quinta-feira, setembro 15, 2005

Vem aí uma associação no campo da Educação para os Media

Um grupo de pessoas no qual se inclui a ex-jornalista da RTP Ivone Dias Ferreira está a preparar a apresentação pública de uma associação ou movimento de educação para os media. Existe já, ao que soubemos, uma declaração de princípios orientadores e a garantia de alguns apoios relevantes.
A apresentação terá lugar num acto publico, provavelmente na primeira metade de Outubro, estando, neste momento, a ser gravados depoimentos de diversas personalidade do âmbito educativo e mediático.
Recorde-se que a Associação Educação e Media, criada em meados dos anos 90 e com sede na ESE de Setúbal, tem estado praticamente inactiva nos últimos cinco anos.

quarta-feira, setembro 14, 2005

Nodi vai ensinar inglês aos "meninos" da 2
Programação infantil procura reflectir mudanças da sociedade

Marina Almeida
Diário de Notícias, 14.9.2005

Há novidades na grelha infantil da 2, mas uma das melhores notícias que se pode dar aos telespectadores mais jovens é a repetição, pela sexta vez, das Aventuras do Nodi, a partir de 10 de Outubro. Mais para o fim do ano, é o rapaz do guizo que vai ensinar inglês aos "meninos" em Diz-se como o Nodi. De acordo com Teresa Paixão, coordenadora de programas infantis da RTP, "todos os anos é identificada, pelo menos, uma necessidade diferente e são adquiridos programas que a satisfaçam". Este ano o ensino do inglês e a obesidade infantil têm tido especial atenção. A aposta em "séries com personagens que sejam vegetais" como os Veggie Tales (estreia dia 29), programas sobre vitaminas e receitas saudáveis, vão trazer os legumes para o mundo das brincadeiras.O director do canal, Manuel Falcão, sublinhou o peso dos infantis na grelha de programas - seis horas por dia, 30% do orçamento da 2 - como uma "aposta no futuro". Bruno Santos, subdirector da estação, falou de audiências: "mais de dez por cento das crianças estão na 2: num contexto agressivo, de canais de cabo infantis e o fenómeno Morangos com Açúcar e New Wave".No leque das novidades estão Atomic Betty ("Olá eu sou a miúda atómica, vou salvar o universo e estou na 2 ao fim da tarde"), I Spy (estreia a 13 de Outubro), Little Robots (11 de Outubro) e Watership Down, entre outras. "Como sempre, com um cuidado grande nas dobragens", procurando reflectir, por exemplo nos sotaques, as realidades do País. As próprias séries procuram estar perto da realidade infantil há protagonistas que usam óculos (Arthur), que têm aparelho nos dentes (Sorriso Metálico), há deficientes (Rodinhas). "A 2 precisa de todos os públicos, por isso vai à procura de programas que representem estas diferenças", diz Teresa Paixão.As Coisas lá de Casa também regressa à 2, em repetição. E porque o mundo infantil não é só feito de fantasia, o Quiosque vai prosseguir a sua carreira. No horário das notícias dos outros canais, a 2 tem informação para os mais novos. "É uma programação de risco", diz Teresa Paixão. Porque é arriscado fazer uma programação para pessoas excluídas pela audimetria (os "meninos" de 2 e 3 anos) e porque cada programa de 5 minutos tem uma ficha técnica que "nos pode espantar a audiência"...
"Isto é verdade, não é só publicidade"

"O curioso é que Jorge Gabriel, fazendo o que lhe mandam (e pagam para) fazer, nos diz isso ["Isto é verdade, não é só publicidade"], olhos nos olhos, durante um... anúncio publicitário! Ora se a publicidade pode não ser verdade, aquilo que ele nos está a dizer - que 'isto é verdade' - pode perfeitamente não ser verdade. Porque o que ele está a fazer é, exactamente, publicidade... Com o pormenor interessantíssimo de, durante a publicidade, precisar de nos dizer que aquilo 'não é' publicidade - para parecer mais verdade. Mas é, é publicidade - ou seja, às tantas não é verdade...Confuso? Pois é, as palavras têm destas coisas, os anúncios também: são muito traiçoeiros."
Joaquim Fidalgo, in Público, 14.9.2005

quarta-feira, agosto 31, 2005

A dimensão sócio-económica da literacia mediática

Manuel Pinto
in Media XXI, nº 81, Maio-Julho de 2005

A educação para os media em Portugal está de boa saúde? Está doente? Não existe? Quem o poderá dizer?
Para ensaiar uma resposta, precisamos, primeiro, de nos entender sobre o conceito de "educação para os media". Se por tal noção significarmos o conjunto de esforços, de projectos e de iniciativas no sentido de promover o acesso e o uso das tecnologias de informação e comunicação (TIC) no ensino, o panorama não será brilhante, mas traduz-se em algo de consistente e visível.
Mas eu entendo que isso não é educação para os media. Na melhor das hipóteses, pode ser um requisito ou um factor de potenciação. Mas não chega necessariamente a formular e a responder a perguntas como estas: TIC para quê? Que contributos dão na formação das novas gerações, capacitando-as a viver num "oceano informativo" cada vez mais caudaloso e gerador de perplexidade? Como ajudam a comunicar melhor? Ou a compreender o papel e o impacto dos media - novos e clássicos - na sociedade e na vida individual?
Se quisermos ser rigorosos, deveríamos concluir que não parecem ser essas as preocupações dominantes dos discursos e das políticas que têm vigorado nos últimos anos em Portugal. Sintomático disso foi a extinção, em 2002, do Instituto de Inovação Educacional, um departamento central do Ministério da Educação, que vinha desenvolvendo há vários anos, um trabalho humilde, mas sério e consistente de apoio às escolas com projectos neste terreno.
Existe hoje, no panorama internacional, um consenso alargado em torno do conceito de educação para os media. Pode definir-se como o desenvolvimento da capacidade de aceder à informação e enriquecer a comunicação num leque variado de suportes e de contextos, compreendendo o fenómeno cultural das comunicações e progredindo na criação de formas autónomas de expressão e comunicação individual e de grupo.
O quotidiano das crianças e dos jovens é, desde o início, povoado e marcado pelo crescimento num "ecossistema informativo" de que os suportes tecnológicos são uma dimensão relevante: a par da televisão, com um papel que continua a ser central, não se pode esquecer a centralidade dos jogos vídeo e electrónicos, dos chats e "mensageiros", da música nos seus vários suportes e formas de circulação e reprodução. Neste quadro, seria trágico que a educação escolar se mantivesse ostensivamente alheia a este universo de experiências ou se acantonasse numa performatividade tecnológica que não toma o mundo real dos mais novos como centro de referência.
Deste ponto de vista, o panorama em Portugal não será catastrófico, mas é, seguramente, pobre. Algum trabalho sistemático de educação para os media, no nosso país, deve-se à boa vontade de meia dúzia de professores e de responsáveis de escolas básicas e secundárias. De realçar também a atenção que algumas instituições de ensino superior vêm dando ao assunto, nomeadamente na Universidade do Minho (com um mestrado de Comunicação, Cidadania e Educação) e do Algarve e algumas escolas superiores de Educação. À parte algumas iniciativas pontuais e localizadas de associações e empresas privadas, o projecto mais consistente que se pode inscrever no espírito da educação para os media é o "Público na escola", do jornal Público, no terreno desde finais de 1989. O seu concurso anual de jornais escolares (impressos e electrónicos), o seu boletim informativo mensal, os seus dossiers e materiais pedagógicos deram-lhe um lugar de destaque solitário neste campo.
A literacia mediática e digital é, nos nossos dias, uma componente imprescindível da literacia geral. O investimento neste âmbito reveste-se de carácter estratégico, com implicações não apenas sociais e culturais, mas também económicas. Aos governos cabe um papel de incentivo e de apoio insubstituível. Mas se não contar com a iniciativa articulada de instituições diversas (educativas, sócio-profissionais, empresariais, religiosas, culturais?) não sairemos do ponto onde estamos.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Código étido de publicidade dirigida a crianças

A abundância de publicidade ?pouco saudável? motivou a Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN) a desenhar um código com regras no que toca à publicidade dirigida a menores, o qual será apresentado numa cerimónia pública, na última semana de Setembro, revelou ao Diário Económico Barata Simões, secretário-geral da APAN.
A notícia vem publicada hoje numapeça da jornalista Catarina Madeira, intitulada "Consumidores não se medem aos palmos"
"O código deverá recomendar anúncios que não incentivem o consumo desregrado de produtos alimentares, tendo como directriz o apelo à moderação", afirma ao DE o dirigente da Associação.

quinta-feira, agosto 25, 2005

"Mundo digital, cultura e educação

Mundo Digital, Cultura y Educación - Diálogo entre educación, lenguas y tecnología é o tema de um congresso que decorre em Saragoça, de 3 a 5 de Outubro.

domingo, agosto 21, 2005

Publico entrevista Jorge Martins Rosa
sobre as vertentes socializadoras dos jogos vídeo


A revista Pública traz hoje uma entrevista de Alexandra Prado Coelho ao Dr Jorge Martins Rosa, docente e investigador da Universidade Nova de Lisboa e um reconhecido especialista em jogos vídeo. Eis alguns passos:
(...)
P.- Há quem diga que o GTA [Grand Thef Auto] é completamente amoral. Tudo é permitido, desde negociar droga até atropelar velhinhas, sem que haja nenhum julgamento moral. R.- Isso também é um desenvolvimento relativamente recente. Continua a haver ali uma moral qualquer, mas é uma moral um pouco pervertida. Se calhar porque se esgotou aquela moral muito simplista, do género: "Vamos fazer alguma coisa de muito bondoso, vamos salvar uma princesa, ou um milhão de pessoas, ou salvar-nos a nós próprios." Se for para nos salvarmos de extraterrestres, essa questão da moral desaparece, podemos matá-los aos milhares.
De início, em meados dos anos 90, os jogos tinham uma moral mais simples, mais simplista. E, possivelmente, a novidade esgotou-se. Se pensarmos no objectivo máximo do jogo, há lá uma moral qualquer, mas para cumprir esse objectivo máximo são usados meios em que a moral acaba por ser invertida. É a ideia de que os fins estariam acima dos meios.
P.- Isso parece-lhe grave?
R.- Aqui entra um pouco a componente de representar uma personagem. A maior parte das pessoas, exceptuando talvez casos em que haja uma patologia qualquer, é capaz de fazer essa diferença entre o bem e o mal e entre o mundo real, em que não vou andar a bater em velhinhas, mesmo que seja para cumprir um objectivo intermédio, e o mundo do videojogo. Esta ideia de uma moral que não é assim tão clara também já se coloca em muitos filmes, e aí não parece provocar uma polémica tão grande.
(...)
P.- É possível explorar o potencial educativo dos videojogos?
R.- O grande problema parece ser que a acção que os jogos exigem e o potencial educativo dificilmente se tocam. É complicado fazer jogos que sejam educativos, mas suficientemente atractivos para que as pessoas os comprem.
(...)
P.- Há também um fosso geracional entre os utilizadores dos videojogos, essencialmente crianças e jovens adultos, e a geração acima dos 40, que não tenta sequer entender esse universo?
R.- As coisas já estiveram bastante pior, porque a média de idades do típico jogador já está acima dos 18 anos. Enquanto há 15 anos eram só jovens que jogavam, estes jovens não deixaram de jogar. E se esta média de idades está a subir, esse fosso tende a reduzir-se. Daqui a cinco ou dez anos talvez tenhamos uma sensibilidade maior em relação ao videojogo.
(...)
P.- Outra das críticas feitas frequentemente aos videojogos é a de que provocam alienação, por um lado, e, por outro, que incentivam o individualismo. Concorda?
R.- São duas questões diferentes. É verdade que para certos jogos e certas pessoas há longos períodos de tempo em que esquecem o mundo lá fora. Mas é um pouco o efeito da novidade, que depois vai perdendo impacto.
A questão do isolamento está a ser ultrapassada através da técnica. Essa crítica era perfeitamente válida em meados dos anos 80, princípio dos anos 90; hoje a tendência é cada vez mais para se jogar com outros jogadores, numa microrrede dentro de uma mesma casa ou "on-line". A tendência do jogo é hoje mais agregadora do que isoladora.