quinta-feira, março 09, 2006

Perspectivas da educação para os media no Reino Unido

A OFCOM é a entidade do Reino Unido encarregada da regulação dos media. Mas cabe-lhe igualmente, no quadro das suas competências, a promoção da educação para os media, tendo em conta a centralidade dos media electrónicos na vida quotidiana dos cidadãos. Nesse âmbito, acaba de divulgar os resultados de um inquérito a 3.200 indivíduos maiores de 15 anos, que pretende avaliar o estado do problema naquele país, os pontos de vista e as experiências de diferentes grupos sociais e de distintas regiões
Fica aqui o resumo de algumas linhas, explicitadas no estudo publicado sob o título Media Literacy Audit - Report on adult media literacy.
  1. Television remains the most familiar, and popular, media platform for most people, with high levels of knowledge of the watershed (before which certain types of programme content, unsuitable for children, may not be shown), and how channels are funded. Although television is still mainly used for its ?traditional? functions, some 30% of those with digital TV say they have interacted with it.
  2. Whilst the number of people in our survey who have access to digital radio services is high at 77%, one in three adults is unaware that they can listen to digital radio services through either their digital TV or internet service. 27% of all UK adults say they ever listen to digital radio, and of these, over two-thirds (68%) say they now listen to more radio stations as a result.
  3. A key reason for people getting the internet is to access information, but there are many other reasons. Nearly three-quarters of internet users use email at least weekly. Levels of concern about internet content are higher than for other platforms, and concerns over entering personal details are prevalent. Interest and competence among internet users for various tasks is generally high, although nearly one-third are not confident about blocking email spam or computer viruses.
  4. Mobiles are an ubiquitous media technology for the 16-24 age group. Younger people have embraced the enhanced functionality of mobile phones, whilst for older users they remain predominantly communications tools. However, the use of the mobile as a ?memory device? to look back at stored texts and pictures is commonplace for all age groups.
    Age is a significant factor in media literacy. Over 65s have significantly lower levels of media literacy than other age groups. The research shows that amongst older people lower usage is partly attributable to a perceived lack of need for new digital services.
  5. Take-up and usage of digital platforms among minority ethnic groups is higher than the UK average, partly because minority ethnic groups are younger than the UK population as a whole. However, the over 45s from minority ethnic groups have lower levels of media literacy compared to UK adults as a whole. Levels of trust in news, and knowledge of funding mechanisms and regulation, are lower overall. General levels of concern across the digital platforms are higher among ethnic minority groups than the UK average with the exception of the internet.
  6. Levels of concern about programming and other types of content vary across platforms, with little concern over mobile content. Levels of self reported ability and understanding in relation to content controls indicate that for the internet, a sizeable minority are not confident about blocking viruses or email scams. Most people are not yet aware of content controls on mobile phones.
  7. Levels of concern do not appear to be related to usage or uptake of the different media platforms, but are independent of these factors.
    Many people, especially the elderly, say they prefer to learn media skills from family and friends and do so by themselves rather than in formal groups. The highest area of interest for many people is in learning how to use the internet. One third of people say they are interested in learning more about digital platforms and services".

O conceito de educação para os media que a OFCOM utiliza é definido como "a aptidão para aceder, compreender e criar comunicação em diferentes contextos". As dimensões do acesso, compreensão e criação são operacionalizados deste modo:

ACCESS
? Interest in and awareness of the digital features of the various media platforms
? Usage, volume of usage, breadth of usage of the platforms
? Competence in using the features available on each platform
? The extent and level of concerns with each platform
? Knowledge of and competence in using content controls, such as ability to block unwanted email messages.

UNDERSTANDING
? Knowledge of regulation
? Knowledge of how elements of each media platform are funded
? Trust in news outlets on each medium
? Trust in internet sites

CREATING
? The ability of individual users to create their own content
? The ability of users to interact with the medium or with other users

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

"Imagens que transformam"

A propósito da polémica desencadeada pelas caricaturas de Maomé, José Carlos Abrantes, provedor do leitor do DN, recorda hoje aspectos importantes das polémicas que, desde a Idade Média, se centraram na natureza e papeis das imagens. Nâo apenas no Ocidente.

"O Ocidente viveu intensamente uma polémica sobre as imagens na Idade Média. Vale a pena recordá-la agora, quando os cartoons dinamarqueses voltaram a avivar o poder das imagens. Nessa época havia sobretudo imagens religiosas. Ora, os ícones religiosos, ao representarem Deus e santos, colocavam um problema peculiar. As imagens representavam, tornando o ausente presente. Mas conteriam elas a energia da santidade? Na época a questão foi fracturante, diríamos hoje. Diferentes decisões foram criando doutrinas contraditórias. O último dos concílios de Niceia, no século VIII, proibiu que a imagem tivesse a capacidade de conter os poderes da santidade. Foi estatuído que a imagem seria apenas uma representação. A imagem não poderia conter poderes de quem é representado. Esta concepção sobre a imagem continua a ser a mais partilhada. O que quer dizer a imagem? O que representa? (...)
Porém, como toda a imagem material é fabricada com recurso a mediações técnicas, a representação reflecte as potencialidades e os limites das técnicas que as criam, das linguagens e da personalidade de quem regista. Por outro lado, evocar um objecto ou uma situação através de uma imagem pode ser mais bem conseguido através de traços que os evoquem e não apenas a partir de traços "realistas". A caricatura é um bom exemplo destas imagens, pois os traços desse tipo de desenho são sempre exagerados face às proporções ou situações reais. Já noutros domínios, como a arte, a imagem nem sempre representa. Algumas imagens são expressão do artista ou manifestam uma preocupação de relação com quem vê, situando-se fora da representação. Os questionamentos de tipo representativo são por isso, nestes casos, pouco adequados. Mas as imagens têm características para além da sua dimensão representativa. Uma delas é a de poderem originar movimentos nos que com elas se relacionam.Por isso paramos face a um stop na estrada. Se virmos uma sinalização de uma mina, como acontece em certos locais de Angola, afastar-nos-emos, receosos, desse local. Estas imagens implicam um movimento do nosso corpo, têm uma capacidade de transformar um estado, exigindo uma mudança de direcção, por exemplo. Assim se revela a capacidade de transformação das imagens. (...)".

Comentário recebido de Dan3, do Comunisfera:

"Además de los siglos de debate sobre la iconoclastia en el cristianismo altomedieval y posteriores guerras de religión, ya con imágenes el proceso de desvincular la imagen de la representación obedece a un cambio en el sentido del arte y de la cultura desde el romanticismo y que alzanza la independencia para la imagen plástica no figurativa en la vanguardia que transita al siglo XX. Ambas perspectivas, de la tradición y de la innovación, de una cultura antigua perviviente o de propuestas culturales actuales, están por debajo del aparente conflicto entre institucionalismo religioso y laicismo mediático".

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Sobre a importância de educar para os media

Renée Hobbes, uma das maiores especialistas de Educação para os Media nos Estados Unidos da América e fundadora da Alliance for a Media Literate America, deu recentemente uma entrevista sobre a sua ligação e a sua perspectiva sobre a importância desta componente educativa, cuja leitura se recomenda. Eis uma das perguntas que lhe é colocada e a respectiva resposta:

Why do you feel it's important to stress Media Literacy in today's society?

RH: Students are swimming in a media sea and technology is more a part of their cultural experience, so media literacy is important because the texts that students consume, and interpret, and read are film texts, and audio-visual texts, and media texts, and technology texts. Another reason that media literacy is important is because more and more information comes to us from so many different sources, that the gate-keeping function has long since disappeared. As we receive all different kinds of messages, people really need a set of critical thinking skills to make sense of it all. We are all suffering from 'Information Overload'. Media Literacy helps sort out the wide range of messages we get in our culture, and finally, the concept that is becoming really important to me, now that I am really beginning to understand, is that media literacy is really just an extended conceptualization of literacy. Literacy is a very powerful function for people. It enables us to be truly human: to share and express meanings using a wide range of tools and technologies. Really, to be literate in an age of multi-media messages, one has to be able to read the language and images of media in addition to the printed word.

Vale a pena, a propósito, dar um salto ao sítio que Renée Hobbs mantém na Internet e consultar, nomeadamente, os textos que ela lá disponibiliza.
"Isto não é um cachimbo!" ou a base da educação para os media

Um texto ("La Nota"), de Mario A. Campos, na revista Etcetera, coloca uma questão básica de toda a educação para os media: a noção de que, quando lemos jornais, ouvimos rádio ou, sobretudo, quando vemos televisão, é com representações da realidade que lidamos, e não com a própria realidade.
Vejamos alguns excertos:

magritte
"En 1929, el pintor belga René Magritte creó La traición de las imágenes, sin duda, uno de sus cuadros más famosos. En el mismo, podemos ver a una pipa flotando por encima de la siguiente leyenda: "Ceci n'est pas une pipe" ("Esto no es una pipa"). El objetivo del cuadro, según explicara el propio autor, era llamar la atención sobre una obviedad: las pinturas, por más realistas que sean, son simples interpretaciones y no los objetos en sí. "No se cansaron de hacerme reproches -lamentaba el artista- Pero, ¿puede usted llenarla? No, claro, se trata de una mera representación. Si hubiese puesto debajo de mi cuadro 'Esto es una pipa', habría dicho una mentira". La referencia viene a cuento pues frecuentemente al leer un diario o ver la televisión, siento unas incontenibles ganas de gritar: "¡momento, eso no es una pipa!", porque contrario a lo que pudiera indicarnos el sentido común, existe un ejército de hombres y mujeres que cotidianamente confunde -confundimos, debiera decir- una cosa con la otra. (...) En su ejercicio cotidiano, los periodistas exprimen la realidad privilegiando ciertos rasgos sobre otros, a partir de la mirada de sus editores que con el paso del tiempo se va sumando a su propia capacidad de lectura (...) La realidad es que conductores, analistas y consumidores de medios en general, usualmente sólo somos testigos de las representaciones y no de los hechos en sí, aunque eso no suele detenernos al momento de emitir nuestros juicios. Tener esta distinción presente es casi una obligación moral en los tiempos que estamos por vivir. (...)"

sábado, fevereiro 11, 2006

Jovens: menos TV e mais Internet

Do diário El País de quarta-feira (e graças à dia do blogue NetFM), um dado que ajudará também a entender (e a espicaçar o estudo) do que se passa em Portugal. Já agora, o IrrealTV descobriu o link para o relatório "Medios de Comunicación. Tendencias 2006. El año de la Televisión", a partir do qual a notícia foi redigida.

"Los jóvenes españoles tienden a reducir su consumo de televisión en favor de Internet y, en general, el tiempo de consumo de este medio es ya superior al empleado en la lectura de prensa diaria. Son datos del informe "Medios de Comunicación. Tendencias 2006. El año de la Televisión", que señala que la población internauta es aún menor en España que en otras naciones del centro y del norte de Europa, pero es entre los adolescentes donde menos diferencias se aprecian en las prácticas de acceso a la red.
La radio es el medio menos afectado por la aparición de las tecnologías digitales, en España permanece sujeto a modelos estables de contenidos y afirma que es un medio con más influencia social que empresarial, que sigue siendo el más asequible para todo tipo de segmentos de población. En el área de la televisión, base de la nueva legislación audiovisual, el informe se refiere al aumento de la competencia, el reparto de la publicidad para más empresas, y la llegada de la Televisión Digital Terrestre (TDT) y de los contenidos, "que es el que sigue presentando menos novedades (...)".

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Perguntas em ordem a uma educação para a imagem

"Certas imagens que nos mostram na televisão ou nos jornais aproximam-se dos nossos pesadelos. Parecem sem razão, sem palavras. E, contudo, dizem-nos, surgem na actualidade, são testemunho da história do tempo presente. Apesar das precauções do costume ("hesitámos muito antes de vo-las mostrar", advertem-nos os apresentadores) (...) essas imagens ferem-nos (...) transtornam-nos (...) Emudecem-nos. É nesse silêncio que a ferida se instala, nesse lugar recalcado: nada posso dizer, a imagem é mais forte do que a minha razão, ela não tem sentido, surpreende-me sem defesa, sem cultura e, por vezes, sem moral.
É preciso, portanto, dotar-se de um pensamento sobre a imagem que só o ensino pode elaborar.
  • Quem fez a imagem?
  • Quem é aquele ou aquela que escolhe um quadro, um ângulo de visão, um assunto, uma comunicação?
  • Quem decide difundir a imagem? Uma redacção, um governo, empresa, militantes?
  • E sob que forma: cartaz colado numa parede qualquer, jornal televisivo, exposição no museu, site na Internet?
  • Qual a intenção daquele que decide difundir uma imagem?
  • Qual a sua autoridade na sociedade?
  • Como é que quem fez a imagem e quem a difunde dão lugar ao espectador e respeitam as condições de recepção?(...)"
Frédéric Lambert, A Imagem em Actos, in Trajectos, nº 7, 2005, p.19

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Crianças e publicidade


LÁZARO GONZÁLEZ, Isabel E.; MAYORAL NARROS, I. (coords.)Infancia, publicidad y consumo Madrid: Universidad Pontificia Comillas, 2005.-355 páginas

As III Jornadas sobre Direito dos Menores da Universidad Pontificia de Comillas (Espanha)debruçaram-se sobre a relação entre as crianças e a publicidade. Este livro recolhe as comunicações então apresentadas. Da apresentação, destaco:
"Desde distintas perspectivas y combinando la visión del estudioso con la del práctico, se presentan en la obra reflexiones sobre el papel del niño en las decisiones de consumo, la madurez de los niños para la toma de decisiones, la publicidad y la infancia, la televisión y los niños, la educación para el consumo o la protección de los niños frente al consumo y la publicidad".