sexta-feira, agosto 24, 2007

Os touros e as pessoas

A TVE, estação pública espanhola, "deixou de emitir touradas em directo quando estas se realizam no horário da tarde", segundo noticia o JN. "O motivo - acrescenta o diário - deve-se ao facto de nessa altura muitas crianças se encontrarem a ver televisão e de nas corridas do país vizinho se matarem os touros na arena".
Em si mesma, a decisão até será positiva, ainda que não agrade, naturalmente, aos 'aficcionados' da 'fiesta'.
Mas vem a propósito uma pergunta: e que deveria então fazer a televisão pública espanhola relativamente àqueles programas que certamente emite, que passam em horários diurnos e em que também se enxovalha e mata ... pessoas?

quinta-feira, agosto 23, 2007

Literacia mediática: uma mina de recursos

Um sítio onde se volta muitas vezes: Media Literacy Clearinghouse - critical thinking about media messages (Resources for K-12 Educators), da responsabilidade de Frank Baker.
Estão as crianças europeias demasiado
confiantes perante os riscos da Internet?


A pergunta foi objecto de um estudo qualitativo realizado pelo Eurobarómetro, mas com uma inovação significativa: é a "primeira vez que se pergunta directamente às crianças europeias como utilizam as tecnologias em linha, quanto tempo navegam por prazer ou por necessidades de estudo e como lidam com os riscos," segundo declarou Viviane Reding, Comissária Europeia responsável pela Sociedade da Informação e os Meios de Comunicação Social.
O 'press release' sobre os resultados deste trabalho refere, a dado passo, esta declaração da referida comissária:

"A capacidade de utilizar activamente os novos meios de comunicação é fundamental para o desenvolvimento, na Europa, de uma sociedade baseada no conhecimento. Ao mesmo tempo, os resultados deste inquérito alertam para a necessidade de uma educação pró-activa em matéria de meios de comunicação em linha. Além disso, é necessário continuar a sensibilizar as pessoas, sobretudo os pais, para as oportunidades e os riscos dos novos meios de comunicação. Quando está em causa a segurança dos nossos filhos, todo o cuidado é pouco."

O texto com os resultados do inquérito do Eurobarómetro sobre a utilização das tecnologias em
linha pelas crianças encontra-se disponível online, em inglês e francês.
...
O jornal Le Monde, através do qual tive conhecimento do estudo do Eurobarómetro, traz hoje um texto sobre este assunto, intitulado Les jeunes Européens sont conscients des risques du Web.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Competências dos alunos britânicos do secundário

"Podem perceber muito de novas tecnologias - e nisso dão cartas aos empregadores - mas entram no mercado de trabalho com cada vez mais deficiências no que se refere a leitura, escrita e contas". Assim se poderia resumir os resultados de um inquérito recente promovido pela Confederação Britância da Indústria junto dos alunos que terminam o ensino secundário. Globalmente, orém, os patrões parecem estar satisfeitos. Algumas notas sobre o inquérito, através desta notícia do ZDnet:

"The Confederation of British Industry (CBI) and Pertemps Employment Trends Survey found 92 percent of employers are happy with the IT skills of students taking General Certificate of Secondary Education qualification exams, which typically are administered to students aged 14 to 16.

The CBI chalks this up to the familiarity of "generation text" with Web and mobile-based technologies and a 47 percent increase in the number of pupils taking the information and communications technology GCSE exam over the last decade. About 110,000 students took the exam last year.

"Their fluency with iPods, mobiles and MySpace has translated well into the workplace, and often gives them an edge over their bosses. The greater focus on IT in schools and investment in computers is also helping," Richard Lambert, CBI's director general, said in the report.

But the report found that those leaving secondary-school programs increasingly lack basic abilities in English and math. More than half (52 percent) of the employers questioned in the survey said they are dissatisfied with the basic literacy of those who have completed secondary school, and half said the same about numerical skills.

(...)".

Ver, sobre o mesmo assunto, a notícia do Daily Mail: iPod generation struggling to read and write

terça-feira, julho 31, 2007

Workshop sobre Second Life na Uminho


Inserido no 5º Congresso SOPCOM, vai realizar-se a 5 de Setembro próximo, na Universidade do Minho, um workshop sobre o Second Life (SL), cuja coordenação cabe ao Prof. Nelson Zagalo, docente da UM.

A iniciativa, que conta com a colaboração de investigadores das Universidades de Aveiro, do Minho e da UTAD, bem como da empresa Beta Technologies, desdobra-se em dois tempos autónomos: de manhã, o workshop terá um caracter mais aberto e abordará as vertentes 'Introdução ao Second Life, potencialidades do novo media' e 'Second Life, Plataforma para Investigação Aplicada'; a tarde será dedicada à formação sobre 'Desenvolvimento em Ambientes SL'. Nesta parte, os participantes, em número restrito, trabalharão em laboratório.

As incrições podem ser feitas apenas para o período da manhã ou para todo o dia através do preenchimento de ficha própria. Para qualquer dúvida ou esclarecimento, há um contacto de e-mail: nm07secondlife@ics.uminho.pt. Para acompanhar esta iniciativa foi criado o blogue Novos media 07 | Second Life.

domingo, julho 29, 2007

Alunos vão aprender a lidar com a publicidade

A notícia vem no Diário de Notícias de hoje:

"
A partir de Setembro, os estudantes do 1.º e 2.º ciclo, dos sete aos onze anos, terão um novo currículo nas salas de aula: vão aprender a entender a publicidade e a defender-se dos seus abusos. As actividades começam num conjunto-piloto de 12 salas de aula, mas o objectivo é ter a experiência generalizada a todo o País em Janeiro de 2008.

O programa chama-se "Media Smart". Surgiu no Canadá e abrange países como o Reino Unido e a Holanda. Em Portugal, a supervisão estará a cabo de um grupo de peritos, liderado pelo ex-ministro da Educação Roberto Carneiro. Quatro ministérios - Educação, Saúde, Economia e Assuntos Parlamentares - participam na iniciativa, que é patrocinada pelos próprios anunciantes.

"A publicidade é uma actividade perfeitamente legítima, mas tem determinadas regras. A maioria das empresas cumpre-as, mas às vezes são ultrapassados alguns limites", explicou ao DN Manuela Botelho, secretária-geral da Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN). E com esta experiência de formação, acredita a responsável, "as crianças serão mais capazes de distinguir o que é verdade e o que é mentira. E isso é benéfico para quem cumpre".

Os patrocinadores, que ainda não foram anunciados, vão investir cerca de 200 mil euros por ano, aplicados na produção de materiais didácticos e na formação de professores, e têm de "assumir o compromisso de não tirar qualquer partido da iniciativa". Para a divulgação desta terão ainda de ser encontrados parceiros nos media. (...)"

Continuar a ler: aqui.

terça-feira, julho 24, 2007

Conferência Anual da IAMCR

Estamos no segundo dia do Congresso Anual da IAMCR (Internacional Association for Media and Communication Research), que decorre em Paris, na sede da UNESCO, sobre “Media, Communication, Information: Celebrating 50 Years of Theories and Practices”.
Como é habitual, o Congresso organiza-se em torno das sessões temáticas constituídas no âmbito da IAMCR. Hoje de manhã apresentei, na secção audiências, uma comunicação intitulada "Young Audiences Through the Eyes of Television Professionals" que despoletou um interessante debate acerca da televisão para crianças.Discutiu-se, por exemplo, a forma como a TV, a que é especificamente dirigida às crianças mas também todos os outros programas que elas vêem, permitem ou promovem a sua participação na esfera pública. A partir daqui, a discussão alargou-se à participação das crianças na programação que lhes é dirigida, as formas e/ou oportunidades que os mais novos têm para intervir nesse processo, para expressar as suas opiniões acerca da programação, para fazer ouvir as suas vozes.
Tendo apresentado uma comunicação sobre as perspectivas dos profissionais, directa ou indirectamente ligados à TV para crianças, sobre a audiência infantil, o desafio colocado foi o de desenvolver um estudo sobre o que as crianças pensam sobre a programação que lhes é dirigida. Um desafio que não estava, de todo, fora dos nossos objectivos de investigação.
Uma participante rematou, da assistência, o debate da melhor forma possível: a investigação que se desenvolve neste âmbito é também uma forma de fazer ouvir as vozes das crianças.