domingo, abril 25, 2010

O deve & haver do 25 de Abril na educação

A perspectiva é do sociólogo António Barreto e vem publicada numa entrevista que o DN hoje publica com ele, sob o título:"As revoluções são sempre incompletas, sempre":
"Em relação à educação, o que está no haver é a universalização. Todas as crianças, todos os jovens vão à escola, a escolarização é completa, a rede escolar cobre o País inteiro, toda a gente tem acesso à educação e à escola, não há barreiras definitivas. O apoio social é considerável, não é muito grande, mas é considerável, há bolsas de estudo, até mesmo para o ensino secundário e ainda mais no ensino superior. Isto é o que está no haver, está conseguido. Parece um lugar-comum, que é uma coisa simples. Não é. Para Portugal, não é. Portugal puxou o analfabetismo e a falta de educação até muito tarde, só nos finais nos anos 60, meados, nos finais dos anos 60, ainda no antigo regime, é que começou a haver qualquer coisa no sentido de estimular, fomentar a educação. Recordo que o programa do eng. Veiga Simão, quando foi ministro do Marcelo Caetano, era democratizar a educação. A democratização da educação começou ali. Mas, de facto, foi depois do 25 de Abril que as coisas atingiram a dimensão que atingiram. O que está no deve? Que os princípios inspiradores - a teoria geral, a estratégia, a organização filosófica, cultural e política da educação - deram errado. As modas efémeras, as modas pedagógicas, a inversão de tantas funções… o facto de hoje se dizer em Portugal - e creio que noutros países, não é um facto só português - 'o importante são as competências, não é saber.' Isto a meu ver é um erro. Há quem diga que é mais importante uma pessoa saber ler o horário do comboio ou a bula do medicamento do que ler Camões ou Platão, isto é outro erro. A democracia cultural e da educação é dar a toda a gente Platão, Aristóteles, Camões, seja o que for. Isso é que é saber. Substituir por competências é um erro. Dizer que na sala de aula são todos iguais, professores e alunos, é outro erro. Dizer que aprender é um prazer e não um trabalho e um esforço é outro erro. Estes princípios - dizer que a sala de aula é um sítio de aprendizagem, não é um sítio de ensino - são outro erro. São estas inversões nos princípios que presidem à educação que a meu ver deram errado. E deram errado, vejam-se os resultados."

Mediação da Informação: Perspectivas Transversais

No dia 29 de Abril, a Licenciatura em Ciências e Tecnologias da Documentação e Informação (CTDI ) da Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão do Instituto Politécnico do Porto organiza o IV Encontro de CTDI intitulado "Mediação da Informação: Perspectivas Transversais".

O programa do Encontro, que terá lugar no Auditório da ESEIG, em Vila do Conde, conta com oradores das áreas das Bibliotecas Escolares, da Inovação e do Governo Digital.

O site do IV Encontro de CTDI apresenta mais informações, nomeadamente sobre o programa.

sábado, abril 24, 2010

Workshops em Educação para os Media

Nos passados dias 21 e 22, cerca de 80 crianças e jovens do Ensino Básico e Secundário, e 8 professores, participaram em workshops de Educação para os Media promovidos pela Comissão Nacional da UNESCO no âmbito da iniciativa Os Dias do Desenvolvimento, no Centro de Exposições de Lisboa. Luís Pereira e Sara Pereira, dinamizadores dos workshops, avaliaram positivamente esta experiência que permitiu, aos participantes, pensar sobre a importância dos media para as pessoas e para o exercício da cidadania. Questões da actualidade, a imprensa escrita, nomeadamente os jornais, a Internet e as redes sociais foram alguns dos tópicos trabalhados.
Dado o tempo e a natureza da iniciativa, o objectivo foi sobretudo despertar os jovens para a importância de pensar os media, de pensar o lugar que ocupam nas suas vidas e a relação que estabelecem com eles. Estas temáticas foram desenvolvidas através de actividades práticas, que se pretenderam lúdicas e criativas, evitando orientações escolarizantes e/ou normativas.
A realização dos workshops foi uma forma de comprovar o que Manuel Pinto escrevia há dias neste blogue: “o despertar, a tomada de consciência, o conhecimento - inerentes à educação para os media, podem surgir por múltiplos caminhos. Não têm de ser apanágio do discurso lógico, do percurso racional”. Talvez por isso as crianças e jovens tenham aderido tão bem às propostas.
Ilustram esta mensagem fotos tiradas durante os workshops.







sexta-feira, abril 23, 2010

Uma apresentação e várias incertezas sobre o papel do computador na sala de aula

Surgiu neste blogue, há alguns dias, um pequeno cartaz (que deve estar aqui à direita) a dar a conhecer um estudo que se encontra a decorrer na Universidade do Minho sobre a Educação para os Media em Portugal. Nele, é pedido a quem tenha ligações (ou conheça quem tenha) a projectos nesse campo para contactar Tiago Ferreira, pessoa responsável pela recolha de tais dados.

Assim sendo, eu, Tiago Ferreira, dou-me finalmente a conhecer ao público deste blogue, já com alguns dias de atraso. Espero poder contar com o máximo de colaborações possíveis aí desse lado, para que possamos ter um trabalho final o mais completo possível.

Apresentações feitas, passemos à minha primeira entrada propriamente dita.

Por entre o frenesim das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) brotam pelo meio universitário nos EUA vários casos de professores contra o uso de computadores nas aulas. Este artigo (The Blackboard Versus the Keyboard) da revista Slate dá vários exemplos de professores universitários que decidiram proibir a utilização de portáteis nas salas de aula.

Mais. Uma professora da Universidade do Colorado-Boulder chegou a levar a cabo um estudo não-científico com os seus próprios alunos e notou que os que usavam os portáteis durante as aulas tinham notas, em média, 11% mais baixas do que os restantes. Os hábitos mudaram rapidamente naquela turma.

Por entre justificações em princípio legítimas, como o uso do computador para tirar notas mais rapidamente ou para aceder à Internet de modo a verificar uma ou outra informação, o problema é que o mais habitual é que o portátil seja usado para distrair e não como ferramenta de aprendizagem, como descobriu uma professora da Universidade Winona State no Minnesota. Ao mesmo tempo, um estudo na Roménia mostrou que crianças de famílias de baixos níveis de rendimentos que receberam apoio do governo para comprar computadores melhoraram as suas capacidades técnicas, mas as notas na escola mantiveram-se baixas. O uso dado aos computadores focava-se nos jogos de vídeo e não nos trabalhos de casa.

A questão aqui situa-se nos efeitos das tecnologias sobre os processos de educação e é aplicável a programas de distribuição de computadores em geral. Como escreve um doutorando de Economia da Universidade de Oxford no seu blogue sobre ajuda ao desenvolvimento:

"Quando consideramos a introdução de tais tecnologias nas salas de aula, especialmente em países em vias de desenvolvimento, precisamos de compreender que os efeitos sobre a aprendizagem básica podem ser negativos".

quinta-feira, abril 22, 2010

Acaba de sair

Não li ainda: divulgo a informação que recebi, via ECREA:

Mike Wayne, Julian Petley, Craig Murray, Lesley Henderson (2010)
TELEVISION NEWS, POLITICS and YOUNG PEOPLE: GENERATION DISCONNECTED?
Palgrave

E esta nota de apresentação: "Why are young people alienated from television news? This book argues that contemporary trends indicating deepening disconnection from news about public life reflect problems both with the way television news covers politics - which is the single biggest item on the news - and with the nature of politics itself under neoliberal capitalism. The authors explore the representation of young people and politics on television news and suggest that there are links between these representations and the reason why young people are turned off news programming. They ask both broadcasters and young people what they think can be done to address this issue, and examine the way that young people consume news. The book concludes that the problem is deep-rooted and requires profound changes both in our political culture and in the culture of television news".

quarta-feira, abril 21, 2010

Educação para os Media: conhecer para progredir

Estamos num momento de ténue (mas visível) despertar para a relevância cultural, cívica e educativa da educação para os media. Mas conhecemos mal a nossa própria realidade. E, sem esse conhecimento, é difícil avançar nas tarefas a que importa deitar mãos, para inscrever esta dimensão na agenda pública das questões relevantes.

Ora, para isso e por causa disso, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social ERC) - a quem cabe velar pelo cumprimento da legislação nacional e comunitária com implicações nesse âmbito - solicitou ao Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho que, até Março de 2011, desenvolva um estudo a que foi dado o título "Educação para os Media em Portugal: Experiências, Actores e Contextos". É nesse estudo que boa parte da equipa deste blog está comprometida. E é também por isso que decidiu promover a participação dos leitores portugueses, para que nos façam chegar notícia de iniciativas e projectos em que estejam envolvidos ou de que tenham conhecimento.

O estudo em curso tem a sua própria metodologia, que passa pelo inventário e análise de uma vasta gama de documentos e pela entrevista e visita ao terreno de diversos projectos e programas no âmbito da educação para os media. Mas estamos conscientes de que, sendo a nossa realidade ainda pobre, é, no entanto, mais rica do que aquilo que conhecemos.

O referido estudo articula-se com outras iniciativas que estão em preparação e de que contamos brevemente dar notícia. Elas decorrem de uma dinâmica de encontros que várias instituições de âmbito nacional têm vindo a realizar, no quadro de um grupo informal, que tem em comum a preocupação a educação para os media (literacia mediática e digital). Nesse grupo informal encontra-se o Gabinete para os Meios de Comunicação Social, a Comissão Nacional da UNESCO, o Conselho Nacional da Educação, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, o Ministério da Educação, a UMIC - Agência para a Sociedade do Conhecimento e a Universidade do Minho.

Um primeiro sinal da actividade deste grupo foi dado na passada semana, num encontro realizado em Lisboa, na sede do Conselho Nacional de Educação, no qual um vasto conjunto de personalidades envolvidas em projectos e iniciativas nesta matéria, tiveram oportunidade de dar conta daquilo que que fazem e de se manifestar sobre iniciativas que estão em fase de preparação.

Fica, por conseguinte, aqui reiterado o convite à participação, através de notícia de actividades e iniciativas - mais continuadas ou mais pontuais, de grande vulto ou humildes, já realizadas ou em preparação - que conheçam ou em que estejam envolvidos. Esse contributo será fundamental para uma melhor percepção do ponto onde estamos e para a criação de uma rede de informação e de participação.

A via da surpresa, do riso e da emoção

O despertar, a tomada de consciência, o conhecimento - inerentes à educação para os media, podem surgir por múltiplos caminhos. Não têm de ser apanágio do discurso lógico,do percurso racional. Pode resultar da surpresa, da emoção e até das lágrimas. Vejam esta apresentação de um (sempre) novo produto: