José Rodrigues dos Santos e os jornais escolares
Uma demissão pré-anunciada, com sabor a manobra de bastidor. Enquanto se não sabe mais pormenores, para entender o real significado da decisão, aqui fica um apontamento biográfico sobre o jornalista, revelador de que, afinal, isto dos jornais escolares pode ter muito que se lhe diga:
"José Rodrigues dos Santos nasceu em 1964 na Beira, em Moçambique, mas viveu os primeiros nove anos da sua vida em Tete, onde conviveu com a guerra colonial. Quando o seu pai foi obrigado pela PIDE a mudar-se para Nampula, foi viver com a mãe e o irmão para Lourenço Marques, onde ficou por dois anos, até que começaram a ensinar Marx e Lenine nas aulas e a família se mudou novamente, dessa vez para a Madalena, em Vila Nova de Gaia. Após a separação dos pais, Lisboa foi o novo destino de José Rodrigues dos Santos, mas também aí ficaria por pouco tempo, uma vez que as dificuldades económicas da sua mãe o levaram a mudar-se para a residência paterna, então em Penafiel. A difícil adaptação do pai a terras lusas motivou a partida para Macau e foi aí, aos 17 anos, que José Rodrigues dos Santos se iniciou no Jornalismo, ao serviço da Rádio Macau. Na origem dessa oportunidade, esteve o seu contributo para a elaboração de um jornal escolar que despertou o interesse dos responsáveis dessa rádio e levou a que o jovem estudante fosse entrevistado por uma jornalista que acabara de chegar a Macau e se chamava Judite de Sousa. (...)"
sexta-feira, novembro 05, 2004
Alguns textos
La espiral del silencio, de Elisabeth Noelle-Neumann
Televisión, audiencias y estudios culturales, de David Morley
El estudio de los efectos a largo plazo, de Mauro Wolf
La mediación familiar en la construcción de la audiencia, de Martha Renero Quintanar
O RAP E O FUNK NA SOCIALIZAÇÃO DA JUVENTUDE, de Juarez Dayrell
Intermediary space and media competency: Children?s media play in ?Out of School Hours Care? facilities in Australia, de Karen Orr Vered
PRÁTICAS DE LEITURA: O JORNAL COMO INTERFACE NO CONTEXTO ESCOLAR, de Alzira Karla Araújo da Silva
O JORNAL E A FORMAÇÃO DA CIDADANIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO, de Regina da Luz Vieira
Where Are We Going and How Can We Get There? General findings from the UNESCO Youth Media Education Survey 2001.
La espiral del silencio, de Elisabeth Noelle-Neumann
Televisión, audiencias y estudios culturales, de David Morley
El estudio de los efectos a largo plazo, de Mauro Wolf
La mediación familiar en la construcción de la audiencia, de Martha Renero Quintanar
O RAP E O FUNK NA SOCIALIZAÇÃO DA JUVENTUDE, de Juarez Dayrell
Intermediary space and media competency: Children?s media play in ?Out of School Hours Care? facilities in Australia, de Karen Orr Vered
PRÁTICAS DE LEITURA: O JORNAL COMO INTERFACE NO CONTEXTO ESCOLAR, de Alzira Karla Araújo da Silva
O JORNAL E A FORMAÇÃO DA CIDADANIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO, de Regina da Luz Vieira
Where Are We Going and How Can We Get There? General findings from the UNESCO Youth Media Education Survey 2001.
Literacia mediática: iniciativa do Reino Unido
O OFCOM (Office of Comunications), entidade com funções de regulação e monitorização das políticas de comunicação e media no Reino Unido, publicou esta semana um importante documento intitulado Ofcom's strategy and priorities for the promotion of media literacy, o qual norteará as iniciativas a levar a cabo no curto e médio prazo por aquela entidade.O documento resulta da audição pública sobre o tema, com base num texto divulgado em Junho passado. Com eventual significado para Portugal, está a anunciada proposta de lançar iniciativas a este nível, no plano da União Europeia, a partir da segunda metade de 2005, quando o Reino Unido assumir a presidência da UE.A definição operativa de Media Literacy, segundo este documento:"media literacy is the ability to access, understand and create communications in a variety of contexts."
O OFCOM (Office of Comunications), entidade com funções de regulação e monitorização das políticas de comunicação e media no Reino Unido, publicou esta semana um importante documento intitulado Ofcom's strategy and priorities for the promotion of media literacy, o qual norteará as iniciativas a levar a cabo no curto e médio prazo por aquela entidade.O documento resulta da audição pública sobre o tema, com base num texto divulgado em Junho passado. Com eventual significado para Portugal, está a anunciada proposta de lançar iniciativas a este nível, no plano da União Europeia, a partir da segunda metade de 2005, quando o Reino Unido assumir a presidência da UE.A definição operativa de Media Literacy, segundo este documento:"media literacy is the ability to access, understand and create communications in a variety of contexts."
terça-feira, outubro 26, 2004
"Protecção dos menores" na rádio e TV
A RTVE, empresa que detém a TVE, televisão pública, e a RNE, rádio pública de Espanha, acaba de aprovar um "Código para la Protección de los Menores en Rádio y Televisón". É um documento de nove páginas, que traça um quadro da evolução das medidas relacionadas com o assunto e define 30 novas normas, entre as quais se conta a última que estabelece a criação da figura do provedor do telespectador e do radio-ouvinte.
De notar a continuação do uso de uma terminologia que se encontra ao arrepio do espírito da Convenção sobre os Direitos da Criança, como, por exemplo, o termo "menores".
A RTVE, empresa que detém a TVE, televisão pública, e a RNE, rádio pública de Espanha, acaba de aprovar um "Código para la Protección de los Menores en Rádio y Televisón". É um documento de nove páginas, que traça um quadro da evolução das medidas relacionadas com o assunto e define 30 novas normas, entre as quais se conta a última que estabelece a criação da figura do provedor do telespectador e do radio-ouvinte.
De notar a continuação do uso de uma terminologia que se encontra ao arrepio do espírito da Convenção sobre os Direitos da Criança, como, por exemplo, o termo "menores".
domingo, outubro 24, 2004
Os temas da actualidade
por Eduardo Jorge Madureira
in Diário do Minho, 24.10.2004
No livro El Malentendido. Cómo nos educan los medios de comunicación (Barcelona: Icaria, 2003), a jornalista e ensaísta catalã Margarita Rivière recorda uma conversa com o sociólogo Manuel Castells, que lhe observou que o mundo se divide hoje em três classes: os desinformados (a gente que só tem imagens), os sobreinformados (todos os que vivem no redemoinho mediático) e os informados (os que são capazes de seleccionar e ordenar a informação). Embora se compreenda bem a divisão, não se poderia estranhar se, em vez de três, fossem referidas apenas duas classes. Na verdade, os desinformados e os sobreinformados podem, perfeitamente, juntar-se. Não saber nada é equivalente a saber tudo.
Margarita Rivière julga que, entre nós, prevalecem os sobreinformados. Um sobreinformado é, digamos assim, um catavento num mundo assolado por um permanente tufão informativo. Sobre a intensidade de tão fortes ventos, escreveu Ignacio Ramonet, em 1997, no jornal que dirige, o mensário ?Le Monde Diplomatique?, um artigo que tem sido abundantemente citado. Afirmou ele que, ?em trinta anos, o mundo produziu mais informação do que durante os cinco mil anos precedentes... Um só exemplar da edição dominical do ?The New York Times? contém mais informação do que a que adquiria em toda a sua vida um europeu do século XVII?.
Contas mais recentes, indicam que, quem pretendesse ler todos os romances que, depois das férias de Agosto, chegaram às livrarias francesas, teria de levar para casa nada mais nada menos do que seiscentas e sessenta e uma obras, cento e vinte e uma das quais escritas por estreantes. Os números da actividade editorial são sempre espantosos. Em Inglaterra, editam-se anualmente mais ou menos cento e vinte mil livros e, nos Estados Unidos da América, em 2003, editaram-se cento e setenta e cinco mil livros, o que dá uma média de dois livros por minuto. Nada que se compare com Portugal, onde ?apenas? se publicam dez livros por dia.
A contabilidade que Ignacio Ramonet fez há sete anos dá conta que, em ?cada dia, cerca de 20 milhões de palavras de informação técnica são editadas em diversos suportes (revistas, livros, relatórios, disquetes, cd-roms). Um leitor capaz de ler mil palavras por minuto, durante oito horas diárias, gastaria um mês e meio para ler toda a produção de um só dia, e no final desse período teria acumulado um atraso de cinco anos e meio de leitura?.
O vendaval informativo, para usar mais um exemplo, apontado por Vahé Zartarian e Emile Noël em Cibermundos (Porto: Âmbar, 2002), despeja, todos os dias, sobre cada criatura três milhões de palavras, o que equivale a um livro de mais de cinco mil páginas. Os autores, repetindo uma ideia cada vez mais comum, dizem que vivemos numa sociedade que é mais do ruído do que da comunicação.
Vahé Zartarian e Emile Noël fazem uma proposta não muito original, mas certamente interessante, uma experiência simples que comprovará o nível de ruído a que estamos sujeitos. Com uma ou outra pequena adaptação que aqui se faz, consiste ela em pegar, passado algum tempo (dois ou três meses, por exemplo), na informação que abriu os noticiários televisivos e na que fez as manchetes dos jornais e perguntar-se, então, por entre tudo isso, o que é que realmente nos foi útil. ?Sobretudo, pergunte-se que aspecto da nossa vida seria hoje diferente se não se tivesse todas essas informações?. O resultado, garantem Vahé Zartarian e Emile Noël, é edificante. (...)
por Eduardo Jorge Madureira
in Diário do Minho, 24.10.2004
No livro El Malentendido. Cómo nos educan los medios de comunicación (Barcelona: Icaria, 2003), a jornalista e ensaísta catalã Margarita Rivière recorda uma conversa com o sociólogo Manuel Castells, que lhe observou que o mundo se divide hoje em três classes: os desinformados (a gente que só tem imagens), os sobreinformados (todos os que vivem no redemoinho mediático) e os informados (os que são capazes de seleccionar e ordenar a informação). Embora se compreenda bem a divisão, não se poderia estranhar se, em vez de três, fossem referidas apenas duas classes. Na verdade, os desinformados e os sobreinformados podem, perfeitamente, juntar-se. Não saber nada é equivalente a saber tudo.
Margarita Rivière julga que, entre nós, prevalecem os sobreinformados. Um sobreinformado é, digamos assim, um catavento num mundo assolado por um permanente tufão informativo. Sobre a intensidade de tão fortes ventos, escreveu Ignacio Ramonet, em 1997, no jornal que dirige, o mensário ?Le Monde Diplomatique?, um artigo que tem sido abundantemente citado. Afirmou ele que, ?em trinta anos, o mundo produziu mais informação do que durante os cinco mil anos precedentes... Um só exemplar da edição dominical do ?The New York Times? contém mais informação do que a que adquiria em toda a sua vida um europeu do século XVII?.
Contas mais recentes, indicam que, quem pretendesse ler todos os romances que, depois das férias de Agosto, chegaram às livrarias francesas, teria de levar para casa nada mais nada menos do que seiscentas e sessenta e uma obras, cento e vinte e uma das quais escritas por estreantes. Os números da actividade editorial são sempre espantosos. Em Inglaterra, editam-se anualmente mais ou menos cento e vinte mil livros e, nos Estados Unidos da América, em 2003, editaram-se cento e setenta e cinco mil livros, o que dá uma média de dois livros por minuto. Nada que se compare com Portugal, onde ?apenas? se publicam dez livros por dia.
A contabilidade que Ignacio Ramonet fez há sete anos dá conta que, em ?cada dia, cerca de 20 milhões de palavras de informação técnica são editadas em diversos suportes (revistas, livros, relatórios, disquetes, cd-roms). Um leitor capaz de ler mil palavras por minuto, durante oito horas diárias, gastaria um mês e meio para ler toda a produção de um só dia, e no final desse período teria acumulado um atraso de cinco anos e meio de leitura?.
O vendaval informativo, para usar mais um exemplo, apontado por Vahé Zartarian e Emile Noël em Cibermundos (Porto: Âmbar, 2002), despeja, todos os dias, sobre cada criatura três milhões de palavras, o que equivale a um livro de mais de cinco mil páginas. Os autores, repetindo uma ideia cada vez mais comum, dizem que vivemos numa sociedade que é mais do ruído do que da comunicação.
Vahé Zartarian e Emile Noël fazem uma proposta não muito original, mas certamente interessante, uma experiência simples que comprovará o nível de ruído a que estamos sujeitos. Com uma ou outra pequena adaptação que aqui se faz, consiste ela em pegar, passado algum tempo (dois ou três meses, por exemplo), na informação que abriu os noticiários televisivos e na que fez as manchetes dos jornais e perguntar-se, então, por entre tudo isso, o que é que realmente nos foi útil. ?Sobretudo, pergunte-se que aspecto da nossa vida seria hoje diferente se não se tivesse todas essas informações?. O resultado, garantem Vahé Zartarian e Emile Noël, é edificante. (...)
sábado, outubro 23, 2004
Editoriais de Le Monde na sala de aula
O provedor do leitor do diário Le Monde, Robert Solé, na sua crónica de hoje:
"Un enseignant du lycée Pablo-Picasso de Fontenay-sous-Bois (Val-de-Marne), A. Biais, m'écrit ceci :
Je n'ai pas la place de reproduire ici ce texte optimiste, que les sénateurs seraient tentés d'encadrer et d'accrocher aux grilles du Luxembourg. Il est titré : "Une assemblée d'avenir". Notons en tout cas avec plaisir que les éditoriaux du Monde entrent dans les classes et que les jeunes ne dédaignent pas forcément la politique, même la plus institutionnelle, pour peu qu'on sache les y intéresser."
O provedor do leitor do diário Le Monde, Robert Solé, na sua crónica de hoje:
"Un enseignant du lycée Pablo-Picasso de Fontenay-sous-Bois (Val-de-Marne), A. Biais, m'écrit ceci :
"Le Monde daté 26-27 septembre a publié un éditorial incendiaire sous le titre "Immuable Sénat". Neuf élèves de classe de première ont travaillé sur ce texte dans le cadre de leur cours d'éducation civique, juridique et sociale. En relevant les critiques adressées à la Haute Assemblée, puis les concessions qui sont faites en sa faveur, ils ont pu rédiger un contre-éditorial. Voici le résultat...".
Je n'ai pas la place de reproduire ici ce texte optimiste, que les sénateurs seraient tentés d'encadrer et d'accrocher aux grilles du Luxembourg. Il est titré : "Une assemblée d'avenir". Notons en tout cas avec plaisir que les éditoriaux du Monde entrent dans les classes et que les jeunes ne dédaignent pas forcément la politique, même la plus institutionnelle, pour peu qu'on sache les y intéresser."
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