas da RTP2, Dr. Jorge Wemans; ao Director-adjunto de programas da SIC, Dr Luís Proença; , à ‘Head of Acquisitions' da SIC, Drª Vanessa Fino Tierno; ao Director de Conteúdos de Programação e Audimetria da TVI, Dr Paulo Soares, e à Doutora Estrela Serrano, membro do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social;
  • trabalhos de pesquisa nacionais.
O livro é editado pela Gedisa, podendo ser adquirido através do site da editora.

Por que a literacia mediática pode ser decisiva

Esta é uma história de uma história falsa sobre um dos fundadores da Wikipedia, que reputados media copiaram uns dos outros, mas não cuidaram de verificar. Mais: quem desencadeou o caso apagou a história, mas não deu explicações. E quem foi rápido a copiar e difundir o boato ficou quedo perante actualizações e e afirmações de que se tratava de uma falsidade. Complicado? Provavelmente. Nada melhor do que ir à fonte e ficar a perceber por que é fundamental aprender a sobreviver e a lidar com este mundo dos media, começando na mais tenra idade: Jimmy Wales: On Founder Access and More Important Digital Literacy.

Ficam aqui as lições/recomendações de quem conta o caso:

1. One source is usually not enough. You’ve got to review several and then make a judgement. That’s a positive about the Internet of course a negative is that it takes more time. It’s also a good idea to run your news search on more than one engine.

2. Is there a protocol in place to help make some sense of a story that is being reported differently by various organizations?

3. You should check your sources for a few weeks after a story “breaks” to see if any changes have taken place. We know, MUCH easier said than done but setting alerts for certain keywords and sources can help.

4. How do you judge credibility of a news source in the web age? How does a news organization lose or gain cred. What about weblogs? Does credibility mean anything anymore? What does it count for?

5. Should organizations make “official responses” as soon as a big story breaks where they want/need to share their views. Google is brilliant at doing this.

6. In this time of super instant info, is it a must that if someone tweets a news item and then sees updates and/or corrections they must tweet the updates?

7. What about search engines? Users must understand that in many but not all cases they work autonomously. Understanding how to determine a date of publication is very important. In fact, search engines should require that a time and date be included next to the article and the webmasters have a method of pinging the search engines for an instant recrawl once a change to a story has been made. However, multiple versions should be made available.

segunda-feira, maio 17, 2010

Literacia Mediática entre adultos: novo relatório da OFCOM

A OFCOM, entidade britânica de regulação dos media audiovisuais, publicou hoje um novo estudo sobre a Literacia Mediática entre a população adulta.
O documento traça um panorama dos usos dos media entre maiores de 16 anos, aborda o grau de confiança e de interesse que aqueles lhes despertam, atribui particular destaque à Internet, particularmente o que se relaciona com a percepção de aspectos de segurança e de aprendizagem.








Com o investimento feito na promoção da Literacia Mediática, a OFCOM pretende proporcionar às pessoas a oportunidade e a motivação para desenvolverem competência e confiança para que participem nas tecnologias de comunicação e na sociedade digital; e informar e capacitar as pessoas para que sejam capazes de gerir a sua actividade mediática, tanto como consumidores como criadores de comunicação.
Para aquele organismo, a Literacia Mediática "permite que as pessoas adquiram as habilidades, conhecimentos e compreensão de que necessitam para fazerem pleno uso das oportunidades proporcionadas quer pelos serviços tradicionais quer pelos novos serviços de comunicações. A literacia mediática também ajuda as pessoas a gerirem o conteúdo e as comunicações, e a protegerem-se (assim como as suas famílias) dos riscos potenciais associados à utilização destes serviços".

Relatório integral: AQUI.

Agenda digital, uma prioridade da Comissão Europeia

A proposta está definida como prioritária e foi esta manhã discutida no Parlamento Europeu. A vice-presidente da Comissão Europeia para a Agenda Digital, Neelie Kroes, defendeu que até 2013 todos os cidadãos da União Europeia (UE) deverão ter acesso à banda larga de Internet e ser capazes de utilizar os seus telemóveis como 'carteiras electrónicas'. A responsável defendeu ainda que até 2015 todos deverão ter acesso aos serviços públicos online.

Neelie Kroes acrescentou que

«a Europa só poderá beneficiar verdadeiramente da revolução digital se todos os cidadãos e empresas da UE estiverem envolvidos numa nova sociedade digital activa e participativa, que trará benefícios económicos e sociais.»

Na Resolução adoptada hoje, o Parlamento sublinhou a necessidade de existirem boas condições de acesso à Internet em todos os locais, bem como o domínio de algumas competências de utilização dessas ferramentas. O documento destaca igualmente que os indivíduos deverão conhecer os seus direitos nestes contextos digitais e formas de se protegerem de diversas ameaças. Os responsáveis europeus acreditam que este conjunto de intenções pode promover a criação de emprego e o desenvolvimento económico e social, ajudando a Europa a sair da recessão.

Neste ponto, percebemos que existe, pelo menos, consciência e vontade políticas. E no terreno, o que poderemos realmente esperar? As metas traçadas pela Comissão serão demasiado ambiciosas? E em relação a Portugal, até que ponto poderemos pensar numa implementação eficaz de todas estas deliberações?

A Agenda Digital é uma das bandeiras do programa Europa 2020.


domingo, maio 16, 2010

Obama e a tecnologia ao serviço da cidadania

Ainda sem entrar nos detalhes do congresso de Sevilha, deixo aqui outra leitura de final de fim-de-semana, já a entrar na semana que agora começa. No dia 9 de Maio o presidente dos EUA, Barack Obama, discursou na Universidade de Hampton, focando-se na questão da educação. Lá pelo meio do discurso encontra-se isto:

"Vocês estão a amadurecer num ambiente mediático de 24 horas por dia, sete dias por semana, que nos bombardeia com todos os tipos de conteúdos e que nos expõe a todos os tipos de discussões, algumas das quais que nem sempre se posicionam muito alto na escala da verdade. E, com iPods e iPads; e Xboxes e Playstations - com as quais eu não sei trabalhar - a informação torna-se numa distracção, numa diversão, numa forma de entretenimento, em vez de ser uma ferramenta de capacitação, em vez de ser o meio da emancipação. Isto não está apenas a colocar pressão sobre vocês; está a colocar pressão sobre o nosso país e sobre a nossa democracia."

O comentário causou polémica, em particular sendo Obama o presidente que foi eleito com a ajuda da onda do Youtube e das redes sociais. Parece-me adequado acrescentar outro parágrafo do discurso:

"[O que os fundadores dos EUA] reconheceram foi que, no longo prazo, a sua improvável experiência - chamada América - não funcionaria se os seus cidadãos não estivessem informados, se os seus cidadãos estivessem apáticos, se os seus cidadãos deixassem de se importar e abandonassem a democracia nas mãos dos que não tinham os melhores interesses de todo o povo no coração. Só poderia funcionar se cada um de nós se mantivesse informado e comprometido; se chamássemos o nosso governo à responsabilidade; se cumpríssemos as obrigações da cidadania".

Educação para a Microsoft?

Regressados do congresso Euro-Iberoamericano "Alfabetización mediática y culturas digitales", que decorreu em Sevilha nos passados dias 13 e 14 de Maio e ao qual a Universidade do Minho levou um grupo, tenho a certeza que virão a caminho vários posts sobre o mesmo.

Eu próprio escreverei umas coisas acerca do que por lá foi discutido. Contudo, antes de o fazer, aproveito a deixa de Alfonso Gutiérrez Martin, professor na Universidade de Valladolid, que durante um dos painéis alertou para o risco de o tipo de Educação para os Media que se está a fazer actualmente poder ser, na realidade, apenas Educação com os Media e não para. E lançou a questão: "Quantos de nós neste congresso usam Powerpoint?"

Educação para os Media que rapidamente se torna em Educação para a Microsoft, como o mesmo disse.

Neste sentido, deixo aqui a ligação para um artigo recente do New York Times sobre o impacto do Powerpoint nas campanhas militares dos EUA: "We Have Met the Enemy and He Is PowerPoint". Alguns excertos particularmente interessantes:

"O Powerpoint faz-nos estúpidos", disse este mês numa conferência militar na Carolina do Norte o General James N. Mattis dos Fuzileiros (Falou sem Powerpoint). O Brigadeiro-General H. R. McMaster, que baniu as apresentações de Powerpoint quando comandou os esforços bem sucedidos para controlar a cidade iraquiana da Tal Afar em 2005, foi o seguinte na mesma conferência, comparando o Powerpoint a uma ameaça interna.

(...)

"É perigoso porque pode criar a ilusão da compreensão e do controlo", afirmou o General McMaster numa entrevista por telefone mais tarde. "Alguns dos problemas do mundo não são do tamanho de bullets."

(...)

No ano passado quando um site militar, Company Command, perguntou ao líder de um pelotão do Exército no Iraque, Tenente Sam Nuxoll, como é que passava a maior parte do tempo, ele respondeu: "A fazer slides de Powerpoint". Quando o entrevistador insistiu, ele afirmou que estava a falar a sério."

'Como TVer' no Diário do Minho



















O booklet 'Como TVer', da autoria de Sara Pereira, Luís Pereira e Manuel Pinto, é distribuído gratuitamente amanhã com o jornal 'Diário do Minho'.
Esta publicação, que integra uma colecção composta por mais dois booklets, foi elaborada no âmbito de um projecto de Educação para os Media que em 2009 foi premiado pela Evens Foundation, Bélgica.