quinta-feira, fevereiro 08, 2007
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
... e os pais, docentes e decisores ganhariam em estar atentos e intervir nessa frente. Essa é uma das ideias fortes do Dia europeu para uma Internet mais segura, que amanhã, dia 6, se assinala. Em Portugal, existe ainda pouca noção dos riscos que as crianças - que são cada vez mais frequentadoras da Internet - correm quando se conectam à rede e se encontram entregues a si próprias e sem "armas" para se defenderem, de acordo com a Prof. Cristina Ponte, coordenadora da parte portuguesa do projecto de investigação "Eu Kids Online", actualmente em curso na União Europeia.Um press release difundido a propósito da situação no nosso país explica:
"Em Portugal, de acordo com o Eurobarómetro de Maio de 2006, que auscultou pais e outras pessoas que cuidavam de menores de 18 anos, mais de metade dos inquiridos portugueses (53%) não aplicava quaisquer regras de segurança, o que colocava o país na 23ª posição, entre os 25 países da União Europeia. A principal regra estabelecida nos lares era o controlo do tempo; a proibição de visitar certos sites registava pouco mais de metade (51%) de respostas e a regra de não dar informação pessoal era estabelecida apenas por 14% dos inquiridos".
Segundo Cristina Ponte, em declarações a este blogue, o Eu Kids Online Portugal conta ter dados do estudo que está realizar lá mais para o Verão, devendo, então, torná-los públicos. Entretanto, o site que criou na Internet dispõe já de documentação e de ligações que tornam a consulta de grande utilidade.
Dada a preocupação a nível internacional que o tema da segurança na net está a levantar, um consórcio de entidades portuguesas submeteu recentemente também ao programa Safer Internet Plus a candidatura de um projecto nacional, o InternetSegura, para dois anos. Os objectivos do InternetSegura são o desenvolvimento de acções de sensibilização e a operacionalização de uma hotline para os cidadãos poderem reportar conteúdos potencialmente ilegais que tenham detectado na Internet. As entidades proponentes são a UMIC – Agência para a Sociedade do Conhecimento, IP, a Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular/ Computadores, Redes, Internet e Escolas (DGIDC/CRIE), a Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN) e a MSFT – Software para Microcomputadores, Lda (MSFT).
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
“LER NA ESCOLA E NO MUNDO DO SÉC. XXI. COMO? QUANDO? ONDE? PORQUÊ?”. É este o tema deste ano do concurso nacional de jornais escolares, promovido pelo projecto Público na Escola, do Jornal Público, com o apoio de diversas entidades, públicas e privadas.A esta iniciativa, cujo prazo de inscrição termina a 30 de Março próximo, podem concorrer os agrupamentos de escolas e estabelecimentos de ensino dos 1.º, 2.º e 3.º ciclos do ensino básico
e do ensino secundário do continente, regiões autónomas e comunidades portuguesas no estrangeiro.
Justificando a escolha do tema, o cartaz que anuncia o concurso e estabelece o respectivo regulamento diz o seguinte:
"Nunca ler foi tão fácil. Nunca foi tão difícil! A leitura desempenha na sociedade contemporânea funções acrescidas e múltiplas. Os suportes diversificam-se, as competências e requisitos diferem face aos tipos de texto e respectivos suportes, no salto permanente entre a leitura analógica e a digital". E deixa aos jornais concorrentes o desafio de responder às questões seguintes:
. Porque lemos, porque fazemos ler, o que fazemos com o que lemos? . Como lêem, que lêem as nossas crianças e jovens? . Como convidar à leitura?
Mais informações: publiconaescola@publico.pt
quinta-feira, janeiro 25, 2007
Crianças e Media: desafio à educação
O Dia Mundial das Comunicações Sociais, promovido anualmente pela Igreja Católica, e que este ano recairá a 20 de Maio, terá por tema «As crianças e os meios de comunicação social: um desafio para a educação». O anúncio foi ontem feito pelo Vaticano, dia em que a Igreja evoca S. Francisco de Sales e em que é tradicionalmente dada a conhecer a mensagem para o Dia Mundial.Dado o interesse da mensagem, aqui a publicamos na íntegra:
"1. O tema do 41º Dia Mundial das Comunicações Sociais, «As crianças e os meios de comunicação social: um desafio para a educação», convida-nos a reflectir sobre dois assuntos de imensa importância. A formação das crianças é o primeiro. O segundo, talvez menos óbvio mas não menos importante, é a formação dos meios de comunicação social.
Os complexos desafios que se apresentam para a educação nos dias de hoje estão freqüentemente vinculados à ampla influência dos meios de comunicação social no nosso mundo. Como um dos aspectos do fenómeno da globalização, e facilitados pelo rápido desenvolvimento da tecnologia, os meios de comunicação social modelam profundamente o ambiente cultural (cf. Papa João Paulo II, Carta Apostólica O rápido desenvolvimento, 3). Com efeito, algumas pessoas afirmam que a influência formativa dos meios de comunicação social concorre com a da escola, da Igreja e talvez mesmo do lar. «Para muitas pessoas, a realidade corresponde ao que os mass media definem como tal» (Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Aetatis novae, 4).
2. A relação entre crianças, meios de comunicação social e educação pode ser considerada a partir de duas perspectivas: a formação das crianças por parte dos mass media; e a formação das crianças para que respondam apropriadamente aos mass media. Sobressai um tipo de reciprocidade que indica as responsabilidades dos meios de comunicação social como indústria e a necessidade de uma participação activa e crítica dos leitores, dos espectadores e dos ouvintes. Nesta perspectiva, formar-se no uso apropriado dos meios de comunicação social é essencial para o desenvolvimento cultural, moral e espiritual das crianças.
Como é que se há-de salvaguardar e promover o bem comum? Educar as crianças a serem judiciosas no uso dos mass media é uma responsabilidade que cabe aos pais, à Igreja e à escola. O papel dos pais é de importância primordial. Eles têm o direito e o dever de assegurar o uso prudente dos meios de comunicação social, formando a consciência dos seus filhos a fim de que expressem juízos sadios e objectivos, que sucessivamente há-de de orientá-los na escolha ou rejeição dos programas disponíveis (cf. Papa João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 76). Ao agir deste modo, os pais deveriam contar com o encorajamento e a assistência das escolas e das paróquias, para garantir que este aspecto difícil mas estimulante da educação é apoiado pela comunidade mais vasta.
A educação aos mass media deveria ser positiva. As crianças expostas ao que é estética e moralmente excelente são ajudadas a desenvolver o apreço, a prudência e as capacidades de discernimento. Aqui é importante reconhecer o valor fundamental do exemplo dos pais e os benefícios da apresentação aos jovens dos clássicos infantis da literatura, das belas-artes e da música edificante. Enquanto a literatura popular terá sempre o seu espaço na cultura, a tentação do sensacionalismo não deveria ser passivamente aceite nos lugares de ensino. A beleza, uma espécie de espelho do divino, inspira e vivifica os corações e as mentes mais jovens, ao passo que a torpeza e a vulgaridade têm um impacto depressivo sobre as atitudes e os comportamentos.
Como a educação em geral, a educação aos mass media exige a formação no exercício da liberdade. Trata-se de uma tarefa exigente. Muitas vezes a liberdade é apresentada como uma busca implacável do prazer e de novas experiências. Contudo, isto é uma condenação, não uma libertação! A verdadeira liberdade jamais poderia condenar o indivíduo – especialmente a criança – a uma busca insaciável de novidades. À luz da verdade, a liberdade autêntica é experimentada como uma resposta definitiva ao «sim» de Deus à humanidade, enquanto nos chama a escolher, não indiscriminada mas deliberadamente, tudo o que é bom, verdadeiro e belo. Assim os pais, como guardiães de tal liberdade, concederão gradualmente uma maior liberdade aos seus filhos, introduzindo-os ao mesmo mesmo na profunda alegria da vida (cf. Discurso no V Encontro Mundial das Famílias, Valência, 8 de Julho de 2006).
3. Esta aspiração sincera dos pais e professores de educar as crianças pelos caminhos da beleza, da verdade e da bondade somente pode ser sustentada pela indústria dos meios de comunicação social, na medida em que ela promover a dignidade humana fundamental, o valor genuíno do matrimónio e da vida familiar, e as conquistas e as finalidades positivas da humanidade. Deste modo, a necessidade que os mass media têm de se comprometerem na formação efectiva e nos padrões éticos é considerada com particular interesse e mesmo urgência, não só pelos pais e professores, mas também por todos aqueles que têm um sentido de responsabilidade cívica.
Mesmo quando estamos convencidos de que muitas pessoas comprometidas nos meios de comunicação social desejam realizar o que é justo (cf. Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Ética nas Comunicações, 4), devemos reconhecer também que as que trabalham neste campo enfrentam «pressões psicológicas e dilemas éticos particulares» (Aetatis novae, 19), que por vezes vêem a concorrência comercial impelir os comunicadores para níveis mais baixos. Qualquer tendência a realizar programas e produtos – inclusive desenhos animados e videojogos – que, em nome do entretenimento, exalta a violência e apresenta comportamentos anti-sociais ou a banalização da sexualidade humana constitui uma perversão, e é ainda mais repugnante quando tais programas são destinados às crianças e aos adolescentes. Como é que se poderia explicar este «entretenimento» aos numerosos jovens inocentes que realmente são vítimas da violência, da exploração e do abuso? A este propósito, todos deveriam reflectir sobre o contraste entre Cristo, que «as tomou [as crianças] nos braços e as abençoou, impondo-lhes as mãos» (Mc 10, 16) e aquele que «escandaliza... estes pequeninos», a quem «seria melhor... que lhe atassem ao pescoço uma pedra de moinho» (Lc 17, 2). Uma vez mais, exorto os responsáveis da indústria dos meios de comunicação social a salvaguardarem o bem comum, a promoverem a verdade, a protegerem a dignidade humana de cada indivíduo e a fomentarem o respeito pelas necessidades da família.
4. A própria Igreja, à luz da mensagem de salvação que lhe foi confiada, é também uma mestra de humanidade e valoriza a oportunidade de oferecer assistência aos pais, aos educadores, aos comunicadores e aos jovens. Os seus programas paroquiais e escolares deveriam ocupar um lugar de vanguarda na educação aos mass media nos dias de hoje. Sobretudo, a Igreja deseja compartilhar uma visão da dignidade humana que é central para toda a comunicação humana digna. «Eu vejo com os olhos de Cristo e posso dar ao outro muito mais do que as coisas externamente necessárias: posso dar-lhe o olhar de amor de que ele precisa» (Deus caritas est, 18).
Desde o Vaticano,24 de janeiro de 2007, festa de São Francisco de Sales.
BENEDICTUS PP. XVI"
quarta-feira, janeiro 24, 2007
Em Portugal, gastou-se, no ano passado, uma média ligeiramente superior a 33 milhões de horas diárias a ver televisão, dado que, segundo a Marktest, cada português viu, em 2006, em média, 3,5 horas de televisão por dia (base de cálculo: 9,459 milhões, que constituem o universo de telespectadores).
A discriminação destes dados por varáveis como a idade, a região, o nível sócio-económico e o sexo dá o seguinte retrato:

Guia de análise:
- Quem vê mais e quem vê menos?
- Onde estão os que vêem mais?
- Que significam 3,5 horas de 'consumo'?
- O que significa 'ver televisão'?
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Completam-se precisamente hoje 25 anos sobre a data em que um grupo de peritos de vários países, reunidos pela UNESCO, na cidade alemã de Grunwald, redigia e acordava sobre uma "Declaração sobre a Educação para os Media" que constitui, ainda hoje, uma referência importante.
Notava essa Declaração, a abrir:
"Mais do que condenar ou justificar o inquestionável poder dos media, urge aceitar o seu significativo impacto e a sua difusão através do mundo como factos consumados, valorizando ao mesmo tempo a sua importância enquanto elemento de cultura no mundo hodierno. O papel da comunicação e dos media no processo de desenvolvimento não deveria ser subestimado, tal como a função desses meios enquanto instrumentos ao serviço da participação activa dos cidadãos na sociedade. Os sistemas político e educativo devem reconhecer as respectivas obrigações na promoção de uma compreensão crítica do fenómeno da comunicação entre os seus cidadãos".
É impressionante o quadro de mudanças ocorridas, se olharmos para o mundo nestes 25 anos. Mas o apelo a que se aprenda a comunicar melhor e se aprenda a olhar com espírito crítico o mundo que nos rodeia e o modo como os media o apresentam continua de pé, mais pertinente do que nunca.
Hoje, para muitos, o problema continua a ser de escassez de informação e de recursos para terem acesso a ela e dela tirarem benefícios. Para outros, o drama é precisamente o oposto: mergulhados em tanta informação, sem mapa que os guie nem bússola para fazerem caminho, vagueiam (surfam) como tontos, sem origem nem destino.
Aprender a dar sentido ao mundo e à vida, a tornar este nosso mundo habitável e acolhedor, fazendo com que o ambiente simbólico da informação e dos media se torne respirável e solidário - eis o desafio da tal Educação para os Media, hoje e aqui.
