O Público online divulga os resultados de um inquérito feito por investigadores do ISCTE sobre o uso dos media entre os 8 e os 18 anos, num trabalho de Isabel Leiria. Eis os primeiros parágrafos:
"60 por cento das crianças e jovens têm televisão no quarto
Isabel Leiria
Mais de 90 por cento das crianças e jovens têm pelo menos duas televisões em casa e seis em cada dez têm uma no quarto, tal como acontece com uma percentagem semelhante de pais. Os aparelhos estão na sala, mas também na cozinha e noutras divisões. Só que esta já não é a “lareira electrónica” à volta da qual se reúne a família.
“Há uma tendência para o uso independente dos aparelhos de televisão que se afasta do paradigma do seu uso familiar”, dizem os autores do estudo "E-Generation: Os Usos de Media pelas Crianças e Jovens em Portugal", de 2007. Os investigadores do ISCTE Rita Espanha e Tiago Lapa inquiriram uma amostra representativa de miúdos entre os 8 e os 18 anos e chegaram à conclusão que, apesar de continuar “omnipresente” (em mais de metade dos lares existem três ou mais aparelhos), a televisão perdeu o seu lugar central, com os jovens a dividirem o seu tempo e atenção com outros meios e tarefas, como o computador, o leitor de MP3 ou o telemóvel.
A televisão pode até estar sempre ligada, com 91 por cento dos inquiridos a dizer que assim é às horas das refeições. Metade admite até que o aparelho está a funcionar mesmo quando ninguém está a ver. O que acontece é que, também muitas vezes, cada elemento da família a utiliza no seu espaço, originando “novas formas de organização familiar e modos de organização geográfica das actividades familiares”.
E se a vida dos jovens se está “a deslocar do público para o privado”, por causa do “declínio da cultura de rua e do convívio familiar”, uma vez em casa é no quarto que os mais novos passam muito do seu tempo. Os autores do estudo falam mesmo na “emergência de uma cultura do ‘quarto de dormir’, onde os jovens tendem a concentrar no seu reduto mais privado os «media» que utilizam”.
“Esta forma de estar, o isolamento dos jovens no seu próprio quarto, já existia nas gerações anteriores. Mas agora os jovens têm ao seu dispor vários meios (televisão, telemóveis, internet) que lhes dão entretenimento e lhes permitem também prolongar as relações com outros jovens sem sair de casa”, comenta Rita Espanha.
Em relação ao que vêem na televisão, a TVI é o canal favorito para mais de metade (a RTP 1 tem a preferência de apenas 4,5 por cento) e gostam sobretudo de filmes. Mas são as telenovelas que mais tempo lhes roubam. Menos de metade assiste ao telejornal.
A Internet é outro dos "media" que tem ganho uma importância fundamental na vida dos jovens. Quase três em cada quatro assume-se como utilizador, com a maioria a iniciar-se aos 10,11 anos. A Web serve para enviar "mails", consultar enciclopédias e dicionários "online" ou procurar informação relacionada com os estudos. Navegar “sem objectivos concretos”, jogar ou participar em "chats", combinar saídas e contactar amigos quando se “está desanimado” são outras utilizações recorrentes.(...)
(Continuação: AQUI)
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quarta-feira, junho 04, 2008
terça-feira, junho 03, 2008
Práticas e influências mediáticas
No artigo "Crianças influenciam 80% das marcas compradas pelos pais", hoje publicado pelo Diário de Notícias, com base num estudo da agência de meios Consumer Insight OMG, realizado em finais de 2007, são publicados dados relevantes sobre a realidade dos mais novos (7 - 12 anos) portugueses:
(No artigo não são dadas indicações sobre dimensão da amostra, margem de erro, etc)
- Quase metade (44%) dispõem de televisão no quarto, sendo que 55% afirmam gostar de ver publicidade.
- Uma em cada cinco crianças entre os 5 anos e os 12 anos de idade tem um telemóvel, com 70% a utilizá-lo para enviar SMS várias vezes ao dia.
- Quanto à internet, daqueles que a ela acedem, a grande maioria (73%) fá-lo a partir de casa, sendo que apenas 23% utiliza a internet na escola.
- No acesso à internet, existe um elevado grau de autonomia, uma vez que 71% fazem consultas sozinhos, sem a companhia dos pais, o que só se verifica em 24% dos casos.
- 56% das crianças entre os 7 e os 12 anos (escalão etário que representa 15% da população portuguesa) recebem dinheiro dos pais para gerir, a título de semanada ou mesada, rondando esse valor, em média, os 30 euros mensais, o equivalente a 360 euros anuais.
- As crianças portuguesas entre os 7 e os 12 anos gerem cerca de 5,6 milhões de euros por ano através de mesadas ou semanadas
- 80% das marcas adquiridas pelos pais são influenciadas pelas crianças (na compra de automóvel, por exemplo, elas chegam a ter uma influência em 67% das decisões).
(No artigo não são dadas indicações sobre dimensão da amostra, margem de erro, etc)
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quinta-feira, maio 08, 2008
Crianças vão decidir num jornal 'a sério'
Segundo a newsletter Meios & Publicidade o jornal de distribuição gratuita Metro vai colocar crianças dos seis aos 12 anos a decidir o conteúdo da edição do próximo dia 30, antevéspera do Dia Mundial da Criança (cf Metro: Crianças são directores por um dia).
A este propósito, o blogue INFOINCLUSÕES - contributos para uma literacia mediática comenta, num curto post:
Segundo a newsletter Meios & Publicidade o jornal de distribuição gratuita Metro vai colocar crianças dos seis aos 12 anos a decidir o conteúdo da edição do próximo dia 30, antevéspera do Dia Mundial da Criança (cf Metro: Crianças são directores por um dia).
A este propósito, o blogue INFOINCLUSÕES - contributos para uma literacia mediática comenta, num curto post:
"Até onde vamos chegar?Até onde vamos chegar enquanto se fizer crer que todos podem fazer tudo e opinar sobre o que quer que seja? À descredibilização total!"O leitor que opina?
segunda-feira, abril 28, 2008
Crianças e media: Cimeira Mundial
A cidade de Karlstad, na Suécia, prepara-se para acolher, dentro de dois anos, a Cimeira Mundial sobre Media para Crianças e Jovens, dando assim continuidade a outras iniciativas análogas, que ocorreram na última década em diversas partes do mundo. O tema, desta vez, versa sobre "Desafios no mundo da comunicação das gerações mais novas".
A versão espanhola do texto de apresentação da cimeira explica assim a iniciativa:
A cidade de Karlstad, na Suécia, prepara-se para acolher, dentro de dois anos, a Cimeira Mundial sobre Media para Crianças e Jovens, dando assim continuidade a outras iniciativas análogas, que ocorreram na última década em diversas partes do mundo. O tema, desta vez, versa sobre "Desafios no mundo da comunicação das gerações mais novas".A versão espanhola do texto de apresentação da cimeira explica assim a iniciativa:
- Preparando un nuevo mundo mediático para el siglo XXI con los niños y la juventud.
- Una visión ambiciosa e imaginativa para llamar la atención a los medios sobre el bienestar de los niños, y llamar la atención a los niños sobre los medios.
- Los jóvenes participarán en la planificación, co-creación y realización de la Cumbre, al mismo tiempo de asistir personalmente y de manera virtual.
- Un nuevo formato para una conferencia internacional que ofrece la posibilidad de hacer red, debatir, plantear nuevos retos, interactuar y participar en sesiones prácticas para compartir perspectivas, experiencias y conocimiento.
- Cumbres virtuales paralelas, organizadas de manera simultánea en las grandes ciudades del mundo, interactuarán y aportarán resultados a la Cumbre de Karlstad.
- Presentación y debates sobre las nuevas líneas de investigación sobre niñez, medios de comunicación y bienestar.
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