Novo blogue sobre educação para os media
Educação para os Media é o nome de um novo blogue criado pelo professor Vitor Relvas, que procurará apresentar abordagens "equilibradas, ou seja, não destacando apenas a parte mais negativa dos media mas também realçando os seus aspectos positivos". "Claro que irei abordar a violência nos media, o cyberbullying, a segurança na Internet, mas acima de tudo pretendo dar alguns modestos contributos para que os meus leitores/leitoras possam desenvolver estratégias que lhes permitam melhor enfrentar ou prevenir eventuais problemas que surjam na sua vida familiar ou escolar", afirma o autor na declaração de intenções.
(Saudando, embora, esta iniciativa, é de estranhar que havendo já um blogue intitulado Educação para os Media, embora inactivo desde 2004, o serviço do Blogspot admita outro com o mesmo nome).
sábado, novembro 12, 2005
TV: a pastilha elástica dos olhos
"(...) en oscillant sans cesse entre charlatanerie et délire de masse, la télévision est omniprésente dans nos vies. Un peu trop, au goût de certains, comme Gérard Depardieu qui déclarait à Paris Match en 1998 : "Avant il y avait les mouches, maintenant il y à la télévision". ;-) En réalité, la petite lucarne s'occupe surtout de nous faire rire, rêver et penser. C'est bel et bien notre nourriture spirituelle à tous. Ce qu'il en reste ? Une trace émotionnelle. Autrefois, les gens se levaient et scrutaient le ciel par la fenêtre, aujourd'hui on regarde la météo la veille : la télévision désormais fait la pluie et le beau temps. Elle fabrique de la réalité, de l'existence, de l'expérience. La télévision joue avec le réel, et met entre la vie et nous un écran sur lequel ne s'agitent que des ombres. Des ombres... comme celles qui apparaissaient sur les parois de la caverne de Platon (...)
"(...) L'Education nationale dispense bien des enseignements civiques, sportifs ou nutritionnels, alors pourquoi pas des cours de zapping ? Je suis convaincu qu'il serait utile de donner aux lycéens des éléments tangibles sur le paysage audiovisuel, sur le fait que chaque plage horaire rassemble un type de spectateurs particulier, d' apprendre à décoder une réclame ou un JT, de leur permettre de comprendre la différence entre télé-réalité et télé-tout-court, de mieux cerner les notions de publicité mensongère ou d'objectivité éditoriale... Bref, je suis certain que non seulement ce serait bénéfique, mais en plus ça pourrait être amusant (...)".
OEF, Agoravox, 12.11.2005
"(...) en oscillant sans cesse entre charlatanerie et délire de masse, la télévision est omniprésente dans nos vies. Un peu trop, au goût de certains, comme Gérard Depardieu qui déclarait à Paris Match en 1998 : "Avant il y avait les mouches, maintenant il y à la télévision". ;-) En réalité, la petite lucarne s'occupe surtout de nous faire rire, rêver et penser. C'est bel et bien notre nourriture spirituelle à tous. Ce qu'il en reste ? Une trace émotionnelle. Autrefois, les gens se levaient et scrutaient le ciel par la fenêtre, aujourd'hui on regarde la météo la veille : la télévision désormais fait la pluie et le beau temps. Elle fabrique de la réalité, de l'existence, de l'expérience. La télévision joue avec le réel, et met entre la vie et nous un écran sur lequel ne s'agitent que des ombres. Des ombres... comme celles qui apparaissaient sur les parois de la caverne de Platon (...)
"(...) L'Education nationale dispense bien des enseignements civiques, sportifs ou nutritionnels, alors pourquoi pas des cours de zapping ? Je suis convaincu qu'il serait utile de donner aux lycéens des éléments tangibles sur le paysage audiovisuel, sur le fait que chaque plage horaire rassemble un type de spectateurs particulier, d' apprendre à décoder une réclame ou un JT, de leur permettre de comprendre la différence entre télé-réalité et télé-tout-court, de mieux cerner les notions de publicité mensongère ou d'objectivité éditoriale... Bref, je suis certain que non seulement ce serait bénéfique, mais en plus ça pourrait être amusant (...)".
OEF, Agoravox, 12.11.2005
Relatório sobre a situação da alfabetização no mundo
Foi ontem apresentado em Londres, no âmbito do programa da UNESCO EFA - Education for All. Está disponível online.
Foi ontem apresentado em Londres, no âmbito do programa da UNESCO EFA - Education for All. Está disponível online.
quinta-feira, novembro 10, 2005
Por um debate da televisão no espaço público
Um grupo de investigadores do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho assinaram, no jornal Público, um texto de opinião sobre o processo de renovação das licenças de televisão. Transcrevemos:
"O processo de renovação das licenças de televisão que está em curso não pode, em nosso entender, limitar-se a uma decisão meramente administrativa. Deveria ser, antes, uma oportunidade única para suscitar o debate público acerca daquilo que a SIC e a TVI fizeram nestes 15 anos - tendo como elemento de referência as obrigações que expressamente assumiram nos alvarás de concessão das licenças - e traçar novos rumos para o audiovisual. Rumos que garantam a existência de canais generalistas, tal como se prevê na Lei da Televisão, e promovam uma TV de qualidade. Será este o momento de convocar os telespectadores enquanto cidadãos que são confrontados com uma programação que está longe de ser generalista.
1. Sendo a renovação das licenças de televisão uma competência da entidade reguladora, neste caso da Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS), tal como prevê a lei, não está em causa a legitimidade desse órgão para a condução do processo. Não obstante, discordamos do modo como ele tem sido conduzido na prática: marcado pelo secretismo e por uma espiral de silêncios que inviabilizam qualquer participação das mais diversas entidades. Na abertura do IV Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, que decorreu em Aveiro nos dias 20 e 21 de Outubro, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, afirmou que a renovação das licenças de televisão "não é um processo automático", mostrando-se favorável à respectiva discussão pública. Tal iniciativa, decerto benéfica, só pode competir à entidade reguladora, que, até ao momento, não deu qualquer sinal nesse sentido. Se os canais generalistas se dirigem a todos os portugueses, usando para isso uma concessão pública, seria lícito esperar que a entidade formalmente responsável pela decisão sobre a renovação das licenças auscultasse a opinião pública e não se confinasse ao silêncio dos seus gabinetes.
2. Num "parecer prévio sobre os processos de candidatura dos canais privados de televisão", datado de 8 de Agosto de 1991, a AACS considerava, na altura, o projecto da SIC "equilibrado, quantitativamente prudente e qualitativamente exigente" e o da TVI "mais modesto, quantitativamente moderado e qualitativamente menos exigente em que a predominância da defesa dos valores do humanismo cristão influencia coerentemente o conteúdo e o estilo dos programas". Quinze anos depois, que avaliação se faz da oferta televisiva da SIC e da TVI? Que estudos foram feitos para essa ponderação? Com que base científica? Segundo que critérios? Com que auscultação dos cidadãos?
3. Segundo o artigo 10º da Lei de Televisão (Lei n.º 32/2003, de 22 de Agosto), os canais generalistas devem "contribuir para a informação, formação e entretenimento do público"; "promover o exercício do direito de informar e de ser informado, com rigor e independência, sem impedimentos nem discriminações"; "favorecer a criação de hábitos de convivência cívica própria de um Estado democrático e contribuir para o pluralismo político, social e cultural"; "promover a cultura e a língua portuguesas e os valores que exprimem a identidade nacional". De que forma têm a SIC e a TVI cumprido estas obrigações, nomeadamente no horário nobre, que é a franja que abrange maior número e mais diversidade de telespectadores para os quais as estações generalistas trabalham?
4. A televisão é um assunto demasiado sério para ser remetido ao silêncio dos gabinetes e a qualidade dos canais generalistas tem vindo a degradar-se de tal modo que, a não ser travada, provocará fracturas socioculturais sérias num futuro próximo. Tão importante como avaliar agora o que se fez nestes 15 anos, será imprescindível produzir, para futuras concessões, um novo e mais eficaz caderno de encargos que oriente as empresas e que sirva de referência à (futura) entidade reguladora.
5. A AACS, que deu alguns sinais de vida no último ano, parece estar a seguir, num caso tão transcendente como a renovação das licenças dos operadores privados de televisão, um caminho muito afastado dos cidadãos. É, neste momento, um organismo prestes a ser substituído pela nova Entidade Reguladora dos Media. Os dossiers e as preocupações relativas à televisão de sinal aberto não caducam com esta mudança. Por isso nos dirigimos também a quem ainda não conhecemos, para que faça dos media e do seu papel no espaço público uma matéria aberta à participação alargada dos cidadãos. Para que a democracia e o exercício da cidadania não se esgotem no depositar de um boletim de voto dentro de uma urna, de quatro em quatro anos.
(Texto assinado por Moisés de Lemos Martins, Manuel Pinto, Helena Sousa, Felisbela Lopes, Joaquim Fidalgo, Luís Santos, Helena Gonçalves, Helena Pires, Madalena Oliveira)
Um grupo de investigadores do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho assinaram, no jornal Público, um texto de opinião sobre o processo de renovação das licenças de televisão. Transcrevemos:
"O processo de renovação das licenças de televisão que está em curso não pode, em nosso entender, limitar-se a uma decisão meramente administrativa. Deveria ser, antes, uma oportunidade única para suscitar o debate público acerca daquilo que a SIC e a TVI fizeram nestes 15 anos - tendo como elemento de referência as obrigações que expressamente assumiram nos alvarás de concessão das licenças - e traçar novos rumos para o audiovisual. Rumos que garantam a existência de canais generalistas, tal como se prevê na Lei da Televisão, e promovam uma TV de qualidade. Será este o momento de convocar os telespectadores enquanto cidadãos que são confrontados com uma programação que está longe de ser generalista.
1. Sendo a renovação das licenças de televisão uma competência da entidade reguladora, neste caso da Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS), tal como prevê a lei, não está em causa a legitimidade desse órgão para a condução do processo. Não obstante, discordamos do modo como ele tem sido conduzido na prática: marcado pelo secretismo e por uma espiral de silêncios que inviabilizam qualquer participação das mais diversas entidades. Na abertura do IV Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, que decorreu em Aveiro nos dias 20 e 21 de Outubro, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, afirmou que a renovação das licenças de televisão "não é um processo automático", mostrando-se favorável à respectiva discussão pública. Tal iniciativa, decerto benéfica, só pode competir à entidade reguladora, que, até ao momento, não deu qualquer sinal nesse sentido. Se os canais generalistas se dirigem a todos os portugueses, usando para isso uma concessão pública, seria lícito esperar que a entidade formalmente responsável pela decisão sobre a renovação das licenças auscultasse a opinião pública e não se confinasse ao silêncio dos seus gabinetes.
2. Num "parecer prévio sobre os processos de candidatura dos canais privados de televisão", datado de 8 de Agosto de 1991, a AACS considerava, na altura, o projecto da SIC "equilibrado, quantitativamente prudente e qualitativamente exigente" e o da TVI "mais modesto, quantitativamente moderado e qualitativamente menos exigente em que a predominância da defesa dos valores do humanismo cristão influencia coerentemente o conteúdo e o estilo dos programas". Quinze anos depois, que avaliação se faz da oferta televisiva da SIC e da TVI? Que estudos foram feitos para essa ponderação? Com que base científica? Segundo que critérios? Com que auscultação dos cidadãos?
3. Segundo o artigo 10º da Lei de Televisão (Lei n.º 32/2003, de 22 de Agosto), os canais generalistas devem "contribuir para a informação, formação e entretenimento do público"; "promover o exercício do direito de informar e de ser informado, com rigor e independência, sem impedimentos nem discriminações"; "favorecer a criação de hábitos de convivência cívica própria de um Estado democrático e contribuir para o pluralismo político, social e cultural"; "promover a cultura e a língua portuguesas e os valores que exprimem a identidade nacional". De que forma têm a SIC e a TVI cumprido estas obrigações, nomeadamente no horário nobre, que é a franja que abrange maior número e mais diversidade de telespectadores para os quais as estações generalistas trabalham?
4. A televisão é um assunto demasiado sério para ser remetido ao silêncio dos gabinetes e a qualidade dos canais generalistas tem vindo a degradar-se de tal modo que, a não ser travada, provocará fracturas socioculturais sérias num futuro próximo. Tão importante como avaliar agora o que se fez nestes 15 anos, será imprescindível produzir, para futuras concessões, um novo e mais eficaz caderno de encargos que oriente as empresas e que sirva de referência à (futura) entidade reguladora.
5. A AACS, que deu alguns sinais de vida no último ano, parece estar a seguir, num caso tão transcendente como a renovação das licenças dos operadores privados de televisão, um caminho muito afastado dos cidadãos. É, neste momento, um organismo prestes a ser substituído pela nova Entidade Reguladora dos Media. Os dossiers e as preocupações relativas à televisão de sinal aberto não caducam com esta mudança. Por isso nos dirigimos também a quem ainda não conhecemos, para que faça dos media e do seu papel no espaço público uma matéria aberta à participação alargada dos cidadãos. Para que a democracia e o exercício da cidadania não se esgotem no depositar de um boletim de voto dentro de uma urna, de quatro em quatro anos.
(Texto assinado por Moisés de Lemos Martins, Manuel Pinto, Helena Sousa, Felisbela Lopes, Joaquim Fidalgo, Luís Santos, Helena Gonçalves, Helena Pires, Madalena Oliveira)
terça-feira, novembro 08, 2005
Os autores de blogues e a deontologia
Uma das questões mais delicadas para quem descobre, de repente, que pode publicar na Internet de forma expedita e simples - como ocorre com os blogues - diz respeito aos direitos e deveres de quem acede ao espaço público. Faz falta uma espécie de carta deontológica dos "blógueres". Foi isso que o CLEMI (Centre de Liaison de l'Enseignement et des Moyens d'Information) procurou fazer, num folheto dirigido aos alunos. Eis alguns exemplos daquilo que não se pode escrever na Internet, sem ficar sujeito às consequências previstas na lei:
"- 'Lia est une grosse vache', voilà une injure!
- 'Naxo pique dans la caisse', c?est une diffamation, tant que ce n?est pas prouvé!
- 'Appelez tous le prof ce soir, son numéro de téléphone c?est 00 11 12 13 14', voilà une atteinte à la vie privée!
Tous ces propos sont des délits! Inciter à la haine raciale, faire circuler des fausses nouvelles sont aussi punis par la loi! Si Lia ou Naxo te poursuivent en justice, tu risques d?être condamné à payer une amende, toi ou tes parents si tu es mineur!".
Mais informações no site: Droit du Net.
Uma das questões mais delicadas para quem descobre, de repente, que pode publicar na Internet de forma expedita e simples - como ocorre com os blogues - diz respeito aos direitos e deveres de quem acede ao espaço público. Faz falta uma espécie de carta deontológica dos "blógueres". Foi isso que o CLEMI (Centre de Liaison de l'Enseignement et des Moyens d'Information) procurou fazer, num folheto dirigido aos alunos. Eis alguns exemplos daquilo que não se pode escrever na Internet, sem ficar sujeito às consequências previstas na lei:
"- 'Lia est une grosse vache', voilà une injure!
- 'Naxo pique dans la caisse', c?est une diffamation, tant que ce n?est pas prouvé!
- 'Appelez tous le prof ce soir, son numéro de téléphone c?est 00 11 12 13 14', voilà une atteinte à la vie privée!
Tous ces propos sont des délits! Inciter à la haine raciale, faire circuler des fausses nouvelles sont aussi punis par la loi! Si Lia ou Naxo te poursuivent en justice, tu risques d?être condamné à payer une amende, toi ou tes parents si tu es mineur!".
Mais informações no site: Droit du Net.
sexta-feira, novembro 04, 2005
Modelos de comunicação e de educação:
sob o signo de Mario Kaplún
Leituras de apoio em torno da aulda de hoje
sob o signo de Mario Kaplún
Leituras de apoio em torno da aulda de hoje
- Kaplún, Mario (1997) "De medios y fines en la comunicación educativa" . Revista Chasqui, n.58
- Kaplún, Mario (1998) La gestión cultural ante los nuevos desafíos. Revista Chasqui, n.64
- Aire Comunicación (s/d) En recuerdo de Mario Kaplún
- Silva Pintos, Virginia (2001) Mario Kaplún: La Comunicación como actitud de vida. PCLA ? Vol. 2 ? n. 4
quinta-feira, novembro 03, 2005
Leituras
David Buckingham. The Media Literacy of Children and Young People - A review of the research literature. London: OFCOM
David Buckingham (2003). MEDIA EDUCATION AND THE END OF THE CRITICAL
CONSUMER. Harvard Educational Review, vol. 73(3) 309-328
David Buckingham; Andrew Burn. TEXTUALITY IN VIDEO GAMES: INTERACTIVITY, NARRATIVE SPACE AND ROLE PLAY - FINAL REPORT
Elisabeth Daley. Expanding the Concept of Literacy
Livingstone, S. (2002) Children?s use of the internet: reflections on the emerging research
agenda.
Livingstone, S.; Magdalena Bober. Regulating the internet at home: Contrasting the perspectives of children and parents
Sonia Livingstone; Elizabeth Van Couvering; Nancy Thumim. Adult Media Literacy - A review of the research literature. OFCOM
David Buckingham. The Media Literacy of Children and Young People - A review of the research literature. London: OFCOM
David Buckingham (2003). MEDIA EDUCATION AND THE END OF THE CRITICAL
CONSUMER. Harvard Educational Review, vol. 73(3) 309-328
David Buckingham; Andrew Burn. TEXTUALITY IN VIDEO GAMES: INTERACTIVITY, NARRATIVE SPACE AND ROLE PLAY - FINAL REPORT
Elisabeth Daley. Expanding the Concept of Literacy
Livingstone, S. (2002) Children?s use of the internet: reflections on the emerging research
agenda.
Livingstone, S.; Magdalena Bober. Regulating the internet at home: Contrasting the perspectives of children and parents
Sonia Livingstone; Elizabeth Van Couvering; Nancy Thumim. Adult Media Literacy - A review of the research literature. OFCOM
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