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quarta-feira, novembro 09, 2011

Deficits na literacia financeira dos portugueses




- Sabe o que é o spread?
- Como é que posso saber, se nem sei inglês?
- Mas tem empréstimo de casa?
- Tenho, já há mais de dez anos.
- E sabe quanto paga por mês ao banco?
- Claro que sei!
- E sabe qual é a margem que o seu banco cobra por lhe emprestar o dinheiro?
- Eu sei lá! Sei que pago.
- Mas não faz ideia se há algum banco que pelo mesmo empréstimo lhe cobrava menos, tornando o valor da prestação mensal mais barato?
- Eles são todos iguais, querem todos a mesma coisa.
- Porque é que escolheu esse banco para fazer o empréstimo?
- (Risos) Eu sei lá. Já o meu pai tinha lá conta. Fica perto de casa.

Este é um diálogo fictício elaborado a partir de uma peça de Rosa Soares, publicada na edição de hoje do 'Público', na qual se sublinha que "o conhecimento que os portugueses têm da diversidade de produtos bancários que lhes são oferecidos e das condições propostas deixa ainda muito a desejar".
A conclusão ressalta dos resultados do "Inquérito à Literacia Financeira 2010", baseado em 2.000 entrevistas presenciais em todo o território nacional e ontem divulgado pelo Banco de Portugal.
(Este estudo pode ser consultado AQUI).

Comentário

A literacia financeira é um dos campos em que têm surgido iniciativas e projectos nos últimos anos. É uma área em que o próprio sector bancário e financeiro está disposto a investir, porquanto se pode revestir de relevância para a eficácia do marketing dirigido aos consumidores.
Mas é possível e porventura necessário inscrever esta dimensão em abordagens que adoptem o ponto de vista da cidadania e da defesa do consumidor. Não apenas pelo contexto de crise em que nos encontramos, mas porque o sector bancário é talvez um dos mais agressivos na pressão sobre os seus clientes, quer directamente quer através da publicidade e do telemarketing.
Serão, provavelmente, muitos os exemplos de logros, embustes e ciladas em que muitos caíram, por não estarem informados, por se deixarem ir na cantilena que lhes foi soprada aos ouvidos.
Também aqui os media podem ter um papel importante - na decodificação dos termos e dos conceitos, na ajuda e na crítica dos produtos 'oferecidos', na adopção do ponto de vista dos utilizadores da informação.
Ou seja: a literacia financeira representa um campo de grande significado para o exercício de uma cidadania consciente e crítica.

domingo, agosto 21, 2011

A UNESCO e a literacia da informação e dos media


Sheila Webber,animadora do Information Literacy Weblog, fez, nos últimos dias, um apanhado dos debates que, por iniciativa da UNESCO ou em torno dos documentos desta organização, têm tido lugar nos últimos meses, no sentido de se conseguir um conjunto de indicadores sobre MIL - Media em Information Literacy.
Os três posts dedicados ao assunto têm o interesse não apenas de sumariar algumas das questões sensíveis dos debates em curso, como também indicar alguns dos documentos que têm servido para apoiar esses mesmos debates.
São estes os posts de Sheila Webber, uma especialista de Literacia Informativa, mas com uma perspectiva aberta e ecuménica, com quem temos certamente muito a aprender:
Complementarmente, sugiro igualmente a leitura destes posts recentes:

terça-feira, julho 05, 2011

Literacia da Informação e dos Media: Declaração de Fez

Os participantes no 1º Forum Internacional sobre Literacia da Informação e dos Media, realizada no mês passado, na cidade marroquina de Fez, aprovaram uma

declaração na qual consideram que "a actual era digital e de convergência das tecnologias da comunicação carecem da literacia mediática e informativa, de modo a conseguir o desenvolvimento humano sustentável e sociedades participativas". No mesmo documento, defende-se a institucionalização de uma World Media and Information Literacy Week para sublinhar junto de todas as partes a importância de concretizar e promover este tipo de literacia  através do mundo. Foi sugerida, para esse fim, a semana compreendida entre 15 e 21 de Junho de cada ano.
Além de reafirmarem que a Literacia da Informação e dos Media constitui, nos nossos dias, um direito humkano fundamental, os participantes sustentaram ser necessário desenvolver esforços no sentido de integrar esta dimensão nos currículos educativos formais e não-formais, de modo a: (1) assegurar a cada cidadão o direito a esta nova educação cívica; (2) capitalizar o efeito multiplicador da formação para o pensamento crítico e para a análise; e (3) dotar professores e alunos com competências   em literacia informativa e para os media de modo a edificar sociedades alfabetizadas neste âmbito, criando as condições para as sociedades do conhecimento.
 

Ler o texto integral: Fez Declaration on Media and Information Literacy.

quinta-feira, novembro 11, 2010

domingo, setembro 26, 2010

O impacto das TIC na Educação - guia publicado pela UNESCO

A UNESCO disponibilizou um trabalho sobre as transformações que as TIC têm operado na educação, mais concretamente na região da Ásia-Pacífico, que tem como título: ICT transforming education: A regional guide.

Ficam alguns excertos e um esquema como motivação para aceder a esta publicação:

«To be effective in the 21st century, citizens and workers must be able to exhibit a range of functional and critical thinking skills, such as:
- Information Literacy
- Media Literacy
- ICT (Information, Communications and Technology) Literacy

(...) Information literacy, media literacy and ICT literacy form one of the four broad sets of skills identified by P21 that students need to acquire to be effective citizens and workers in the 21st century. Since the focus of this Guide is on ICT in education, this grouping of skills is now expanded further in order to foreshadow what implications there are for teachers and teacher educators.

Digital literacy (or in the plural digital literacies), e-literacy, new literacies, screen literacy, multimedia literacy, information literacy, ICT literacies – these are all terms to describe clusters of skills that students (and their teachers) need in the digital age of the 21st century. Because of ICT, concepts of literacy have extended well beyond the traditional notions of print-based literacy.»



Fonte: ICT transforming education: A regional guide (informação recolhida a partir do Ministério da Educação)

domingo, junho 20, 2010

Ousaria recusar-se a apoiar a UNICEF?

Recebi hoje na minha caixa de correio uma mensagem tocante, com pedido de a divulgar pela minha lista de contactos, com a garantia de ao fazê-lo, estar a doar 5 euros para a UNICEF. Irei a presentar a mensagem e, a seguir, colocar algumas questões.

A mensagem é a seguinte:
"Envie esta mensagem, ela dará € 10 à Unicef e é gratuita para você ...

Unicef & MSN Kampanyas Yard?m
Acordo de ajuda entre Unicef & MSN

Por favor, antes de deitar fora a comida que tem no seu prato pense nas pessoas que estão morrendo de fome!

Em África, existem crianças morrendo de fome. Segundo o acordo firmado entre a UNICEF e o MSN para as crianças falecidas e outras crianças, uma ajuda acaba de começar.
Por cada vez que você enviar esta mensagem aos seus contactos/amigos/colegas/familiares, 5 € serão atribuídos à conta da UNICEF.
Para as nossas crianças em África e as vítimas do tsunami, queira participar, por favor, neste 'Apelo de Amizade'.
Pelo facto de ter recebido este e-mail e o ter reenviado a outra pessoa, já deu 10 Euros a ganhar à Unicef.
Por favor, faça viver essas crianças que estão em risco de morrer. Não nos esqueçamos que a cada segundo, uma criança está em risco de morrer de fome.
Envie este e-mail a todas as pessoas que conhecer... obrigado.
"

Perante uma mensagem destas, de fazer emocionar os calhaus, é difícil ficar indiferente e não fazer aquilo a que a mensagem apela, sem grandes hesitações ou dúvidas. Mas ... e se tudo isto fosse uma maquinação hedionda de alguém que estivesse a brincar com (ou mesmo a aproveitar-se de) os nossos bons sentimentos?

Analisemos mais de perto:
  - Quais as fontes da mensagem? Aparentemente, nenhuma. Mas as marcas envolvidas mereceriam alguma consideração: UNICEF e Microsoft. Aqui surge logo a primeira dúvida: instituições desta envergadura enviariam mensagens deste teor, sem contactos, sem provas, sem garantias de fiabilidade e, para mais, escritas num português que deixa a desejar?
- Mais: seria aceitável que a UNICEF utilizasse assim, sem mais, de forma despudorada e sensacionalista, a imagem da criança que a foto documenta?
- Finalmente e pegando no assunto de outra perspectiva: suponhamos que há dúvidas quanto à veracidade do apelo. A quem poderia interessar que uma mensagem deste tipo circule aos milhares pela Internet? Basta pensar que se eu, movido pela vontade de ajudar a resolver miraculosamente o problema da fome, enviasse a mensagem para os meus contactos (e não tivesse o cuidado - como a maioria não tem - de tornar invisíveis os endereços de mail) e que uma boa parte desses contactos tão ou mais sensíveis aos dramas do mundo do que eu próprio amplificassem ainda mais o meu gesto (e repare-se que foi numa cadeia dessas que o mail me veio parar ás mãos), facilmente veríamos a mensagem em dezenas, se não centenas de milhar de mails. Aí bastaria a uma empresa dessas que comercializam a venda de pacotes de mails para fins comerciais - e que nos proporcionam o tão conhecido spam - colocar duas ou três pessoas a rastrear cuidadosamente a net para recuperar, em diferentes dos seus pontos as listas de e-mail postas a circular, a propósito de tão comovente mensagem. Então, valeria a pena colocar agora, de novo, a pergunta: a quem poderia interessar que uma mensagem deste tipo circule aos milhares pela Internet?

Dei por mim a fazer essas perguntas e decidi recorrer à ferramenta mais óbvia: ao Google. E no espaço de endereços do meu browser coloquei lá a seguinte expressão de pesquisa, tirada do título da mensagem citada: "Unicef & MSN Kampanyas Yard?m". Obtive como resultado 48 sítios, sendo o logo o primeiro um post do blog "Da Condição Humana", intitulado "Mails da treta: Envia este mail a favor da UNICEF. .. 5€por cada email enviado".
O que lá li, ainda que num tom que eu não usaria, por respeito pelos que são vítimas desta forma de iliteracia digital e cultural, não aponta num sentido muito diverso daquele que aqui adopto. Mas o que não deixa margem para dúvidas é a resposta que o autor do blog recebeu da própria UNICEF (na sequência de uma consulta que em boa hora decidiu fazer) e que aqui transcrevo:
Através de um doador, recebemos o mesmo e-mail que nos deixou bastante incomodados, pois nada tem a ver com a UNICEF.
Lamentamos o abuso por parte de pessoas sem escrúpulos que se servem de imagens terríveis de crianças e usam indevidamente o nome da UNICEF para fins que desconhecemos.  
Agradecendo o seu alerta, enviamos os melhores cumprimentos.
Carmen Serejo
Assistente da Direcção

Quanto ao caso em si, não são necessárias mais palavras. São precisas é mais acções para combater estas novas modalidades de iliteracia.

terça-feira, maio 04, 2010

As Políticas de Informação na Sociedade em Rede e os Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas

A propósito do 10º Congresso Nacional de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas que decorreu em Guimarães, de 7 a 9 de Abril de 2010, cujo tema geral era Políticas de Informação na Sociedade em Rede, o blogue Entre Estantes sublinha as principais conclusões e recomendações dos trabalhos do congresso. Transcrevo, de seguida, algumas das mais relevantes:
- O reconhecimento da informação como recurso estratégico para a educação, a cidadania, a coesão social e o desenvolvimento económico;

- A necessidade premente de definição e implementação de uma política nacional de informação que, à semelhança do que sucede na generalidade dos países desenvolvidos, se constitua como instrumento fundamental para o progresso do país;

- A urgência da aprovação, antecedida de consulta a entidades e organizações representativas, de um quadro legislativo coerente que suporte a política nacional de informação e o
desenvolvimento dos sistemas que a materializam;

- A constatação de que as bibliotecas públicas, escolares e académicas são importantes veículos de acesso à informação, de promoção da literacia de informação e podem desempenhar um papel fundamental no âmbito das políticas de aprendizagem ao longo da vida, sendo assim de extrema importância o investimento em programas de promoção de literacia da informação

- O reforço dos sinais positivos já referidos implica que os profissionais e as instituições interiorizem uma cultura de mudança, que incorporem meios, tecnologias, serviços Web emergentes e ferramentas de Web social, e que se estabeleçam políticas e incentivos que premeiem a inovação e as boas práticas.

sábado, abril 10, 2010

Porquê a Literacia da Informação?


O trabalho que a RBE - Rede de Bibliotecas Escolares tem feito merece destaque. Desde logo o site, que disponibiliza informação relevante, como guiões ou modelos de pesquisa para os alunos. Outro dos méritos é o destaque que dá à Literacia da Informação, definida como "um processo de aprendizagem pelo qual se identifica uma necessidade ou se define um problema; procura recursos eficazes; reúne e consome informação; analisa e interpreta a informação: sintetiza e comunica com eficácia a informação e avalia o processo".