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sexta-feira, março 18, 2011

Conhecer o terreno

A propósito da notícia do Público que no anterior post aqui referimos, tivemos conhecimento da tomada de posição do Prof. Rui Espinho, ligado ao Projecto de Educação para os Média na Região de Castelo Branco, já neste blog várias vezes referenciado, e que, com a autorização do autor, aqui reproduzimos:

Sem querer tirar qualquer mérito ao projecto "Público Na Escola" e,reconhecendo em absoluto, o carácter extremamente válido do contributo deste projecto para a educação para os média no nosso país e, em particular, nas escolas, venho, neste espaço, humildemente dizer à Dra. Bárbara Reis, à Dra. Teresa Calçada, à Dra. Sónia Matos e à sra. Ministra da Educação deste "por enquanto" país que... nada do que foi apresentado é "original".
Considero grave e cheio de significado que a responsável política da educação não tenha conhecimento do projecto "EducMédia - Educação Para o Média na Região de Castelo Branco". Que não saiba que todas as "suas" escolas do distrito trabalharam durante 3 anos a literacia para
os média de uma forma metódica, estruturada e avaliada. Que os "seus" professores estão agora mais habilitados. Que os "seus" estudantes estão mais conscientes.
É uma constante na educação em Portugal o subaproveitamento de experiências-piloto que enriquecem o panorama escolar, produzem frutos e depois... não fazem escola ou desaparecem.
"A leitura [também de jornais] é um meio essencial de transmissão do conhecimento e da cultura e tem uma função essencial no desenvolvimento individual", referiu a Dra. Isabel Alçada a propósito da iniciativa que comento. É precisamente essa a recomendação que aqui lhe deixo. A senhora quis exercer a função de governante; então, leia mais, sobre o que se faz nas escolas ou peça a um assessor que leia e que a mantenha informada. Talvez assim forme uma opinião mais positiva sobre a inovação nas "suas" escolas, feita com os "seus" professores ao serviço dos "seus" alunos. O que eu não desculpo são ministros que desconhecem a área que tutelam.
Rui Espinho, professor

Ligações sugeridas, a propósito:
- DVD do PÚBLICO "Como se faz um jornal" vai ser distribuido pelas escolas
- Vídeo "Como se faz o jornal"

quinta-feira, março 10, 2011

Geração quê? Pistas para debate

Numa aula de Teoria e Prática de Educação para os Media seria um contra-senso não agarrar o que a actualidade nos traz (e o modo como ela nos faz), de modo a procurarmos entendê-la melhor nos seus contornos, nas suas questões e interrogações.
Independentemente do sucesso das manifestações previstas para este sábado convocadas via redes sociais pela auto-denominada "geração à rasca", o que se tem passado, colorido e ilustrado musicalmente pela música dos Deolinda, dá-nos matéria de sobra de reflexão. Outras ideias - ou o testemunho de outras abordagens - são certamente bem-vindas. Educar para os media é aprender a interrogar o modo como eles iluminam e dão sentido ao que se passa à nossa volta (ou, pelo contrário, contribuem para o ruído e o nevoeiro que já existe). Este fenómeno a que vimos assistindo (em que vimos eventualmente participando) envolve, em simultâneo, um grupo musical que tem sido ele próprio um fenómeno que cruza meios sociais; uma canção desse grupo erigida em estandarte; apropriação de redes sociais; discussão pública por diversos colunistas e posições antagónicas; campanhas de apoio mais ou menos disfarçado em alguns media tradicionais e reserva circunspecta da parte de outros. Que podemos aprender de tudo isto?
Comecemos por ouvir - com gozo e com atenção - a música.


Parva que Sou - Deolinda 

Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

DEOLINDA, Parva que sou

Pistas para debater:
  • Socialmente, quem é aqui caracterizado? Trata-se de uma situação generalizada ou característica de certos ambientes (classes) sociais?
  • Qual o grau de correspondência entre a descrição feita na canção e a realidade?
  • Como caracterizar as reacções e comentários veiculadas pelos media acerca da canção dos Deolinda? Inscreve-se em algum desses tipos de reacção o célebre editorial de Vicente Jorge Silva, no Público dos anos 90, intitulado "Geração rasca"?
  • Como e em que contexto se tornou a canção uma espécie de 'hino' de uma certa geração ou segmento dela? Que outros casos idênticos podem ser identificados no passado?
  • O movimento que se gerou através do Facebook, designado Protesto da Geração à Rasca, de que forma tem tirado partido das redes sociais? Com que dimensões e resultados? 
  • Como têm os media tradicionais reagido e lidado com esse movimento?

quinta-feira, março 03, 2011

Declaração de Bruxelas sobre Educação para os Media

Acaba de ser publicada a "Declaração de Bruxelas" sobre Educação para os Media, surgida na sequência de uma conferência europeia que teve lugar em Bruxelas, em 2 e 3 de Dezembro passado, por iniciativa do Conseil Supérieur de l'Education aux Médias e no quadro da presidência belga da União Europeia.
O texto, que pode ser subscrito por qualquer interessado (aqui), encontra-se disponível em francês (ver texto abaixo) e inglês.

DECLARAÇÃO DE BRUXELAS

«La politique européenne d’éducation aux médias traverse une phase cruciale d’émergence qui nécessite de croiser les expériences et d’échanger les bonnes pratiques dans le cadre d’un dialogue ouvert. C’est pourquoi les jeudi 2 et vendredi 3 décembre 2010, 300 spécialistes issus de plus de 30 pays européens et extra-européens se sont réunis à Bruxelles afin de participer à la conférence internationale “L’Education aux Médias pour tous” organisée par le Conseil Supérieur de l’Education aux Médias de la Communauté française de Belgique, dans le cadre de la Présidence belge du Conseil de l’Union européenne.

La conférence “L’Éducation aux Médias pour tous” a réuni les acteurs concernés par la mise en œuvre de l’éducation aux médias tout au long de la vie: animateurs, éducateurs, enseignants, formateurs, responsables d’industries et d’institutions médiatiques, d’organisations éducatives (scolaires et non scolaires), responsables des politiques éducatives, institutions de recherche…

L’objectif de cette conférence européenne était de relier les expériences pratiques et les recommandations politiques afin de stimuler la mise en œuvre de l’éducation aux médias tout au long de la vie, au bénéfice de tous les citoyens européens. Ces travaux ont abouti à la « Déclaration de Bruxelles pour l’Éducation aux Médias tout au long de la vie », rédigée en collaboration avec les 8 experts internationaux qui ont accompagné l’ensemble de la conférence.

Cette déclaration prend en considération :

  • La définition de l’éducation aux médias telle que définie dans la recommandation 2009/625/CE de la Commission du 20 août 2009 sur l'éducation aux médias dans l'environnement numérique pour une industrie de l'audiovisuel et du contenu plus compétitive et une société de la connaissance intégratrice. L’éducation aux médias y est définie comme étant « la capacité à accéder aux médias, à comprendre et apprécier, avec un sens critique, les différents aspects des médias et de leurs contenus. L’éducation aux médias comprend également la capacité à communiquer dans divers contextes. ». Elle ne se limite donc pas aux seules questions d’accès et englobe tous les médias. « Elle vise à sensibiliser davantage les gens aux diverses formes que peuvent prendre les messages médiatiques dans leur vie quotidienne. Par messages médiatiques, on entend les programmes, films, images, textes, sons et sites internet qui sont fournis par divers moyens de communication. »
  • La définition de la « littératie médiatique », qui désigne l’ensemble des compétences informationnelles, techniques, sociales et psychosociales exercées par un utilisateur, lorsqu’il consomme, produit, explore et organise des médias.
  • La nécessité d’intégrer l’éducation aux médias dans le cadre d’une éducation et une formation tout au long de la vie, telle que définie par les cadres de références européens (stratégie de Lisbonne et le cadre stratégique « éducation et formation 2020 »). Il s’agit de permettre aux personnes, à tous les stades de leur vie, de participer à des expériences d'apprentissage stimulantes et contribuer à développer le secteur de l'éducation et de la formation en Europe.
  • La nécessité de garantir l’accès des citoyens à une diversité médiatique, au-delà des mécanismes de marché, le cas échéant par une intervention des pouvoirs publics lorsque cette diversité se trouve menacée.
Les travaux préparatoires à la présente déclaration ont démontré qu’il est nécessaire de considérer que les différences de conception relatives à l’éducation aux médias sont des richesses qui nécessitent dialogues et réflexions et non des solutions hâtives destinées à éviter les débats.

Cette déclaration a pour objectif de proposer un ensemble de recommandations relatives aux actions éducatives à mener, aux compétences médiatiques de tout citoyen à développer, à l’accès du citoyen à l’éducation aux médias, à la recherche et aux politiques européennes. La mise en œuvre de ces recommandations concerne les niveaux locaux autant que régionaux, nationaux ou européens.

Recommandations


I. Mener des actions éducatives aux médias

  1. Inscrire l'éducation aux médias en tant que mission d’intérêt général qui relève de politiques publiques ambitieuses et de mécanismes de financement public volontariste dans le respect de l’autonomie opérationnelle des bénéficiaires.
  2. Développer et promouvoir différentes pédagogies adaptées à chaque public, à tous les âges de la vie, à différents contextes sociaux et culturels.
  3. Favoriser la production et la diffusion des ressources pédagogiques en éducation aux médias adaptées à des groupes spécifiques de bénéficiaires.
  4. Pourvoir les milieux scolaire et associatif en équipements adéquats aux pratiques d’éducation aux médias.
  5. Développer une formation en éducation aux médias à destination des professionnels des médias.
  6. Identifier et mettre en œuvre, pour chaque action éducative, des critères qualitatifs et quantitatifs d’évaluation.
  7. Garantir la diversité médiatique par un dispositif adéquat comprenant des moyens publics et privés notamment à l’égard des partenaires médiatiques utiles pour les éducateurs aux médias.
II. Développer des compétences médiatiques de tout citoyen

  1. Identifier et assurer la mise à jour d’un éventail large de compétences médiatiques nécessaires, tout au long de la vie, pour toute personne, portant sur l’ensemble des médias.
  2. Valider ces compétences à travers un processus concerté incluant la société civile.
  3. Adapter cet éventail de compétences médiatiques aux différents acteurs et intervenants de l’éducation et de la formation, en fonction du rôle qu’ils ont à assurer.
III. Promouvoir l’accès du citoyen à l’éducation aux médias
  1. Accroître la sensibilité des citoyens envers l'éducation aux médias à travers, par exemple, la mise en place d’une journée européenne de l'éducation aux médias, d’une semaine européenne de l’éducation aux médias à l'école...
  2. Promouvoir la visibilité publique des actions d’éducation aux médias.
IV. Développer la recherche en éducation aux médias et en littératie médiatique

  1. Soutenir des recherches approfondies permanentes sur:
  • l'appropriation des médias par les groupes sociaux et les communautés, à tous les âges de la vie,
  • l'évolution des pratiques formelles et informelles d'éducation aux médias.   
    V. Mener des politiques d’éducation aux médias 
    Exécuter sans tarder la résolution du Parlement européen du 6.11.2008 qui souhaite que: «la compétence médiatique soit inscrite en tant que neuvième compétence clé dans le cadre de référence européen pour l'éducation et la formation tout au long de la vie, conformément à la recommandation 2006/962/CE»

    quinta-feira, fevereiro 17, 2011

    Sítios de educação para os media em francês

    Para quem se movimenta na cultura e na lingua francesas, é útil a informação sobre sítios relacionados com a educação para os media disponibilizada pelo Les Enseignants Documentalistes da Académie de Poitiers:

    Sites d’éducation aux médias

    • En premier lieu, le site institutionnel du CLEMI, le Centre de Liaison de l’Enseignement et des Médias d’InformationLe CLEMI de notre académie, le site du CLEMI national
    • Site "réseau éducation médias", un site canadien à explorer : des fiches pratiques, kit pédagogique, des grilles d’analyse de journaux...Bref un incontournable ! Réseaux éducation média
    • Un blog critique : le blog de François Jost, chercheur spécialiste des médias ; une mine d’or ! "Comprendre la télé"
    • Le site de l’INA pour les professionnels : INA.
      En complément , un nouveau site de réflexions : INAglobal
    • Décryptimages  : Essentiel ! Des modules, des diaporamas, des analyses détaillées... décryptimages
    • Des analyses thématiques, réflexions théoriques : mediascritique
    • Un site belge très intéressant avec de nombreux dossiers : les dérives des médias... espace citoyen
    • Le site de l’émission "intermédias" (Radio-télévision belge de la Communauté française (RTBF) : vidéos... intermédias

    terça-feira, fevereiro 15, 2011

    Regulador dos media da Bélgica lança concurso de investigação em educação para os media

    O Conselho Superior do Audiovisual da Bélgica (francófona) decidiu abrir concurso para um investigador residente que pretenda desenvolver pesquisa sobre educação para os media, na sua relação com a função de regulação.
    O CSA, que tem na investigação uma das suas áreas importantes de investimento (basta referir que atribui anualmente um prémio à melhor tese ou relatório final de curso que aborde o audiovisual e a regulação), pretende, assim, contribuir para o estudo das relações entre a regulação do audiovisual e a educação para os media.
    Tendo a possibilidade de definir uma temática específica para estes concursos, o Conselho entendeu fazê-lo, pela primeira vez, sobre a educação para os media. Ponto interessante é que o concurso é aberto quer a candidatos de perfil mais académico quer de perfil mais profissional.

    segunda-feira, fevereiro 07, 2011

    Educação para os media no ordenamento jurídico português

    A Lei de Televisão, aprovada na Assembleia da República na última sexta-feira deverá ter procedido à transposição para a ordem interna da directiva comunitária "Serviços de Comunicação Social Audiovisual". Um dos aspectos desse documento legal é precisamente a Educação para os Media, que é a matéria tratada na al. 47º do preâmbulo e que abaixo se transcreve:


    Directiva 2007/65/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 11 de Dezembro de 2007, relativa à coordenação de certas disposições legislativas, regulamentares e administrativas dos Estados-Membros relativas ao exercício de actividades de radiodifusão televisiva



    O artº 33º da Directiva institui mecanismos de implementação que são taxativos, ao estabelecer que:

    Até 19 de Dezembro de 2011 e, daí em diante, de três em três anos, a Comissão deve apresentar ao Parlamento Europeu, ao Conselho e ao Comité Económico e Social Europeu um relató­rio sobre a aplicação da presente directiva e, se necessário, formular propostas destinadas à sua adaptação à evolução no domínio  dos serviços de comunicação social audiovisual, em especial à luz dos progressos tecnológicos recentes, da compe­titividade do sector e dos níveis de educação para os media em todos os Estados-Membros.Esse relatório deve também avaliar a questão da publicidade televisiva que acompanhe ou esteja incluída em programas in­fantis e analisar, nomeadamente, se as regras quantitativas e qualitativas constantes da presente directiva proporcionaram o nível de protecção exigido.
    Mais informação sobre a Directiva no site do Gabinete para os Meios de Comunicação Social.

    quarta-feira, janeiro 26, 2011

    Educação para os Media: um manifesto e um livro

    Acaba de ser lançado um "Manifesto da Educação para os Media" que conta com um conjunto inicial de depoimentos e que dará origem a um livro. A iniciativa provém do Centre for Excellence in Media Practice (CEMP), um centro de pesquisa e inovação  com sede na Escola de Media da Universidade de Bournemout, Reino Unido.
    A iniciativa tem uma característica interessante: propõe um conjunto de reflexões iniciais (entre as quais as de David Buckingham, Cary Bazalgette, Henry Jenkins e outros, entre os quais o português Vitor Reia Baptista), mas abre-se não apenas aos comentários do que já lá está mas também a novos contributos. Todo o material será reaproveitado para a edição futura do livro que compendiará o que de mais interessante tenha sido publicado.
    O projecto constitui um esforço no sentido de desenvolver uma compreensão partilhada e e a formulação de motivos comuns para a educação para os media.

    domingo, janeiro 02, 2011

    Educação para os media: compreensão crítica e participação activa

    David Buckingham é um dos investigadores e autores de referência, no panorama internacional da educação para os media.A abrir mais um ano, aqui fica uma definição do que, para ele, é e não é esta nova área de acção, formação e pesquisa, expressa num texto que escreveu há cerca de dez anos para a UNESCO, inspirado, de resto, num documento de referência para quem estuda e acompanha este assunto - a Declaração de Grünwald:
    • A educação para os media envolve o leque alargado de meios de comunicação, incluindo a imagem em movimento (cinema, vídeo, televisão), rádio e música gravada, meios impressos (especialmente jornais e revistas), e as novas tecnologias de comunicação digital. Tem como objectivo desenvolver uma "alfabetização" de espectro amplo, não apenas em relação à imprensa, mas também aos sistemas simbólicos das imagens e dos sons.
    • A educação para os media ocupa-se com o ensino e a aprendizagem sobre os media. Isso não deve ser confundido com o ensino através dos media - por exemplo, o uso da televisão ou de computadores como meio de ensino da ciência ou da história. A educação para os media não tem como foco o uso instrumental dos meios de comunicação como 'auxiliares de ensino’, como: não deve, por isso, ser confundida com a tecnologia educativa ou os media educativos.
    • A educação para os media tem como objectivo desenvolver tanto a compreensão crítica como a participação activa. Permite que os jovens interpretem e façam juízos informados enquanto consumidores de media, mas também permite que eles se tornem produtores autónomos de media, e, assim, se tornem participantes capacitados na sociedade. A educação para os media refere-se ao desenvolvimento de capacidades críticas e criativas entre os jovens.
    Buckingham, D (2001) Media Education - A Global Strategy for Development. A policy paper prepared for UNESCO (negritos nossos).

    sexta-feira, dezembro 17, 2010

    Livro de Dan Gillmor acessível na web

    De acordo com o site Boingboing, o novo livro de Dan Gillmor Mediactive, já referenciado neste blog, constitui uma masterclass do jornalismo do século XXI que supõe novos media da geração da Internet. Deste ponto de vista, ele interessará tanto a jornalistas como a todos quantos acompanham o jornalismo, enquanto produtores e utilizadores. Vale também pelo prefácio que traz da autoria de Clay Shirky.
    Outra boa novidade é que Mediactive está disponível para download livre (também em PDF). Por outro lado, o site de Gillmor, também intitulado Mediactive, publica mais recursos relacionados com este livro.

    domingo, dezembro 05, 2010

    Jornais abrem-se aos "pequenos" jornalistas

    São duas iniciativas interessantes de dois jornais diários. Uma bem fresquinha, denominada "Media Lab", inaugurada ontem , do "Jornal de Notícias" (Portugal); outra já existente há uns tempos, em Espanha, que se chama "El Pais de los Estudiantes: Periodismo en las Aulas".

    JN inaugura Media Lab: espaço para "pequenos" jornalistas
    O Jornal de Notícias inaugurou, este sábado, no Porto, um espaço educacional dedicado aos mais novos. No "Media Lab", os jovens poderão conhecer a história do jornal, saber como se faz o JN e tomar contacto com as diversas plataformas de informação do Jornal de Notícias.
    Ver vídeo, aqui.

    "El Pais de los Estudiantes: Periodismo en las Aulas"
    Em Espanha, o jornal "El Pais" há já uns tempos que aposta nesta área e de uma forma aparentemente mais sofisticada e abrangente... Tem um projecto disponível em linha chamado "El Pais de los Estudiantes: Periodismo en las Aulas", em que já estão a trabalhar mais de 45 mil alunos e 7 mil professores.
    Mais informação, aqui.

    sábado, dezembro 04, 2010

    "Dar o nome aos bois"

    Provavelmente nunca chegaremos a uma forma consensual, e menos ainda universal, de designar "a coisa" que é objecto deste blog. Aqui, demos-lhe o nome de Educomunicação. Estamos, bem o sabemos, bem acompanhados, mas não necessariamente satisfeitos ou desatentos às movimentações e procuras que por cá e lá por fora existem.
    Para termos uma ideia das veredas e caminhos para exprimir esta preocupação pelo lugar dos media, das mediações e da comunicação nas nossas vidas privadas e públicas, demo-nos ao trabalho de introduzir no motor de busca do Google aqueles termos e expressões de pesquisa que nos surgem mais frequentemente, pelo menos nas línguas que nos são mais próximas (excluímos o italiano porque cada vez mais vemos ser utilizada neste país a forma inglesa de "media education").
    O resultado foi aquele que o quadro abaixo mostra e que exige algumas, quiçá muitas, notas e comentários, de que se deixam abaixo apenas os mais fáceis para a interpretação de alguns dos dados. 

    Relativamente aos casos de "Information literacy", a expressividade do número de resultados relaciona-se com a ênfase que lhe tem sido dada no âmbito das ciências da informação e, em particular, no âmbito das bibliotecas. Ainda que, em anos recentes, se registem cruzamentos interessantes da informação com a democracia e a cidadania participativa.  Quanto ao caso da Pedagogia da Comunicação, importa observar que ela é usada há bastante tempo em contextos como o ensino das línguas e os estudos e práticas de promoção da comunicação humana.
    São bem-vidas outras observações e comentários a este quadro.

    quinta-feira, outubro 28, 2010

    Novidade: blog do Público na Escola

    Página 23 é o nome do Blog do Projecto Público na Escola, há mais de 20 anos proposto às escolas e aos professores pelo jornal Público.
    Uma atenção particular aos jornais escolares, às leituras interessantes e inteligentes e, em geral, à educação para os media.
    A seguir, pois.
    [De resto, e a propósito da presença da educação para os media na web, espero que tenhamos, dentro de dias, mais novidades].

    terça-feira, outubro 12, 2010

    Dezenas de videos

    O Media Education Lab da Universidade norteamericana de Temple disponibiliza no YouTube um 'canal' com dezenas de vídeos que se propõem apoiar o trabalho de professores e investigadores que se dedicam à Educação para os Media, em particular nos ensinos básico e secundário.
    Um exemplo:

    quarta-feira, outubro 06, 2010

    Professores e alunos aprovam os quadros digitais

    85 por cento dos professores considera que o uso dos quadros digitais nas salas de aula aumenta a atenção, motivação e participação dos alunos, segundo um estudo elaborado pela Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) e pela empresa de tecnologia didáctica Promethean.

    A investigação foi realizada no ano lectivo passado e envolveu mais de 4800 alunos e 80 professores de 22 centros educativos espanhóis e conclui que os Quadros Digitais Interactivos (QDI - tradução de Pizarras Digitales Interactivas) estão em franca expansão nas salas de aula espanholas. 90 por cento dos professores e cerca de 82 por cento dos alunos acreditam que com estas plataformas digitais aprende-se com maior facilidade. Por outro lado, a grande maioria de docentes (85%) e estudantes (91%) reconhece que a incorporação desta vertente digital nas aulas é bastante positiva.

    Logo após ter dado a conhecer os resultados do estudo, o responsável pela investigação e professor da UAB, Pere Marquès, destacou que «os modelos didácticos mais utilizados estão centrados na actividade e controlo do professor. Estamos também a atingir um nível de elevada utilização dos modelos centrados na actividade e iniciativa dos estudantes.»

    Fonte: Portaltic.es/gadgets

    quinta-feira, setembro 09, 2010

    Parabéns ao Reconquista!

    Com as devidas desculpas ao Fábio por lhe estar sempre a empurrar os posts para baixo, acho que se impõe dar os parabéns ao jornal Reconquista por ter recebido uma menção especial nos prémios deste ano de "Jovens Leitores" da Associação Mundial de Jornais e de Editores de Notícias, na secção "Jornais na Educação". A par do Reconquista também o australiano The Age recebeu uma menção nesta secção.

    O trabalho de Educação para os Media no distrito de Castelo Branco desenvolvido no campo dos jornais escolares tem sido um caso de destaque em Portugal, sendo possivelmente o mais ambicioso do país dentro deste tema.

    "Isto é o começo de uma abordagem excelente e multifacetada com o potencial para ajudar cidadãos do século XXI a desenvolverem capacidades críticas de literacia ao analisarem mensagens mediáticas e ao serem capazes de produzir as suas próprias mensagens. Apesar de os resultados terem sido modestos inicialmente, esperamos grandes coisas desta equipa", refere o júri do concurso.

    Citada pela Lusa, a professora do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) e investigadora responsável da iniciativa Helena Menezes afirmou que "este prémio é importante para o país, mas também para a região, e mostra que é possível desenvolver bons projectos fora dos grandes centros".

    O papel do Reconquista na região tem sido muito visível desde a década de 1970 quando começaram a imprimir na gráfica do semanário jornais escolares. Desde então que o jornal tem desenvolvido esforços nesta área, sendo uma das pedras fundamentais das actividades de Educação para os Media no distrito. Mais do que publicar jornais escolares, já lançaram suplementos com textos escritos pelos alunos das escolas abrangidas e deram visibilidade a esta actividade.

    Foi feita formação de professores e houve uma enorme aposta e incentivo da produção de jornais escolares por alunos de escolas de 2º e 3º ciclo, bem como de secundárias.

    Para além de investigadores quer do IPCB quer das universidades Clássica e Nova de Lisboa e do Instituto Piaget, o projecto tem à cabeça um jornalista do periódico albicastrense, Vítor Tomé, que tem dinamizado de forma estonteante este trabalho, financiado desde 2007 pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

    O prémio será entregue em Novembro numa cerimónia em São Francisco, nos EUA.

    Edit para acrescentar as declarações de Vítor Tomé, citado pelo Reconquista, e para corrigir as instituições associadas. “Este prémio tem de ser partilhado com os professores e os alunos das 24 escolas que estão a trabalhar com a equipa de investigação desde 2008. Tem de ser partilhado com a equipa do Reconquista e com muitos colaboradores, desde a empresa Netsigma a alguns docentes da Escola Superior de Artes Aplicadas e a várias outras pessoas que nos incentivaram a apoiaram desde a primeira hora”, afirmou o jornalista e investigador.

    Aproveito também para destacar que os resultados do projecto vão ser apresentados em Castelo Branco, no dia 6 de Novembro, com a presença dos avaliadores externos (Pier Cesare Rivoltella da Universidade Católica de Milão e Evelyne Bevort do Ministério francês da Educação) e de todos os membros da equipa.

    O evento também vai receber vários nomes da Educação para os Media nacional e internacional, em particular o fundador deste blogue e professor da Universidade do Minho Manuel Pinto, mas também
    Aguaded-Gomez (Universidade de Huelva), Vitor Reia-Baptista (Universidade do Algarve) e António Fidalgo (Universidade da Beira Interior), como refere o texto do jornal albicastrense.

    sexta-feira, maio 21, 2010

    "Comunicação, Cidadania e Educação"

    Recordando a trajectória da Educação para os Media na Universidade do Minho, importa dizer que está prestes a fazer 10 anos que o Senado Universitário desta instituição decidiu criar o Curso de Mestrado em Ciências da Comunicação, área de especialização em Comunicação, Cidadania e Educação (a medida surge documentada na acta da reunião do senado de 24 de Julho de 2000 (Resolução nº 20/00).
    Na altura, foi igualmente criada a área de especialização de Informação e Jornalismo, de resto, a primeira a abrir, no segundo semestre do ano lectivo seguinte (2001-2002). A de Comunicação, Cidadania e Educação viria a ter a sua sessão inaugural na abertura do segundo semestre de 2002-2003, com a participação do prof. José Manuel Pérez Tornero, director de um mestrado análogo na Universidade Autónoma de Barcelona.
    O curso teve várias edições, depois da primeira e deu origem a diversos estudos relevantes. Só foi interrompido ("descontinuado", como hoje dizem alguns) quando o Departamento se orientou para a adaptação de toda a oferta formativa ao chamado modelo de Bolonha. Nesse quadro, foi decidido que "Comunicação, Cidadania e Educação" deveria continuar, mas não já como área de especialização, mas como um curso de mestrado concebido de raiz.
    Vale a pena referir, a este propósito, três coisas:
    • 1. O mestrado nasce com a designação de "Comunicação, Cidadania e Educação" (e não "Educação para os Media") por razões de natureza académica internas; mas, por outro lado, enfatiza uma orientação que sempre foi privilegiada: o foco na educação para a cidadania.
    • 2. O curso surge como especialização de um mestrado de Ciências da Comunicação e é promovido pelo Departamento de Ciências da Comunicação, ainda que com a colaboração de docentes das Ciências da Educação. Não é caso único, no panorama internacional - de resto, o de Barcelona, já referido, também surgiu (e continua a funcionar, há perto de 20 anos) na Faculdade de Ciências da Comunicação da UAB).
    • 3. Enfim, uma curiosidade: um dos frutos desse mestrado é este blog que surgiu, como se disse, logo no primeiro post, como plataforma de apoio às aulas do curso.

    domingo, maio 16, 2010

    Educação para a Microsoft?

    Regressados do congresso Euro-Iberoamericano "Alfabetización mediática y culturas digitales", que decorreu em Sevilha nos passados dias 13 e 14 de Maio e ao qual a Universidade do Minho levou um grupo, tenho a certeza que virão a caminho vários posts sobre o mesmo.

    Eu próprio escreverei umas coisas acerca do que por lá foi discutido. Contudo, antes de o fazer, aproveito a deixa de Alfonso Gutiérrez Martin, professor na Universidade de Valladolid, que durante um dos painéis alertou para o risco de o tipo de Educação para os Media que se está a fazer actualmente poder ser, na realidade, apenas Educação com os Media e não para. E lançou a questão: "Quantos de nós neste congresso usam Powerpoint?"

    Educação para os Media que rapidamente se torna em Educação para a Microsoft, como o mesmo disse.

    Neste sentido, deixo aqui a ligação para um artigo recente do New York Times sobre o impacto do Powerpoint nas campanhas militares dos EUA: "We Have Met the Enemy and He Is PowerPoint". Alguns excertos particularmente interessantes:

    "O Powerpoint faz-nos estúpidos", disse este mês numa conferência militar na Carolina do Norte o General James N. Mattis dos Fuzileiros (Falou sem Powerpoint). O Brigadeiro-General H. R. McMaster, que baniu as apresentações de Powerpoint quando comandou os esforços bem sucedidos para controlar a cidade iraquiana da Tal Afar em 2005, foi o seguinte na mesma conferência, comparando o Powerpoint a uma ameaça interna.

    (...)

    "É perigoso porque pode criar a ilusão da compreensão e do controlo", afirmou o General McMaster numa entrevista por telefone mais tarde. "Alguns dos problemas do mundo não são do tamanho de bullets."

    (...)

    No ano passado quando um site militar, Company Command, perguntou ao líder de um pelotão do Exército no Iraque, Tenente Sam Nuxoll, como é que passava a maior parte do tempo, ele respondeu: "A fazer slides de Powerpoint". Quando o entrevistador insistiu, ele afirmou que estava a falar a sério."

    quinta-feira, maio 13, 2010

    Educação para os Media na UM

    Retomando a reflexão que há dias vinha fazendo, fiquei de explicar a razão ou razões para que a Educação para os Media (ou Educação para a Comunicação Social) tenha conhecido um tempo de menor vitalidade, no plano da formação, na Universidade do Minho (UM).
    Diria que o principal motivo se prende com as mudanças nas políticas educativas. O fim dos cursos de Estudos Superiores Especializados (CESE) acarretou o fim do CESE de Educação para a Comunicação Social da UM, que incluía disciplinas como Teoria e Prática da Educação para os Media ou Laboratório de Imprensa e Laboratório de Meios de Comunicação Escolares.
    Este Curso funcionou vários anos, na segunda metade dos anos 90, no então Instituto de Estudos da Criança.
    Ao mesmo tempo, o desenvolvimento dos mestrados levou a criar em vários deles, no mesmo Instituto, disciplinas - que ainda hoje existem - que, não sendo especificamente de Educação para os Media, abrem janelas para essa vertente (vg. "Crianças, Media e Socialização" ou "Comunicação, Media e Infância").
    Mas o factor decisivo para o quase total eclipse desta componente nos cursos de licenciatura de formação de professores e educadores, com carácter obrigatório, teve, na segunda-metade da primeira década deste século, a ver com o desenvolvimento do chamado "processo de Bolonha", acentuando, de resto, uma tendência que já vinha de trás. A centração curricular nas áreas ditas fundamentais (como a Matemática, as Ciências Naturais ou o Português)) e a definição de pesos específicos para essas áreas conduziu a passar para as margens ou mesmo a suprimir formações tidas por secundárias ou irrelevantes. Nessa onda se foi a Educação para a Comunicação Social, um processo que se conjugou também com a afectação de recursos humanos à leccionação.
    Ao mesmo tempo que se ia atenuando o lugar dessa vertente na escola que tinha por missão os estudos da criança e a formação de professores da educação infantil e básica, ela iria começar a ganhar expressão no Instituto de Ciências Sociais, precisamente no Departamento de Ciências da Comunicação. É o que veremos a seguir.

    domingo, maio 02, 2010

    Mais uma revista científica de educação para os media que se anuncia, desta vez em França


    De uma assentada, uma equipa de investigadores maioritariamente franceses acaba de criar um Centro de Estudos sobre os Jovens e os Media e uma revista científica, que terá a primeira edição em Outubro próximo.
    O Centro, que realizou no mês passado o seu primeiro encontro, na Sorbonne, em Paris, é composto por investigadores ligados às ciências da comunicação e da informação que têm um objecto comum: "a educação para os media e as práticas mediáticas dos jovens".
    Os objectivos, além de congregar os investigadores, consistem em valorizar a investigação universitária e as práticas educativas; proporcionar um espaço de trocas e de partilha; pôr à disposição dos editores e da imprensa, dos jornalistas e também dos docentes, formadores e educadores e de estudantes diferentes tipos de recursos. A Associação quer ainda ser "um espaço de diálogo com os numerosos actores públicos e privados que intervêm no domínio da educação para os media".
    A revista sairá com a chancela das edições de l'Harmattan e terá por título "Jeunes et Médias, les cahiers francophones de l’éducation aux médias".
    Com sede em Paris (66 rue Gay-Lussac, 75005, Paris), esta associação pode ser contactada através do mail: jeunesetmedias@gmail.com.
    (Fonte: CLEMI]

    ACT. (3.5.2010):
    Especificamente sobre a revista, um membro da Associação enviou-nos, entretanto, a seguinte informação complementar:
    "La revue est semestrielle, le premier numéro sort début octobre 2010, le deuxième début avril 2011. Le premier dossier thématique porte sur les objets médiatiques populaires consommés par les jeunes mais peu pris en compte par la haute culture et le monde de la recherche. Le dossier thématique du deuxième numéro porte sur la sérialité.
    La revue comporte trois grands volets : le premier est la parole d'un "grand témoin" issu des médias ou de la recherche, le deuxième un dossier thématique, le troisième s'intéresse aux actions d'éducation aux médias et aux études universitaires qui portent sur les médias d'actualité."

    sexta-feira, abril 30, 2010

    "Educação para a Comunicação Social"


    (Exercício: contar os pontos negros)

    Porquê "Educação para a Comunicação Social"? Foi esta a pergunta que deixei em suspenso, no post do passado dia 28. Aqui fica um primeiro ensaio de resposta. Telegráfico, como um post costuma ser.
    Educação para os Media já era um conceito corrente lá fora, nomeadamente na Europa e na Austrália. "Media Education", "Éducation aux Médias" são designações de uso frequente desde pelo menos os anos 80. Na altura, em Portugal, não se pode dizer que fosse uma nomenclatura muito conhecida e, para ser franco, à medida que me fui embrenhando nestes assuntos, não era aquela que mais me agradava. Afinal, que sentido faz educar "para os media"? Para todos os media? Para o que quer que seja que os media façam e difundam? Tem cabimento tomar os media como um objectivo da educação, como se diz, por exemplo, educar para a autonomia ou para a cidadania?
    Foi por isso que, perante a necessidade de dar nome a uma nova esfera de formação, instituída na Universidade do Minho, a partir do ano lectivo de 1988-1989, eu tenha optado por Educação para a Comunicação Social. Não posso dizer que tenha sido, nessa opção, excessivamente original. Afinal, na América Latina, em especial, e no Brasil, em particular, tinha-se tornado frequente, naquela altura, a proposta e o uso do conceito de Educação para a Comunicação ou, condensando os termos, Educomunicação [percebem, agora, a razão de ser do nome deste blog?].
    Fica, por conseguinte, explicitado porque não se adoptou, há 22 anos atrás, a designação de Educação para os Media. Mas não se justificou ainda os argumentos a favor de Educação para a Comunicação Social.
    A Comunicação Social é correntemente associada aos meios de difusão colectiva (ou mass media), mas o conceito é mais amplo e engloba o conjunto de processos e de práticas de comunicação, na sociedade. Neste sentido, configura-se como um meio, mas, ao mesmo tempo, como um fim da vida social. A comunicação é, assim, uma dimensão constitutiva da sociedade, sendo importante - e mesmo determinante - que todos aprendam a comunicar bem, no sentido de ouvir, informar, partilhar e participar, concorrendo para a construção da vida de uma dada comunidade. A Educação para a Comunicação Social é, pois, a formação que deve ter como objectivo último a aquisição e prática da comunicação, nos seus diferentes níveis e modalidades, dando particular ênfase às formas de comunicação mediada. De facto, o extraordinário desenvolvimento dos media de massas, sobretudo na segunda metade do século XX, com a televisão e o seu impacto no espaço doméstico, tornou necessária a aprendizagem de atitudes e comportamentos críticos e activos, quer no plano da leitura das mensagens, quer na compreensão dos seus contextos e lógicas de produção, quer dos quadros sociais de uso e apropriação. A Internet, o telemóvel, os jogos vídeo e as redes sociais só vieram tornar aquele desiderato mais premente, nos últimos 15 anos. Aprender a comunicar (não apenas eficientemente, mas de forma significativa) tornou-se um desafio crucial nos tempos que vivemos. E também paradoxal, visto que temos aparentemente os recursos tecnológicos (ainda que distribuídos de forma assimétrica), mas eles não garantem de per si que comuniquemos bem (ou sequer melhor do que antes) uns com os outros, nas situações do dia a dia, seja entre colegas e amigos, seja na família, no trabalho ou na escola.
    Foi por isso que apostámos na Educação para a Comunicação Social. Que chegou a ter um desenvolvimento bastante expressivo e que hoje já não existe como tal. Porquê? Eis o que procurarei apresentar em breve.