quinta-feira, agosto 28, 2008

Efeitos dos jogos vídeo: senso comum e pesquisa
Oito mitos sobre os videojogos


Qual o grau de proximidade ou de distância que vai entre a percepção que as pessoas comuns têm acerca dos jogos vídeo e os resultados a que a investigação científica vem chegando?
A pergunta foi o mote tomado pelo professor Henry Jenkins, do MIT e a conclusão é de que existe um 'gap' importante entre os dois tipos de dados. Para "separar o que é factual do que é ficção", Jenkins escreveu, no site da televisão pública norte-americana o texto intitulado "Reality Bytes: Eight Myths About Video Games Debunked".

Os oito mitos que o autor escalpeliza são os seguintes:
  • 1. The availability of video games has led to an epidemic of youth violence.
  • 2. Scientific evidence links violent game play with youth aggression.
  • 3. Children are the primary market for video games.
  • 4. Almost no girls play computer games.
  • 5. Because games are used to train soldiers to kill, they have the same impact on the kids who play them.
  • 6. Video games are not a meaningful form of expression.
  • 7. Video game play is socially isolating.
  • 8. Video game play is desensitizing.
Em resumo:

"... video games are not the sole source of violence among children. In fact, they do not influence children any more than movies, music or the Internet do. Video games, like any other form of media, can only trigger the desire for violence already lying dormant in an emotionally disturbed child. They cannot “corrupt” someone who is mentally stable and understands that there is a distinct difference between fact and fiction."

Pelo que me toca e, sobretudo, pelos estudos que fiz sobre esta matéria, ainda que relacionados com a televisão, tendo a concordar em termos gerais com o autor. Assinalaria apenas dois pontos que complexificam um pouco as coisas: por um lado, mesmo entre crianças estáveis, os contextos, trajectórias e recursos culturais das crianças estão longe de ser distribuídos equitativamente. Por outro lado, muitas das investigações são feitas tipo retrato de momento ou recorrem a metodologias descontextualizadoras da experiência de jogar e, sobretudo, têm dificuldade de captar os efeitos de uma imersão intensa (de tempo e emocional) considerados a longo prazo.
NB - Vale a pena consultar a lista de referências que Jenkins inclui no final do artigo.

terça-feira, julho 29, 2008

A Geografia do Tsunami Intel portátil...

Retiro do Expresso online algumas passagens do trabalho de Helena de Sousa Freitas, da agência Lusa, Ensino: Livros preteridos a documentos digitais como fonte de consulta dos estudantes:

  • "Tenho alunos que não colocam um único livro na bibliografia, apenas referem páginas de Internet e, embora as escolas tenham bibliotecas, a verdade é que os alunos que lá entram vão direitinhos ao computador, para navegar", contou Rosário Antunes, professora de Português.

  • "Uma vez vi um aluno na Net a pesquisar sobre o fenómeno 'tsunami' para a disciplina de Geografia. Qual não foi o meu espanto quando ele imprimiu o trabalho e constatei que o texto falava da marca de computadores 'Tsunami'", contou à Lusa. "Isto mostra que ele seguiu o primeiro 'link' que lhe apareceu no motor de busca e que copiou o texto tal e qual sem sequer o ler", sublinhou a docente.

  • A conquista de terreno por parte dos meios digitais face aos suportes impressos estende-se ao ensino superior, de acordo com Rogério Santos, docente na licenciatura de Comunicação Social e Cultural e no mestrado de Ciências da Comunicação na Universidade Católica Portuguesa. (...) "A Wikipédia, por exemplo, é um dos locais mais utilizados pelos alunos - mesmo pelos universitários - como fonte para os trabalhos, apesar de os verbetes serem, geralmente, escritos por pessoas sem créditos nas respectivas áreas", alertou.

Perante este cenário, que pelos vistos "afecta" os estudantes dos vários níveis de ensino, impõe-se a pergunta:

Onde (em que disciplina, em que área, em que ano) se aprende a pesquisar na Web, ou os procedimentos a seguir para a elaboração das referências bibliográficas?

Os trabalhos apresentados pelos alunos seguem, geralmente, as indicações que os professores lhes derem, que grande parte dos casos talvez não passem de um simples "Vão pesquisar na Net".

No que toca aos novos media, tenho a sensação que nos limitamos a constatar que os alunos fazem as coisas mal, como se em relação a estas matérias eles tivessem a obrigação de nascer ensinados.

Espantoso ou assustador?



Agradeço ao Nelson Zagalo a sugestão do vídeo.

domingo, julho 27, 2008

UE e literacia mediática

Foi recentemente tornado público no jornal oficial da União Europeia mais um documento relacionado com a literacia mediática. Trata-se das "Conclusões do Conselho de 22 de Maio de 2008, sobre uma abordagem europeia da literacia mediática no ambiente digital (2008/C 140/08)".
Nele, o Conselho convida os estados membros a:

— incentivarem as autoridades competentes, por exemplo as
responsáveis pela regulação dos sectores audiovisual e das
comunicações electrónicas, a cooperarem e promoverem o
aumento da literacia mediática,
— promoverem e facilitarem a elaboração e a aplicação de
códigos de conduta e outras iniciativas em matéria de
co-regulação e de auto-regulação em conjunto com todas as
partes interessadas a nível nacional,
— incentivarem todas as partes interessadas, especialmente
dentro do sector dos meios de comunicação social e das
TIC, a efectuarem regularmente a sua própria investigação e
observação dos diferentes aspectos e dimensões da literacia
mediática,
— promoverem iniciativas de sensibilização, nomeadamente as
que incidam especificamente na utilização de TIC dirigidas
aos jovens e aos pais e que envolvam tanto as organizações
juvenis como os meios de comunicação social,
— promoverem a literacia mediática no quadro das suas estratégias
de aprendizagem ao longo da vida e encorajarem a
aprendizagem entre pares e o intercâmbio de boas práticas
entre profissionais do ensino neste aspecto da educação.

Em Portugal, os sinais de que alguma coisa esteja a mexer neste domínio são ... invisíveis e inaudíveis. Ou não?

quarta-feira, julho 16, 2008

Education for a Digital World


Education for a Digital World
Advice, Guidelines, and Effective Practice from Around the Globe

Co-publicado pela BCcampus e Commonwealth of Learning, 2008
  1. The Impact of Instructional Technologies
  2. Preparing Online Courses
  3. Implementing Technology
  4. E-learning in Action
  5. Engagement and Communication
Ver em pdf
[via TISCAR]

terça-feira, julho 15, 2008

Adestramento ou participação crítica?

Grainne Conole falando sobre “Disruptive Technologies or New Pedagogical Possibilities.”

(Via: Teaching and Teching, Technically proficient or digitally literate?)

quinta-feira, julho 10, 2008

Economia política da literacia digital


















Um livro editado já este ano pelo Paulo Freire Research Center, da Finlândia, trata, ao fim e ao cabo, dos dois mundos que se têm vindo a formar em torno do acesso e proveito relacionados com as TIC. Afinal, também neste âmbito, não há apenas um mundo, como os discursos encantatórios dominantes pretendem fazer crer.
(Via: Tíscar.com)