quinta-feira, outubro 07, 2004

Declaração da UNESCO
sobre a educação para os Media


Vivemos num mundo em que os media são omnipresentes: um número cada vez maior de pessoas despende uma grande parte do seu tempo a ver televisão, a ler jornais e revistas e a ouvir discos e rádio. Em alguns países, por exemplo, as crianças já passam mais tempo a ver televisão do que a frequentar as aulas.
Mais do que condenar ou justificar o poder inquestionável dos media, torna-se necessário que aceitemos o seu significativo impacte e difusão pelo mundo como facto consumado e que consideremos a sua importância enquanto elemento de cultura no mundo actual. O papel da comunicação e dos media no processo de desenvolvimento não deveria ser subestimado, tal como o não deveria ser a função dos media enquanto instrumentos de participação activa dos cidadãos na sociedade. Os sistemas educativos e políticos necessitam de reconhecer as respectivas obrigações na promoção de uma compreensão crítica dos fenómenos da comunicação entre os cidadãos.
Lamentavelmente, a maior parte dos sistemas educativos formais e não formais pouco fazem para promover a educação para os media ou educação para a comunicação. O fosso entre a experiência educativa que eles proporcionam e o mundo real em que as pessoas vivem é frequentemente preocupante. Porém, se os argumentos a favor da educação para os media são actualmente impressionantes, num futuro próximo serão mesmo incontornáveis, dadas as possibilidades cada vez maiores de escolha no consumo dos media, em resultado de desenvolvimentos em campos como a difusão via satélite, sistemas de cabo interactivos, discos e videocassetes.
Educadores responsáveis não poderão ignorar tais desenvolvimentos, antes trabalharão lado a lado com os seus alunos na respectiva compreensão, procurando fazer luz sobre as consequências de desenvolvimentos como a comunicação interactiva e as incidências na individualização e no acesso à informação delas decorrentes.
Isto não significa que se menospreze o impacte na identidade cultural do fluxo de informações e de ideias entre culturas, produzido pelos mass media,.
A escola e a família partilham a responsabilidade de preparar os jovens para viverem num mundo de imagens, de palavras e de sons de grande poder. Crianças e adultos necessitam de ser alfabetizados em cada um destes três sistemas simbólicos, o que obriga a que se reavaliem as prioridades educativas. Tal reavaliação poderia conduzir a uma solução que se traduzisse numa abordagem integrada do ensino da língua e da comunicação.
A educação para os media só se tornará efectiva quando os pais, os professores, os profissionais dos media e as instâncias de decisão se aperceberem de que têm um papel a desempenhar no desenvolvimento de uma maior consciência crítica entre os ouvintes, os espectadores e os leitores. Uma maior integração dos sistemas educativos e de comunicação seria indubitavelmente um importante passo no sentido de uma educação mais efectiva.

Assim, apelamos às autoridades competentes para que:
Lancem e apoiem programas integrados de educação para os media que se estendam desde a educação pré-escolar até à universidade e à educação de adultos, com o propósito de desenvolver o conhecimento, as competências e as atitudes que encorajem o crescimento da consciência crítica e, consequentemente, uma maior competência entre os utilizadores dos meios electrónicos e impressos. Tais programas deveriam incluir a análise dos produtos mediáticos, o uso dos media como meio de expressão criativa e o efectivo uso dos (e participação nos) meios de comunicação social.

Desenvolvam cursos de formação para professores e outros agentes, com a finalidade de promover o conhecimento e a compreensão dos media e para os formar nos métodos de ensino apropriados, tendo em consideração a notável mas fragmentária familiaridade com os media que muitos alunos já possuem.

Estimulem as actividades de investigação e desenvolvimento relacionadas com a educação para os media, a partir de domínios como a Psicologia, a Sociologia, e as Ciências da Comunicação.

Apoiem e reforcem as acções levadas a cabo ou programadas pela UNESCO, com o objectivo de fomentar a cooperação internacional no campo da educação para os Media.

Grünwald, 22 de Janeiro de 1982.
Declaração aprovada por unanimidade por peritos de 19 nações participantes no Simpósio Internacional sobre Educação para os Media, promovido pela UNESCO em Grünwald (Alemanha), em 1982. Será o ponto de partida da aula de amanhã, do mestrado.
França quer incentivar jovens à leitura de jornais diários

"O Ministério francês da Cultura quer atacar a falta de leitura de jornais diários entre os jovens dos 15 aos 25 anos e pediu ao conselheiro de Estado Bernard Spitz para elaborar um relatório que incentive os jovens à leitura da imprensa diária.O documento foi entregue ontem ao Ministério francês da Cultura e Comunicação e inclui oito medidas, em que se destaca a oferta de uma assinatura por dois meses de um jornal de informação geral, à escolha, quando os jovens atinjam a idade de 18 anos.Um comunicado do ministério explica que o relatório Spitz propõe medidas que «não são baseadas numa lógica de subsídios, mas numa dinâmica de mercado e de concorrência» e que devem ser aplicadas a longo prazo. Renaud Donnedieu de Vabres, o ministro francês da Cultura, tem cerca de 3,5 milhões de euros disponíveis no Orçamento de Estado de 2005 para «ajudas à imprensa» e a verba deverá ser aplicada com as propostas do relatório Spitz, denominado «Os jovens e a leitura da imprensa diária de informação política e geral».Além da assinatura gratuita para jovens de 18 anos, que só em 2004, em França, representava um universo de 780 mil pessoas, Bernard Spitz sugere que a imprensa diária seja vendida nas escolas a preços mais reduzidos e que a lei do mecenato seja aplicada a iniciativas a favor da leitura de publicações nas escolas. O relatório defende ainda a utilização de «fundos de modernização em investimentos que pretendam aumentar a leitura da imprensa pelos jovens».No entanto, as propostas visam ainda o meio audiovisual. Bernard Spitz considera que se deve promover a «leitura da imprensa no audiovisual público», através de «formas de imprensa específicas ou de programas televisivos educativos ou com temáticas jornalísticas , em todos os géneros televisivos», segundo adianta a AFP. Os incentivos continuariam ainda com um «acesso facilitado aos diários e seus arquivos, através da Inetrnet, para todos os estudantes que façam a ligação a partir das universidades».O debate gaulês em torno da falta de leitura de jornais pelos jovens concluiu que as questões do preço, de distribuição e de conteúdos eram as que mais afastavam a imprensa da faixa etária entre os 15 e os 25 anos e sublinha que a queda na leitura de jornais pode «ser uma ameaça para a imprensa diária, que vê o seu público actual amputado, mas sobretudo os seus potenciais leitores», num fenómeno que pode também ser ligado a aspectos democráticos e de pluralismo".
(No "Diário de Notícias" de hoje).
Mais informações sobre o relatório AQUI.

segunda-feira, outubro 04, 2004

Concurso "Jovens repórteres"

O canal Public Sénat lançou hoje a segunda edição do concurso "Jovens repórteres", organizado em parceria com o CLEMI, do Ministério francês da Educação e aberto aos estudantes dos liceus franceses
"Les jeunes sont invités à réaliser en équipe un reportage vidéo de trois minutes, traité comme un sujet d'actualité susceptible d'être diffusé à la télévision. Le thème retenu est "Ce qu'ils font est formidable", valorisant ainsi la jeunesse et ses réalisations dans tous domaines culturels, sportifs, humanitaires ou autres.
No ano passado participaram nesta iniciativa mais de um milhar de alunos, tendo sido emitidas 17 reportagens.

terça-feira, setembro 28, 2004

Pensar criticamente os media
- papel da escola e da família

Um relatório editado em 2002,que vale a pena ler:
Thinking Critically about MediaSchools and Families in Partnership

Um panorama dos vários capítulos:

Think. Interpret. Create.How Media Education Promotes Critical Thinking, Democracy,Health, and Aesthetic Appreciationby Robert Kubey, Ph.D.
Media literacy education is at a watershed moment around the world. We are making the inevitable and gradual turn to changing what we do in classrooms and at home to make education more student-centered and responsive to children's and society's real-world needs.

Empowered Parents: Role Models for Taking Charge of TV Viewingby Folami Prescott-Adams, Ph.D.
Television is an amazingly powerful communication tool. Its images of culture, family, relationships, and events give us opportunities to socialize, teach, and inspire both children and adults. Empowered parents and communities are responsible for guiding the placement of television in the process of human development.

Media Literacy and Prevention: Going Beyond "Just Say No"by Lynda Bergsma, Ph.D.
Today most prevention practitioners and researchers, as well as concerned teachers and parents, recognize that many of the messages we get from the media are risk factors for numerous public health problems. From the time we wake up to the radio alarm clock to the time we fall asleep with the TV on, we live in a media culture. We cannot escape the media's influence on either our healthy or unhealthy behaviors.

Parents and Teachers: Team Teaching Media Literacyby Milton Chen, Ph.D., Sarah Armstrong, Ph.D., and Roberta Furger
When it comes to media, our children are mass consumers.
On average, each of them spends 1,500 hours a year watching television. Roughly 17 million children and teens have Internet access in their homes, and most of them use it daily for everything from researching school projects to playing online games to sending instant messages or chatting with their classmates. They go to movies and watch music videos. Headphones and CD players have become so much a part of the middle and high school students' "uniform" that backpacks are now designed to accommodate the gear.
But for all their exposure to mass media, American youth and teens spend precious little time analyzing the messages they're bombarded with every day.

Media Literacy Across the Curriculumby David M. Considine, Ph.D.
If they are to fully harness the power and potential of exciting new technologies and multimedia, our students must be offered the critical criteria and information skills necessary for them to become intelligent, competent consumers and creators of media messages.

New Media and New Media LiteracyThe horizon has become the landscape ? new media are hereby Neil Andersen
Because many 21stcentury homes are equipped with more robust technology than most schools, there is often a significant disconnect between students' thinking and classroom demands. Students emerging from home electronic environments have experienced multimedia immersion, participating on many cognitive levels and in many media languages simultaneously. The dominant design of many classroom curricula, however, is to isolate a few senses and concentrate on them in depth, while ignoring others.

quinta-feira, setembro 23, 2004

Jornadas sobre a imprensa na escola

Realizam-se de 29 deste mês a 1 de Outubro, no Rio de Janeiro, umas jornadas que visam desenvolver o intercâmbio de ideias e de práticas sobre o uso do jornal na educação. A iniciativa, que se estende por três dias, cabe à Associação Nacional de Jornais, do Brasil, juntamente com a a Associação Mundial de Jornais e a Sociedade Interamericana de Imprensa e conta com o apoio dos jornais O Dia e O Globo, que têm ambos programas de utilização da imprensa na escola.
Entre os temas a debater, destaca-se:
  • La lectura en Latinoamérica: El impacto de la lectura en general y de los periódicos en particular.
  • ?La presencia del periódico en la escuela: compartiendo conocimientos?
  • Periodismo y jóvenes
  • ?El diario en el aula: cómo ayudar al periódico y a la educación
  • El diario como una herramienta para la educación en zonas de pocos recursos El diario como herramienta en el aula
  • Grado de analfabetismo en la región y la importancia del ejemplo en el desarrollo del pensamiento crítico
  • ?Libros y Diarios: el mismo placer por la lectura??

Mais informações: AQUI.

sexta-feira, setembro 17, 2004

"Têm algo que dizer um ao outro?"

" (...) The dialogue of cultures is a dialogue of personalities and communities. Dialogue is possible only when you understand the language of your partner and their moral values, and they understand yours. It is not mandatory to subscribe to these values. However, it is vital to respect and tolerate them.Certain aspects of education also need to be considered. For example, history lessons at school are mostly about wars. Children are asked to remember the dates and the names of military leaders, while major scientific discoveries and cultural achievements are considered less important. Today a child spends twice more time in front of TV than at school. In this connection we should consider the influence that the media and the enormous amount of violence on the screen has on children. The studies on violence in the media, conducted by the UNESCO Observatory at Göteborg University, show that violence on the screen transforms into violence in life.It is imperative that we make the next step and rally the global civil society to fight violence on the screen. Too often have technology issues overshadowed the importance of content. The digital divide was the buzz expression at the World Summit on Information Society. The digital divide does exist and it has to be overcome. However, it would be a great mistake to give technology all the importance.When Alexander Graham Bell, the inventor of the telephone, was informed about the installation of the first transatlantic telephone line between the USA and Europe, his question was: ?Do they have what to say to each other?? Thus, the success of the dialogue of cultures and civilizations will depend on how wisely we speak to each other and how attentively we listen.
Valdas Adamkus, Presidente da República da Lituânia
Discurso na sessão de abertura da conferência "New Ignorancies, new literacies" (Forum Barcelona 2004, 6-8 Set.)

segunda-feira, setembro 13, 2004

Revistas para os mais pequenos

Depois da decisão da "Visão" de continuar a experiência deste Verão de publicar uma revista para os mais pequenos, uma notícia divulgada hoje pela France Presse:
"Le groupe audiovisuel TF1 va sortir en octobre deux nouveaux titres de presse: un "quinzomadaire" pour adolescents et un magazine destiné aux enfants de 2 à 5 ans".
A primeira chamar-se-á "7 Extra" e a segunda "Dora l'exploratrice".