quinta-feira, maio 12, 2005

Vai ser criado o Provedor do Ouvinte e o Provedor do Telespectador

O Conselho de Ministros, hoje reunido, aprovou uma proposta de lei a enviar ao Parlamento que cria, junto dos serviços públicos de rádio e de televisão, os cargos de Provedor do Ouvinte e o Provedor do Telespectador, respectivamente. Estes cargos são designados pelo Conselho de Administração da entidade concessionária, sob parecer vinculativo do Conselho de Opinião, para mandatos de um ano, não renováveis por mais do que três vezes consecutivas.
Do conjunto de competências de que são dotados os Provedores, destacam-se:
  • Receber e avaliar a pertinência de queixas e sugestões dos ouvintes e telespectadores sobre os conteúdos difundidos e a respectiva forma de apresentação pelos serviços públicos de rádio e de televisão, assegurando, pela primeira vez, a existência de um canal de ligação directa entre estes serviços e os cidadãos seus destinatários;
  • Produzir pareceres sobre as queixas e sugestões recebidas, dirigindo-os aos órgãos de administração e aos demais responsáveis visados;
  • Indagar e formular conclusões sobre os critérios adoptados e os métodos utilizados na elaboração e apresentação da programação e da informação difundidas pelos serviços públicos de rádio e de televisão;
  • Transmitir aos ouvintes e telespectadores os seus pareceres sobre os conteúdos difundidos pelos serviços públicos de rádio e de televisão; e
  • Elaborar um relatório anual sobre a sua actividade.
Finalmente, nos termos da proposta de lei, os canais públicos de rádio e televisão ficam igualmente obrigados a criar um programa semanal, com uma duração mínima de 15 minutos, a transmitir em horário adequado, a cargo dos referidos Provedores do Telespectador e do Ouvinte.

sexta-feira, maio 06, 2005

"Kulto": Público vai editar revista para os mais novos

O diário "Público" vai colocar nas bancas, até ao Verão, uma revista para os jovens entre os 7 e os 14 anos - a "Kulto"- coordenada por Luís Pedro Nunes, do "Inimigo Público". A informação vem hoje no Diário Económico (DE).
Refere a notícia:

"Os 'tweenies' são uma faixa etária específica para a qual pensámos que havia espaço para fazer um produto destes. Já tínhamos feito a proposta ao Público, há cerca de um ano, e agora tivemos luz verde para avançar", afirmou ao DE Luís Pedro Nunes.

Apesar de os autores do Inimigo Público participarem neste projecto e de o responsável ser o mesmo, o responsável recusa comparações e diz que as equipas são distintas: "Não será um Inimigo Público para miúdos".

Contudo, o humor será "um meio" importante para chegar ao target e encarado como um "suporte apelativo", admite, frisando que o objectivo será fazer um produto de que os jovens gostem, que fale dos seus interesses, mas "que terá piada se for lido pelos mais velhos". Jogos, filmes de animação, letras de músicas, até manias, tudo isso terá espaço na nova publicação do Público.

A "Kulto", que será uma revista a cores ao estilo da Pública, será acompanhada por uma plataforma informática, tipo blog. "Discutiremos aí dia-a-dia os conteúdos da revista", adianta Luís Pedro Nunes.

quarta-feira, maio 04, 2005

Obesidade, infância, publicidade...

No JN de hoje:
"A situação é de tal ordem que, caso continue a agravar-se, é muito provável que, nalguns países, a obesidade ultrapasse o tabaco como a principal causa de mortes evitáveis". A afirmação é de Massano Cardoso, professor catedrárico da Universidade de Coimbra, que, ontem, em Coimbra, na sessão solene do "Mês do Coração 2005" defendeu medidas legislativas que combatam este cenário, que naquela sessão foi classificado de (...)"verdadeiro problema social".
Massano Cardoso defendeu a proibição de "publicidade de certos alimentos" ao mesmo tempo que a "rotulagem obrigatória de perigosidade de outros, com a indicação expressa de que são prejudiciais às crianças". Como frisou Manuel Oliveira Carregata, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), pela primeira vez, a tendência para o aumento a esperança de vida - que veio a verificar-se no século passado - poderá inverter-se devido à obesidade infantil. Por isso, alerta, "os pais têm de se mexer para fazer face à epidemia do excesso de peso que atinge já cerca de um terço das nossas crianças".
(Continuação aqui).

quarta-feira, abril 27, 2005

Congreso en México ?Los medios de comunicación y la tecnología en el aula?

Durante los próximos 30 de junio, 1 y 2 de julio tendrá lugar en el Estado de Tabasco (México) un interesante congreso de educación y comunicación dirigido a educadores y comunicadores con el objeto de fortalecer las competencias y habilidades docentes, respondiendo a las necesidades de la sociedad del conocimiento, impulsando el conocimiento, uso racional y didáctico de la tecnología y medios de comunicación en el aula.

TEMATICAS
Educacion y medios de comunicación
Tecnología y aprendizaje
Habilidades comunicativas, ciencia y tecnología
La función docente en el mundo massmediatizado

DESCRIPCIÓN GENERAL DEL CONGRESO
3 conferencias magistrales 7 talleres para docentes 1 taller para Padres 1 foro de discusión (Debate) 1 noche cultural Cada taller tiene duración de 7 horas, cada participante se inscribe a dos talleres. Total de horas académicas: 30 horas. Los talleres tienen valor escalafonario, proporcional a las horas de duración, válido para el Estado de Tabasco.

CONFERENCIAS MAGISTRALES
1. ?Las nuevas generaciones ante un mundo de pantallas: ¿Qué hacer los educadores?? Dr. José Ignacio Aguaded Gómez. Director Grupo Comunicar. España Definir a partir de la experiencia del experto, las actitudes y competencias de los educadores ante un mundo audiovisual que atrapa los sentidos, y más aún cuando la escuela y la enseñanza es superada por el dinamismo de los programas de televisión.
2. ?Modelos educativos y esquemas comunicacionales en la escuela? Dra. Guadalupe Hernández Luviano. Asesora Académica del Programa Enciclopedia y Coordinadora del Sitio del Maestro, ILCE-SEP. México.Ubicar a la educación y la comunicación como factores de un mismo proceso, y distinguir el tipo de comunicación que se desarrolla en las aulas a fin de reconocer en el papel docente una función esencialmente de comunicadores, identificando al emisor, receptor y la forma en que se emite el mensaje en el proceso de E-A.
3. ?Entre apocalípticos e integrados; avatares de la escuela mexicana?. Lic. Javier Arévalo Zamudio. Director de Medios Audiovisuales, SEP. México. Rescatar y valorar la investigación educativa dentro del proceso del uso de la tecnología y el impacto de los medios de comunicación, como una relación que contribuye a identificar necesidades y fortalezas dentro del proceso enseñanza-aprendizaje.
TALLERES PARA DOCENTES Y DIRECTIVOS
1. Didáctica de los Medios. Lic. Isela Tovar Angelares. Dirección de Medios Audiovisuales e Información. SEP.
2. Innovando el aula con Enciclomedia. Lic. Hilda Solís Martínez. ILCE.
3. Nuevas tecnologías en la Gestión Educativa. Mtro. Salvador López Martínez. Subdirector de Medios Audiovisuales. SEP.
4. La televisión y la expresión oral. Lic. Jorge Enrique Huizar Llamas. Sinaloa, UAS.
5. El cine y la enseñanza de la Historia. Lic. Eduardo Gallegos López. SEP.
6. Medios de Comunicación y los valores. Mtra. María Eugenia Luna. Dirección General de Desarrollo Curricular, SEP.
7. Medios impresos y la lectoescritura. Mtra. Sara Corona. Universidad de Guadalajara.

TALLER PARA PADRES
8. Guía de medios para padres: ¿Cómo seleccionar programas de televisión en la familia? Mtra. Rosa Margarita Padilla Rodríguez. Sinaloa, UAS.

DEBATE?Medios y Escuela: ¿aliados o enemigos?? Propósito: Orientar las concepciones acerca de la función social de los medios de comunicación, en particular de la prensa, reconociendo que a partir de su contenido puede o no favorecer la educación. La diversidad de posturas, tanto educativas como de periodistas, favorecerá una riqueza de argumentos que permitirá lograr el propósito de la estrategia.

papel do jornal

TV e literatura não são inimigas
Sónia Correia dos Santos, in DN, 27.4.2005

As séries de aventuras infanto-juvenis estão a ganhar posição no panorama televisivo em Portugal. Os autores das colecções ficam reconhecidos e admitem que este é uma forma de estimular o gosto pela leitura.
Depois de a SIC ter lançado há quatro anos e meio a versão televisiva de Uma Aventura, é a vez da RTP, com Triângulo Jota, e da TVI, com O Clube das Chaves e O Bando dos 4, se lançarem neste campo da ficção.
A colecção Uma Aventura, que já tem editados 47 volumes em 23 anos de vida, foi a primeira a passar para televisão. Ana Maria Magalhães, que com Isabel Alçada divide a autoria da colecção, afirmou ao DN que "a televisão e os livros não são inimigos, antes pelo contrário", reforçando que "quem gosta de ler, quer sempre mais".
Existem regras obrigatórias para que os livros destas criadoras sejam adaptados para televisão. "Os valores e a atitude positiva" estão entre elas, mas é preciso que o "espírito da colecção seja respeitado na série", acentuou Ana Maria Magalhães.
"Isto parece uma brincadeira, mas é um trabalho muito sério", concluiu.
Uma Aventura já vai a caminho da sua quarta série, produzida pela SIC. Tem como guionista Vera Sacramento, com quem as responsáveis pela obra têm uma relação de "simpatia e empatia". O acordo para que o seu trabalho literário passasse para a televisão não foi difícil, uma vez que a caixa mágica "está em todo lado e as crianças adoram, sublinha Ana Maria Magalhães.
Nos anos 90, as autoras Maria Teresa Maia Gonzalez e Maria do Rosário Pedreira juntaram-se e criaram a colecção O Clube das Chaves. Agora, a TVI vai estrear uma série com o mesmo nome nas férias do Verão. Serão 13 episódios produzidos pela Skylight, também responsável pela adaptação.
Maria Teresa Maia Gonzalez garante que, para que o trabalho televisivo não se afaste da obra inicial, é necessária "uma boa coordenação" entre os guionistas e os autores. Deve existir entre estas equipas "confiança e colaboração", uma vez que as autoras têm sempre a última palavra, porque "os valores defendidos devem estar sempre presentes".
A TVI tem ainda agendada a produção de uma outra série de aventuras para crianças e adolescentes, O Bando dos 4, de João Aguiar, cujo guião está a ser elaborado por José Fanha, não havendo ainda data de estreia.

segunda-feira, abril 25, 2005

Uma semana sem TV ... nos EUA

Começa hoje e vai até domingo a TV-Turnoff 2005. Uma semana sem TV. Vale sobretudo pelo que permite fazer e que, de outro modo, não se faria. Por exemplo, conversar ao jantar, em vez de ficar tudo olhar para o ecrã (supondo que há alguma coisa para dizer e ouvir). Nos Estados Unidos da América, 40 por cento das pessoas diz que vê com muita frequência TV ao jantar. Jogar, passear, ler, conversar, escrever num blogue, pode ser, pelo menos, uma forma de variar de menu numa dieta que tende, em muitos lares, a ser sempre igual. Há quem torça o nariz a iniciativas destas. Mas se uma decisão assim for tomada em conjunto e em favor de alternativas interessantes, tem valor em si mesma.

sábado, abril 23, 2005

O Fabuloso Mundo Web da TV Educativa
Maria Emília Brederode Santos
in A Capital, 14.4.2005

A extraordinária expansão da internet na última década veio revelar a existência de novos "públicos" :
- um público curioso, sequioso por aprender, por conhecer, por se aventurar nos caminhos infindáveis que a web proporciona;
- um público activo, desejoso de participar, de comunicar, de se expressar.
Em Portugal esta segunda característica tem sido muito mais visível do que a primeira como o recentíssimo fenómeno dos "blogs" parece comprovar. Mas internacionalmente tem sido a primeira característica que mais relevo tem tido e que mais poderá contribuir para a Sociedade do Conhecimento.
Os serviços públicos de rádio/ televisão da maioria dos países europeus e americanos (e outros, decerto) foram capazes de reconhecer esta característica e de procurarem activamente criar novos públicos através de duas estratégias principais :
1.A criação de inúmeros canais, serviços e programas educativos;
2.A criação de "sítios" na internet, com maior ou menor autonomia relativamente aos media anteriormente dominantes de rádio e de tv.
Esta segunda estratégia revelou-se um fenómeno novo e rico de consequências : não se trata de "sítios" para a divulgação de programas ou serviços mas, muito mais do que isso, da sua transformação em empresas multimedia orientadas por um projecto educativo e cultural.Alguns exemplos:
Além do ARTE, a França criou um canal especificamente educativo, a FR5, o " Canal do Saber e do Conhecimento" e Serviços Educativos Multimedia com quatro possibilidades de utilização :
1.programas, libertos de direitos de autor, para poderem ser usados nas salas de aula;
2.um "sítio" para os professores - denominado "Côté profs" - com uma selecção semanal de programas e pistas pedagógicas de utilização, espaço de debate e um boletim;
3.conteúdos educativos produzidos pela FR5 em colaborção com Ministérios da Educação, Cultura e /ou Ciência e com outros parceiros educativos e instrumentos pedagógicos como"maletas pedagógicas";
4."leSite.tv", Serviço interactivo de televisão educativa - Trata-se do primeiro serviço francês de "video a pedido" e que oferece, para esse efeito, um catálogo de material audio-visual, documentação pedagógica, uma revista semanal e serviços práticos comunitários para professores e alunos.
Na Grã-Bretanha, depois da paralisia e do retrocesso dos anos 80, a tecnologia digital veio proporcionar mais canais e mais interactividade: para além da "Learning Zone" da BBC 2, criaram-se três canais para públicos etários específicos e a BBC 4 como canal alternativo dedicado à cultura e à inovação.
Também na internet se assistiu à criação e desenvolvimento quase autónomo da BBC Online que se tornou, numa década, um dos "sítios" mais importantes da Grã-Bretanha. Pela bbc.co.uk acede-se ao "Learning" e a cursos on line de Informática, Línguas (Português incluído!), História, Saúde, Economia, Jardinagem, Escrita Criativa, Estudos Ambientais, Media, Música, Política, Ciências Naturais, Desporto?o mundo!Inclui também informações e cursos especialmente dirigidos aos adultos ou a escolas, a pais, professores, alunos, numa multiplicação de públicos, de ligações e de oferta.
Na Itália, a RAI Educational organizou-se numa estrutura multi-media, explorando os vários meios da televisão terrestre à televisão por satélite, da rádio à internet, das cassettes video aos CD-ROMs e aos livros, ao serviço da cultura, do crescimento social, da aprendizagem escolar e da educação permanente.
Não se pense que estes desenvolvimentos ocorreram só nos países mais ricos e poderosos ou que requerem a adopção prévia da tv digital. É certo que, nos Estados Unidos da América, o Public Broadcasting System até inclui, na sua página web, planos de aulas para professores e dezenas de cursos de formação contínua. Mas também na América do Sul se desposou este movimento, assumindo o compromisso de, nestes países "de grandes desigualdades e profundos problemas sociais", a televisão assumir-se como "um importante instrumento de democratização da informação e da educação".

Um projecto educativo e cultural
Em todos estes países esta nova combinação radio/TV com internet constitui uma "forma nova" mas que só toma sentido quando imbuída dum projecto educativo e cultural.
O responsável pela BBC Mark Thomson, no seu discurso de 7 de Dezembro 2004, ao anunciar os progressos tecnológicos em curso e em vista, preveniu que "?o mais importante para a BBC é investir no conteúdo - conteúdos a que se possa aceder por formas novas , que possam ser armazenados, partilhados, retrabalhados e às vezes até acrescentados pelos utilizadores que serão cada vez mais capazes de os produzir" , para construir "valor público", definido pela sua "acessibilidade a todos", "enriquecimento cultural e creativo" e "valor educativo".
Será que Portugal, com o seu grave deficit de escolarização e em pleno esforço para construir a Sociedade do Conhecimento, pode dispensar o serviço público de rádio/televisão de assumir o seu papel na democratização da informação, da cultura , da educação e como um participante poderoso na construção dum Portugal digital ?
Trata-se de criar uma televisão educativo-cultural que tenha como objectivo principal a promoção do desenvolvimento cultural e educativo de toda a população, a satisfação das aspirações educativas de públicos específicos e a vontade de expressão e de participação da comunidade.

Texto lido no blogue Inquietações Pedagógicas, que reproduz uma primeira parte de um outro texto da mesma autora sobre a mesma matéria, pubicado no dia 9 no mesmo jornal.