segunda-feira, abril 25, 2005

Uma semana sem TV ... nos EUA

Começa hoje e vai até domingo a TV-Turnoff 2005. Uma semana sem TV. Vale sobretudo pelo que permite fazer e que, de outro modo, não se faria. Por exemplo, conversar ao jantar, em vez de ficar tudo olhar para o ecrã (supondo que há alguma coisa para dizer e ouvir). Nos Estados Unidos da América, 40 por cento das pessoas diz que vê com muita frequência TV ao jantar. Jogar, passear, ler, conversar, escrever num blogue, pode ser, pelo menos, uma forma de variar de menu numa dieta que tende, em muitos lares, a ser sempre igual. Há quem torça o nariz a iniciativas destas. Mas se uma decisão assim for tomada em conjunto e em favor de alternativas interessantes, tem valor em si mesma.

sábado, abril 23, 2005

O Fabuloso Mundo Web da TV Educativa
Maria Emília Brederode Santos
in A Capital, 14.4.2005

A extraordinária expansão da internet na última década veio revelar a existência de novos "públicos" :
- um público curioso, sequioso por aprender, por conhecer, por se aventurar nos caminhos infindáveis que a web proporciona;
- um público activo, desejoso de participar, de comunicar, de se expressar.
Em Portugal esta segunda característica tem sido muito mais visível do que a primeira como o recentíssimo fenómeno dos "blogs" parece comprovar. Mas internacionalmente tem sido a primeira característica que mais relevo tem tido e que mais poderá contribuir para a Sociedade do Conhecimento.
Os serviços públicos de rádio/ televisão da maioria dos países europeus e americanos (e outros, decerto) foram capazes de reconhecer esta característica e de procurarem activamente criar novos públicos através de duas estratégias principais :
1.A criação de inúmeros canais, serviços e programas educativos;
2.A criação de "sítios" na internet, com maior ou menor autonomia relativamente aos media anteriormente dominantes de rádio e de tv.
Esta segunda estratégia revelou-se um fenómeno novo e rico de consequências : não se trata de "sítios" para a divulgação de programas ou serviços mas, muito mais do que isso, da sua transformação em empresas multimedia orientadas por um projecto educativo e cultural.Alguns exemplos:
Além do ARTE, a França criou um canal especificamente educativo, a FR5, o " Canal do Saber e do Conhecimento" e Serviços Educativos Multimedia com quatro possibilidades de utilização :
1.programas, libertos de direitos de autor, para poderem ser usados nas salas de aula;
2.um "sítio" para os professores - denominado "Côté profs" - com uma selecção semanal de programas e pistas pedagógicas de utilização, espaço de debate e um boletim;
3.conteúdos educativos produzidos pela FR5 em colaborção com Ministérios da Educação, Cultura e /ou Ciência e com outros parceiros educativos e instrumentos pedagógicos como"maletas pedagógicas";
4."leSite.tv", Serviço interactivo de televisão educativa - Trata-se do primeiro serviço francês de "video a pedido" e que oferece, para esse efeito, um catálogo de material audio-visual, documentação pedagógica, uma revista semanal e serviços práticos comunitários para professores e alunos.
Na Grã-Bretanha, depois da paralisia e do retrocesso dos anos 80, a tecnologia digital veio proporcionar mais canais e mais interactividade: para além da "Learning Zone" da BBC 2, criaram-se três canais para públicos etários específicos e a BBC 4 como canal alternativo dedicado à cultura e à inovação.
Também na internet se assistiu à criação e desenvolvimento quase autónomo da BBC Online que se tornou, numa década, um dos "sítios" mais importantes da Grã-Bretanha. Pela bbc.co.uk acede-se ao "Learning" e a cursos on line de Informática, Línguas (Português incluído!), História, Saúde, Economia, Jardinagem, Escrita Criativa, Estudos Ambientais, Media, Música, Política, Ciências Naturais, Desporto?o mundo!Inclui também informações e cursos especialmente dirigidos aos adultos ou a escolas, a pais, professores, alunos, numa multiplicação de públicos, de ligações e de oferta.
Na Itália, a RAI Educational organizou-se numa estrutura multi-media, explorando os vários meios da televisão terrestre à televisão por satélite, da rádio à internet, das cassettes video aos CD-ROMs e aos livros, ao serviço da cultura, do crescimento social, da aprendizagem escolar e da educação permanente.
Não se pense que estes desenvolvimentos ocorreram só nos países mais ricos e poderosos ou que requerem a adopção prévia da tv digital. É certo que, nos Estados Unidos da América, o Public Broadcasting System até inclui, na sua página web, planos de aulas para professores e dezenas de cursos de formação contínua. Mas também na América do Sul se desposou este movimento, assumindo o compromisso de, nestes países "de grandes desigualdades e profundos problemas sociais", a televisão assumir-se como "um importante instrumento de democratização da informação e da educação".

Um projecto educativo e cultural
Em todos estes países esta nova combinação radio/TV com internet constitui uma "forma nova" mas que só toma sentido quando imbuída dum projecto educativo e cultural.
O responsável pela BBC Mark Thomson, no seu discurso de 7 de Dezembro 2004, ao anunciar os progressos tecnológicos em curso e em vista, preveniu que "?o mais importante para a BBC é investir no conteúdo - conteúdos a que se possa aceder por formas novas , que possam ser armazenados, partilhados, retrabalhados e às vezes até acrescentados pelos utilizadores que serão cada vez mais capazes de os produzir" , para construir "valor público", definido pela sua "acessibilidade a todos", "enriquecimento cultural e creativo" e "valor educativo".
Será que Portugal, com o seu grave deficit de escolarização e em pleno esforço para construir a Sociedade do Conhecimento, pode dispensar o serviço público de rádio/televisão de assumir o seu papel na democratização da informação, da cultura , da educação e como um participante poderoso na construção dum Portugal digital ?
Trata-se de criar uma televisão educativo-cultural que tenha como objectivo principal a promoção do desenvolvimento cultural e educativo de toda a população, a satisfação das aspirações educativas de públicos específicos e a vontade de expressão e de participação da comunidade.

Texto lido no blogue Inquietações Pedagógicas, que reproduz uma primeira parte de um outro texto da mesma autora sobre a mesma matéria, pubicado no dia 9 no mesmo jornal.

quarta-feira, abril 20, 2005

Pais não passam tempo suficiente com os filhos

Uma marca de sabão de máquina mostra hoje que quer ampliar o seu mercado, como é lógico. Para o conseguir, toca em pontos sensíveis, como dá conta esta notícia do Público:

"Sete em cada dez pais portugueses revelam que não passam tempo suficiente com os filhos. As crianças acabam por gastar duas horas e meia diárias frente à televisão. Estes são alguns dados do estudo de mercado, pedido pela marca Skip, da Leverelida, com o objectivo de conhecer a realidade das crianças portuguesas durante os seus tempos livres. A marca pretende promover a ideia que "é bom sujar-se", que faz parte da vida e está associado à aprendizagem e desenvolvimento das crianças. Para isso pediu um estudo a John Richer, psicólogo inglês, para investigar até que ponto a sujidade pode ser vista como uma coisa positiva. A empresa encomendou ainda um estudo ao mercado português. Ontem, a marca reuniu, num workshop, o investigador britânico, além do pediatra Mário Cordeiro e a psicóloga Cecília Galvão, bem como educadores e professores.Richer defende que é importante as pessoas sujarem-se porque desenvolvem-se do ponto de vista físico e mental. Sujar-se como consequência natural de uma actividade, por exemplo, ao ar livre faz parte do crescimento, defende.O estudo português abrange um universo de um milhão de lares portugueses, com crianças com menos de 15 anos de idade. A amostra foi constituída por meio milhar de inquiridos com filhos entre os quatro e os 14 anos. Neste estudo os pais confessam que, quando eram crianças, passavam mais tempo ao ar livre do que os seus filhos. Há mesmo 80 por cento que dizem considerar importante as actividades ao ar livre. No entanto, as crianças passam mais tempo diário frente à televisão do que a desenvolver outras actividades. Os pais - quase todos (95 por cento) - justificam que não passam mais tempo com os filhos por falta de tempo. A falta de paciência é o segundo motivo apontado, mas por apenas 11 por cento dos inquiridos. (...)"

domingo, abril 17, 2005

Quinta Bienal Iberoamericana de Comunicación

La Fundación Ealy Ortiz de El Universal (México), la Cátedra de ComunicaciónEstratégica y Cibercultura y el Proyecto Internet del Instituto Tecnológico de Monterrey (Campus Estado de México) organizan para investigadores,profesores y estudiantes a participar en la Quinta Bienal Iberoamericanade la Comunicación, los días 20, 21 y 22 de septiembre de 2005.
La QuintaBienal Iberoamericana de la Comunicación se realizará las instalaciones delTecnológico de Monterrey (Campus Estado de México), ubicado en Carretera alLago de Guadalupe, km. 3.5, Atizapán de Zaragoza (Estado de México). El municipiode Atizapán de Zaragoza se ubica a unos 25 kilómetros al norte de la Ciudad de México, Distrito Federal.
El tema central de la V Bienal Iberoamericana de la Comunicación es el Balancedel Primer lustro de un nuevo siglo de comunicaciones digitales.En anterioresBienales han participado académicos, investigadores, profesionales de lacomunicación y estudiantes de 56 países.
El programa de la V Bienal Iberoamericana de la Comunicación comprende:12 Conferencias magistrales. 16 Mesas de trabajo.3 Mesas de Organismos de Comunicación3 Paneles Cobertura nacional e internacional en medios de comunicación.Transmisión en directo a través de Internet.
Las conferencias Magistrales de la V Bienal Iberoamericana de la Comunicaciónserán dictadas por reconocidos expertos internacionales, como Eric McLuhan,Lance Strate, Paul Lippert, Bernardo Díaz Nosty, José Manuel de Pablos, JoséMarques de Melo y Claudia Benassini.
La Quinta Bienal Iberoamericanade la Comunicación es un evento de enorme relevancia para la comunidad científicadedicada al estudio de las ciencias de la comunicación.
Para mayores informes del congreso llamar al teléfono (52-55) 58645613, o contactar por e-mail.
Nueva revista de comunicación en México: «Códice»

La Universidad del Mayab (México) ha creado la revista electrónica CÓDICE, con fines exclusivamente académicos en el ámbito de la comunicación.
Ofrecen, además, la posibilidad de conectar con múltiples revistas digitales e impresas de comunicación.

domingo, abril 03, 2005

III Seminário Internacional «A redes de conhecimentos e a tecnologia»

Organizado por el Laboratório de Educação e Imagem / PROPEd da Faculdade de Educação / CEH / Universidadde de Rio de Janiero (Brasil) se celebrta el próximo junio el III Seminário Internacional «A redes de conhecimentos e a tecnologia», coordinado por Nilda Alves, Raquel Goulart Barreto, Alice Casimiro Lopes, Elizabeth Macedo e Inês Barbosa Oliveira.
Los objetivos son:
- Compreender as relações dos praticantes dos contextos cotidianos com a tecnologia em múltiplas redes de conhecimentos;
- Relacionar os processos de uso de textos, imagens e sons com as tecnologias, em contextos educativos vários;
- Interrogar os processos de formação e as práticas docentes, em especial através de suas formas de representação em textos, imagens e sons;
- Discutir as questões éticas e estéticas que se colocam na relação cotidiana das práticas docentes.
Informações para contato: Laboratório Educação e Imagem / UERJ
Telefone (21) 2587-7188
Endereço: UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Rua São Francisco Xavier, 524 - 12º andar - bloco A - sala 12033 Maracanã - Rio de Janeiro - R.J. - CEP 20550-900
Endereço WEB: Informações gerais;

sábado, abril 02, 2005

Ai os números!
Joaquim Fidalgo
in Público, 30.3.2005

Era alguém ligado aos jornais, um provedor do leitor, julgo eu, que costumava dizer: "Querem que um jornalista faça uma notícia sobre um determinado assunto? Basta darem-lhe um número, uma estatística... Não resiste!"Pois não. A estatística faz um título forte, a estatística dá um tom de precisão científica ao texto, a estatística "mede" a realidade, organiza-a, quantifica-a com suposta exactidão. E há lá melhor ciência do que ciência exacta?...Quando a estatística provém de uma sondagem, ainda melhor: por ela se põe em evidência essa nobilíssima vocação dos media de darem voz à opinião pública, de a captarem e difundirem com os indispensáveis princípios de rigor e objectividade - e há lá coisa mais objectiva, mais rigorosa, do que um número, uma percentagem?...Pois é. E acabamos por ler, como esta semana li em diversos jornais e ouvi nas rádios - graças a esse valioso "abono de família" jornalístico que é a agência Lusa -, coisas como esta: "As conclusões [de um estudo de opinião] mostram que 95,3 por cento dos jovens portugueses entre os 15 e os 24 anos compram jornais e revistas." Espantosas cifras, na verdade! E não menos espantosas as que se referem à população em geral, apesar do tom meio desiludido de quem escreveu: "Os níveis de consumo médios [de jornais e revistas] da população portuguesa não ultrapassam os 80,1 por cento." Os 80,1 por cento, note-se bem... Oito em cada dez portugueses - ou seja: oito milhões de portugueses - consomem jornais e revistas! E então nos jovens dos 15 aos 24 anos, aí é que a coisa sobe: são 95 em cada 100 (o que quer dizer praticamente todos os jovens portugueses) que compram jornais e revistas!...Ora aqui está uma grande novidade. Eu não imaginava. E andamos todos a lamentar-nos por os portugueses lerem pouco, por os jornais terem difusões baixas, por estarmos (também) nesta matéria sempre na cauda da Europa, etc., etc. Nada disso. Agora há uma sondagem que repõe, com rigor e objectividade, a verdade dos factos: os portugueses lêem jornais e revistas que se fartam, só por excepção é que não os compram, e os jovens são todos, praticamente todos, clientes de publicações impressas. Compram-nas, nunca será demais repetir, 95,3 por cento. Veio nos jornais. Foi notícia da agência Lusa. Prova-o um estudo da agência publicitária Media Planning. Citei.Só um pormenor: e não há jornalista que, ao pegar nesta "informação", se interrogue, se questione, ao menos estranhe?... Não há jornalista que torça o nariz e, pelo menos, procure saber mais qualquer coisinha? Por exemplo: esses 95,3 por cento de jovens que "compram jornais e revistas" compram quando? Todos os dias? Duas vezes por semana? Uma vez por quinzena? De mês a mês? Ou só uma vez por outra? E os oito milhões de portugueses que fazem o mesmo, quando é que o fazem? Regularmente? Assim, assim? De vez em quando? Quase nunca?... E então escreve-se, sem mais - ou até se põe em título-, que "95,3 por cento dos jovens portugueses compram jornais e revistas"? Sabem o que isso significa?... Fizeram as contas?... Ou estão a gozar connosco?...