Ainda o Big Brother num manual escolar
A questão das referências ao programa Big Brother num manual de Português do ensino secundário, trazida a lume há oito dias pelo Público, continua a fazer ondas. O Expresso volta ao assunto em diversos locais da sua edição de hoje e de uma forma que não ajuda a dissipar algumas confusões que têm, a meu ver, caracterizado esta polémica. Assim:
Há que distinguir entre introduzir referências mais ou menos desgarradas ao BB e quejandos e abordar o fenómeno televisivo e mediático na educação, para melhor o compreender e face a ele assumir uma posição activa e crítica.
Não sou um especialista em pedagogia, mas acho estranho que se possa defender que uma dimensão da realidade tão importante como a presença dos media no quotidiano dos alunos possa (e deva) passar á margem da educação escolar. Essa concepção algo esquizofrénica, de que uma coisa é a vida e outra é a escola a mim não me convence. Mais: julgo que é possível e desejável aprender e aprofundar competências que ajudem a um posicionamento esclarecido e crítico face aos media. Creio também que a escola tem, desde os seus níveis mais elementares, um papel insubstituível nessa tarefa. Aprender a comparar, a analisar tecnica e esteticamente notícias ou programas, em suma, aprender a ler televisão (e não só televisão) deveria figurar no currículo de formação básica dos cidadãos, na medida em que eles vivem e viverão cada vez mais num ecossistema profundamente marcado por esses meios.
Mas acho interessante que certas almas corram a denunciar aquilo que, num manual concreto, de forma provavelmente infeliz, procura traduzir uma ideia programática que julgo pelo menos merecedora de reflexão, e não se preocupem com o papel da escola na capacitação das crianças e adolescentes perante o universo mediático.
Fernando Madrinha vem hoje, no Expresso, desqualificar, "avant la lettre", os argumentos que qui proponho, ao escrever:
"Quando se diz ou escreve que certos programas televisivos, como alguns dos chamados ´reality shows´, contribuem fortemente para a dissolução do sistema de valores em que tem de assentar uma sociedade saudável e empenhada na formação dos seus jovens com razoáveis padrões de exigência, aparece sempre alguém a desvalorizar o assunto. Não raro, os que insistem nessa denúncia sã apontados como moralistas antiquados e retrógradoss, que não percebem o espírito do tempo".
E termina com esta "boutade"
"Mais ano menos ano ainda temos os directores da TVI e da "TV Guia" a definirem os programas e a aprovarem os manuais escolares". (Já agora, porque não também a RTP, ou mesmo a SIC ou a "TV Mais?")
Compreendo a preocupação de Fernando Madrinha e de outras pessoas que se indignaram com o caso do manual que esteve na origem da polémica. Mas, tanto quanto sou capaz de entender, parece-me que a terapia, implícita ou mesmo explícita, não é a mais urgente e eficaz. Porque, na linha do denunciado, bastaria extirpar os manuais (o tal e, eventualmente outros que trazem outras sugestões, porventura menos chocantes) e o problema estaria resolvido. Ora aqui é que reside, a meu ver o problema e não a solução. Não é tanto pela via da extirpação do culturalmente indigno que avançaremos na qualificação do ensino e da formação, mas pela via da inclusão de objectivos, conteúdos e métodos que ajudem os alunos a serem mais exigentes culturalmente, a alargar os seus horizontes culturais, colocando, nomeadamente, a televisão no seu devido lugar.
Ao centrar a crítica num fait divers, muita da reflexão produzida não tem contribuído para colocar aquela que me parece ser uma questão de fundo: a escola continua a formar analfabetos em áreas importantes da vida. Muito provavelmente, o modo como o referido manual procurou abordar o assunto foi desastrado (não analisei o caso). Mas, a reboque de um eventual erro, não se pode "jeter l´enfant avec l' eau du bain", como dizem os franceses. Ora sobre isso, os comentadores têm dito (quase) nada. Era sobre isso que valeria a pena gerar-se uma corrente forte de opinião. Era sobre isso que o Ministério da Educação precisava de ser confrontado e não tanto se vai mandar retirar o manual em causa.
sábado, outubro 18, 2003
A ética e a televisão que temos
'Será que a TV que temos é a que merecemos?' : É este o tema de uma tertúlia promovida,a partir de hoje e todos os sábados até ao fim de Novembro pelo Centro Cultural Franciscano, de Lisboa. A reflexão de hoje incide sobre 'Tele-Ética' e começará pelas 19 horas, no Centro, localizado no Largo da Luz, em Carnide, Lisboa.
O responsável por essas tertúlias sobre Televisão é Frei Hermínio Araújo, um especialista em Ética. E para o debate são lançadas as perguntas: 'Será que temos a TV que merecemos?', 'Será que os nossos filhos se sentem identificados no país que vêem noticiado?', 'Será que a nossa ficção fala sempre do mesmo e nunca da realidade?', 'Será que todos somos tele-treinadores e quando chega a hora de intervir temos sempre tele-cãibras?'
Maria Barroso, Júlia Pinheiro, Margarida Pinto Correia, Margarida Carpinteiro, Tozé Martinho são alguns dos muitos convidados para o debate." (Fonte: Jornal de Notícias)
'Será que a TV que temos é a que merecemos?' : É este o tema de uma tertúlia promovida,a partir de hoje e todos os sábados até ao fim de Novembro pelo Centro Cultural Franciscano, de Lisboa. A reflexão de hoje incide sobre 'Tele-Ética' e começará pelas 19 horas, no Centro, localizado no Largo da Luz, em Carnide, Lisboa.
O responsável por essas tertúlias sobre Televisão é Frei Hermínio Araújo, um especialista em Ética. E para o debate são lançadas as perguntas: 'Será que temos a TV que merecemos?', 'Será que os nossos filhos se sentem identificados no país que vêem noticiado?', 'Será que a nossa ficção fala sempre do mesmo e nunca da realidade?', 'Será que todos somos tele-treinadores e quando chega a hora de intervir temos sempre tele-cãibras?'
Maria Barroso, Júlia Pinheiro, Margarida Pinto Correia, Margarida Carpinteiro, Tozé Martinho são alguns dos muitos convidados para o debate." (Fonte: Jornal de Notícias)
quarta-feira, outubro 15, 2003
"One Question
Q: According to a new study by Knowledge Networks/SRI, many children now have a variety of media devices (TV, PC, DVD) in their bedrooms and are increasingly media savvy. How will these kids differ from their parents' generation in terms of media consumption?
A: 'Children today grow up in a far different media world than did their parents. With marketing and entertainment so intertwined, we have the prospect of ending up with kids who believe marketing is organic to programming, or kids so desensitized to marketing that reaching them in adulthood will be a much more difficult proposition.'
— David Tice, Knowledge Networks/SRI VP, Client Service "
in I Want Media - Media News & Resources
Q: According to a new study by Knowledge Networks/SRI, many children now have a variety of media devices (TV, PC, DVD) in their bedrooms and are increasingly media savvy. How will these kids differ from their parents' generation in terms of media consumption?
A: 'Children today grow up in a far different media world than did their parents. With marketing and entertainment so intertwined, we have the prospect of ending up with kids who believe marketing is organic to programming, or kids so desensitized to marketing that reaching them in adulthood will be a much more difficult proposition.'
— David Tice, Knowledge Networks/SRI VP, Client Service "
in I Want Media - Media News & Resources
domingo, outubro 12, 2003
Crianças pesam mais de 60% no consumo
"Há alguns anos, as crianças e os adolescentes não constituíam um segmento relevante para quem vende. Actualmente, não podem ser ignorados. Porque, apesar do seu fraco poder de aquisição, influenciam entre 60% e 70% das intenções de compra de produtos para o lar. Os números foram divulgados no Congresso Mundial dos Mercados Grossistas, que se realizou, em Lisboa, na semana passada".(Fonte: Jornal de Noticias)
"Há alguns anos, as crianças e os adolescentes não constituíam um segmento relevante para quem vende. Actualmente, não podem ser ignorados. Porque, apesar do seu fraco poder de aquisição, influenciam entre 60% e 70% das intenções de compra de produtos para o lar. Os números foram divulgados no Congresso Mundial dos Mercados Grossistas, que se realizou, em Lisboa, na semana passada".(Fonte: Jornal de Noticias)
quinta-feira, outubro 09, 2003
Morreu Neil Postman
Neil Postman, um dos mais influentes estudiosos e críticos dos media faleceu domingo passado, nos Estados Unidos, com a idade de 72 anos. Conhecido sobretudo depois da publicação de "The Disappearance of Childhood" (1982), "Amusing Ourselves to Death - Public Discourse in the Age of Show Business" (1985) e, mais recentemente "Technopoly - The Surrender of Culture to Technology" (1993), este traduzido em português.
Professor de Ecologia dos Media na Universidade de Nova Iorque, onde leccionava desde há cerca de 40 anos, Postman considerava que a difusão do meio televisivo constituiu o factor determianante do fim de um mundo em que a separação entre a infância e a adultez estava firmemente estabelecida. O desvendar prematuro das dimensões, segredos e contradições da vida adulta levou, segundo ele, ao fim da infância e, de certa medida, ao fim do próprio sentido do ser adulto, que lhe é correlativo.
O New York Times traz hoje um obituário em que recorda este nome marcante dos estudos mediáticos e educacionais.
Um panorama da sua obra é-nos proposto por um dos seus alunos, Jay Rosen, no blog PressThink.
Neil Postman, um dos mais influentes estudiosos e críticos dos media faleceu domingo passado, nos Estados Unidos, com a idade de 72 anos. Conhecido sobretudo depois da publicação de "The Disappearance of Childhood" (1982), "Amusing Ourselves to Death - Public Discourse in the Age of Show Business" (1985) e, mais recentemente "Technopoly - The Surrender of Culture to Technology" (1993), este traduzido em português.
Professor de Ecologia dos Media na Universidade de Nova Iorque, onde leccionava desde há cerca de 40 anos, Postman considerava que a difusão do meio televisivo constituiu o factor determianante do fim de um mundo em que a separação entre a infância e a adultez estava firmemente estabelecida. O desvendar prematuro das dimensões, segredos e contradições da vida adulta levou, segundo ele, ao fim da infância e, de certa medida, ao fim do próprio sentido do ser adulto, que lhe é correlativo.
O New York Times traz hoje um obituário em que recorda este nome marcante dos estudos mediáticos e educacionais.
Um panorama da sua obra é-nos proposto por um dos seus alunos, Jay Rosen, no blog PressThink.
"Être et Avoir": polémica em França
O filme-documentário de Nicholas Philibert "Être et Avoir", que tanto sucesso fez em França em 2002 - e que tivemos oportunidade de ver recentemente em Braga, por iniciativa da delegação do Instituto Português da Juventude - está no centro de uma polémica estranha. Tudo se deve à acção judicial contra o realizador, produtores e outros intentada pelo professor que é o principal protagonista. Considerando que, ao divulgar o trabalho docente, o filme constitui uma contrafação e um atentado ao seu direito à imagem, exige ser ressarcido com a quantia de 250 mil euros. Ora o mesmo docente não só participou em múltiplas acções de promoção do filme, como deu entrevistas em que nunca se mostrou incomodado com a visibilidade que lhe viria a ser conferida.
Não contente com isto, interpôs igualmente acções contra diversos meios de comunicação que divulgaram a sua imagem e mesmo contra os autarcas da região em que o filme foi rodado, exigindo ser recompensado pelo trabalho de promoção que despendeu. O Libération de hoje conta o caso, num artigo intitulado «Etre et avoir»: l'instit préfère avoir.
O filme-documentário de Nicholas Philibert "Être et Avoir", que tanto sucesso fez em França em 2002 - e que tivemos oportunidade de ver recentemente em Braga, por iniciativa da delegação do Instituto Português da Juventude - está no centro de uma polémica estranha. Tudo se deve à acção judicial contra o realizador, produtores e outros intentada pelo professor que é o principal protagonista. Considerando que, ao divulgar o trabalho docente, o filme constitui uma contrafação e um atentado ao seu direito à imagem, exige ser ressarcido com a quantia de 250 mil euros. Ora o mesmo docente não só participou em múltiplas acções de promoção do filme, como deu entrevistas em que nunca se mostrou incomodado com a visibilidade que lhe viria a ser conferida.
Não contente com isto, interpôs igualmente acções contra diversos meios de comunicação que divulgaram a sua imagem e mesmo contra os autarcas da região em que o filme foi rodado, exigindo ser recompensado pelo trabalho de promoção que despendeu. O Libération de hoje conta o caso, num artigo intitulado «Etre et avoir»: l'instit préfère avoir.
Jornais Escolares premiados
Já são conhecidos os jornais escolares premiados em 2003, no âmbito do concurso nacional do projecto "Público na Escola". De perto de 350 jornais concorrentes, o júri seleccionou 28, distribuídos pelos diferentes escalões, reconhecendo, por outro lado, uma subida manifesta de qualidade.
Já são conhecidos os jornais escolares premiados em 2003, no âmbito do concurso nacional do projecto "Público na Escola". De perto de 350 jornais concorrentes, o júri seleccionou 28, distribuídos pelos diferentes escalões, reconhecendo, por outro lado, uma subida manifesta de qualidade.
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