segunda-feira, janeiro 22, 2007

Educação para os Media 25 anos depois

Completam-se precisamente hoje 25 anos sobre a data em que um grupo de peritos de vários países, reunidos pela UNESCO, na cidade alemã de Grunwald, redigia e acordava sobre uma "Declaração sobre a Educação para os Media" que constitui, ainda hoje, uma referência importante.
Notava essa Declaração, a abrir:
"Mais do que condenar ou justificar o inquestionável poder dos media, urge aceitar o seu significativo impacto e a sua difusão através do mundo como factos consumados, valorizando ao mesmo tempo a sua importância enquanto elemento de cultura no mundo hodierno. O papel da comunicação e dos media no processo de desenvolvimento não deveria ser subestimado, tal como a função desses meios enquanto instrumentos ao serviço da participação activa dos cidadãos na sociedade. Os sistemas político e educativo devem reconhecer as respectivas obrigações na promoção de uma compreensão crítica do fenómeno da comunicação entre os seus cidadãos".
É impressionante o quadro de mudanças ocorridas, se olharmos para o mundo nestes 25 anos. Mas o apelo a que se aprenda a comunicar melhor e se aprenda a olhar com espírito crítico o mundo que nos rodeia e o modo como os media o apresentam continua de pé, mais pertinente do que nunca.
Hoje, para muitos, o problema continua a ser de escassez de informação e de recursos para terem acesso a ela e dela tirarem benefícios. Para outros, o drama é precisamente o oposto: mergulhados em tanta informação, sem mapa que os guie nem bússola para fazerem caminho, vagueiam (surfam) como tontos, sem origem nem destino.
Aprender a dar sentido ao mundo e à vida, a tornar este nosso mundo habitável e acolhedor, fazendo com que o ambiente simbólico da informação e dos media se torne respirável e solidário - eis o desafio da tal Educação para os Media, hoje e aqui.
Wrestling e TV

"Ricardo agarra o amigo pelo pescoço e simula que vai atirá-lo ao chão. Têm nove anos e estão a brincar ao wrestling no pátio da escola. Imitam o que vêem na televisão. Não são os únicos, há miúdos de todas as idades, do 1.º ao 9.º ano, que brincam sem medir forças e por vezes vão parar aos hospitais. "


Assim começava uma reportagem de Bárbara Wong, no Público de ontem que acrescentava:
"O fenómeno do wrestling não é novo, mas está a chegar aos recreios portugueses, sobretudo depois de o programa de televisão ter começado, no início do mês, a passar na SIC generalista - desde 2004 que vai para o ar na SIC Radical.
A Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) e a Associação de Consumidores dos Media já receberam queixas. A primeira de pais preocupados com o que se passa nas escolas; a segunda de pais e educadores que reagem contra o conteúdo do programa, que dizem que é agressivo e pouco adequado para estar num horário familiar, ao domingo à tarde. Mas o programa também passa durante a semana".

Não pode ser a televisão a única responsável por eventuais consequências psicológicas e físicas decorrentes do visionamento deste tipo de programas. Mas tem de assumir responsabilidades. Não pode ser aceite como a coisa mais natural do mundo que um canal generalista passe estes conteúdos em horários diurnos, lavando as mãos das eventuais consequências.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

UE anuncia ofensiva contra videojogos violentos

A União Europeia (UE) anunciou hoje que vai lançar uma ofensiva contra os videojogos violentos.
O comissário de Justiça, Segurança e Liberdades da UE, Franco Frattini, anunciou hoje a iniciativa, conforme ficou decidido na reunião informal de ministros de Justiça e Interior da UE, realizada na cidade alemã de Dresden.
A base da nova estratégia é concentrar a luta contra a venda de videojogos violentos a menores, mas também é necessário impedir a difusão dos jogos pela Internet.A vontade comum de todos os Estados-membros é «lutar» e «avançar» rumo à proibição desses jogos, disse Frattini.
Entretanto, o comissário admitiu que não há critérios comuns entre os 27 países da UE sobre que jogos devem ser proibidos. Além disso, não existe em todos os países um controlo sobre se o comprador é menor de idade, o que dificulta a criação de mecanismos de sanção uniformizados.
Um objectivo imediato é criar uma espécie de «lista negra» centralizada, com os produtos proibidos em cada Estado-membro, para que os demais possam decidir sobre a sua retirada do mercado.

in Diário Digital, 16.1.2007

terça-feira, janeiro 16, 2007

Tese sobre publicidade a causas sociais

Realiza-se no próximo dia 19, sexta-feira, pelas 14:30 horas, em Braga, a prova de Mestrado em Ciências da Comunicação, área de especialização em Comunicação, Cidadania e Educação, de Sara Balonas.
A tese a ser discutida intitula-se “A Publicidade a Favor de Causas Sociais: evolução, caracterização e variantes do fenómeno em Portugal”, sendo comentada pelo Prof. José Manuel Paquete de Oliveira. A orientação coube à Prof. Rosa Cabecinhas, da Universidade do Minho.
A prova decorrerá na Sala de Seminários do Instituto de Ciências Sociais, Piso 0.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Um kit da UNESCO sobre Educação para os Media

A UNESCO acaba de editar um livro intitulado, na sua versão francesa, "Éducation aux Médias - Un kit à l’intention des enseignants, des élèves, des parents et des professionnels", cuja redacção coube à Prof. Divina Frau-Meigs (a edição em língua inglesa intitula-se "Media Education - A Kit for Teachers, Students, Parents and Professionals" e encontra-se igualmente disponível em linha).
Eis como a autora enuncia o sentido e alcance deste guia:

La socialisation des jeunes par les médias est un phénomène qui gagne en ampleur. Une grande partie du capital culturel de la planète leur est transmise par toutes sortes de supports avec lesquels ils sont très familiers. Ceci implique un changement d’attitude de la part des différentes personnes-ressources qui accompagnent enfants et adolescents dans leur développement, y compris la possibilité pour elles de s’approprier ce phénomène par auto-formation. C’est ce que suggère l’organisation de ce kit : traiter à la fois les moyens d’éduquer aux médias et de s’éduquer aux médias, tout au long de la vie. Il indique une double démarche possible pour l’utilisateur, tantôt en position d’apprenant, tantôt en position d’enseignant. Ce kit propose un prototype de programme d’éducation aux médias pour la qualification de base des professeurs d’école secondaire. Cette éducation devient bien plus importante avec l’introduction des nouvelles technologies numériques, car il devient essentiel que chaque citoyen puisse rechercher et produire de l’information et qu’il puisse communiquer sur les réseaux, en toute autonomie. Eduquer et s’éduquer, informer et s’informer, tels sont les besoins actuels.(...)"

sábado, janeiro 13, 2007

Educar para a geração digital

Their Space - Education for a digital generation é o título de um estudo que acaba de ser publicado em Inglaterra pela agência Demos, da autoria de Hannah Green e de Celia Hannon.
Algumas conclusões do estudo:
"The baseline finding from our research was that the use of digital technology has been completely normalised by this generation, and it is now fully integrated into their daily lives. The majority of young people simply use new media as tools to make their lives easier, strengthening their existing friendship networks rather than widening them. Almost all are now also involved in creative production, from uploading and editing photos to building and maintaining websites. However, we discovered a gap between a smaller group of digital pioneers engaged in groundbreaking activities and the majority of children who rarely strayed into this category. Meanwhile, contrary to society’s assumptions about safety, this generation is also capable of self-regulation when kept well informed about levels of risk. Finally, many children we interviewed had their own hierarchy of digital activities when it came to assessing the potential for learning. In contrast to their teachers and parents they were very conscious that some activities were more worthwhile than others. All these young people have something in common – they all use technology in a way that in the past would have labelled them ‘geeks’. But they are not all using it in the same way. Our research has pointed to a number of different user ‘types’, which we use throughout the report".

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Leitura

De Valeria Fernández Hasan, da Universidade de Cuyo, Argentina, este texto que acaba de vir a lume no site da Revista Iberoamericana de Educação: "Escuela y Medios de Comunicación: lógicas diferenciales en la transmisión de la cultura común y la construcción de la ciudadanía?".