sábado, abril 12, 2008

Chaves da alfabetização digital

"Claves de la Alfabetizacion Digital" é o título de um livro editado em 2006 pela Fundação Telefónica e pela Ariel.
Sugerindo a consulta deste trabalho, integralmente disponível no site da Fundação, sugerimos o o parágrafo final das conclusões:

"[...] la alfabetización digital debe trascender el mero concepto utilitarista centrado en el desarrollo de las habilidades en el manejo de las TIC, algo necesario pero insuficiente. La alfabetización digital tiene que dotarse de un enfoque conceptual crítico del nuevo entorno tecnológico con el fin de facilitar la integración de las personas como sujetos activos y conscientes, y no como meros consumidores de tecnologías. Este será el mejor camino para superar las trampas del mercado o, lo que es lo mismo, para pasar de la sociedad de la información a la sociedad del conocimiento para todas las personas".

quarta-feira, abril 09, 2008

Os telemóveis e a Educação para os Media

O Educare faz uma reflexão - Carolina Michaelis do avesso - sobre o famoso caso dos telemóveis (são dois os telemóveis, o do "dá-me-o-telemóvel-já" e o que filmou), a partir do contributo de Sara Pereira, um dos membros deste blogue, que defende a necessidade de uma Educação para os Media. Os dispositivos tecnológicos apenas vieram sublinhar essa urgência, agora que "a vida entra pela sala de aula dentro e cria os seus próprios acontecimentos mediáticos".


«Apesar destas mudanças, aparentemente, a análise dos media continua a estar arredada do ensino. "Os meios de comunicação social e as tecnologias são vistos como um entretenimento e, por isso, considera-se que o lugar deles não é na escola", sintetiza Sara Pereira. Para questionar: "Mas se a escola não se abre à vida, nem a leva para aí para ser discutida, serve para quê, então?".

(...) O caso Carolina Michaelis funciona como um paradigma do actual estado da situação. Ponto um: está em causa a posse por um objecto tecnológico. Ponto dois: os intervenientes não são só actores e espectadores, são, eles próprios, produtores de acontecimentos. "As tecnologias deram a noção de poder", continua a investigadora. O poder de partilhar no Youtube, para uma comunidade vasta, um caso particular. Figuras anónimas catapultadas para o espectáculo mediático. "Tudo isto sem o respeito pela privacidade dos colegas, sem se ter a noção das consequências das acções", adverte Sara Pereira.

(...) Sara Pereira não deixa de insistir: "Faz falta uma reflexão sobre este tipo de cenários, faz falta contextualizar, qual o significado daqueles acontecimentos, a análise dos media é um exercício de cidadania".»

Prémio sobre a participação das crianças nos media

A UNICEF aceita até 16 de Maio inscrições dos media televisivos e radiofónicos que pretendam participar na edição deste ano do International Children’s Day Broadcasting (ICDB) Awards. Estes prémios são destinados a operadores cuja programação melhor reflicta o tema proposto para o ano passado ("O mundo que queremos") e que demonstrem um interesse geral pela participação dos mais novos nos media.
Mais informação: AQUI.

quinta-feira, abril 03, 2008

Da Irlanda...

Critical Media Literacy in Ireland


Critical Media Literacy (CML) is a matter of major public importance. The skill-set of CML1 is increasingly recognised at national and European level as essential to citizenship and to a healthy democracy.


MediaForum provides, supports and facilitates Media Literacy Education in Ireland




The Digital Hub is a community of people – artists, researchers, educators, technologists, entrepreneurs and consumers, all working together to create innovative and successful digital media products and services which support their
future.
[It's] an Irish Government initiative to create an international centre of excellence for knowledge, innovation and creativity focused on digital content and technology enterprises.

Escola - que futuro?

Carlos Zorrinho escreve sobre a Escola com Futuro, tendo em conta a intervenção do Plano Tecnológico para a Educação, de que é responsável:
A vida é hoje cada vez mais multifuncional. Ao mesmo tempo vemos televisão, lemos, escrevemos, jogamos e falamos! É isso que os jovens estudantes fazem quando estudam com a música alta, o computador ligado e o telemóvel pronto a trocar mensagens. É assim que aprendem e é nesse ambiente que vão ter que viver e criar valor.
E a escola? A escola é cada vez mais isso nos intervalos, nas actividades lúdicas e complementares, mas não tem ainda condições para ser isso nos períodos formais de aulas.
É por isto que o Plano Tecnológico para a Educação é tão importante como parte da corajosa reforma que o Governo está a implementar. Não que a tecnologia seja uma panaceia para os problemas da escola, mas porque a mudança induzida constitui um convite a um novo diálogo para a mudança. Um diálogo centrado no futuro dos alunos e não nos interesses dos grupos profissionais. Um diálogo que dignifica a escola no seu todo como a instituição chave para o futuro que ambicionamos.

quarta-feira, abril 02, 2008

Os mais novos e as redes sociais

A entidade reguladora britânica para os media divulgou hoje o conteúdo de um grande estudo intitulado Social Networking - A quantitative and qualitative research report into attitudes, behaviours and use.
Algumas conclusões:


  • Social networking sites are most popular with teenagers and young adults
  • Some under-13s are by-passing the age restrictions on social networking sites
  • The average adult social networker has profiles on 1.6 sites, and most users check their profile at least every other day
  • Social networkers fall into distinct groups
  • Social networkers differ in their attitudes to social networking sites and in their behaviour while using them. Ofcom’s qualitative research indicates that site users tend to fall into five distinct groups based on their behaviours and attitudes. These are as follows:
    • * Alpha Socialisers (a minority) – people who used sites in intense short bursts to flirt, meet new people, and be entertained.
    • * Attention Seekers – (some) people who craved attention and comments from others, often by posting photos and customising their profiles.
    • * Followers – (many) people who joined sites to keep up with what their peers were doing.
    • * Faithfuls – (many) people who typically used social networking sites to rekindle old friendships, often from school or university.
    • * Functionals – (a minority) people who tended to be single-minded in using sites for a particular purpose.
  • Non-users also appear to fall into distinct groups; these groups are based on their reasons for not using social networking sites:
    • * Concerned about safety – people concerned about safety online, in particular making personal details available online.
    • * Technically inexperienced – people who lack confidence in using the internet and computers.
    • * Intellectual rejecters – people who have no interest in social networking sites and see them as a waste of time.
  • Users create well-developed profiles as the basis of their online presence
  • Users share personal information with a wide range of ‘friends’
  • While communication with known contacts was the most popular social networking activity, 17 % of adults used their profile to communicate with people they do not know. This increases among younger adults
  • Only a few users highlighted negative aspects to social networking.

domingo, março 30, 2008

O telemóvel e o caso da Escola Carolina Michaëlis

O Jornal de Notícias toma hoje uma iniciativa que merece aplauso, a propósito do acto de indisciplina na Escola Secundária Carolina Michaëlis, do Porto, protagonizado por uma aluna e pela professora e filmado e disponibilizado no YouTube por um colega da turma.
O JN juntou na sua Redacção alunos e professores para debater o caso. O resultado é a peça "Episódio foi infeliz mas é a excepção", assinada pela jornalista Helena Teixeira da Silva. Destacamos as partes relativas à relação dos alunos com esse gadget que, como está visto, se tornou em muito mais do que um objecto técnico:

"Chocou-me a impassividade da turma, a falta de solidariedade e de valores daqueles que serão os cidadãos de amanhã", confessa Manuel da Costa, professor de Educação Visual e Tecnológica na Escola Sá de Miranda, no Porto, acrescentando que, surante muito tempo, questionou-se se "o uso do telemóvel seria um desafio à autoridade até perceber que os alunos o vêem como uma espécie de prolongamento da sua individualidade". De qualquer forma, admite que, com a mediatização do caso, o sentimento foi o de ver "a classe vilipendiada".
É na extensão da "humilhação" que Sandra Bugalho, professora de Ciências há sete anos, coloca também a ênfase. "Há um aluno que teve a frieza de filmar uma situação com a qual deveria ter sido solidário, e publicá-la. O problema novo é estender a humilhação a que sujeitaram a docente a toda a comunidade".

Manuela Matos Monteiro tem reservas em relação à consciência das implicações na divulgação do vídeo: "A relação que os alunos fazem entre público e privado é completamente diferente da nossa. Para eles, tudo é passível de ser colocado no Youtube".

Aliás, para esta professora, as novas tecnologias servem para explicar algumas das mutações sociais mais importantes das últimas décadas, nomeadamente na relação professor-aluno. "Somos a geração de adultos - pais, professores, educadores - que, pela primeira vez, na história da humanidade, temos alunos e filhos que dominam uma área com uma competência que nós jamais teremos. Eles aprenderam sozinhos, e com prazer, a socializar num novo mundo no qual nós tentamos entrar, mas com esforço". Isso fragiliza o papel do professor? "Obviamente", responde.

Manuel da Costa concorda, mas ressalva que "a tecnologia dá informação, mas não dá conhecimento". E Teresa Pinto de Almeida vai ainda mais longe: "Não fornece os princípios e valores cívicos que é suposto um aluno ter".

Com alguma relutância em focalizarem o discurso no episódio concreto, é Manuela Matos Monteiro quem, como a própria disse, acaba por aceitar "comprometer-se", ajuizando, sem querer ajuízar, o comportamento da professora da Carolina Michaelis, uma vez que o da aluna - é consensual - não levanta qualquer dúvida.

"Não se chega àquela situação sem que haja uma história por trás. A colega deveria ter chamado um funcionário e participar a situação. A aproximação corpo-a-acorpo é perigosíssima. Não pode nunca chegar-se aí". Nem aí, nem ao ponto de um professor achar que "é tão bom que pode ser amigo do aluno". Não pode, reforçam todos.

"O professor - e isto é inegociável - é sempre o comandante do barco", atesta Manuel da Costa, confessando que, "durante muito tempo tentou perceber se o uso do telemóvel era um desafio à autoridade, até perceber que o aparelho é uma espécie de prolongamento da individualidade de cada um". Algo que tenta respeitar com "bom senso", mas sem deixar de apontar - nesta como na globalidade das questões- o dedo à ausência dos pais. "Demitiram-se da função".

(...)

Não esquecendo o objecto que deu origem ao conflito, o telemóvel é, ou não, afinal, imprescindível numa sala de aula? Ninguém o defende incondicionalmente, a não ser, talvez, João Reis."Todos os alunos que conheço têm telemóvel - tem mesmo que ser", vinca a importância do aparelho.

"Ninguém o usa para humilhar os professores, nem o deposita em cima da secretária. Mas está no bolso, sempre pronto a ser usado". Pronto-pronto, como numa emergência? "Sim". E o que é uma emergência? "Pode ser só uma pessoa de família, grávida, prestes a dar-nos um sobrinho", sorri. E a boa-nova não pode esperar até ao fim da aula? Resposta definitiva: "Não. Hoje, cada minuto é para ser vivido aqui e agora".

No mesmo jornal, ler, igualmente sobre este assunto, da autoria de Alice Vieira,A geração do ecrã.