terça-feira, janeiro 19, 2010

Educação para a Cidadania Democrática e para os Direitos Humanos







No dia 26 deste mês de Janeiro, realiza-se o Encontro Nacional do Projecto Educação para a Cidadania Democrática e para os Direitos Humanos. Será na F. Gulbenkian e o programa já está disponível. Tem interesse ler a explicação que aí é dada:


«O Projecto Educação para a Cidadania Democrática e para os Direitos Humanos (ECD/DH), do Conselho da Europa, visa o conjunto das práticas educativas, formais ou informais, que têm como finalidade preparar os jovens e os adultos para a vida numa sociedade democrática contribuindo para que sejam cidadãos activos, informados e responsáveis.
A ECD/DH inclui as diferentes temáticas que emergem dos desafios contemporâneos das nossas sociedades, nomeadamente a educação para a cidadania, a educação para os direitos humanos, a educação para a paz, a educação para o desenvolvimento sustentável e a educação para os media.
A sua abordagem enquadra-se numa perspectiva multidimensional e de educação ao longo da vida e destina-se a todos os que se encontram envolvidos em processos educativos: professores, alunos, encarregados de educação, responsáveis por estabelecimentos escolares, técnicos de educação do ME e das Autarquias, decisores políticos e membros, dirigentes, formadores e animadores de organizações não governamentais. (...)»

Leituras

Do último número da revista brasileira FAMECOS, destacamos:

Comunicação e educação: algumas considerações sociológicas, de Jean Paul Laurens:
Os vínculos entre educação e comunicação são muitos. Proponho apresentar três deles extraídos da literatura sociológica francesa. A comunicação aparece como convidada da sociologia da educação: a) quando a sociologia da educação estuda a comunicação pedagógica entre o professor e os seus alunos e, de modo mais amplo, quando examina as interações entre os diversos atores na sala de aula; b) quando estuda as consequências na organização escolar da forte influência da mídia na sociedade contemporânea e aborda o papel na educação das novas tecnologias da informação e da comunicação; c) enfim, quando estuda a violência escolar pela qual a televisão é frequentemente considerada responsável, do que, em função da sua carga emocional, a mídia não consegue dar conta.
Cultura da Mobilidade, de André Lemos:
A mobilidade é inerente ao homem, sendo correlata à necessidade de criar um lugar no mundo, de “construir para habitar” (Heidegger, 1958), de estabelecer um topus que nos proteja da solidão e do vazio do espaço genérico e abstrato. A cultura da mobilidade entrelaça questões tecnológicas, sociais, antropológicas. Para a comunicação, a mobilidade é central já que comunicar é fazer mover signos, mensagens, informações, sendo toda mídia (dispositivos, ambientes e processos) estratégias para transportar mensagens afetando nossa relação com o espaço e o tempo. Na atual fase das tecnologias da mobilidade e de localização (as mídias locativas), não se trata tanto de aniquilar os lugares, mas de criar espacializações. Esta é a tese aqui defendida. A atual cultura da mobilidade é uma cultura locativa.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Imigrante digital? Hmmm!

No blog The Quest for Digital Literacy, sugiro a leitura do post Digital Natives, Digital Immigrants – Hmmmm . Termina assim: "Am I a digital immigrant? No, I don’t think so. I am a digital citizen, naturally digitized and able to speak with many, “accents,” even those of my students."

Professores valorizam media digitais na escola


Acaba de ser divulgado um relatório anual do Serviço Público norte-americano que revela uma maior abertura por parte dos professores daquele país para o uso das novas tecnologias e dos media digitais nas salas de aula. Conduzido pela Grunwald Associates LLC, o estudo questionou docentes desde o ensino pré-primário até ao secundário e revela apontamentos interessantes, tais como:

- a maioria dos professores já utiliza os media digitais com aplicações práticas nas salas de aula, desde o planeamento das sessões até à comunicação com os próprios alunos, fora do contexto escolar;
- a maioria destes docentes valoriza os media digitais e acredita que são ferramentas essenciais para a realização de um trabalho mais eficiente;
- um número crescente de professores está a aderir às redes profissionais online, referindo que são circuitos importantes quer para a vida profissional, quer pessoal.

O estudo destaca que o impacto das novas tecnologias poderá permitir a criação de ambientes escolares mais activos, de aprendizagem mútua, através de um novo conjunto de recursos pedagógicos que potenciam a criatividade dos alunos.

A entidade norte-americana de serviço público conduz este relatório anual desde 2002. Com a divulgação deste estudo, pretende sensibilizar educadores, pais, indústria dos media e comunidade política para as potencialidades que os recursos digitais e os media podem oferecer à escola.

Para consultar em detalhe o relatório, ver aqui.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Twitter na educação para os media

"O que sei, partilho-o; o que não sei, pergunto". A frase é citada por Laurence Juin, uma professora que trabalha com uma turma do último ano do secundário, em França, e que decidiu o utilizar o Twitter como auxiliar pedagógico. No post hoje colocado, estabelece a relação entre esta experiência e a educação para os media. Mas, sobre o uso do Twitter, há uma série de outros posts.
A este propósito, vale a pena sublinhar que são numerosas as sugestões e as experiências que fazem cruzar o Twitter com a educação. Só em português, a expressão de pesquisa "Twitter na escola" no Google devolve-nos mais de 370 mil resultados.

Quem de entre os leitores - ou seus conhecidos - usa o Twitter no seu trabalho como docente? Em que projectos? Em que contextos?
Quem quer dar a conhecer ou sugerir experiências e tweetters? Por favor, usar a zona de comentários, para responder e participar.

Actualização (20.1):
L’expérience Twitter d’une classe de terminale bac pro: "J’ai récemment découvert via Twitter qu’une classe de terminale bac pro vivait une « expérience » Twitter. J’ai commencé par lire le blog. J’ai voulu en savoir davantage".
A docente, autora da iniciativa, Laurence Juin, respondeu a um conjunto de questões do Carnet de Com.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Literacia digital e emprego

“No século XXI, o conceito de literacia e a prática de ensinar a ler às nossas crianças deve ser alargado à literacia digital”. A afirmação é de Julius Genachowski, presidente da entidade reguladora dos media dos Estados Unidos da América, numa intervenção que fez neste final de semana, na Consumer Electronics Show, em Las Vegas.
Esta ideia programática, que hoje começa a ser percebida como estratégica para o desenvolvimento das sociedades contemporâneas e para a cidadania, não se pode dizer que seja em si mesma muito inovadora, ainda que vá uma grande distância entre defendê-la e pô-la em prática.
Quando falamos em literacia digital, a nossa mente e o nosso olhar voltam-se de imediato para a escola e para os professores. Achamos que este tipo de coisas é matéria de currículo, de métodos de ensino e de aprendizagem, de educação, em suma. Mas: e se fosse também matéria de emprego, de produtividade, de economia, de bem-estar e qualidade de vida?
Na intervenção referida, Genachowski acrescentou algumas notas que apontam precisamente nesse sentido e que talvez possam (ou devessem) fazer os empresários e os responsáveis pelas políticas sociais pensar um pouco. Aludindo ao plano de universalização do acesso à banda larga, o presidente da Federal Communications Commission observou que “quanto maior for o acesso à Internet, mais oportunidade haverá de encontrar emprego, visto que a maior parte da oferta requer competências digitais básicas”. Daí que, segundo ele, sendo compreensível que os pais exprimam preocupações várias acerca da segurança dos filhos online, “o risco maior é o das crianças que não têm computadores, não tendo assim possibilidade de complementar a sua formação com a pesquisa na Internet”. E com a análise crítica das fontes que encontram, com a capacidade de gerir a informação encontrada e de produzir informação e sínteses novas – acrescento eu.
Entendo que esta alfabetização relativa às novas linguagens e às redes digitais não pode nem deve contrapor-se nem sequer sobrepor-se às restantes literacias, em particular a uma adequada aprendizagem da leitura, da escrita e do cálculo. O que talvez falte compreender é que as aprendizagens que a cidadania e o emprego cada vez mais supõem não se somam umas às outras. Combinam-se e jogam umas com as outras.

(Texto publicado na edição de hoje do diário digital da Renascença, Página 1)

COMPLEMENTO: Independent Review of ICT User Skills, UK, 2009.

sábado, janeiro 02, 2010

O (jovem) espectador multi-ecrãs

Sob o título La Red desafía el reinado de la televisión , o diário espanho, El País mostra como a Internet está a suplantar a TV, especialmente entre os jovens. O texto merece ser lido na integralidade. Fica aqui o primeiro parágrafo:
"David Muñoz, de 18 años, domina las pantallas sin problemas. Tumbado el sofá, con una mano agarra el mando a distancia para ver Física o Química y de reojo echa un vistazo a la pantalla del ordenador, donde se descarga un par de canciones y actualiza su perfil en Facebook. No es ningún experto informático; estudia un módulo de Administración y trabaja en una tienda de artículos de motociclismo en Barcelona. Sencillamente, ha crecido entre pantallas; es un aborigen digital. 'Ahora, los padres ya no amenazan a sus hijos con castigarlos sin tele, sino con cerrarles el ordenador', ironiza Muñoz. Más que ser devota de una pantalla, su generación ya las simultanea todas. La del televisor, la del ordenador, la del móvil y la de la videoconsola. Pero la mayoría de adolescentes se inclina por una en especial: un 63% de los jóvenes entre 10 y 18 años prefieren Internet al televisor, según un informe del Foro de la Generación Interactiva en España, de la Fundación Telefónica."