sexta-feira, abril 30, 2010

Bolsa de investigação

Está aberto até ao próximo dia 12 de Maio o concurso para atribuição de duas bolsas de investigação no âmbito do Projecto PTDC/CED/70600/2006 - "Educação para os Media no Distrito de Castelo Branco" (Escola Superior de Educação de Castelo Branco).

"Educação para a Comunicação Social"


(Exercício: contar os pontos negros)

Porquê "Educação para a Comunicação Social"? Foi esta a pergunta que deixei em suspenso, no post do passado dia 28. Aqui fica um primeiro ensaio de resposta. Telegráfico, como um post costuma ser.
Educação para os Media já era um conceito corrente lá fora, nomeadamente na Europa e na Austrália. "Media Education", "Éducation aux Médias" são designações de uso frequente desde pelo menos os anos 80. Na altura, em Portugal, não se pode dizer que fosse uma nomenclatura muito conhecida e, para ser franco, à medida que me fui embrenhando nestes assuntos, não era aquela que mais me agradava. Afinal, que sentido faz educar "para os media"? Para todos os media? Para o que quer que seja que os media façam e difundam? Tem cabimento tomar os media como um objectivo da educação, como se diz, por exemplo, educar para a autonomia ou para a cidadania?
Foi por isso que, perante a necessidade de dar nome a uma nova esfera de formação, instituída na Universidade do Minho, a partir do ano lectivo de 1988-1989, eu tenha optado por Educação para a Comunicação Social. Não posso dizer que tenha sido, nessa opção, excessivamente original. Afinal, na América Latina, em especial, e no Brasil, em particular, tinha-se tornado frequente, naquela altura, a proposta e o uso do conceito de Educação para a Comunicação ou, condensando os termos, Educomunicação [percebem, agora, a razão de ser do nome deste blog?].
Fica, por conseguinte, explicitado porque não se adoptou, há 22 anos atrás, a designação de Educação para os Media. Mas não se justificou ainda os argumentos a favor de Educação para a Comunicação Social.
A Comunicação Social é correntemente associada aos meios de difusão colectiva (ou mass media), mas o conceito é mais amplo e engloba o conjunto de processos e de práticas de comunicação, na sociedade. Neste sentido, configura-se como um meio, mas, ao mesmo tempo, como um fim da vida social. A comunicação é, assim, uma dimensão constitutiva da sociedade, sendo importante - e mesmo determinante - que todos aprendam a comunicar bem, no sentido de ouvir, informar, partilhar e participar, concorrendo para a construção da vida de uma dada comunidade. A Educação para a Comunicação Social é, pois, a formação que deve ter como objectivo último a aquisição e prática da comunicação, nos seus diferentes níveis e modalidades, dando particular ênfase às formas de comunicação mediada. De facto, o extraordinário desenvolvimento dos media de massas, sobretudo na segunda metade do século XX, com a televisão e o seu impacto no espaço doméstico, tornou necessária a aprendizagem de atitudes e comportamentos críticos e activos, quer no plano da leitura das mensagens, quer na compreensão dos seus contextos e lógicas de produção, quer dos quadros sociais de uso e apropriação. A Internet, o telemóvel, os jogos vídeo e as redes sociais só vieram tornar aquele desiderato mais premente, nos últimos 15 anos. Aprender a comunicar (não apenas eficientemente, mas de forma significativa) tornou-se um desafio crucial nos tempos que vivemos. E também paradoxal, visto que temos aparentemente os recursos tecnológicos (ainda que distribuídos de forma assimétrica), mas eles não garantem de per si que comuniquemos bem (ou sequer melhor do que antes) uns com os outros, nas situações do dia a dia, seja entre colegas e amigos, seja na família, no trabalho ou na escola.
Foi por isso que apostámos na Educação para a Comunicação Social. Que chegou a ter um desenvolvimento bastante expressivo e que hoje já não existe como tal. Porquê? Eis o que procurarei apresentar em breve.

quinta-feira, abril 29, 2010

O país e a televisão pública que temos

Uma frase publicada num texto do "Público" pareceu-me apropriada para replicar aqui e para, de alguma forma, lançar uma questão sobre o serviço público televisivo em Portugal. Disse, segundo o jornal, o produtor Pedro Borges da Midas Filmes: "O país é muito melhor do que a televisão pública que temos".

No contexto de uma hipotética privatização da RTP e da sua actual programação como reflexo da definição que a estação faz de serviço público, esta frase despertou-me algum interesse. No (pouco) tempo desde que comecei a dedicar-me à Educação para os Media (ou para a Comunicação Social) que há várias questões que me assombram. Estas são algumas das mais presentes: Que papel existe hoje para o serviço público televisivo no contexto da Educação para os Media? E que papel deveria existir?

Para não falar das questões levantadas pela possível privatização da RTP. Se o país é melhor do que a televisão pública que tem, então não passará o futuro desta pelo aproveitamento, de baixo para cima, desse mesmo potencial?

quarta-feira, abril 28, 2010

Uma perspectiva da Educação para os Media

Um foco de algum 'ruído', quando se encontram pessoas interessadas na relação entre a educação e a comunicação centra-se na nomenclatura. Qual deveria ser a melhor expressão para dizer o que queremos significar? Educação para os Media? Pedagogia dos Media? Literacia Digital? Educação Mediática? Literacia Informativa e Digital?
Todas estas designações terão a sua razão de ser e não têm que se contrapor. Sublinham, porventura, uma dada faceta de um processo que é culturalmente complexo.O que importa saber é se, dessa diversidade de perspectivas ou abordagens, há pontos fortes em comum, que permitam edificar um projecto, um programa, uma política...
Quando, em 1988, fui convidado para leccionar na Universidade do Minho esta matéria, nos cursos de formação de Professores do 1º Ciclo e de Educadores de Infância, o Prof. João Formosinho, que teve nesse processo um papel decisivo, deu-me o privilégio de propor uma designação. E aquela que escolhi foi Educação para a Comunicação Social. Nenhuma das que acima referi, portanto.
Voltarei aqui para explicitar os porquês.

terça-feira, abril 27, 2010

Frase do dia

"Aqueles que não entendem o modo como os media operam, como constroem significados, como podem ser utilizados e como aquilo que apresentam como evidente pode ser questionado e avaliado, esses encontram-se, nas culturas dos nossos dias, em considerável desvantagem".
Len Masterman

"O mundo que perdemos"

De interesse talvez marginal para este blogue, mas pareceu-me importante partilhar o excerto que se segue. Da autoria de Tony Judt, historiador britânico e professor da Universidade de Nova Iorque, faz parte de um ensaio sobre o esquecimento nas sociedades modernas, em particular sobre o esquartejamento do passado, que serve de introdução a um dos seus mais recentes livros.

"A expansão da comunicação, em conjunto com a fragmentação da informação, oferece um contraste significativo mesmo em relação a comunidades de um passado recente. Até às últimas décadas do século XX, a maior parte das pessoas tinha um acesso limitado a informação, mas dentro de um certo Estado ou nação ou comunidade era provável que todas elas partilhassem o mesmo conhecimento, graças à educação nacional, às rádios e televisões públicas e a uma cultura comum de imprensa. Actualmente aplica-se o oposto.

A maior parte das pessoas fora da África subsaariana tem acesso a informação quase infinita. Contudo, na ausência de uma cultura comum para além de uma pequena elite (e por vezes nem mesmo aí), a informação específica e as ideias que as pessoas escolhem ou encontram são determinadas por uma multiplicidade de gostos, afinidades e interesses. À medida que os anos passam, cada um de nós tem menos em comum com os mundos rapidamente multiplicáveis dos nossos contemporâneos, para não falar do mundo dos nossos antepassados."

Tony Judt, Reappraisals: Reflections on the Forgotten Twentieth Century, Vintage Books, 2008.

domingo, abril 25, 2010

Estratégia Nacional de Educação para o Desenvolvimento

Durante a iniciativa Os Dias do Desenvolvimento, foi apresentada a Estratégia Nacional de Educação para o Desenvolvimento (ENED), tendo sido também subscrito, por várias entidades, o Plano de Acção para os próximos cinco anos. Das várias personalidades que participaram na Conferência de apresentação da ENED, destaco a intervenção do Secretário de Estado Adjunto e da Educação que abordou a importância do plano de acção da ENDE e que declarou a intenção de reforçar, nos planos curriculares dos vários graus de ensino, diversos níveis de ‘Educação para…’, a saber: Educação para a Paz, Educação para os Direitos Humanos, Educação para o Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável, Educação para a Interculturalidade, Educação para a Igualdade de Género e Educação Global. Aguardei, em vão, a evocação da Educação para os Media. Apesar de ter sido reconhecido o papel dos media “na construção de uma cidadania exigente e participativa” e “na promoção de relações de cooperação internacional e de um desenvolvimento melhor e mais inclusivo”, e apesar também do importante papel de acção e de participação atribuído aos cidadãos, a educação para os media, que pretende formar para um uso crítico e esclarecido dos meios de comunicação, ficou fora da agenda.
Pergunto: sendo os media olhados como “um elemento-chave na construção das imagens do Outro e na percepção sobre os problemas do desenvolvimento”, como se pode pensar uma estratégia de educação para o desenvolvimento sem se considerar a importância de capacitar os cidadãos para lidarem de forma crítica e esclarecida com os media?

Um apontamento mais: a Conferência de apresentação da Estratégia Nacional de Educação para o Desenvolvimento, prevista para as 10h, começou pelas 10.30h, um atraso registado na maior parte das Conferências. Serão estes atrasos uma boa estratégia (e um bom exemplo) para o desenvolvimento nacional?